49th IATEFL – Manchester. Como participar de uma Conferência Internacional.

por Priscila Mateini

Hello PessoALL,

 

Momentos com alguns membros do BrELT no 49th IATEFL em Manchester, Reino Unido.

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Neste post vou compartilhar com vocês uma experiência única para nós professores de língua inglesa. Muitos de vocês viram que o BrELT postou hora em hora palestras, fotos e links sobre um evento que para muitos Professores Brasileiros ainda é algo desconhecido, principalmente para os mais novos na profissão.

O IATEFL (International Association of Teachers of English as a Foreign Language) é uma associação sediada no Reino Unido, e todos os anos acontece uma Conferência Internacional que autores, editoras e palestrantes de todo mundo se reúnem em 4 dias para trocar conhecimentos, ideias, aperfeiçoar ou aprimorar algumas áreas com minicursos ou workshops e também um grande networking com professores de várias partes do mundo e com vivencias semelhantes ou totalmente diferente da nossa realidade ou contexto.

Mas alguns devem estar se perguntando, como que você descobriu o IATEFL? Como muitos de vocês, não descobri na sala da minha faculdade, nem de uma Pós graduação, mas descobri numa Conferência do Braz-Tesol em que fui voluntária (Minder) no Rio de Janeiro em 2012. Nessa época pouco sabia que existia o BrELT e muito menos uma Conferência falando sobre o tema fora do Brasil. Com os bate-papos no Braz-Tesol e também no BrELT descobri que existia esse evento que também era transmito pela internet. Foi nessa época que decidir planejar minha viagem ao Iatefl.

Em 2013 seria minha primeira vez na Conferencia, porem por questões de saúde tive que adiar os meus planos. Em 2014, decidir ir ao Braz-Tesol em João Pessoa aonde apresentei minha primeira apresentação num Congresso Internacional, então não tive tempo e nem orçamento para os dois naquele ano. Portanto, na volta do Braz-Tesol decidi que queria ir ao IATEFL que seria na cidade de Manchester. E ai, o que fazer, como se inscrever e assim foram tantas e tantas perguntas, que vários amigos muito pacientes me ajudaram a esclarecer e investir nessa viagem.

O que fazer? O primeiro passo planejamento. Levantar o custo da viagem, com passagem, estadia, inscrição, alimentação, transporte, seguro viagem, dinheiro extra para compras de livros, passeios ou lembrancinhas. Como nosso país está numa fase em que a taxa cambial está muito elevada o planejamento é mais que essencial para não ter susto.

Chegando lá sempre terá alguém conhecido, mesmo sendo o professor mais tímido, terá sempre alguém para conversar não se preocupe quanto a isso. O importante dessa grande viagem e investimento é aproveitar o máximo que pode. Claro que é uma missão impossível assistir todas as palestras e workshops, assim antes de viajar escolha já as palestras em que você gostaria de assistir ou se estiver lotada na hora, não se preocupe algumas são gravadas e você poderá assistir na sua volta.

E os autores, posso falar ou tirar fotos com eles. A grande maioria é bem acessível, atenciosos e ainda tiram fotos com vocês, mas um conselho de amiga, usem o bom senso, sejam pacientes pois são quase 2000 professores querendo falar com os mesmos.

Para finalizar, é uma experiência única, poder estar em uma Conferência Internacional com tantas pessoas que buscam o melhor no ensino da Língua Inglesa não só no Brasil e além do mais um upgrade na sua própria formação.

Nos vemos ano que vem em Birmingham, espero encontrar alguns de BrELTers lá como a Virginia, Andreia, Teresa, Vicky e entre outros que estiveram nesse ano participando e apresentando.

Mais informações sobre a Conferência aqui no site do British Council tem as plenárias, algumas palestras e entrevistas com alguns nomes do ELT Mundial.

Momentos com Palestrantes do Rio de Janeiro e São Paulo e com a ex-Presidente do IATEFL Carol Reed e a atual Presidente Marjorie Rosemberg.

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Nos vemos no próximo Iatefl.

LinFE 2015: Entrevista com Profs. Ademar Castelo Branco & Fabrício Silva

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Em março deste ano no Rio de Janeiro, deu-se a 3a realização do LinFe, o Congresso Nacional de Línguas para Fins Específicos. Nesta entrevista, Ademar Castelo Branco & Fabrício Silva, ,membros da BrELT que são mestres na área e professores de ESP, explicam o que é (e o que não é!) o ramo de línguas para fins específicos e como se dá o trabalho nas FATEC. Também contam o que houve de mais legal no congresso.

