Roving BrELT – IATEFL 2016 [Entrevista com Ilá Coimbra, Pat Santos e Larissa Goulart]

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Salve, BrELTers!

Chegamos ao nosso terceiro post sobre a conferência IATEFL que aconteceu mês passado em Birmingham, UK. Desta vez, trazemos a conferência mais perto de vocês com três entrevistadas que estiveram no IATEFL Conference: Ilá Coimba, Pat Santos e Larissa Goulart.

Venham ver o que elas acharam de bacana!

  1. Como foi o congresso? No que ele agregou para seu desenvolvimento profissional?

    Ilá Coimbra: O IATEFL é algo descomunal. Este ano foram 3500 pessoas. A sensação de estar ali é que você realmente faz parte de algo muito maior. Em termos de desenvolvimento profissional, você entra em contato com muitas ideias novas, reciclagem de teorias e metodologia, projetos e práticas que estão acontecendo pelo mundo em diferentes contextos de aprendizagem. 

    Pat Santos: O congresso foi indescritível! A oportunidade de conhecer grandes nomes e pares que passam por situações parecidas com a nossa no dia a dia foi realmente muito intensa.

    Larissa Goulart: Ir ao IATEFL fazia parte dos benefícios da minha bolsa de mestrado na Inglaterra e, desde que eu soube que iria, fiquei muito empolgada, mas também um pouco insegura. Primeiro, por causa da apresentação e depois porque o IATEFL é um congresso tão grande e eu queria aproveitar ao máximo, mas até nisso a organização do IATEFL pensou. Logo no primeiro dia, um pouco antes da primeira plenária aconteceu uma pequena apresentação intitulada “How to get the most out of this conference” com dicas sobre como escolher apresentações e também ter um tempinho para socializar. Além disso, acho que na quarta-feira eles organizaram um encontro entre os professores que estavam indo ao IATEFL pela primeira vez. Achei a ideia bem legal, apesar de não poder ter ido a esse encontro. Mas por que eu não pude ir? Porque muita coisa acontece no IATEFL ao mesmo tempo, são muitas apresentações acontecendo em diversas salas e muitas vezes é difícil escolher qual apresentação ir. Eu, por exemplo, tinha escolhido ir em apresentações de dois temas: Teacher Education e English for Academic Purposes, mas mesmo assim algumas apresentações que pareciam interessantes eu perdi.
    Sobre o desenvolvimento profissional, acho que é impossível alguém ir ao IATEFL e não aprender nada, eu fui em várias apresentações sobre linguística de corpus e ensino de inglês acadêmico e voltei para casa cheia de ideias de atividades e tarefas para colocar em prática na sala de aula. Além disso, é aquela oportunidade de conhecer ao vivo e a cores grandes nomes na área de ELT e se você for meio cara de pau que nem eu, tirar suas dúvidas diretamente com eles.

  2. Que palestra/painel mais chamou sua atenção e por quê? 

    Ilá Coimbra: A plenária da Silvana Richardson foi algo para ficar na história. A discussão que ela levantou sobre a desigualdade que há no tratamento de nativos e não nativos renderá muitos frutos e deve trazer algumas mudanças de atitude e pensamento a médio prazo. 

    Pat Santos: Gostei de muitas palestras, mas a plenária do David Crystal foi divertida e intrigante. Nos levou a questionar o quanto precisamos estar o tempo todo nos reinventando para acompanhar essa língua que não é domínio de ninguém.

    Larrisa Goulart: Vou falar para vocês um pouquinho sobre uma apresentação e uma plenária. Primeiro a plenária da Silvana Richardson: quem é membro da BrELT deve ter visto meu post sobre essa plenária, eu fiquei muito empolgada com o tema. Just a reminder: todas as plenárias estão disponíveis online no site do IATEFL. A Silvana Richardson abordou um tema bem importante para professores de inglês: native speaker teachers vs non-native speakers. Ela falou sobre a experiência dela como teacher trainer (não-nativa) na Inglaterra e como alguns teacher trainees ainda tem aquela atitude “eu vim até a Inglaterra para ter aula com Native Speakers” desconsiderando a formação dos professores. O que eu achei mais legal foi que ela mostrou resultados de pesquisas sobre a visão que os alunos têm sobre ter professores nativos ou não. Ela também apresentou algumas pesquisas sobre anúncios de emprego para professores e mostrou exemplos de anúncios em que ser native speaker contava mais do que ter formação na área. Acho que uma coisa que ela não falou na plenária dela, mas é um problema que nós temos no Brasil, é o caso de pessoas que moram algum tempo fora do Brasil, em um país de fala inglesa e quando retornam decidem se tornar professores de inglês sem ter formação alguma para isso e sem buscar por essa formação. Gostaria até saber a opinião da comunidade sobre isso.
    Agora, vou falar de uma apresentação. Eu estou bem interessada em aplicações práticas para a linguística de corpus em sala de aula e, quando eu digo práticas, é práticas mesmo, coisas que professores sem computador na sala de aula possam fazer. Então, eu fui nessa apresentação bem legal “Making trouble-free corpus tasks in ten minutes” da Jannie Wright, em ela apresentou atividades bem rápidas que podem servir de warm-ups ou exercícios de revisão. No site dela (https://teflhelperblog.wordpress.com/) tem algumas ideias que ela apresentou.

