BrELTers pelo Mundo #3: Viviane Bonfim – EUA

whatsapp-image-2016-11-03-at-19-22-50-1E ensinar americaninhos na terra de Tio Sam pode? Claro que pode! Nossa queridíssima colega Viviane Bonfim está lecionando em uma escola primária de Nova York e passa para nós o caminho das pedras. Porque, afinal, já diria o Sinatra, if I can make it there, I’ll make it anywhere.

  1. Há quanto tempo você trabalha nesse local e quais suas funções?

Estou trabalhando na GCCS Elementary School há 3 meses, desde agosto de 2016, e sou 1st grade Teacher.

  1. Você já trabalhou em outros locais fora do Brasil?

Essa é a primeira vez que trabalho fora do Brasil, mas já venho trabalhando com educação internacional há mais de 10 anos, no Rio e em Santa Catarina.

  1. O que te levou a procurar emprego fora do país? E por que essa cidade em especial?

Tendo trabalhado por algum tempo em Escola Americana e Internacional, seria natural surgir o desejo de trabalhar in loco. Já conhecia bem o currículo americano (common core) e, com a situação econômica do Brasil, decidi que agora era o momento exato.  Em relação à escolha por Nova York, não foi algo planejado. Eu mandei currículo para vários lugares no mundo onde as vagas eram interessantes e, no final, surgiu o processo seletivo para minha atual escola e uma outra na Europa. Minha atual escola me fez uma oferta de emprego e cá estou. Acabou que foi a escolha certeira, pois, tendo conhecimento do currículo, ficou bem fácil a adaptação.

  1. Quais os requisitos que você precisou cumprir para conseguir esse emprego, em termos de qualificações, certificações, experiência prévia, etc.?

Sou formada em Letras (Inglês/Literaturas) pela UERJ e possuo um M.A. in Pedagogy e Practice for Tesol pela University of Oregon, além de pós-graduação em Educação Especial pela UCAM/RJ.

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Viviane Bonfim, profa primária em Nova York

Além das qualificações necessárias (Nota da BrELT: no caso dessa vaga, a graduação e o M.A.), é imprescindível experiência na área. Para a posição de 1st grade Teacher, eles pediram 5 anos de experiência no mínimo. Logo depois que me formei, fui trabalhar como professora assistente numa escola americana no Rio, me tornando homeroom teacher anos depois.

Certificações como CELTA, DELTA e TKT nem são mencionadas aqui, mas vale ressaltar que não trabalho com EFL (escola de idiomas) e sim numa escola primária.

  1. Quais foram as exigências em termo de documentação? 

A escola em que eu trabalho está no processo de IB verificatione um dos requisitos é que tenha diversidade no seu corpo docente. Sendo assim, eles me deram um visto de trabalho válido por 3 anos, podendo ser prorrogado.

  1. Há algum site específico para saber de vagas similares?

Sim, existem sites de empregos para professores no mundo todo e, no geral, pedem experiência prévia em escolas internacionais e diplomas na área. A grande maioria das escolas na Europa está pedindo passaporte europeu para facilitar o visto. Há vagas no mundo todo, e eu diria que as melhores ofertas se encontram na Ásia. É raro ver posiçōes na América do Norte e Austrália. Existem, também, job fairs pelo mundo todo ao longo do ano.

Nesse meio de Escolas Internacionais, um bom networking é fundamental. Aquele amigo que trabalhou contigo anos atrás e hoje voltou para o seu país de origem, ou quem possa te indicar para uma escola ou mesmo te mostrar uma vaga – podem ser ótimos contatos.

Seguem alguns sites de teaching jobs:

www.joyjobs.com

www.tieonline.com

www.searchassociates.com

  1. Tendo em vista o custo de vida, a remuneração é compatível, inferior ou superior ao que você recebia no Brasil?

A remuneração é compatível com o país e cidade que você vai trabalhar. A escola em que eu trabalho fica em Manhattan, que é o borough mais caro da cidade de Nova York. O custo de vida é altíssimo, e é necessária remuneração adequada. O salário é calculado de acordo com seus anos de experiência e sua qualificação, ou seja, cada pessoa tem uma remuneração diferente.