O bate-papo foi um pouco prejudicado pela qualidade da internet da entrevistadora (humpft, Net!), mas tenho certeza de que vocês vão perceber que o conteúdo desses dois vale a pena.

IATEFL 2015: Interview with Nicolas Prentis & Russel Mayne

Por Natália Guerreiro

Liste mentalmente os maiores nomes do ELT mundial.

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Já pensou?

Agora confira com esta foto:

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Foto de Steve Brown

E aí, bateu?

Essa lista saiu de um estudo de Nicola Prentis e Russel Mayne com 500 professores. E eles fazem a pergunta: onde estão as mulheres? Numa profissão tão feminina, em que a sala dos professores é quase exclusivamente “dAs professorAs”, cadê seus nomes na lista dos bambambãs? Só a Ur no Top 10? E por que quase não se vêem mulheres nas plenárias e nos lugares de destaque dos congressos da área?

(E tem mais: cadê os jovens profissionais, que essa galera já é famosa tem uns 30 anos? E eu acrescento: onde estão os não nativos?)

Infelizmente, não se pode ver a apresentação, mas lá no site do IATEFL há uma entrevista com Nicola Prentis e Russel Mayne. Além disso, o Steve Brown escreveu um post imperdível sobre o assunto.

E vem aquele papinho de “ah, as mulheres não têm confiança ou não querem lugar de destaque”. Sério, pleno século XXI e temos ainda de ouvir uma dessas… Ainda bem que a curiosidade intelectual do Russel não tem limites e ele levanta a bola: se fosse o caso de as mulheres estarem sendo convidadas para essas posições e não aceitando, por que essa recusa? Será que o meio não é hostil a elas?

O entrevistador defende que não é culpa de quem está no topo que mulheres não estejam lá com eles. Claro que não, Nicola diz, e não se está apontando o dedo. Russel complementa que o fato de não ser culpa não quer dizer que não tenha nada que eles possam fazer para aumentar a igualdade e menciona algumas iniciativas interessantes que já estão sendo tomadas.

Obviamente, querer mais mulheres, mais não nativos e mais jovens no topo não quer dizer que estejamos declarando guerra contra os homens anglófonos com muito tempo de carreira. Não quer dizer que a gente não reconheça o valioso input desses profissionais, que têm, sim, muito a contribuir. Só quer dizer que precisamos discutir os motivos que levam o pódio internacional do ELT ser tão distinto da constituição da maioria no ramo… E, quem sabe, semear um futuro que possa ser diferente, com a diversidade mais reconhecida.

IATEFL 2015: the Language Debate

Por Natália Guerreiro

Que nível de inglês os professores desse idioma precisam ter?

Essa espinhosa polêmica foi levada ao IATEFL pela Cambridge English em uma mesa moderada por Michael Carrier e que contou com Scott Thornbury, Silvana Richardson, Jeanne McCarten e Monica Poulter como debatedores.

Para contextualizar o debate, é importante ressaltar que a Cambridge desenvolveu uma escala de níveis de proficiência para mapear as competências necessárias para professores e os níveis de desenvolvimento profissional. Como se pode ver neste link da Cambridge English Teaching Framework, a escala conta com a dimensão pedagógica e a dimensão linguística, entre outras. Por enquanto, não há, que eu saiba, nenhuma avaliação atrelada a essa escala, mas creio que não tarde. Afinal, há muita pressão de governos e às vezes da sociedade por indicativos de qualidade dos professores. Todavia, outras instituições já deram a largada: o British Council conta com sua versão do Aptis para professores e, aqui no Brasil, estão desenvolvendo o EPPLE (Exame de Proficiência para Professores de Línguas Estrangeiras).

