Follow up do chat sobre escolas bilíngues e internacionais: entrevista com o Prof. Eduardo Vasconcellos

No nosso bate-papo sobre escolas bilíngues e internacionais, muita gente ficou interessada em saber mais sobre o projeto fluminense de escolas públicas bilíngues. O Prof. Eduardo Vasconcellos, diretor adjunto do CIEP 117 Carlos Drummond de Andrade Brasil Estados Unidos, gentilmente se pôs à disposição para tirar as dúvidas dos membros da comunidade e nos concedeu esta esclarecedora entrevista.

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1. Qual foi a motivação de fundar escolas bilíngues na rede pública do Rio de Janeiro?

A motivação da SEEDUC-RJ (Secretaria Estadual de Educação – RJ) foi de formar mão de obra qualificada para atender visitantes estrangeiros que vêm ao Brasil, mais especificamente ao Rio de Janeiro, para os grandes eventos: Copa do Mundo (2014) e Olimpíadas (2016).

Foi confirmado que o estado do Rio de Janeiro possui uma grande demanda para megaeventos e que o estado precisa formar mão de obra com uma base intercultural e globalizada, fazendo com que os aprendizes se tornem aptos a promover discussões e criar pontes para um maior entendimento entre sociedades diversas.

2. Qual é o alcance desse projeto e que línguas são contempladas? Há planos de ampliar o projeto?

Há 4 escolas estaduais que compõem o Programa Dupla Escola na Rede estadual do Rio de Janeiro. Elas são: CIEP 117 Carlos Drummond de Andrade Brasil Estados Unidos (bilíngue Português/Inglês); CIEP 449 Governador Leonel Brizola Brasil França (bilíngue Português/Francês); Colégio Estadual Hispano Brasileiro João Cabral de Melo Neto (bilíngue Português/Espanhol) e o Colégio Estadual Matemático Joaquim Gomes de Souza (ênfase em ciências exatas e algumas aulas sendo ministrados em Inglês e Mandarim).

Há conversas com Consulados de outros países para a implantação de mais programas interculturais na rede.

3. Qual é a filosofia pedagógica dessas escolas?

Cada escola com ênfase intercultural tem um eixo temático a seguir. No caso do CIEP 117, esse eixo é a Globalização. Com isso, há algumas disciplinas específicas ao Programa, tais como Núcleo Linguístico, em que o aluno aprende um idioma como se estivesse em uma escola de línguas;  Projeto de Integração Global, em que o aluno é incentivado a problematizar e buscar soluções com uma perspectiva local, inicialmente, até chegar à uma visão global; Matemática em Inglês e Geografia em Inglês, disciplinas estas que buscam a universalidade e um foco mais intercultural ao ensino.

4. Havia professores capacitados na rede em número suficiente para trabalhar nessas escolas bilíngues? Se não, como foi feita essa capacitação?

Em 2013, quando esse modelo de escola foi pensado, a Secretaria de Educação promoveu uma Mobilidade Interna para identificar os docentes que tinham fluência nesses idiomas. Depois disso, fez um processo seletivo e nós, do CIEP 117, tivemos uma capacitação em um fim de semana em setembro desse ano para integração da equipe e discussão de uma abordagem de ensino pautada nas matrizes do Séc. XXI. Depois desse momento, tivemos outros encontros com esse enfoque, até a inauguração da escola nesse formato em 30 de janeiro de 2014.

Há uma carência muito grande de professores de Matemática que dominam Inglês para fazer um trabalho transdisciplinar nesse modelo. Esperamos que esse modelo de escola busque a capacitação desses profissionais, visando uma atuação trans/interdisciplinar do conteúdo ministrado.

5. Há quanto tempo essas escolas estão funcionando? Como está sendo a recepção das comunidades?

As interculturais com ênfase em Inglês, Francês e Espanhol foram inauguradas no final de janeiro de 2014. A ‘Brasil-China’ foi inaugurada em janeiro de 2015.

Como há um processo seletivo que consiste na avaliação dos conteúdos em Língua Portuguesa, Matemática e Ciências, além da Redação, a relação candidato/vaga para o CIEP 17 foi de 10 por 1. Essa procura é fruto da ideia de que a escola é a única nessa proposta que está localizada em Nova Iguaçu, um dos municípios da Baixada Fluminense, região carente de aparelhos culturais e esportivos. A proposta dessa escola é fazer com que o(a) aluno(a) tenha um diferencial no mercado de trabalho em alguns anos e que ele/ela possa ascender socialmente.

6. A escola pública bilíngue é mais cara que uma escola pública monolíngue? Como manter essas escolas?

A escola pública bilíngue requer a infraestrutura de muitas escolas da rede. Acrescido a esse detalhe, existe a preocupação de fazer um programa bilíngue acontecer com laboratórios de idiomas, livros específicos, manutenção e compra de ferramentas mais tecnológicas. São necessárias verbas extras para dar suporte a essa proposta inovadora de ensino.

 7. Falando agora sobre sua escola especificamente, qual você diria é o grande ponto forte?

 O grande trunfo do CIEP 117 como escola bilíngue se faz no comprometimento dos professores com o trabalho pedagógico desenvolvido dentro da Unidade Escolar. Sem a motivação desses profissionais, seria mais complicado colocar esse programa em andamento.

Nos encontramos às quartas-feiras no Horário de Planejamento Integrado para trazer ideias e propor a integração das disciplinas nessa proposta intercultural. Os docentes recebem uma gratificação e destinam 30 horas da sua jornada à escola, com uma reunião obrigatória que, na nossa escola, acontece às quartas-feiras à tarde.

 8. E qual seria a maior dificuldade do CIEP 117?

A maior dificuldade é dispor de uma infraestrutura para atender à proposta pedagógica diferenciada, como por exemplo ter laboratórios de idiomas e fazer com que funcionem. Outra dificuldade é fazer com que as matrizes do século XXI possam acontecer de uma forma estruturada dentro da escola.

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eduardoEduardo Vasconcellos é professor de Inglês da rede estadual do Rio de Janeiro desde 1998. Recentemente, assumiu o posto de Diretor Adjunto do CIEP 117 Carlos Drummond de Andrade Brasil Estados Unidos.

Acredita na importância da educação para fazer com que os alunos consigam ter melhores condições socioeconômicas para realizar as maiores aspirações.

Ele é graduado em Letras (Inglês/Literatura) pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e especialista em Linguística Aplicada: Ensino/Aprendizagem de Inglês como Língua Estrangeira pela Universidade Federal Fluminense (UFF).

 

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