Bons ventos do Espírito Santo – entrevista com Paulo Torres

O estado do Espírito Santo tem cerca de 3,8 milhões de habitantes. Mesmo no décimo quinto estado mais populoso do Brasil o desenvolvimento de professores continua sendo um desafio.

Entrevistamos Paulo Torres, um profissional que luta e muito contribui para o cenário capixaba de ELT. Paulo é diretor cultural da APIES (Associação dos Professores de Inglês do Espírito Santo) e presidente da COOPERLING  (Cooperativa dos Professores de Línguas do Espírito Santo) e compartilha conosco sua experiência na área pedagógica e administrativa.

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1- Conte-nos um pouco sobre você e sua trajetória no mundo do ensino de inglês.

Atuo no ensino de inglês há quase 22 anos. Sou graduado em Letras Inglês e Literatura da Língua Inglesa pela Universidade Federal do Espírito Santo e especialista em Novas Tecnologias Educacionais pelas Faculdades Integradas de Jacarepaguá. Já trabalhei em vários cursos de idiomas e fui coordenador pedagógico por 10 anos. Sou do Mato Grosso, mas resido em Vitória/ES há 20 anos. Sou professor efetivo de inglês da Prefeitura Municipal de Vitória, onde ministro aulas para o Fundamental 1. Também sou teacher trainer, consultor acadêmico da National Geographic Learning e mensalmente publico artigos no blog da Disal.

 

2- Sabemos que você é membro da diretoria das duas organizações de professores de inglês no estado do Espírito Santo. Conte mais sobre elas. Em que elas diferem uma da outra?

Sou membro da diretoria da Associação dos Professores de Inglês do Espírito Santo e presidente da Cooperativa dos Professores de Línguas do Espírito Santo.
A Associação dos Professores de Inglês do Espírito Santo (APIES) tem a missão de melhorar o status profissional do ensino da língua inglesa no estado. Além disso, busca atualizar os professores da área quanto a novos materiais, novas tendências da língua e do ensino nos segmentos públicos e privados e, também, oferecer oportunidades para trocas de experiências com professores do estado, do Brasil e do mundo.

A Cooperativa dos Professores de Línguas do Espírito Santo (COOPERLING) tem como objetivo a congregação dos associados, prestando-lhes assistência cooperativista e administrativa por seus serviços docentes a serem executados em quaisquer instituições de ensino, empresas e instituições públicas, filantrópicas ou privadas, bem como pessoas físicas ou jurídicas, associações de classe, órgãos municipais, estaduais ou federais.

 

3- Como e quando surgiu a ideia da criação da COOPERLING? Ela só existe no ES?

A Cooperativa foi criada por um grupo de professores interessados em implantar em Vitória um ensino diferenciado e de qualidade. Surgiu a ideia de uma Cooperativa de Professores, uma vez que, na época, não havia este tipo de prestação de serviço na capital do Espírito Santo. Houve várias reuniões para discutir a implantação do serviço nas quais especialistas em Cooperativismo e outros profissionais foram consultados para esclarecimentos pertinentes.

Assim, em 27 de junho de 1997, reuniram-se extraordinariamente os primeiros 25 (vinte e cinco) professores cooperados, onde foi inscrito e aprovado seu estatuto original.

A COOPERLING atua somente no ES. Contudo, há outras cooperativas de línguas em outros estados.

 

4- Como um professor pode se tornar cooperado? Onde podemos obter mais informações?

De acordo com o nosso estatuto, os docentes em língua inglesa precisam ter diploma do ensino superior de licenciatura plena e/ou bacharelado em curso de Letras, reconhecidos pelo MEC, residir na área de atuação da Cooperativa, não praticar atividades colidentes ou prejudiciais aos interesses da Cooperativa e ter inscrição municipal ativa como autônomo em seu município de residência.

Para docentes em outras línguas, é aceito diploma e/ou certificado emitido no exterior, que seja equivalente ao terceiro grau (graduação), bem como Certificado de Proficiência emitido por entidades conceituadas e com reputação ilibada, além de todas as outras exigências.

Para mais informações, visitem e curtam a nossa fan page facebook.com/cooperlinges.

5- Como você enxerga o cenário ELT no Espírito Santo comparado a outros estados no Brasil?

O Espírito Santo é um estado bastante desenvolvido em relação ao ensino de língua inglesa. Há uma grande preocupação em relação ao aperfeiçoamento contínuo por parte dos docentes e uma busca constante por atualização sobre novas tendências da língua, novos materiais e o ensino em todos os segmentos.

Há grandes possibilidades de crescimento para os cursos de idiomas que procuram inovar e se adequar às rápidas mudanças que a nossa sociedade vem vivenciando nos últimos anos. É nessa linha que a COOPERLING procura desenvolver seus projetos, fechando parcerias com empresas e instituições que atuam nos mais diversos ramos buscando atender à sempre e cada vez mais rápida mudança de demanda no ramo do ensino de línguas.

 

6- Que dicas você daria a uma pessoa que queira criar uma cooperativa de professores em outros estados? Quais são os possíveis problemas?

Há três fatores que julgo ser de extrema importância a serem considerados antes de se criar uma cooperativa de professores. O primeiro é definir se será uma cooperativa somente de professores de inglês ou de línguas. Segundo, é necessário ter uma assessoria contábil e jurídica que realmente entenda como o cooperativismo funciona. E, por último, é fundamental promover a educação cooperativista dos associados para que os cooperados entendam que eles não são empregados da Cooperativa. Todos os cooperados são donos e responsáveis de forma igualitária, dividindo as sobras e as perdas.

Em relação aos possíveis problemas, destaco três também. Primeiro, a altíssima carga tributária dificulta muito o funcionamento das cooperativas. Além disso, a captação de novos tomadores/parceiros nem sempre é fácil. E, finalmente, fazer com que todos os cooperados estejam em dia com suas obrigações fiscais junto ao município é outra tarefa um tanto quanto desgastante. Contudo, como Pontes de Miranda sabiamente disse, “As pessoas mais se unem em Cooperativas não para lucrar, mas sim para que outros não lucrem sobre elas.” Caso esse espírito consiga ser criado dentro de uma cooperativa, certamente há de ser bem sucedida!

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