Resumo: “Avaliação contínua x avaliação somativa” by Jossely Oliveira

“Avaliação contínua versus somativa”

ESCLARECENDO OS CONCEITOS

AVALIAÇÃO SOMATIVA: “Tipo de avaliação que ocorre ao final da instrução com a finalidade de verificar o que o aluno efetivamente aprendeu. Inclui conteúdos mais relevantes e os objetivos mais amplos do período de instrução; visa à atribuição de notas; fornece feedback ao aluno (informa-o quanto ao nível de aprendizagem alcançado), se este for o objetivo central da avaliação formativa; e presta-se à comparação de resultados obtidos com diferentes alunos, métodos e materiais de ensino. Foi assim classificada por Benjamin Bloom e seus colaboradores, cujos estudos apontam para outros dois tipos de avaliação: a formativa e a diagnóstica.”

AVALIAÇÃO FORMATIVA (ou CONTÍNUA): “Tipo de avaliação que ocorre durante o processo de instrução. Inclui todos os conteúdos importantes de uma etapa da instrução; fornece feedback ao aluno do que aprendeu e do que precisa aprender; fornece feedback ao professor, identificando as falhas dos alunos e quais os aspectos da instrução que devem ser modificados; e busca o atendimento às diferenças individuais dos alunos e a prescrição de medidas alternativas de recuperação das falhas de aprendizagem. Foi assim classificada por Benjamin Bloom e seus colaboradores, cujos estudos apontam para outros dois tipos de avaliação: a somativa e a diagnóstica.”

PESQUISADO POR NATÁLIA GUERREIRO (http://www.educabrasil.com.br/eb/dic/dicionario.asp?id=300)

VANTAGENS DA AVALIAÇÃO CONTÍNUA

A avaliação contínua abre maior espaço para um trabalho personalizado e estimula o aprendizado com foco no aprendiz e não necessariamente nos objetivos da lição. A avaliação contínua, dentre outras vantagens, permite que o professor observe o desenvolvimento do aluno respeitando o tempo de aprendizagem deste. Ou seja, a avaliação contínua mostra o processo de outra forma, ela mostra os diferentes momentos na aprendizagem, momentos de altos e baixos.

Por depender mais da sensibilidade e do olhar técnico do professor, esse tipo de avaliação fornece mais informações que permitem a customização do trabalho do professor com base nas necessidades do aluno. Enquanto isso, a avaliação contínua irá mostrar de outra forma o processo, talvez nos mostrando os momentos diferentes através de diferentes tangentes.

DESVANTAGENS DA AVALIAÇÃO CONTÍNUA

A grande desvantagem da avaliação contínua é que, na nossa realidade, ela funciona melhor em salas com poucos alunos. Afinal, o professor deve conhecer cada um deles. Não só o nome, mas também o jeito de ser, aprender e pensar. É preciso conhecer seus gostos e expectativas. Sendo assim, monitorar uma sala com muitos alunos desfavorece um resultado justo nesse processo de avaliação.

Em lugares onde há uma tentativa de avaliar os alunos de forma contínua, o diagnóstico sai prejudicado por não haver critérios delimitados, muitas vezes por falta de um maior conhecimento técnico por parte do professor e do quanto o resultado sofre interferências da subjetividade desse professor.

VANTAGENS DA AVALIAÇÃO SOMATIVA

A avaliação somativa permite que o aluno perceba seu progresso através de um resultado mais fácil de ser lido: o resultado numérico. Esse instrumento de avaliação também serve como uma amostragem do que foi ensinado e aprendido, verificando o quanto os alunos incorporaram dos objetivos propostos e fornecendo informações que permitem que o estudante passe ou não para o próximo nível. Além disso, a avaliação somativa atende a uma demanda da sociedade que pede provas documentais de aprendizado.