Voltando ao debate, o primeiro a expor sua opinião foi o Scott Thornbury* que, bravamente, criticou os anfitriões por falar de competência linguística apenas em inglês ignorando a língua materna (L1) do aluno/professor. Ora, argumenta ele, as pesquisas apontam que o uso da língua materna é recurso benéfico para o aprendizado. Por que então desconsiderar o possível domínio que o professor tenha da L1 em contextos em que os alunos compartilham o idioma? Por que discutir essa competência linguística só quanto a professores “não nativos”, se em muitos contextos eles têm a vantagem da L1 sobre os professores “nativos”? Na fala oficial da Cambridge, inclusive do moderador, realmente parecia que os únicos que têm competência linguística a desenvolver seriam os não nativos…

Por sinal, o moderador já tinha aberto o debate dizendo que de 90 a 95% dos professores de inglês no mundo são não nativos. Nessa hora, meus olhos correram a lista dos debatedores: não nativos podem ser 95% no mundo, mas definitivamente não compunham a maioria ali na mesa de debate que a Cambridge montou para discutir “o problema linguístico dos não nativos”. O transcorrer do debate tirou todas as eventuais dúvidas: o moderador nasceu em Manchester; Scott é neo-zelandês; a Silvana trabalha em Cambridge, mas é argentina; a Jeanne é de York; e a Monica cresceu às margens do Rio Tâmisa. Ou seja, quatro nativos de língua inglesa em 5 participantes. Claro que a escolha tem sua justificativa: por ser baseada no Reino Unido, a editora teria mais facilidade de chamar britânicos para o debate em Manchester. E, para ser justa, devo dizer que houve a preocupação de trazer a visão de não nativos (e indianas, que eu não categorizaria assim) a partir de excertos de entrevistas e dos dados abaixo, tirados de um questionário.

Slides apresentados pelo moderador com resultados das pesquisas pelo mundo

Slides apresentados pelo moderador com resultados das pesquisas pelo mundo

Voltando às exposições, a Jeanne bateu sobre a tecla da importância de estudo de corpora para maior clareza do que seria esse domínio alvo, ou seja, o que realmente caracteriza a linguagem que o professor deve ser capaz de usar. Já Silvana e Monica foram bem enfáticas na necessidade do nível do professor dentro da linha da Framework de Cambridge.

O que me surpreendeu, entretanto, foi o momento em que a Silvana foi aplaudida. Em pronúncia quase da Rainha, ela argumentava que, enquanto teoricamente todas as variantes iguais, na prática o nível de inglês pode limitar as oportunidades de qualquer profissional. Até aí, estamos de acordo. E então ela forçou um leve sotaque argentino e defendeu que, com ele, ela não teria sequer passado na prova para professores na Argentina e não teria sido contratada como professora em lugar algum. A plateia aplaudiu, talvez tenha até rido. Eu fiquei me perguntando: que lugares tão discriminatórios são esses que ela conhece? Aqui no país vizinho tem gente com sotaque de tudo quanto é canto dando aula em cursos de renome. Que eu saiba, tem isso de um /s/ num lugar de /z/ negar entrada num curso não… É lógico que há preconceito com sotaques mais carregados, e deve ser ainda pior em países anglófonos, mas não no nível de gravidade que ela parecia descrever, de chegar a ser reprovado em prova ou de não conseguir emprego. Ainda que seja assim séria a situação, para além do que consigo enxergar, a reação é aceitar isso de bom grado e exigir near-nativeness e apagamento das marcas de L2? A reação não deveria ser denunciar a discriminação e lutar contra ela? Enfim, ficou em mim a desconfiança de que, tal qual nas demais críticas contra as pesquisas de inglês como língua franca, os primeiros a quererem manter o padrão da near-nativeness são os próprios não nativos.

Por fim, abriram para perguntas da plateia via microfone ou Twitter. Algumas deixaram os debatedores meio sem resposta, ou com uma resposta meio ansiosa, talvez pelo pouco tempo. De toda sorte, ficou claro que o assunto está longe de ser resolvido.

Ainda bem.

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*Por falar no Scott, ele escreveu um post sobre isso antes de ir para o debate. Imperdível.

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Credit where credit is due: parabéns à Cambridge English por proporcionar o debate!

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Essa foi só minha opinião, lógico. E você, o que achou do debate? Que nível um professor de inglês precisa ter? Pode-se falar de um nível só para todos os contextos? O nível máximo deve ser o nativo idealizado? E o nível em L1 também deve contar? 

IATEFL 2015 – Entrevista com Dave Dodgson, Vicky Saumell e Fiona Mauchline.

Olá, BRELTCHATTERS!

