BrELTers pelo mundo #7: Carolina Bottura – México.

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A paulistana Carolina Bottura José (www.linkedin.com/in/carolinabottura) saiu de Socorro e agora trabalha em Cancún, México. Quer saber como chegar lá? Leia a nossa entrevista completa.

  1. Há quanto tempo você trabalha nesse local e quais suas funções?

Eu acabei de chegar! Estou trabalhando há maravilhosos dois meses. Eu e todos os outros professores aqui temos funções múltiplas: preparamos e damos as aulas; quando não estamos na nossa sala de aula, estamos desempenhando funções diversas como placement de alunos novos, aulas de reforço, criação de material, desenvolvimento de workshops… e por aí vai.

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Carolina (no centro, em primeiro plano) com seus colegas da IH.

  1. Você já trabalhou em outros locais fora do Brasil? 

This is a first in many senses LOL! É a primeira vez que saio do país, que trabalho fora do país, que dou aula para alunos cuja L1 não é a minha, que tenho que usar espanhol para me comunicar…isso tudo tem sido muito importante para meu crescimento pessoal e profissional.

  1. O que te levou a procurar emprego fora do país? Como você escolheu essa  cidade, país e empresa em especial?

Bem, no último dia do meu CELTA em julho de 2015, meu tutor – Bjarne, que hoje eu considero meu guru –  me disse que meu CV era ótimo e que o próximo passo seria trabalhar fora do país, ensinando inglês a alunos cuja L1 fosse diferente da minha. Nunca mais esqueci essa conversa. Saí da sala dele e me inscrevi em todos os sites de EFL network que ele havia listado, inclusive no IH World (International House World). A partir daí, comecei a busca e fiz algumas entrevistas por Skype em escolas na China, Rússia, Indonésia e Tailândia. Em nenhuma deles deu certo porque eles precisavam que eu fosse para lá “para ontem”… e isso eu não podia fazer naquele momento. Recebi alguns alertas de emprego da IH na Europa, mas a coisa não foi adiante porque eu não tenho cidadania da União Europeia, o que dificulta um pouco as coisas. Depois de alguns meses, a IH anunciou a vaga na Riviera Maia, e eu recebi o alerta. Resolvi mandar minha inscrição e fui “shortlisted”. A partir daí, foram trocas de emails e entrevistas via skype com a DOS e tudo caminhou rapidamente para um “we gladly announce that you are hired”! Isso tudo foi em maio deste ano e eu tinha dito que só poderia vir para cá em setembro e eles me disseram que não haveria problema algum. Então, pronto!

  1. Quais os requisitos que você precisou cumprir para conseguir esse emprego, em termos de qualificações, certificações, experiência prévia, etc.?

O anúncio da vaga dizia “CELTA certified”. Era a única exigência deles. Todo o resto que eu tinha no meu CV (outros cursos, congressos, experiência prévia) foi mencionando nas conversas e elogiado, mas o CELTA era a condição essencial.

  1. Quais foram os requisitos em termo de documentação?

Para entrar no México como turista e permanecer nessa condição, brasileiros não precisam de visto, desde que isso se restrinja a 180 dias. No meu caso, a empresa se responsabilizou por todo o processo de obtenção do visto de trabalho aqui, porém isso só aconteceu depois do período de experiência. É importante trazer todos os seus certificados (diplomas, congressos, o CELTA, Certificados de Cambridge, etc.) porque isso vai facilitar a vida dos advogados que vão cuidar do seu visto. Eles me pediram a certidão de nascimento (!) – segundo eles, requisito da lei trabalhista mexicana – e uma foto 3 x 4. O meu contrato é de um ano e deixa claro que, na eventualidade de eu pedir demissão antes disso, eu devo reembolsar os custos do processo de visto à escola.

  1. Como você ficou sabendo da vaga? Há algum site específico para saber de vagas nessa escola?

Bom, para esta vaga específica foi o International House Jobs (http://job.ihworld.com/). Lá, você cadastra seu CV com as qualificações e experiências profissionais. Aí você pode configurar um alerta para novas vagas e eles te enviam um e-mail sempre que houver uma. Tem um banco de vagas na IH no mundo todo e você pode se candidatar a eles a qualquer momento.

  1. Tendo em vista o custo de vida, a remuneração é compatível, inferior ou superior ao que você recebia no Brasil?

O custo de vida aqui é bem inferior ao Brasil, mas o salário que eu recebo é muito inferior ao que eu recebia no Brasil…bastante inferior. O interessante é que a escola está investindo na minha qualificação: eles estão pagando metade do IHCAM (International House Certificate in Advanced Methodology) para mim, estou sendo qualificada como Speaking Examiner e Invigilator dos Exames de Cambridge e já tem gente mencionando a possibilidade de fazer o DELTA na Cidade do México. O que isso tudo quer dizer: o que compensa aqui é a experiência e a qualificação pela qual a escola está pagando – não dá para guardar dinheiro. Mas sendo bastante honesta: estou amando a oportunidade, mesmo sabendo que no final, estarei sem grana. O IHCAM é requisito em escolas de alto nível em lugares como Dubai e Oman, que pagam salários girando em torno de US$ 3.000, além de benefícios. Então, meus olhos estão lá na frente. E os alunos aqui fazem valer a pena: o povo mexicano é absolutamente adorável e nossos alunos são funcionários dos resorts, trabalham exaustivamente e sempre vêm para a aula com um sorriso no rosto e vontade de aprender.

