BrELTers pelo Mundo #9: Karen Ohara – Alemanha

whatsapp-image-2016-11-03-at-19-22-50-1Tem mais BrELTer pelo mundo? Ô se tem! A paulista Karen Tiemy Ohara está ensinando pequenos berlinenses e conta em seu blog japagirlemberlim.wordpress.com  suas aventuras e desventuras como uma nipo-brasileira na capital alemã. Pedimos uma palinha, e ela toda simpática nos contou como fez para chegar lá e logo arrumar um emprego na mesma área em que trabalhava no Brasil.

1. Há quanto tempo você trabalha nesse local e quais suas funções?

A escola se chama Intellego. Eles começaram em 1991 com foco em aulas particulares de reforço escolar,  depois expandiram para aulas de outros idiomas, música e tecnologia. Desde 2012 eles oferecem curso de inglês extracurricular em escolas públicas, para o primeiro e segundo ano, já que o Inglês só faz parte do currículo regular a partir do 3o ano.

Comecei no fim de setembro desse ano (2016), como English Teacher. Sendo professora de curso extracurricular para Young Learners, as funções não são diferentes das que eu exercia no Brasil como teacher. Uma curiosidade é que aqui a hora-aula é de 45 minutos, em vez de 50 ou 60. A metodologia adotada e os conceitos utilizados em sala de aula são os mesmos que eu usava no Brasil, então não houve nenhum problema de adaptação com relação a isso.  A escola dá bastante apoio pedagógico e operacional, o que ajuda muito também.

2. Você já trabalhou em outros locais fora do Brasil, ou mesmo outra escola na mesma cidade?

Antes de vir para a Alemanha, eu nunca tinha trabalhado fora do Brasil. Agora eu dou aula em 3 escolas diferentes, uma no centro de Berlim e 2 em bairros mais afastados, além de trabalhar em uma startup no período da manhã. Antes de começar nas escolas, dei aulas particulares para um casal da Moldávia.

3. O que te levou a procurar emprego nessa cidade em especial?

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Karen Ohara, professora de pequenos berlinenses

Berlim tem muita empresa de tecnologia, e no fim de 2015 uma delas entrou em contato com meu marido, que é da área de IT. Ele já tinha participado de outros processos seletivos para trabalhar em outros países, mas nunca na Alemanha. Tudo aconteceu muito rápido, e em menos de 3 meses já estávamos aqui, de mala e cuia. Passei os primeiros meses cuidando da parte burocrática, depois me matriculei em um curso de alemão e comecei a mandar CVs loucamente!

4.  Quais os requisitos que você precisou cumprir para conseguir esse emprego, em termos de qualificações, certificações, experiência prévia, etc.?

Como outros teachers já disseram em posts anteriores, ter o CELTA abre portas em qualquer lugar. Fora disso, muitas outras coisas contaram a meu favor, como a experiência dentro de sala de aula com young learners, ter o Anaheim Certificate in Teaching English to Young Learners (TEYL), além do fato de ter trabalhado no departamento de Pesquisa e Desenvolvimento do Red Balloon antes de me mudar. Curiosamente, os alemães valorizam muito as cartas de recomendação.

5. Quais foram os requisitos em termo de documentação? 

Meu marido veio com o visto de trabalho válido para 3 meses. Depois desse período, demos entrada no Residence Permit. Na verdade, já agendamos a entrevista logo que chegamos, pois conseguir uma data em menos de 3 meses pode ser bem complicado dependendo da cidade. Ele ficou com o visto de Especialista e eu o de cônjuge, mas com a possibilidade de trabalhar sem restrição de área. Conversando com outras professoras que vieram por conta própria, fiquei sabendo que a maioria possui o visto de Native Speaker English Teacher, então elas não podem trabalhar em outras áreas. Aqui não existe carteira de trabalho, ou você trabalha por contrato ou como freelancer. No meu caso, eu precisei de um freelance tax number para dar aulas.

6. Como você ficou sabendo da vaga? Há algum site específico para saber de vagas?

Eu entrava todo dia no Glassdoor, Jobspotting e Indeed, mas foi no Craigslist que eu achei o maior número de anúncios procurando teachers!

7. Tendo em vista o custo de vida, a remuneração é compatível, inferior ou superior ao que você recebia no Brasil?

Tricky question… Vou colocar todos os fatores a serem considerados: Eles me pagam 20 euros por uma aula de 45 minutos. O salário mínimo na Alemanha é de 8,50 por hora, e Berlim tem um custo de vida muito mais barato do que Munique, por exemplo. Entretanto, assim como no Brasil, é muito difícil conseguir uma carga horária cheia, o que eles já deixam claro desde a entrevista. As aulas extra-curriculares para YL só podem acontecer de tarde, já que as escolas funcionam de manhã e não existe período vespertino. Por isso eu tenho um trabalho meio período de manhã e as aulas de tarde. Alguns perrengues são globais, lol!

8. E quais são as oportunidades de crescimento profissional que você tem por aí?

Acabei de começar nessa escola, mas percebo que professores mais experientes podem, além das aulas, trabalhar como coaches/mentors de novos professores, darem workshops, e até se tornarem teacher trainers.

9. Você sofreu algum preconceito por ser não nativa?

A Alemanha é o maior destino de imigrantes da Europa, então a prioridade em empresas é sempre para os profissionais locais. Os institutos de idiomas aqui só procuram native speakers. No caso de ELT, infelizmente a maioria das escolas prefere NESTs sem experiência do que NNESTs com experiência e certificação. Percebi também que a pronúncia é um fator muito importante, pois é isso que diferencia os profissionais locais dos cursos extracurriculares. Consegui entrevistas na teimosia mesmo, e muita gente ainda estranha o fato de eu ser brasileira e ao mesmo tempo obviamente descendente de orientais.

10. Como está sendo a experiência de trabalhar na Alemanha sendo brasileira?

Particularmente, a experiência está sendo muito positiva. É ótimo aprender mais sobre o sistema de ensino de outro país, entrar em contato com falantes de uma L1 diferente, estar em contato direto com outra cultura. Os alemães são bem corretos com a parte burocrática, e a razão se sobrepõe à emoção na hora de dar e receber feedbacks.

11. Você passou por alguma situação inusitada em sala de aula por não compartilhar a língua/cultura dos alunos?

Todo dia! Descobri há poucos dias que apontar para sua própria cabeça é um gesto ofensivo, fiquei imaginando quantas vezes eu fiz isso querendo dizer remember ou head!

12. Qual conselho você daria a professores brasileiros que querem trabalhar na Alemanha?

Corra atrás do seu desenvolvimento profissional antes de se aventurar, seja persistente e sempre tenha um plano B.

13. Algo mais que você queira dizer aos BrELTers? 

Quem quiser mais informações sobre a vida aqui na terra do chucrute, pode deixar uma mensagem no meu blog ou me mandar um email (karentioh@gmail.com), que ficarei muito feliz em ajudar!

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Nosso muito obrigado à Karen por suas super dicas. :) Para conhecer mais BrELTers pelo Mundo, clique aqui.

 

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