Mês dos professores BrELT: entrevista com Ana Maria Menezes & Roseli Serra

Quando pensamos na nossa Personal Learning Network (PLN) e em como ela se forma, é natural que seja também a partir de uma questão de afinidade. Claro que os interesses pedagógicos e particularidades como campo de atuação nos unem, mas se não houver empatia, dificilmente vai ter aquela cola, aquele sentimento de olhar a foto de alguém, que muitas vezes nem conhecemos pessoalmente, e sentir o acalanto do nosso lugar comum.

A celebração do professor é também uma celebração da amizade, do coleguismo. Do amor que sentimos pelos nossos alunos todos falam. Mas e o amor pelos colegas de profissão? Porque não consigo pensar em algo que não seja amor para fazer a gente levantar da cadeira no fim do dia e substituir a amiga que está com cólicas sem nem preparar a aula. O amor que nos faz sacrificar nossos últimos minutinhos de intervalo porque o amigo não conseguiu tirar todas as cópias ou cortar os últimos flashcards. O amor que faz a gente se encher de alegria quando sabemos que aquele aluno difícil do nosso amigo está indo bem.

O ensino de inglês é uma profissão feminina numericamente falando. Sempre ouvi que mulher não era amiga de mulher, que são competitivas. Cada sala dos professores no Brasil desmente este estereótipo. Não que não existam pessoas competitivas, mas o que mais vejo são mulheres se ajudando, encorajando umas as outras.

As entrevistadas de hoje dispensam grandes apresentações. São mulheres que representam e agregam muitíssimo ao cenário de ensino de inglês no Brasil. Mulheres. Amigas. Uma amizade que transborda e chega àqueles que as conhecem pelas telas do computador. Mulheres que se admiram e falam com ternura uma da outra. Mulheres como tantas outras que eu e você com certeza já tivemos o prazer de trabalhar.

Nossas entrevistadas são Ana Maria Menezes e Roseli Serra. Geograficamente distantes, nossas convidadas ilustram a ideia de sororidade e profissionalismo. Pegue seu cafezinho e celebremos a festa da vida e da amizade.

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1. Em que contextos vocês atuam?

Ana Maria Menezes: Sou professora de Inglês, formadora de professores e moderadora de cursos online e híbridos na ConnectMe Education. Durante muitos anos dei aulas para adolescentes e adultos na Cultura Inglesa de Uberlândia. Sou mestre em Estudos Linguísticos com especial interesse na formação de professores em ambiente online. No momento, dou aulas em diferentes cursos de graduação na Universidade Federal de Uberlândia.

Roseli Serra: Atuo com coach bilingue do Grupo Santillana no projeto UNO Internacional. Também sou examinadora de Cambridge Main Suite , moderadora online, teacher trainer, mentora e consultora na área de ELT (trabalhos free lance).

2. O que as motivou a seguirem carreira no ensino de inglês?

Ana Maria: Sinto que a profissão me escolheu antes que eu me permitisse tentar outros caminhos. Ainda muito nova, mesmo antes de entrar para a universidade, eu comecei a dar aulas de inglês para crianças com o objetivo de manter o meu inglês. Mal sabia eu, que ali entre aquelas crianças estava descobrindo o que amo fazer. Ao decidir o que estudar na universidade, optei em aprender mais sobre ser professora de inglês. Em diferentes momentos da vida, tive oportunidades de enveredar por outros caminhos. No entanto, ser professora é o que alimenta minha alma.

Roseli: Desde criança, sempre fui muito muito musical e cinéfila, além de muito curiosa. Adorava as trilhas sonoras das novelas e cantores internacionais como Carpenters, Elton John e outros tantos da década de 70. Ainda muito cedo, aos 9 anos, apreendi a tocar violão com um primo que ama Cat Stevens e Beatles. Foi através da música e do cinema que comecei a querer estudar inglês.