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E por falar em Brooklyn…

Por receber na moeda local, acabo ganhando mais que no Brasil, porém não podemos esquecer, mais uma vez, que o custo de vida é alto em Nova York. Muitas pessoas optam por morar nos boroughs vizinhos (Brooklyn, Queens, The Bronx) para poderem economizar mais na moradia, mas perdem mais tempo no deslocamento diário.

  1. Você sofreu algum preconceito por ser não nativa?

Não sofri preconceito algum trabalhando em Nova York. A escola que eu trabalho é charter (pública), com um conceito internacional. Temos diversidade entre os funcionários e o corpo docente. Cerca de 75% dos professores e dos funcionários são americanos, sendo os 25% estrangeiros. A receptividade foi muito boa, tanto dos pais de alunos, das crianças e da comunidade.

  1. Como está sendo a experiência de trabalhar nesse país sendo brasileira?

Eu já conhecia bem a cidade como turista e já estava familiarizada com o currículo. O grande desafio foi a adaptação ao volume de trabalho e aos próprios alunos. Estou trabalhando com 1st grade, que seria a alfabetização no Brasil: os alunos têm seis anos e ainda estamos trabalhando a independência em sala de aula. Essa faixa etária demanda consistência diária nas regras e limites. Tenho 25 alunos em sala numa região mais carente de Manhattan (Harlem). É bem cansativo, mas muito gratificante ensinar seus alunos a ler e escrever, a descobrir o mundo.

Em relação ao volume de trabalho, todos os clichês são verdadeiros. Trabalha-se muito nos EUA, muito mais ainda em NY e mais ainda numa escola pública de NY. Todas as pessoas na escola são multitarefa (almoçam e fazem reunião ao mesmo tempo, por exemplo), e existe um sentimento grande de comunidade – todo mundo se ajuda e coloca a mão na massa. Não é difícil ver a diretora da escola substituindo algum professor que faltou.

  1. Você passou por alguma situação inusitada em sala de aula por não compartilhar a cultura dos alunos?

Ainda não passei por nenhuma situação inusitada, mas todos os meus alunos estão interessados pelo Brasil. Prestam muita atenção em tudo o que eu conto, me trazem sempre alguma informação que tenham visto no fim de semana. Em janeiro, teremos uma feira cultural e eu apresentarei o Brasil para toda a escola. Temos até um grupo de capoeira na região que dá aulas dentro da escola.

É claro que não só os alunos têm interesse pelo Brasil. Isso é algo que tenho notado em toda NY, com todos os amigos que fiz aqui, funcionários da escola e pessoas na rua. Todos amam o Brasil e pedem muitas informações e querem conhecer o Rio de Janeiro. O desejo aumentou muito depois das Olimpíadas.  Sou muito bem tratada em todos os lugares a que vou quando digo que sou brasileira.

  1. Qual conselho você daria a professores brasileiros que querem trabalhar no mesmo país em que você está?

Eu diria que, para trabalhar em escolas regulares ou internacionais fora do Brasil (não só EUA), é necessária experiência e a formação. Existem várias escolas internacionais no Brasil, e esse nicho tem crescido mais a cada dia. Nas 4 entrevistas de emprego que eu fiz, todas as perguntas foram em relação ao currículo americano (common core), PYP (primary years programme) e learning centers (Math, Phonics, Guided reading).

  1. Algo mais que você queira dizer aos BrELTers?

Eu gostaria de dizer que, se seu sonho é trabalhar fora do Brasil, seja persistente. Ganhe experiência na sua área de atuação e não esqueça de estar sempre estudando, se aperfeiçoando. A vaga certa irá surgir.

**************
Muito obrigada, Viviane, por compartilhar essa experiência tão diferente e tão legal conosco! 🙂 Muito sucesso nessa sua empreitada!
Para conhecer mais BrELTers pelo Mundo, clique aqui.

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