Resumo do chat: Como ensinar vocabulário de forma memorável

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Um super obrigado ao Luiz Otávio Barros (http://www.facebook.com/luizotaviobarros) que escreveu este resumo. Vocês também podem ler o blog dele aqui: http://www.luizotaviobarros.com/

Assunto 1: Relevância do vocabulário novo
Cecilia Lemos narra o caso de um aluno adulto que disse não ter o menor interesse pelo vocabulário de “physical description”, já que jamais precisaria descrever alguém. Cecilia contornou a situação dizendo que o vocabulário seria útil em uma eventual viagem de negócios.

Carol Luz concorda e diz que é nosso papel despertar o interesse e ter, na ponta da língua, uma lista de situações em que o aluno precisaria falar da aparência de alguém. Bruno Andrade aponta uma sensação de já saber o bastante como explicação possível para a resistência dos alunos.

Para Gisele Santos, relevância é crucial. Ela cita uma cena do filme The Color Purple: http://www.youtube.com/watch?v=FLI6S2rENxs. Nesse sentido, Bruno Andrade tem focado em emergent language, mas se preocupa com o ponto de equilíbrio ideal. Gisele fala da importância do suporte linguístico pré-duvida no repertório do aluno.
Para tornar o vocabulário relevante para young learners e fomentar um sense of ownership da palavra, segundo Raquel de Oliveira, é importante envolver todos os sentidos, principalmente a visão. Silvia Gubert diz que, em aulas particulares, o contexto acaba tendo mais primazia, o que facilita as coisas.

Assunto 2: Memorização
Natália propõe um momento no final da aula onde o professor possa elicit tudo que foi visto. Bruno, ao final da aula, pede aos alunos que criem frases novas com o vocabulário visto. Raquel propõe um vocabulary corner que possa ser revisitado com frequência.

Cecilia Lemos costuma voltar ao vocabulário visto 3, 4 aulas depois, às vezes como warmer, expandindo o contexto e aumentando o nível de desafio (por exemplo: ordinal numbers falando de casa inicialmente e, durante a reciclagem, falando de datas.) Outra técnica: apresentar uma lista de palavras a serem utilizadas durante X tempo e o aluno risca da lista as palavras conforme elas são utilizadas.

Priscila Mateini, uma vez por mês, promove uma aula de conversação utilizando algum video snippet + um texto baseado no que foi aprendido.

Vários professores acham importante o aluno manter um vocabulary notebook, mas não parece haver um único modelo: grupo no twitter (Raquel), Linoit (Priscila), murais (Marina), procurar frases interessantes no google (Luiz Otávio), google images (Cecilia Nobre). Valéria recomenda o link http://www.slideshare.net/redinbrazil/lexical-notebooks-and-collocations.

Cecilia Lemos, Luiz Otávio, Teresa e Marina falam da dificuldade de convencer o aluno a manter um vocabulary notebook, mas dizem que a disciplina tende a aumentar desde que haja maior cobrança por parte do professor. Por exemplo, Teresa pede aos alunos que utilizem determinadas palavras em uma discussão e Cecilia, no começo de cada aula, pergunta “How are you?” e proíbe “I’m fine”, o que gera várias outras possibilidades. Raquel volta a falar sobre a importância de input visual para young learners.

Assunto 3: Vocabulário e leitura
Raquel diz aprender melhor quando o vocabulário novo é ancorado por associações, inclusive visuais. Valéria concorda e diz que ensinar o vocabulário chave de um texto pré-leitura pode ter efeito “âncora” descrito por Raquel e, assim, facilitar o processo de leitura. Gisele e Marina tentam elicit esse vocabulário chave pré-leitura via situações, figuras ou, por exemplo, headlines. Teresa Carvalho é, também, a favor de apresentar vocabulário pré-leitura, para que o aluno possa ir além de reading for gist and guessing meaning.

Natália, a despeito de uma experiência negativa como aluna de francês, se diz a favor da pré-apresentação de vocabulário desde que (1) o contexto do texto já tenha sido explorado e (2) não haja palavras em excesso.

Teresa também fala da importância de livros e short stories para aumentar o repertório do aluno.

Assunto 4: Apresentando vocabulário novo
Cecilia Lemos se preocupa com o overload de vocabulário e com a previsibilidade das técnicas de apresentação. Raquel, por sua vez, se preocupa com a artificialidade das situações propostas. Para fugir da mesmice, Cecilia Nobre, por exemplo, apresenta “cheers” como alternativa para “thanks”, mesmo para beginners.

