Resumo: “DÊ EFICIÊNCIA”- Que atire a primeira pedra aquele que não tem necessidades especiais.

Este resumo do chat foi escrito pela professora Shirley Pires Rodrigues. Agradecemos imensamente pelo trabalho dela em redigindo este resumo que facilita o entendimento das ideias que surgiram durante nosso chat.
(@shirleyteacher and http://www.facebook.com/shirley.rodrigues.18).

“A qualidade mais universal é a diversidade.” (Michel de Montaigne)

Nossas experiências:
Nosso BRELTchat foi um misto de confessionário, troca de experiências, dicas e, como sempre, muito aprendizado para todos nós .Todos os participantes tinham alguma história de inclusão/exclusão para contar, envolvendo gente muito próxima a cada um. Começamos contando nossas experiências com alunos com necessidades especiais em nossas escolas. Casos de diversas origens já passaram em nossas salas de aula e em nossas famílias: cadeirantes, TDAH, deficientes visuais, auditivos e intelectuais, entre outros. Diante de tantos testemunhos, podemos ter certeza do que disse o filósofo francês Montaigne, citado logo no início: a diversidade é universal! Sem medo de cair no cliché, ainda digo que “ser diferente é normal” e mais corriqueiro do que se imagina.

Nossas aflições:
O maior questionamento de todos foi em relação à maneira correta de lidar com estes alunos. Não há orientação formal, ou matérias específicas na faculdade, por exemplo. Algumas instituições realizam algum tipo de treinamento, mas, muitas das vezes, nada que possa dar segurança aos professores para ter certeza do trabalho a realizar com alunos PNE (Portadores de Necessidades Especiais). Nesta empreitada, nós acabamos por fazer tudo de maneira solitária e intuitiva, buscando leituras e informação no assunto por conta própria, à medida que alunos PNE chegam a nossas escolas. Segundo os relatos dos participantes, todos acabavam sempre por lançar mão de recursos próprios, na maioria das vezes com pouco ou nenhum suporte das instituições de ensino ou governos, para que o trabalho com PNEs fosse bem sucedido.

Nossos percalços:
A pior coisa mencionada pelos participantes foi exatamente a não-participação daqueles que são peça primordial na inclusão de PNEs: a família. Ainda há pais e responsáveis que se negam a enxergar a condição do filho ou que tratam de maneira errada ou mais conveniente, dando altas doses de remédios, para crianças ainda muito pequenas, numa tentativa de minimizar sintomas e, consequentemente, diminuindo o tempo necessário de dedicação à criança. Os casos onde a família se exime da responsabilidade são os maiores entraves apontados pelos participantes. Diagnósticos errados ou seguindo “a moda”, onde qualquer aluno mais ativo e cheio de energia é considerado TDAH, por exemplo, também são corriqueiros. Por outro lado, o contrário também acontece, quando familiares protegem demais os filhos PNE e demandam da escola um tratamento de igual superproteção, criando uma tendência a que este último se esconda atrás de sua necessidade especial, impedindo ou retardando sua inclusão e desenvolvimento.

Nosso orgulho:
A parte positiva de todos os depoimentos é que tivemos muitas histórias bem sucedidas, onde professores puderam abrir os olhos da família para a real necessidade de seu filho, ajudar a resolver diagnósticos errados, negociar informações e opiniões com o próprio aluno PNE, dispensar intérpretes ou outro profissional de amparo, quando este chegou já com adiantado do ano letivo, porque o aluno PNE já estava totalmente incluído no grupo. Casos em que a ajuda de um profissional de área específica – psicologia, saúde ou fisioterapia – não foi mais necessária porque nós, professores, já havíamos, grosso modo, assumido todas estas funções, usando inclusive a TIC aplicada a Educação. Na grande maioria dos casos, o professor foi capaz de incluir o PNE, mesmo que com recursos ou apoio limitados.

Nossas conclusões:
A inclusão é hoje uma realidade e dela já não se pode mais escapar. Há que se disponibilizar mais treinamento e orientação formal aos profissionais. A criação de matérias na universidade para futuros educadores e profissionais ligados a Educação também se faz necessária. A atualização de profissionais de áreas como saúde e psicologia também mudaria o cenário da inclusão de PNEs para melhor. Todos concordaram que é um trabalho constante e muito desafiador, uma vez que cada PNE, além de ter uma necessidade especial, é um indivíduo, único em sua constituição física, herança familiar e histórico médico e social. E este indivíduo, como qualquer outro, é cada vez mais parte do grande organismo que é a nossa sociedade.
Em nossos alunos PNE, o que procuramos é nada mais, nada menos que o mesmo que procuramos em nossos alunos ditos “normais”: que eles tenham a oportunidade de descobrir e desenvolver suas capacidades e talentos individuais em sua plenitude, fazendo, de cada um, parte indispensável do todo que é o grupo social onde está inserido.

Michel de Montaigne, em seus Ensaios escreveu, entre outras coisas, sobre a desigualdade que existe entre nós. É desta parte dos escritos de Montaigne que vem a frase que acho perfeita para terminar o nosso resumo: “o que se procura é o valor da espada, não o da bainha que a cobre…”

Nossas sugestões de leitura:

http://www.teachingvillage.org/2011/03/07/about-mountains-challenges-and-teaching-by-cecilia-lemos/ (sugestão de Cecilia Lemos)
http://www.tes.co.uk/autism-spectrum-disorders-and-asperger-syndrome-sen-teaching-resources/ (sugestão de Valéria França)
http://www.youtube.com/watch?v=G43qNZjmfz0 (sugestão de Giselle Santos)
http://www.templegrandin.com/ (sugestão Prisicila Mateini)
http://httpcreceeducacaooespecialblogspo.blogspot.com.br/2012/11/facilitando-alfabetizacao-facilitando.html (sugestão de Valéria França)
http://carlysvoice.com/home/ (sugestão de Shirley Rodrigues)
https://www.facebook.com/carlysvoice?fref=ts (sugestão de Shirley Rodrigues)
:http://www.ted.com/talks/temple_grandin_the_world_needs_all_kinds_of_minds.html (sugestão de Mila Navarro)
http://specialed.about.com/od/managementstrategies/a/dyslexic-friendly-classroom.htm (sugestão de Valéria França)
http://www.pedagogiaaopedaletra.com.br/posts/manual-para-pais-sobre-educacao-especial-inclusao/ (sugestão de Valéria França)
Nossa transcrição:

Para ver um a compilação em vídeo de alguns comentários dos participantes, siga o link:

http://www.videolog.tv/shirleyteacher/videos/950971

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