Learner Training: Resumo do chat por Rose Bard

Olá queridos,

 estamos de volta! Segue abaixo, com um certo atraso e um enorme pedido de desculpas, o resumo do chat sobre Treinamento dos Aprendizes feito pela colaboradora Rose Bard. Tenho certeza de que vão gostar.

E lembrem-se que a discussão pode continuar aqui. Quais são suas experiências com o tema?

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Learner Training: o que é e como pode ajudar no aprendizado e em classroom management

#BRELTchat que ocorreu no dia 28 de Fevereiro de 2013

 

“Votei neste tópico pq tive uma experiência mto legal neste mês. Peguei uns alunos q devem ter vindo de experiências mais tradicionais com ensino de língua e, ao encontrar um curso mais comunicativo, pareciam perdidos ou resistentes às vezes. Só de explicar por que fazer pair work, por que ter atividades em q eles ficassem mais soltos para falar, por que não tinha resposta certa, em suma, só de explicar/elicitar tudo o q se fazia em sala, eles ficaram tão felizes e tão mais envolvidos! Senti um ganho enorme!”

Natália Guerreiro

 

            A colocação da nossa colega Natália Guerreira nos leva a refletir sobre a postura do professor em relação ao processo de ensino-aprendizagem. O professor que assume uma prática comunicativa, assume também uma postura de constante aprendiz e desenvolve a sua própria autonomia ao passo que se torna mais crítico sobre a sua prática, também orienta os alunos para compreenderem o que fazem e porque fazem tomando assim parte no processo de construção da aula e por conseguinte sobre o seu próprio processo de aprendizagem.

 

Mas o que é Learner Training?

 

O Learner Training (LT) é o processo que leva o aluno a pensar a respeito da sua aprendizagem e como aprender melhor, ou seja, aprender a aprender. Durante esse processo onde o aluno desenvolve a sua autonomia e toma conhecimento das diferentes possibilidades e das suas necessidades, ele também conta com a ajuda do professor para orientar sobre as diferentes formas de aprender, as estratégias e recursos disponíveis. Devemos levar em consideração que o LT trabalha não somente com a questão das habilidades línguisticas a serem desenvolvidas, mas também opera no dominio afetivo. Alguns participantes expressaram como o LT traz para o aluno mais confiança quando entendem o que está sendo proposto e diminui assim o affective filter trazendo mais benefício à aprendizagem. 

 

Para tal, o professor precisa ter um olhar atento e abrir um espaço para conversas informais, questionamentos ou através de tasks que auxiliem professor e aluno(s). Juan Uribe ressalta como essa conversa com os alunos sobre learning awareness é essencial para o professor ver e rever sua postura, e como ela afeta os alunos. E esse processo de “raise their awareness about themselves and what they are doing” como aponta Cecilia Lemos deve acontecer não só no início do semestre, mas ao longo de todo o processo de aprendizagem. 

 

Por que implementar o LT? Segundo os participantes:

  • Diminui o filtro afetivo, em especial entre os adultos ao passo que eles entendem como o processo se dá;
  • Torna o aluno mais confiante, eleva a autoestima e a motivação;
  • Desenvolve o language awareness;
  • Torna o aluno mais autônomo e responsável pelo processo;
  • Cria uma parceria entre professor e aprendizes, e entre o grupo de aprendizes;
  • Amplia o olhar como disse a Raquel, o olhar para o mundo!;
  • Quebra o paradigma que alimenta a visão tradicional de ensino e a postura passiva dos alunos frente a sua aprendizagem;
  • Traz tangebilidade para a rotina da sala de aula;
  • Desenvolve o pensamento crítico e a prática reflexiva;
  • Dá condições aos professores de conhecer os alunos e os conceitos que fazem sobre aprendizagem e desconstruir com eles esses modelos mentais;
  • Dá condições aos alunos mais avançados de perceberem que estão aprenderam e aliviar a sensação de estagnação comum em níveis mais avançados  .
  • Melhora o rendimento do aluno;

