Entrevista com Ana Maria Roveri, ganhadora de uma bolsa para ir ao congresso do IATEFL em abril de 2016

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1. Primeiramente, gostaríamos de saber um pouco mais de você como professora.
a) Em que contexto(s) você atua no momento?
Trabalho há quatro anos como professora de Língua Inglesa e Língua Portuguesa na EE Professor Antônio Berreta, uma escola de Ensino Médio Integral da rede estadual de SP, situada na cidade de Itu.

b) Você pode falar brevemente de seu histórico profissional?
Iniciei meu trabalho como professora de Inglês ainda bastante jovem, com apenas 16 anos de idade. Naquela época, trabalhava com turmas de crianças e adolescentes em uma escola de idiomas. Quando iniciei o curso de Letras, continuei atuando em escolas de idiomas, posteriormente lecionei em uma escola particular de Educação Infantil e Ensino Fundamental, mas a educação pública ainda era um desafio para mim. Após muita insistência de uma tia, que já atuava na rede pública, prestei o concurso e fui aprovada, vindo a ingressar e me efetivar como PEB II no ano de 2005, na EE Professor Pery Guarany Blackman, também em Itu. Por um tempo consegui conciliar o trabalho nessa escola e também em escolas de idiomas; porém, em 2013, fui selecionada para integrar o corpo docente da Escola Antônio Berreta e,nesse modelo de ensino, temos regime de dedicação exclusiva, vindo a deixar então, as demais aulas.

2. Parabéns pela bolsa que você ganhou! Você poderia falar um pouco mais dessa bolsa para quem não a conhece?
Muito obrigada!! Na verdade, eu também não conhecia essa bolsa. Tive a oportunidade de saber mais a respeito no momento em que me inscrevi no Concurso Cultural, a convite do British Council. Juntamente com outros professores da rede estadual, participo de um curso online e presencial em parceria entre essa entidade e a Secretaria da Educação do Estado de SP. A premiação que recebi foi um convite para participar da 50ª Conferencia IATEFL (International Association of Teachers of English as a Foreign Language) que acontecerá em Birmingham, Inglaterra, no mês de abril. Serão quatro dias participando de palestras, oficinas e fóruns que tem como público-alvo os professores de Inglês como Língua Estrangeira, com todas as despesas pagas.

3. Como foi o processo seletivo? Foi muito trabalhoso e custoso?
O processo seletivo exigiu bastante estudo e dedicação, mas não houve custo, pois todo o processo aconteceu via e-mail. A proposta do Concurso Cultural “Shakespeare lives in the classroom” foi a de elaborar uma redação de 500 palavras para discursar sobre a importância de se ensinar Shakespeare para os alunos e também um plano de aula de 50 minutos, utilizando uma obra do autor, à minha escolha. Como a Literatura Inglesa não é trabalhada diretamente nas escolas de educação básica, precisei rever conceitos que havia aprendido na Faculdade, ler diversas análises de obras Shakesperianas, assistir a vídeos sobre o autor, enfim, eu precisava ter um embasamento literário para poder escrever meu texto. Quanto ao plano de aula, consegui colocar em prática o conhecimento adquirido nas aulas presenciais do curso; escolhi o poema “All the world’s a stage”, o qual vim a saber depois que será um dos temas de um evento da Conferência, o que me deixou imensamente feliz.

4. Na sua opinião, qual é a importância do uso de literatura no ensino de inglês?
Considerando que ao aprender uma língua, o aluno deve também desenvolver o pensamento autônomo e crítico, compreender e interpretar expressões de acordo com as visões sociais e culturais e entender como as manifestações da linguagem exprimem as formas de ser e pensar do indivíduo que as produz, o ensino da Literatura Inglesa torna-se indispensável ao processo de aprendizagem.

5. O que você espera do congresso?
Ao analisar a programação da Conferência, pude ver que os temas são bastante variados, abordando a formação continuada do professor, as estratégias de ensino diferenciadas, aliando a tecnologia ao nosso trabalho, o estímulo à criatividade dos professores e alunos, a autonomia do estudante na aquisição da língua estrangeira, enfim, temas diretamente relacionados ao meu cotidiano profissional. Espero, portanto, que esse aperfeiçoamento venha a contribuir à excelência da educação pública no estado de SP.

6. Esperamos que você volte para nos contar como foi o congresso. Mas, antes disso, você gostaria de deixar um recado para seus fellow BrELTers?
PERSISTÊNCIA e DETERMINAÇÃO são duas palavras-chave quando penso no caminho que percorri até aqui. Em 2010 fui a 11 ª colocada em um Programa do Governo Federal, o ILEP (International Leaders in Education Program), que premiou 10 participantes com uma bolsa de estudos em Washington DC. A frustração foi muito grande, pois por apenas uma vaga eu não consegui. Fiquei um tempo sem me inscrever em programas assim, mas finalmente a minha chance chegou. Passei a pensar que “o não” eu já tinha, e que, me inscrevendo, corria o risco de ter “o sim”.  Espero poder estar novamente aqui para contar sobre essa experiência única!

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