DESVANTAGENS DA AVALIAÇÃO SOMATIVA

O problema da avaliação somativa é que, por ser uma amostragem do que foi aprendido, uma pessoa que não esteja se sentindo bem no dia da avaliação, por motivos diversos, pode ter um desempenho inferior ao que normalmente teria ou superior porque decorou um monte de coisas na véspera. Nesses casos, o resultado jamais será 100% fiel ao desempenho real do aluno. Uma avaliação somativa acaba medindo o momento da “fotografia”, então pode sair nebulosa.

Além disso, a avaliação sumativa, nos moldes atuais, estimula o aluno a só estudar em determinado dia para memorizar conteúdos por curto tempo. Memorizar conteúdo não é necessariamente aprender este conteúdo. Se não há como evitar a avaliação sumativa nesses moldes, esta deve ser voltada para situações de comunicação tais como criar um diálogo entre um vendedor e um cliente ou um e-mail, por exemplo.

PONTO DE EQUILÍBRIO

Chegando a um consenso, entendemos que as avaliações somativa e contínua são instrumentos de avaliação válidos e complementares. Se vivemos em uma sociedade onde os números e as quantidades são importantes por que não discutirmos a melhor forma de elaborar uma avaliação somativa eficaz? Afinal, se optarmos apenas pela avaliação contínua, por exemplo, o aluno ficará anos sendo avaliado continuamente e depois cairá nas mãos de uma sociedade regida pelo número: pontos em concurso, notas em provas de ingressos e etc. O aluno precisa estar pronto para essa realidade também.

Quando se trata do ensino de línguas, é possível sugerirmos que o processo de estudo para avaliação (que na maioria ainda é somativa) deva ser completamente diferenciado de outras matérias como Geografia ou História.

No caso de avaliações somativas, é importante que essas avaliações contenham questões que representem melhor situações passíveis de serem vividas pelos alunos. Podemos ter avaliações somativas que vão além de um simples teste de múltipla escolha. Uma redação com uma questão bem formulada, e com critérios e descrições claros podem fornecer um resultado somativo que realmente permite o aluno ir além. É preferível uma avaliação somativa bem aplicada e bem elaborada que uma avaliação contínua mal aplicada.

Teoricamente a avaliação continua é menos excludente que a avaliação somativa. Como educadores, sentimos cada vez mais a necessidade de sermos capazes de utilizar essa avaliação. Porém, é difícil mudarmos uma cultura enraizada no Brasil, onde existe uma necessidade de quantificar o desempenho em notas ao invés de compreender o diagnóstico exposto em um relatório, por exemplo.

Seria preciso escolher com cuidado os elementos que entrariam nesta avaliação para no fim do semestre ter uma clareza de amostra para justificar a avaliação do professor baseada no trabalho do aluno. Não precisa ser algo grande e elaborado. Às vezes é algo bem pequeno que depois fará parte de uma tarefa maior. Esse procedimento exige mais trabalho da parte do professor, mas faz parte do compromisso com a aprendizagem e com a excelência.

Em relação ao problema com salas de aula numerosas e a avaliação contínua, seria importante aprendermos com outros contextos onde esse tipo de avaliação é bem sucedido. Nesses contextos as tarefas são tais que os próprios alunos se avaliam e isso também gera outro sentido de apropriação da tarefa. É muito comum também terem avaliações de grupo. Estas são soluções bem utilizadas já, mas exige um entendimento claro pelo professor do processo, uma unidade de ação na escola e clareza de comunicação com os pais e alunos. A questão é que ações assim deixam claro que o ensino não está focado em conteúdo, mas sim em conhecimento. Isso é a chave.

Uma sugestão para uma rotina de avaliação contínua em turmas numerosas seria a seguinte: numa sala com 40, por exemplo, o professor criaria oportunidades de conduzir esse tipo de avaliação. Por exemplo, numa aula reunir-se com um determinado número de alunos para realizar um tipo de tarefa que permita o monitoramento desse grupo enquanto outros grupos estão fazendo outro tipo de atividade. Essa rotina se alternaria nos grupos. Isso leva tempo, mas para isso acontecer, a estrutura da aula e do plano anual de conteúdos precisaria mudar. Do jeito que está, é muita coisa pra professor e alunos darem conta.