Mais um dia de aprendizado em Manchester onde está acontecendo uma das maiores conferências sobre language teaching do mundo, o IATEFL (International Association of Teachers of English as a Foreign Language). Dessa vez trazemos para vocês a entrevista com três expoentes no campo: Dave Dodgson, Vicky Saumell e Fiona Mauchline.

Paul Bradock, o entrevistador, fez uma pergunta bastante interessante: “What have you been reflecting on lately?” o que me faz acreditar que ele toma como verdade que os entrevistados, talvez por sua experiência, sejam professores que adotam um modelo reflexivo de ensinagem. E você, sobre o que tem refletido? Já parou para pensar?

Em seguida, Paul pergunta aos professores quais tem sido os desafios no campo de ensino de línguas. Os entrevistados tomaram seus contextos como partida e vejam o que foi mencionado:

– Dave: mudanças culturais; uma vez que ele acaba de se mudar da Turquia para o Gabão.

– Vicky: Resistência que alguns professores ainda tem sobre a integração de tecnologia em sala.

– Fiona: professores de todas as matérias tem que obter um certo nível de proficiência em inglês para lecionar na escola secundária.

Então, ficamos com essas duas perguntas para vocês:

– Sobre o que vocês têm refletido?

– Quais são os desafios de ser professor no seu contexto de ensino?

Entrevista IATEFL – Dave, Vicky e Fiona.

Até a próxima!

The BRELT Team.

BrELT @ IATEFL : entrevistas com profissionais do British Council sobre assessment literacy

por Natália Guerreiro

Uma das possibilidades no IATEFL Online é assistir, gratuitamente, a entrevistas curtas que os organizadores do congresso fazem com alguns participantes. Acabei de assistir a uma entrevista com o Mark Walker e uma com Barry O’Sullivan sobre os projetos do British Council.

Eles anunciam que o British Council está com uma iniciativa muito legal de assessment literacy. A instituição está gravando vídeos para explicar conceitos complexos de  avaliação de idiomas para professores sem background nessa área. Assessment literacy, que parece ser a buzz word do momento entre quem trabalha com avaliação de idiomas, trata-se dos conhecimentos sobre avaliação de que um professor necessita para sua prática pedagógica. Quer dizer, tenho visto o termo sendo aplicado mais a professores e administradores da educação, mas creio que em princípio daria para estender o conceito para toda a sociedade. Afinal, com a importância que avaliação tem no mundo, todos os envolvidos (alunos, pais, empregadores…) deveriam entender o que estamos fazendo quando estamos avaliando.

Mark Walker também fala da relação dos professores com a avaliação: ou acham que saber ensinar já é saber avaliar e que não precisam aprender sobre avaliação, ou veem a teoria e a temem.

Vocês se sentem confortáveis com seu conhecimento sobre avaliação? Se sim, esse tópico foi discutido na formação (inicial ou continuada) de vocês ou vocês aprenderam na marra? O projeto do British Council seria útil para professores no Brasil ou vocês acham q vai ficar muito focado no APTIS, o teste desenvolvido por essa instituição para avaliar o inglês de alunos e professores pelo mundo?

Pena que só vai sair no fim do ano… Queria ver logo. :/

Ficou curios@? Assista às entrevistas aquiaqui.

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Parece que o Harmer também falou sobre testing no congresso. Pena que o volume da gravação está quase inaudível.

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Se quiser saber mais sobre assessment literacy, aqui estão alguns artigos:

New Zealand Ministry of Education, TKI. Assessment literacy. In Assessment Online. Retrieved from http://assessment.tki.org.nz/Assessment-in-the-classroom/Assessment-for-learning-in-practice/Assessment-literacy 

White, E. (2009). Are you assessment literate? Some fundamental questions regarding effective classroom-based assessmentOnCUE, 3-25

Stiggins, R. J. (1995). Assessment literacy for the 21st century. Phi Delta Kappan, 77(3), 238. Retrieved from http://search.proquest.com/docview/218532914?accountid=8113

Popham, W. J. (2006). All about accountability/ needed: A dose of assessment literacyEducational Leadership, 63 (6), 84-85.

Popham, W.J. (2009). Assessment literacy for teachers: Faddish or fundamental?. Theory Into Practice, 48 (1), 4-11, DOI: 10.1080/00405840802577536 (Este é pago.)

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