  1. Você sofreu algum preconceito por ser não nativo?

Em nenhum momento. Na verdade, quando você diz que vem do Brasil eles ficam super empolgados e te fazem perguntas sobre o país, o clima, a comida, os costumes, pedem para ensinar palavras em português e a dançar samba. Uma das alunas elogiou o fato de eu estar ensinando inglês, sendo que minha primeira língua é o português – ela disse: “Uau, teacher! Você soa como uma americana! Parabéns! Você deve ter estudado muito.” Então isso não, você não vai enfrentar preconceito aqui.

  1. Como está sendo a experiência de trabalhar nesse país sendo brasileiro?

Como eu disse, tudo está sendo bem novo para mim. No Brasil, eu sempre fui muito organizada com as minhas coisas relacionadas à profissão, à rotina e to do’s – mesmo sabendo que as coisas são um pouco desorganizadas por aí. Mas aqui, meus caros, a desorganização é institucionalizada e tudo demora um tantinho mais do que você imagina. Alguns procedimentos burocráticos do cotidiano são bem inúteis e quem tem experiência pode até sugerir alguma mudança para eles, mas eles não conseguem se desvencilhar da burocracia – é inerente. No entanto, nós professores temos bastante liberdade para preparar nosso material: tem uma copiadora na sala dos professores e você não precisa ficar pedindo cópias com dias de antecedência – vai lá e tira as suas cópias quando bem entender. Para mim, que organizo tudo direitinho, funciona bem.

  1. Você passou por alguma situação inusitada em sala de aula por não compartilhar a cultura/língua dos alunos?

Toda hora! Quando eles esquecem que eu não sou mexicana e perguntam a famosa “How can I say…in English?” eu olho para eles, dou risada e pergunto “What is…?”. Nossas culturas são bem parecidas, verdade. E esta foi uma das minhas motivações para escolher vir. Não ter que me preocupar demais com o choque que seria estar num país asiático com costumes completamente diferentes dos meus, estando eu na minha primeira viagem internacional…isso faz toda diferença na minha tranquilidade ao levar o dia-a-dia.

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Carolina Bottorua em Cancún.

  1. Qual conselho você daria a professores brasileiros que querem trabalhar aí no México?

Faça o CELTA e se esforce para tirar uma nota boa – isso faz os recrutadores crescerem os olhos para cima de você. Tenha paciência com os mexicanos: eles são uns queridos, fazem qualquer coisa para te ajudar em uma necessidade, mas têm um ritmo de trabalho um pouco mais lento do que nós brasileiros. Tenha em mente que em Cancún os resorts fazem os funcionários trabalharem MUITO, e algumas vezes os alunos vão sumir por dias seguidos e vão precisar da sua compreensão e ajuda. Sobre donos de apartamentos: CUIDADO. Gente desonesta tem em todo lugar e aqui não é exceção. No meu primeiro mês aqui eu passei por um super stress. Eu trouxe meu gato para cá e queria alugar um apartamento só para mim e foi isso que eu fiz. Só que depois de 20 dias morando no lugar, meu landlord veio com a conta de luz para eu pagar: é um cartão e você usa uns caixas eletrônicos da empresa de energia para fazer o pagamento. Eu quase caí dura quando vi minha conta de 400 pesos por 20 dias de uso. Perguntei para os outros professores aqui eles me disseram que pagavam 200 pesos por 3 meses de uso. Aí um colega me disse que talvez meu relógio medidor estivesse adulterado. E não deu outra: o dono do apartamento tinha feito um “gato” e eu estava pagando por nós dois. Eu descobri e saí de lá. Outra coisa sobre Cancún: é quente. MUITO. Ar condicionado vai fazer você ficar pobre, então use o mínimo necessário.

  1. Algo mais que você queira dizer aos BrELTers?

A oportunidade de trabalhar na International House está valendo cada minuto sem dormir do período do CELTA. Faria tudo de novo se soubesse que me abriria esta porta. Estar entre os melhores é motivo de muito orgulho para mim e eles têm me ensinado mais do que eu jamais sonharia aprender em terras tupiniquins – a ampliação de horizonte, a mudança de foco e a adição de ambições profissionais são energizadoras e te fazem sentir vontade de acordar cedo, planejar sua aula e fazer um bom trabalho. Tenho percebido um reconhecimento por parte da escola e dos alunos também…não há dinheiro no mundo que pague um olhar agradecido de um colega ou um aluno que você conseguiu ajudar. E eles têm me ajudado muito também.

Nosso muito obrigado a Carolina por tirar ter dedicado parte do seu tempo para compartilhar tantas coisas interessantes com a BrELT.

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