 

“Tenho como prática no primeiro dia de aula encorajar os alunos a encarar a experiência de aprendizagem como uma jornada aonde aprendiz e professor caminham juntos. A assumir uma postura pro-ativa diante do seu objetivo.” Rose Bard

 

 

Como implementar: dicas e experiências

 

Roseli Serra destaca a importância de fazer needs analysis e variar a forma de coletar essas informações. E deixa a sugestão que pode ser feita de muitas maneiras, inclusive de forma informal. Outra dica é usar Journal Diaries. Roseli destaca ainda que é meio libertador para o alunos saber que o professor vai ouvi-lo/ lê-lo sem julgamento de valor e responder-lhe a fim de encorajá-lo. Mas alerta que o professor deve estar preparado para dedicar tempo, pois é super time consuming.  

Karine Melo diz que deixa para a aula seguinte sempre uma pergunta a ser pensada em casa, pesquisada. Ela também destaca o plano de estudo sendo desenvolvido em sua escola.

Juan Uribe por sua vez direciona que essa troca é muito importante também entre os alunos que conversam e aprendem juntos. Ele diz ainda que isso estimula e motiva. Juan ressalta ainda que é importante dar um menu com opções para o aluno pode escolher e deixá-lo perceber, criar e rever suas próprias formas como um excelente caminho para desenvolver autonomia e promover o LT.

Vinícius Lemos reforça as idéias compartilhadas centrando no diálogo entre professores e alunos para saber como eles gostam de aprender e descobrir porquê. Outra ideia seria enviar feedbacks personalizados aos alunos seja por meio de e-mail ou mensagens de audio reconhecendo as atitudes positivas do aluno e apontando o que ele está fazendo de positivo e dar outras sugestões.

Ramon Silveira compartilha a experiência em sua unidade de ensino aonde eles têm carta de apresentação para ser entregue no primeiro dia de aula. Essa carta leva ao aluno não só informações sobre a escola, mas também de como funciona as aulas, dentre outras informações. O professor é treinado para fazer esse trabalho com os alunos na primeira aula.

Teresa Gomes de Carvalho sugere que na primeira aula com os seus alunos discutir assuntos relacionados ao aprendizado de uma língua essencial para que os alunos percebam que os professores tem conhecimento de como esse aprendizado se dá. Ela diz ainda que ela pensa que isso é importante porque o foco é no idioma e o professor é um repositório da língua, e que poucos alunos veem o professor como alguém que pode ajudá-los a aprender melhor. Ela também acredita que pode-se fazer LT com as crianças experimentando diferentes formas de fazer uma atividade com o foco no como fazer.

Cecilia Lemos dá a dica dos self-assessments que ela aplica periodicamente com os seus alunos, como os checklists de “Can do” com as functions e gradações. Porém ela alerta que é importante dialogar com os alunos antes sobre como se dá o processo de aprendizagem, que não é pra ser perfeito e que a aquisição de língua é um processo em espiral. Uma idéia interessante é testar o vocabulário trabalhado na tarefa em forma de jogo, isso coloca em teste quem realmente fez a tarefa e depois conversar sobre os beneficios.

Ela também destaca a importância de fazer LT com adultos sobre o mito de que é mais fácil para Young Learners aprenderem uma língua, “mostro pesquisas que mostram que a facilidade é mais fonética, que eles não precisam ter uma pronúncia perfeita, questiono eles sobre o que afinal é a pronúncia perfeita – a de quem, mostro que o que importa é inteligibilidade… E que o aluno tem motivação, pois sabe porque está ali”; Natalia Guerreiro reforça essa ideia quando diz que há muitos mitos sobre aprendizagem de línguas e como na maioria das vezes é a primeira vez aprendendo uma língua, é importante que eles descubram o que funciona para eles. Mitos como depois de uma certa idade não se aprende, ela exemplifica.