  3. Houve algum tema recorrente em algumas das apresentações, uma tendência que você tenha notado? Como você acha que isso irá refletir no mundo de ensino de inglês daqui pra frente? 

    Ilá Coimbra: Como disse, a questão de professor nativo VS professor não nativo foi muito forte. Além da plenária do segundo dia, houve um fórum do movimento TEFL Equity Advocates que estava bem cheio e com discussões pertinentes e acaloradas. Vejo que a política das instituições na contratação de professores terá que ser mudada e acredito que nossa profissão está caminhando para ser vista de forma mais profissional. 

    Pat Santos: Não sei se foi coincidência mas vi muito se falar sobre o preconceito e desvalorização de professores não nativos, o que pode ter sido muito tocante para mim porque tem a ver com minhas próprias questões.

    Larissa Goulart: Como eu disse antes, muitas apresentações aconteciam ao mesmo tempo, então acho que notar um tema recorrente dependia muito de que tipo de apresentações de que tu participavas. Então, nas apresentações a que eu fui, o tema recorrente era sobre a valorização da profissão através da formação de professores, muito do que foi tratado pela Silvana na plenária dela. Eu espero que, com tantos apresentadores falando sobre isso, isso se reflita pelo menos um pouco em como as empresas e institutos de línguas selecionam professores.

  4. Você apresentou trabalho? Se sim, sobre o quê? Como foi a experiência de apresentar lá? 

    Ilá Coimbra: Sim, apresentei sobre Demand High ELT, compartilhando resultados das práticas de Demand High em sala de aula. É uma audiência bem desafiadora e, por mais vezes que você tenha apresentado em congressos, é difícil não ficar nervosa e ansiosa. Sem contar que a possibilidade de um dos ‘grandes’ do ELT estar na tua palestra é alta…

    Pat Santos: Sim, amei apresentar na conferência. Foi uma experiência que nunca esquecerei, o frio na barriga e a certeza de que no fim tudo daria certo. Falei sobre algo que conheço bem: o ensino de inglês em escolas públicas do Rio de Janeiro. Não esperava ver tantas pessoas que não tinham nenhuma relação com o Brasil interessadas em assistir à palestra. Difícil foi segurar o choro quando terminei.

    Larissa Goulart: Eu apresentei em um painel sobre Teaching Practice em diversos países, no meu caso no Brasil. Eu e mais onze pessoas apresentamos sobre como acontece o TP, ou o estágio, nos nossos países e discutimos os problemas em comum e as similaridades entre esses contextos. Agora que a apresentação passou eu posso dizer que foi muito legal, especialmente as perguntas de quem foi lá para ver a apresentação, mas na hora eu estava bem nervosa.

5. Que dicas você daria para quem nunca foi ao IATEFL e está pensando em ir pela primeira vez?

 

Ilá Coimbra: Estude muito o programa, pesquise sobre os speakers antes de escolher a palestra/workshop que você vai ver. Tem muita coisa pra ver acontecendo ao mesmo tempo – muita coisa boa e ruim. Escolher bem é essencial. Procure também escolher palestras/workshops que sejam próximas fisicamente umas das outras. Perde-se muito tempo no deslocamento entre as palestras e você corre o risco de chegar atrasado na próxima palestra e a sala já estar lotada.

Pat Santos: Se você esta considerando ir ao IATEFL meu conselho é: vá!!! Criar conexões e conhecer pessoas do mundo todo, parar para tomar um chá ou um café e discutir assuntos pertinentes ao nosso trabalho não é algo que podemos fazer sempre. Quero estar lá ano que vem de novo. Obrigada por anunciarem a vaga, BrELT!!!!

Larrisa Goulart: Minha primeira dica é:  VÁ PARA O IATEFL! Esse foi minha primeira IATEFL e quero fazer tudo que for possível para ir ano que vem novamente. Vale muito a pena e eu sei que tem várias bolsas disponíveis. Se ano que vem for a tua primeira vez no IATEFL, programe-se para submeter uma apresentação, não só pelo certificado, mas por ser uma oportunidade incrível de compartilhar a tua experiência ou pesquisa com professores de outros países. Uma dica de ouro que me deram e que eu quero compartilhar é: não tente ir em tudo, deixe pelo menos uma parte do dia livre para descansar, andar pelos stands das editoras, encontrar outros BrELTers. Eu já tinha ido a vários outros congressos no Brasil, mas o IATEFL é mais intenso. São 3 dias de atividades das 8h30 às 21h e mais um dia de atividades até as 15h, então não tem como fazer tudo. Além disso, se inscreva nos eventos de integração e coquetéis, que são uma ótima oportunidade de socializar em um contexto mais informal.

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