Primeira discussão – Guest Post de Marcelo Elias

Tivemos nossa primeira discussão no dia 7 de abril, das 21h30 às 22h30. Para um primeiro encontro, a participação foi muito boa e estamos satisfeitos com o desenrolar da discussão. O objetivo dos chats no twitter é gerar ideias e futuras discussões sobre os assuntos, e podemos usar o blog para aprofundarmos a discussão. Dependemos da participação de todos para o desenrolar das atividades no chat e no blog. Temos hoje a participação de nosso primeiro #BRELTChatter com um post de reflexão sobre o que foi discutido – com vocês, Marcelo Elias:

The #BReltChat Team

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Boa tarde a todos,

Gostaria de elaborar melhor o que discutimos ontem no chat pelo Twitter.

Acredito que professores, não apenas de línguas estrangeiras, devem ser mais valorizados, mais bem pagos, mais respeitados e esse processo passa por uma organização política e a discussão tem seu viés corporativista, sim!

Falando especificamente de professores de língua e respondendo ao questionamento inicial – estratégias para reverter o senso comum de que inglês é algo extra e menos importante que outras matérias – acredito que o caminho é a mudança da política educacional que o país adota.

Para mim, a decisão deve ser maior e estratégica, partindo da mudança dos PCNs. Essa decisão deveria exigir que todo aluno, ao final do ensino médio, teria de comprovar competência mínima (oral e escrita) em uma língua estrangeira. Essa comprovação poderia ser apresentada por meio de uma prova de proficiência aplicada por um instituto/instituição independente ou a apresentação de um certificado equivalente.

Em inglês, nível A2 do Common European Framework, ou talvez B1… com certeza, há tempo para os alunos atingirem esse nível!

Com essa exigência, dividiríamos a responsabilidade de verdadeiramente se ensinar uma língua estrageira entre professores, escolas e governo. Dessa forma, todos os professores dessas disciplinas seriam efetivamente valorizados e a língua estrangeira deixaria de ser secundária.

O vestibular ou o ENEM não servem para este fim! Basta dizer que nem mesmo para um curso de Letras Inglês ou Espanhol, por exemplo, a proficiência na língua não é exigida.

Na minha opinião, a regulamentação do mercado Curso de Línguas também é essencial. Hoje, esses estabelecimentos são classificados como cursos livres, bem como cursos de crochê, dança, yoga, ginástica, corte e costura… Cada uma dessas habilidades e atividades tem seu lugar, mas esse lugar não é o mesmo que o dos cursos de línguas.

Ao se regulamentar o mercado, exigências como piso salarial, carga horárias mínima e máxima, benefícios, formação dos profissionais também seriam regulamentados.

Imagino que, com essa ação, alguns dos pontos levantados pelo Denilso de Lima, em Inglês na Ponta da Língua (http://denilsodelima.blogspot.com/2011/04/proficiencia-em-ingles-do-brasileiro.html), no texto A Proficiência em Inglês do Brasileiro, seriam resolvidos:

– “escolas de idiomas meramente marqueteiras” sumiriam;
– “falsos professores” que, pelo fato de falarem inglês, acham que é suficiente para ensinar a língua não seriam mais contratados;
– “estudantes brasileiros que decidem aprender inglês na última hora” ou outros que estudam em 469 cursos e nunca aprendem encarariam os cursos com mais respeito e seriedade;

O outro argumento levantado pelo Denilso é “O Governo Brasileiro não tem uma política pública para o ensino de língua inglesa nas escolas e faculdades”. Os dois pontos acima – exigência de competência por parte dos alunos ao final do ensino médio e regulamentação do mercado – estão alinhados com esse argumento do Denilso.

Outros pontos levantados no chat ontem também são muito relevantes, mas acho que dependentes das ações acima:

– criação de um selo por uma entidade reconhecida; entretanto, como ressaltou a Isabela, primeiro tem-se de estabelecer parâmetros e padrões; quem faria isso?
– maior participação de professores em entidades e organizações de classe;
– busca por aprimoramento profissional. Reconheço que é extremamente difícil levar a carreira a sério em um mercado nada regulamentado; se pensarmos em escolas de ensino fundamental e médio, tb não há estrutura ou respeito pela profissão; todos sabemos o quanto é difícil convencermos professores (novos ou antigos) sobre a importância de participarem de eventos, convenções, seminários…
– prova específica para o ingresso na faculdade de letras; boa solução para melhorar o nível dos cursos, mas possivelmente eles se esvaziariam ainda mais;

Bom, ação concreta e definitiva? Eu não sei, mas acho que passa por decisões políticas. Que tal elaborarmos um projeto de lei de iniciativa popular?

Abraços,

Marcelo Elias

EFL teacher for 18 years. Currently working as Operation Assisstant at Cultura Inglesa. As coordinator and branch manager has dealt with teacher continuous professional growth. Former member of the local board of BrazTesol Brasilia Regional Chapter.

Twitter ID: @MarElias

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One thought on “Primeira discussão – Guest Post de Marcelo Elias

  1. Tenho experiência muito curta em sala de aula, portanto não me comparo a mestres lecionando há muito mais tempo. Porém, nesse período pude constatar algumas dificuldades que podemos discutir.
    1- Como engajar/motivar adolescentes que estão estudando inglês por pura exigência dos pais com o agravante de ter de cumprir o programa da escola, portanto sem muitas alternativas de atividades extras.
    2- Como dar atenção àquele aluno com dificuldades de aprendizado sem ignorá-lo em sala de aula.
    3- O aluno que fica ausente de várias aulas. Como lidar com o seu retorno em sala de aula sem atrapalhar o andamento da matéria?
    4- Podemos colocar em discussão o uso de material específico para determinados níveis de inglês. E ir além, discutir se é necessário dividir o ensino por níveis.
    5- O uso da música no ensino de inglês e fontes onde professores podem encontrar materiais.
    6- Como ensinar/aprender vocabulário dentro de um contexto.
    7- Pronúncia, é importante corrigí-la? Até que ponto? E quando começar?
    8- Gramática, como apresentar em sala de aula?
    9- Warm-ups – Ideias – São necessários?
    10- Erros fossilizados – I have 25 years (por ex.) – Como lidar com eles?

    Algumas ideias pra começar a discussão aqui.

    Até mais,

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