BrELTers pelo Mundo #8: Luiz Sampaio – País Basco (Espanha)

whatsapp-image-2016-11-03-at-19-22-50-1“Teachers required”, diz o anúncio, “native speakers only”.

Apesar de na União Europeia ser proibido por lei discriminar potenciais candidatos por sua origem, é comum esbarrar em anúncios discriminatórios quando a vaga é na Espanha. Entretanto, isso não quer dizer que o mercado espanhol seja totalmente hostil a não nativos. O paulistano Luiz Sampaio está há pouco mais de um ano em Zarautz, no País Basco, e conta sua experiência.

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1. Há quanto tempo você trabalha nesse local e quais suas funções?

Trabalho na Lacunza, um curso de idiomas filiado à International House, desde setembro de 2015 como professor de inglês para crianças, adolescentes e adultos.

2. Você já trabalhou em outros locais fora do Brasil? 

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Luiz Sampaio no belíssimo País Basco

Trabalhei durante o verão de 2015 e 2016 em Brighton, Inglaterra. No primeiro ano, trabalhei como professor e no segundo como Director of Studies.

3. O que te levou a procurar emprego fora do país?

Eu era muito feliz no meu antigo emprego, mas sentia que precisava de mais. Sempre tive o sonho de morar fora do Brasil, mas jamais pensei que acabaria morando em uma cidade de 20 mil habitantes no País Basco. Acabei indo para a Inglaterra em um primeiro momento para trabalhar durante o verão e tentar procurar algo por lá. No final, acabei achando essa vaga no site da International House e decidi arriscar.

4. Quais os requisitos que você precisou cumprir para conseguir esse emprego, em termos de qualificações, certificações, experiência prévia, etc.?

Acredito que os requisitos sejam os mesmos para as demais escolas da IH, como CELTA e experiência posterior ao curso. Na minha escola, eles optam por contratar candidatos que alcançaram A or B no CELTA, mas conheço professores que tiveram C como resultado e trabalham junto comigo.

5. Quais foram os requisitos em termo de documentação?

Na Europa, em geral, todas as vagas exigem que o candidato possua um passaporte europeu ou um visto de trabalho. Como eu já tinha a dupla cidadania espanhola, para mim foi fácil conseguir um emprego.

6. Tendo em vista o custo de vida, a remuneração é compatível, inferior ou superior ao que você recebia no Brasil?

Em geral os salários são compatíveis com o custo de vida do local onde você mora. No meu caso, por exemplo, o País Basco é a região mais cara para se viver na Espanha, então os salários são um pouco mais altos. Não dá para juntar muito dinheiro, mas se vive muito bem e é possível viajar bastante sem passar muitos apertos.

7. Você sofreu algum preconceito por ser não nativo?

Aqui na minha escola não senti preconceito algum. Há diversos professores de outras nacionalidade, como poloneses, gregos, checos e romenos, entre outros. Entretanto, a Espanha é um dos mercados mais competitivos no ensino de inglês. Apesar de haver uma lei que proíbe que empresas publiquem anúncios para contratação de apenas professores nativos, sei que há um preconceito maior em outras comunidades espanholas como Barcelona e Madri. Antes de vir trabalhar na Espanha, eu havia enviado vários currículos para várias escolas ao redor do mundo, mas nunca me deram uma resposta positiva e acredito, infelizmente, que tinha sido pelo fato de eu não ser nativo. Creio que essa realidade está mudando bastante. Quando trabalhei na Inglaterra, neste verão de 2016, minha equipe de professores era formada por diferentes nacionalidades; eram poucos os britânicos no grupo.

8. Como está sendo a experiência de trabalhar nesse país sendo brasileiro?

A experiência tem sido ótima. Fico feliz de falar que sou brasileiro e mostrar um pouco da nossa cultura para os meus colegas e alunos.

9. Você passou por alguma situação inusitada em sala de aula por não compartilhar a língua dos alunos?

Apesar de estar em território espanhol, meus alunos são fluentes em basco e espanhol. No geral, eles se comunicam em Euskera (basco). Por falar português, não passei por muitas situações inusitadas, mas me lembro de focar na palavra ‘harmonica’ (‘gaita’ em português) após um texto, por acreditar que os alunos não reconheceriam. Porém, meus alunos apenas riram e falaram que a palavra em espanhol era ‘armónica’.

10. Qual conselho você daria a professores brasileiros que querem trabalhar na Espanha?

Acredito que o maior desafio seja se diferenciar neste mercado. Continue estudando sempre e se dedicando. Ter o CELTA, por exemplo, não é diferencial fora do Brasil, mas sim o básico. Cada dia mais, sinto que muitos empregos pedem o DELTA por haver muitos professores de inglês. Não desista no primeiro não que você ouvir e siga em frente.

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Eskerrik asko, Luiz, pela entrevista e parabéns! Há BrELTers procurando emprego na Espanha, e eles ficarão muito felizes em saber que é, sim, possível. 

Para conhecer mais BrELTers pelo Mundo, clique aqui.

 

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