3. Como foram suas trajetórias profissionais?

Ana Maria: Trabalho como professora desde os 15 anos de idade e sempre quis aprender cada vez mais, fazendo intercâmbios, estudando fora, indo a congressos e lendo muito. Outra paixão que sempre tive foi tecnologia. Ainda adolescente, fiz um curso de programação com a língua cobol. Anos depois, a tecnologia voltou a me encantar, mas dessa vez com fins educacionais. Em 2006, descobri um grupo de professores de diferentes países que estavam se aventurando por novos caminhos educacionais possibilitados por tecnologias digitais, os “webheads”. Me encantei com o mundo digital mais uma vez e tive a oportunidade de aprender muito. Durante esse caminho, tive minha própria escola de idiomas, fui coordenadora pedagógica, coordenadora de tecnologia, moderadora de cursos online e mais recentemente fundei minha própria empresa, onde sigo sonhando. Adoro o mundo da internet, que me possibilita estudar, conhecer pessoas e aprender coisas novas sempre.

Roseli: Então, sempre quis ser professora . Aos 17 anos fiz vestibular para psicologia e comecei a dar aulas particulares de inglês, pois desde os 14 estudava na Cultura Inglesa. Nunca mais parei. Atuei como psicóloga clínica e escolar por 6 anos e, no meio de um mestrado de psicologia que me deixava infeliz, me desencantei com a academia e resolvi voltar pra ao banco da faculdade e cursar Letras , com o apoio 100% do meu marido, que sempre foi e ainda é crucial para cada um dos meus projetos profissionais, incluindo pós-graduações dentro e fora do Brasil. Me tornei professora, coordenadora e depois diretora de estudos da CI, onde trabalhei por 17 anos e meio até me afastar em 2012. Voltei pra a sala de aula, investi em tecnologia da educação e outras áreas de ELT e ensino bilíngue. Hoje, finalmente, consigo aplicar todas as áreas do meu conhecimento no meu trabalho como coach bilíngue, que estou amando e aprendendo muito!

4. Por que vocês participam da BrELT?

Ana Maria: Estar em contato com membros do BrELT é fazer amigos, é trocar ideias, é aprender juntos e alimentar nosso amor pela nossa profissão.

Roseli: Conheci o BrELT em 2012 , num momento muito difícil da minha vida profissional. Foi uma mudança radical na minha vida. Era como se eu vivesse numa bolha que havia explodido e eu de repente passava a conhecer toda uma vida que havia fora dela então sabia por onde começar. Encontrei nas redes socias muitas das melhores formas de TD, conheci o que era PLN e o que havia de tão maravilhoso nisso tudo. O BrELT veio nesse pacote e até hoje me fascina principalmente por ser um espaço democrático e inclusivo, falado na nossa língua portuguesa, o que permite professores de todos os segmentos sociais e que não falam inglês de participar. Além do mais, é um excelente espaço para reflexões da nossa prática não apenas como professores de inglês, mas também como verdadeiros educadores que se ajudam mutuamente.

5. No que a BrELT auxilia/auxiliou na sua formação profissional?

Ana Maria: Grupos como a BrELT são fundamentais para unir profissionais que podem ajudar uns aos outros a buscarem a formação contínua que tanto precisamos.

Roseli: Sempre gostei de compartilhar conhecimentos sem medo de ser feliz, plagiada ou o que for. O mais gostoso na BrELT é exatamente isso. Compartilhar, dividir com o outro o que se sabe, ajudar e aprender sem achar que já se sabe de tudo. Isso não tem preço. É lindo! É saudável! É bom e faz bem à alma. Fazemos amigos mais do que somos simples colegas de profissão. Acredito 100% no processo contínuo de aprendizagem e na BRELT vejo o quanto ainda tenho de aprender.

6. Há alguma mensagem que vocês queiram deixar aos membros da comunidade?

Roseli: A minha sugestão é que o BRELT continue democrático, acessível e inclusivo. Nada de taxas para membership ou eventos. Há professores muito carentes nos nosso grupo e com necessidades tremendas de desenvolvimento profissional que não podem pagar por isso. Sendo assim, sugiro que não percamos de vista esse modo NÃO ELITISTA DE SER do BrELT. Já há muita exclusividade e segregação de todas as sortes no nosso país. Vamos focar mais em quem tem mais necessidade de desenvolvimento profissional e vamos aprender e focar nos professores de escolas públicas, por exemplo, que fazem milagres na sala de aula. Rendamos a eles a nossa homenagem .

Moderação BrELT: Muito obrigado pela entrevista!

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Gostou? Leia as entrevistas anteriores aqui:

Marina Macedo & Ricardo Barros

E fique ligado nas próximas!

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7 thoughts on “Mês dos professores BrELT: entrevista com Ana Maria Menezes & Roseli Serra

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