Outra questão cultural a ser superada é a de confiança no diagnóstico do professor no caso da avaliação contínua, que por sua vez precisa produzir algum tipo de relatório de desempenho, seja com pequenos comentários na agenda ou de maneira mais formal, como comunicados, ou ainda através de portfolios e projetos.

Não há dúvida que a tecnologia pode vir a nos ajudar na elaboração e criação de confiabilidade e “reliability” de uma prova, e também com os elementos que escolhemos para estes portfolios de avaliação contínua.

O outro lado dessa questão cultural a ser superada é o lado da formação continuada do professor. Mesmo com a tecnologia e exames precisos, existem momentos num diagnóstico médico que a avaliação é subjetiva, e a gente precisa confiar no médico, na formação e atualização dele. É importante reconhecer que o professor precisa de uma boa formação e que ela seja continuada, assim como outros profissionais que também precisam de atualização para exercer com eficiência e competência a sua profissão.

UMA DECISÃO CONJUNTA

É necessário em todos os casos levar-se em conta a realidade administrativa da instituição: numero de alunos, objetivos, conhecimento técnico do professor, materiais, clientela, etc.

Qualquer decisão nas formas de avaliação precisa envolver direção, professor, alunos e responsáveis (quando é o caso). Se entendermos que a forma atual de avaliação está ruim, todos precisam se comprometer com o processo de melhorá-la, e isso envolve uma mudança de atitude, às vezes até da própria direção da escola. Esse processo é longo, assim como todo  processo de aprendizagem.

PERGUNTAS SEM RESPOSTAS (por enquanto…)

. Qual a ideia que se tem sobre como mensurar um curso de avaliação contínua?

. Como documentar o progresso do aluno de maneira continua para efetivamente mostrar (e convencer) os pais, por exemplo?

. Qualquer professor é capaz de avaliar a produção de um aluno a partir de uma tabela de critérios (ou mesmo sem ela até)?

. No caso de turmas numerosas, se falou em colocarmos alunos em grupos e monitorarmos eles. Como anotamos isso? Como acompanhamos cada grupo? Se eu monitoro, eu ajudo também? Qual nível de interferência eu posso ter?

EXPERIÊNCIA

Valéria França: Algum de vocês já passou por alguma avaliação contínua? Como foi a experiência de vocês como “aluno”?

Kelly Amorim: eu já passei por avaliação contínua e como aluna e senti falta da prova, da nota, do ver meu desenvolvimento sendo quantificado. Gostei de ser avaliada continuamente, mas assim como me sinto quando avaliada somente somativamente, faltou algo.

LEITURAS

Embora seja muito diferente de nosso contexto, segue uma leitura super interessante sobre processos escolares de avaliação no Canadá: http://www.wncp.ca/media/40539/rethink.pdf

Cecilia Lemos- Box of Chocolates: http://cecilialcoelho.wordpress.com/tag/assessment/

Henrick Oprea http://hoprea.wordpress.com/tag/assessment/

http://www.cambridgeassessment.org.uk/ca/digitalAssets/113878_ICT_in_Assessment.pdf

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Agradecemos a participação de Jossely Oliveira e seu comprometimento com a melhora do ensino de inglês no Brasil.

Jossely de OliveiraImage é graduada em Letras com habilitação em Língua Inglesa pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). Nascida e residente em Patos, na Paraíba, Jossely é mãe de Lucy (2 anos) e apaixonada pelos alunos que enchem de sentido o seu dia a dia como educadora. Ela ensina inglês na Cultura Inglesa desde 2003 (anos divididos entre Campina Grande e Patos) e recentemente tem se interessado em Critical Literacy, Reflective Teaching, Humanistic Approach to Teaching and Learning and DOGME.

 

 

 

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