Natalia sugere como estratégia uma forma de fazer isso já no primeiro de aula. Ela espalhava folhas coloridas pelo chão com uma quote em cada uma. Eles tinham que escolher uma e justificar em pares a sua escolha, tentando inferir a ligação daquelas frases com aprendizado de línguas. Frases como “a ship in the harbor is safe, but that’s not what ships are made for” ou “it’s ok to make mistakes”.

Raquel de Oliveira fala sobre gravar os alunos e depois assistir com eles, comentar aonde podem melhorar e incluir os alunos nessa discussão. Outra dica foi o uso da agenda com os objetivos no inicio da aula e depois retomar no final da aula para que eles se conscientizem do que foi aprendido. Acha também o peer correction com sugestões uma boa forma de training e autoavaliação. E complementa ainda com o portfolios que são debatidos com os alunos para que eles reflitam sobre o que foi produzido.

 

Quando a Teresa Gomes de Carvalho chamou nossa atenção para o papel da atenção e da memória e de conversar com os alunos sobre isso me lembrei de algo que fiz com os meus alunos no semestre passado.

 

“no semestre passado fiz uma atividade com vídeo e vocabulário que evoluiu para uma discussão sobre a questão da memória, observação, estratégias e das habilidades pessoais de cada um. Os alunos discutiram em pares após a atividade sobre quais estratégias usaram para lembrar das palavras.”

 

 

Recapitulando

Segundo Natália Guerreiro LT envolve: (1) busca conjunta estratégias de aprendizagem; (2) trabalho com os medos e ansiedades e expectativas; (3) explicação dos objetivos das técnicas e tarefas utilizadas em sala.

 De certa forma é auxiliar o aluno a criar seu próprio “framework” ou “scaffold” para direcionar seu processo de aprendizagem – ajudar ele/ela a ter uma clareza das atividades, recursos que o auxliliam na aprendizagem. – Valeria Benevolo França

 

 E o que torna tudo isso mais interessante, haja visto que estamos falando de processo, é poder comparar o início, meio e fim – seja ele num semestre ou um ano escolar. Assim entende-se o que realmente fez a diferença e quanto o aluno realmente se desenvolveu usando habilidade ou estratégia X de aprendizagem. – Valeria Benevolo França

 

Leitura complementar

 

 Sugestão da Raquel de Oliveira: http://iteslj.org/Techniques/McCarthy-Autonomy.html 

 

Sugestão da Natália Guerreiro – um strategy inventory: http://www2.education.ualberta.ca/staff/olenka.Bilash/best%20of%20bilash/SILL%20survey.pdf

 

Natália Guerreiro tem um artigo da Rebecca Oxford sobre a históra das pesquisas em learning strategies que ela ofereceu aos participantes upon request.😉

Sugestão do Juan Alberto Lopez Uribe – mini manual para pais:http://childrenlearningenglishaffectively.blogspot.ca/2012/10/a-mini-manual-for-parents-of-children.html

 

Ampliando o chat

 

Huw Jarvis – From learner autonomy and CALL to Mobile Assisted Language Use (MALU) and e-acquisition:

http://ltsig.org.uk/component/easyblog/entry/events/liverpool-recordings-now-live.html

 

Learner Autonomy: A Guide to Developing Learner responsibility http://books.google.com.br/books/about/Learner_Autonomy.html?id=MRKiSmoe_5cC&redir_esc=y

 

Durante o chat muitas ideias, crenças e experiências são compartilhadas. Procurei destacar as ideias principais sobre o tema do chat. Se você sentiu que algo dito que seria importante ficou de fora, por favor me avise. Temas como autonomia e o uso do L1também foram adicionados a discussão. Vale a pena ler a transcrição do chat.

Para continuar a discussão aqui no blog:

Vocês acham que é mais difícil aplicar LT em níveis mais avançados , quando o aluno já está condicionado a hábitos específicos? ou isso não faz diferença? by Vinicius Lemos

 

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