Entrevista com Taísa Nunes sobre a bolsa Lemann

taisaTaísa Nunes é uma BrELTer que saiu do Rio para Nova York a fim de fazer seu mestrado em Adult Learning and Leadership na Teachers College da Universidade de Columbia. Ela nos conta como foi o processo seletivo da universidade e da bolsa Lemann, que possibilitou que ela deixasse a Cidade Maravilhosa rumo à cidade que nunca dorme (até porque ela fica na biblioteca estudando).

 

  1. Primeiramente, gostaríamos de saber um pouco mais de você como professora. Em que contexto(s) você atuava no Brasil? 

Eu atuei em colégios particulares e em cursos de inglês do Rio de Janeiro. Minha primeira experiência em sala de aula começou na UFRJ (alô, CLAC-sauros!) e como monitora da Cultura Inglesa. Desde então, não quis saber de outra coisa que não fosse relacionada com a sala de aula.

  1. Você poderia falar um pouco mais dessa bolsa para quem não a conhece?

A minha bolsa de estudos veio da Fundação Lemann, que atua em projetos de políticas públicas, educação, tecnologia e liderança espalhados pelo Brasil. Para ser um Lemann Fellow, é preciso que você apresente um forte compromisso com o impacto e desenvolvimento social do Brasil, independente do setor de atuação. O importante é mostrar uma grande vontade e motivação de gerar impacto e contribuir com a superação dos problemas que o nosso país apresenta.

A bolsa varia de acordo com as universidades parceiras. No meu caso, ela é parcial e dá conta de parte dos custos acadêmicos e de moradia.

  1. Como foi o processo seletivo? Foi muito trabalhoso e custoso?

O processo seletivo foi tão trabalhoso quanto qualquer outro processo de candidatura a uma universidade americana, ou seja, foi duro! No total, foram 8 meses desde o momento que comecei o processo até a minha última resposta positiva. Eu passei pelo passo a passo clássico:  históricos traduzidos, TOEFL em dia, 3 cartas de recomendação, GRE, redações. Com tudo enviado, esperei pela carta de aceite. Você só é considerado para essa bolsa mediante a aprovação da universidade. Com o ok em mãos, precisei escrever mais uma redação que apresentava as minhas intenções como Lemann Fellow, que tipo de impacto eu me via fazendo, etc. Um mês depois, recebi um telefonema e a boa notícia: eu estava dentro e com bolsa!

  1. Como está sendo a experiência numa universidade estrangeira?

Está sendo um verdadeiro desafio e um privilégio poder estudar numa instituição tão importante e tão rica de oportunidades e recursos. Acho interessante que o mestrado por aqui é como se fosse um curso de graduação bem mais intenso. O meu curso pede 45 créditos, o que significa que eu preciso estudar uma média de 4 matérias por semestre por 2 anos, sem contar com o projeto final, que deve ser produzido no meio tempo.

Demorou um pouco para eu entender o nível de cobrança dos professores e para me encontrar e me reconhecer como full time stundent. Melhor que full time seria me descrever como “all-day-every-day” student. Há semanas em que entro na biblioteca às 8 da manhã e só volto para casa 1 da manhã. Nenhuma experiência acadêmica anterior chegou perto do que está sendo estar aqui.  É incrivelmente desafiador.

  1. Em que sentido você considera que a bolsa pode impactar sua carreira?

Eu acho que fazer parte da Fundação Lemann amplia a minha voz e as minhas oportunidades de geração de impacto. Há toda uma rede de suporte aos bolsistas, encontros anuais… Essa bolsa me trouxe a uma instituição de ensino que eu jamais teria a oportunidade de fazer parte e aqui tenho acesso a muito do que gostaria de ter estudado em tempos de faculdade. Eu pretendo continuar na área de Educação, e esse mestrado tem me dado ferramentas para fazer a transição da sala de aula para ambientes em que eu possa experimentar mais e ajudar mais.

  1. Gostaria de deixar um recado para seus fellow BrELTers?

Pode soar um grande clichê, mas se você tem uma paixão ou uma ideia e sente que não consegue colocá-la em prática sozinho, procure por quem possa investir no seu sonho com você. Procure saber mais sobre os programas de pós, intercâmbio e o que mais for que te interesse. Encontre uma rede de suporte e nunca ache que o você quer está longe demais ou é grande/pequeno demais. Procure saber de quem já caminhou nas estradas pelas quais você quer explorar e vá. Com medo, sem saber o que vai acontecer, mas não deixe de tentar.

One thought on “Entrevista com Taísa Nunes sobre a bolsa Lemann

  1. Olá, Taísa…gostei da tua posição e da forma como você expôs sobre a tua atual experiência .
    Muitas vezes ficamos desanimadas diante de tantas dificuldades para implementar nossas ideias e, você, com a exposição da tua experiência “abroad” na área da Educação, trouxe um incentivo a mais tão necessário para nós educadores. há caminhos. Muito bom saber. Grata e sucesso a ti. abs.

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