Cecilia Nobre faz uso de pre-viewing / while-viewing activities para contextualizar o vocabulário novo. Marina Macedo foca no vocabulário novo antes de começar a unidade, utilizando jogos ou até mesmo recorrendo a jornais e revistas. Natalia, por outro lado, teme que esse tipo de técnica acabe tirando o vocabulário do contexto original.

Bruno e Cecilia Nobre falam da importância de explorar vários aspectos do vocabulário novo (parts of speech, pronunciation etc). Bruno, por outro lado, questiona o tempo que às vezes é gasto com esse tipo de apresentação.

Natália aponta duas técnicas que, segundo Penny Ur, mais confundem o aluno do que ajudam: 1. Ensinar pares de sinônimos (a menos que os alunos já conheçam uma das palavras) e 2. Ensinar palavras por campo lexical (e.g.: cores).

Assunto 5: Uso da L1
Natália, citando Penny Ur, questiona até que ponto tradução não é uma forma mais econômica de se apresentar o vocabulário novo. Gisele, Carol, Silvia saem em defesa do uso consciente da L1. Carol fala do aluno que, às vezes, finge ter entendido a explicação. Silvia diz que não podemos ignorar a L1 dos alunos – e a nossa também! Gisele nos lembra que português, mesmo para nós, é a língua que vem primeiro à mente e a língua por meio da qual organizamos nossos pensamentos.

Marina Macedo utiliza a L1 mais frequentemente com os alunos teens, para otimizar o tempo. Cecilia Lemos utiliza a L1 com beginners e, paulatinamente, recorre à L2 mais e mais, embora, na maioria das vezes, prefira lançar mão de outros recursos como desenhos, mímicas, explicações na L2. Carol, em contra partida, diz que tais recursos são, em certa medida, uma espécie de tradução. Priscila fala de palavras que só podem ser ensinadas via tradução. Bruno concorda que tradução pode ser útil, mas questiona até que ponto recorrer à L1 pode tornar a palavra em questão menos memorável.

Outros assuntos relevantes:

1. Awareness raising
Para mostrar para o aluno a importância do vocabulário, Carol sugere pedir à classe que coloque na negativa a frase “Pan griveled the buk to fin”, o que todos conseguem, mesmo sem entender o que foi dito. Moral da estória: não basta saber as regras gramaticais.

2.Vocabulário do professor
Gisele questiona até que ponto o professor não acaba ficando preso a palavras muito simples em seu próprio repertório. A partir daí surgem questionamentos sobre (1) a importância (ou não) de se morar fora; (2) a importância de ser lecionar vários níveis diferentes e (3) a viabilidade de um grupo de conversação avançada para professores, possivelmente via Skype. Luiz Otávio fala da importância do professor de níveis mais avançados incluir no planejamento itens de vocabulário que ele utilizará na aula, da forma mais natural possível. Raquel concorda e fala da importância do professor como modelo – nesse caso, em particular, linguístico. Luiz Otávio conclui, então, que low TTT e high TTT nem sempre são conceitualmente úteis para falar do input que o professor deve dar ao aluno.

3. Formula mágica?
Marina acredita na importância de adaptar o ensino do vocabulário novo para cada perfil de grupo.

4. Pronúncia
Teresa e Silvia falam da importância de expor o aluno a vários sotaques diferentes, de tal forma que a experiência do uso real do idioma seja menos traumática.

5. Palavras vs. expressões
Luiz Otávio ressalta a importância de se ensinar expressões compostas por palavras conhecidas (set the example / place demands / way too much) e não só palavras “novas”.

6.Links e leituras
http://zuguide.com/#Spanglish para awareness raising
http://m.guardian.co.uk/education/2013/mar/26/leixical-approach-revolution
http://www.macmillandictionary.com/
Results on ReadWriteThink – ReadWriteThink
http://www.readwritethink.org
Bringing Words to Life by Isabel Beck
Vocabulary Games for the Classroom by Lindsey Carlton and Robert J. Marzano
Words, Words, Words by Janet Allen
Teaching Basic and Advanced Vocabulary: A Framework for Direct Instruction by Robert J. Marzano
Bringing Words to Life by Isabel Beck
Vocabulary Games for the Classroom by Lindsey Carlton and Robert J. Marzano
Words, Words, Words by Janet Allen
Vocabulary Activities, by Penny Ur
Vocabulary in language teaching, de Schmitt.

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