BrELTers pelo Mundo #12: Eduardo Santos, China

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E tem mais BrELTer morando (e adorando) na Terra do Dragão: desta vez, Eduardo Santos, um querido amigo da BrELT que agora divide seu tempo entre passeios por esse país tão singular e aulas no departamento internacional de uma escola local.

Vejam a trajetória desse profissional que veio de Recife, terra linda no nordeste do nosso país e que agora se aventura no país mais populoso do mundo:

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Eduardo Santos e seus alunos na escola chinesa

  1.  Há quanto tempo você trabalha nessa escola  e quais suas funções? 

Trabalho no departamento internacional da Nanchang no. 3 High School desde agosto desse ano. O campus onde trabalho tem mais de 1000 alunos de middle e high school, mas o departamento internacional possui cerca de 100 alunos de high school que irão estudar no exterior após conclusão do ensino médio. Sou professor de inglês e tenho 3 turmas. Em duas turmas ensino gramática de língua inglesa para alunos no programa GAC (Global Assessment Certificate), preparatório para alunos que irão ingressar universidades de países de língua inglesa, e em outra turma ensino IELTS Listening.

Para saber mais sobre o  GAC: http://actinternationalservices.com/en/gac/

  1. Você já trabalhou em outros locais fora do Brasil? 

Em 2012 morei 2 meses em Buenos Aires para fazer o Cambridge DELTA na International House. Dei aula para adultos e foi minha primeira vez ensinando inglês para estrangeiros. Atualmente estou no meu segundo ano na China. Saí do Brasil em agosto de 2015 para Qingdao, norte da China, onde trabalhei por um ano como professor de inglês com alunos chineses e coreanos na Premier English, curso de inglês para crianças, jovens e adultos. Metade dos meus alunos eram crianças de 8 a 12 anos, 20% dos meus alunos eram adolescentes e 30% eram adultos de General e Business English.

  1. O que te levou a procurar emprego fora do país? E por que essa país em especial?

Sempre quis ter experiência internacional e adiei esse objetivo por muitos anos por ter focado na carreira no Brasil. Trabalhei como professor de inglês no Brasil por 10 anos na Cultura Inglesa e outros cursos de inglês, 1 ano como consultor acadêmico na Oxford University Press e nos últimos 3 anos como D.O.S. na Cultura Inglesa. Além disso, fui presidente do BRAZ-TESOL Pernambuco Chapter por 3 anos e apresentei em conferências de ELT na América do Sul, Europa e na China no ano passado. Após ter viajado bastante para países da Europa e para os EUA, pude concluir que não há país com tanta beleza natural como o Brasil. Por outro lado, os problemas sociais, políticos e a constante insegurança no país mudaram meus objetivos. Não pretendo ficar na China minha vida toda, mas acho que depois daqui irei morar em outro país e quero voltar para o Brasil somente para visitar minha família e meus amigos.

  1. Quais os requisitos que você precisou cumprir para conseguir esse emprego, em termos de qualificações, certificações, experiência prévia, etc.?

img_9896Os requisitos mínimos para conseguir o visto de trabalho na China (Z Visa) como professor de inglês é ter um diploma de bacharelado e 2 anos de experiência como professor. Algumas escolas pedem que seu diploma seja autenticado pela embaixada chinesa no Brasil para comprovar a veracidade do mesmo já que no passado alguns estrangeiros usaram diplomas falsos para conseguir emprego aqui. O governo chinês agora está bem cauteloso e rígido com toda a documentação que você utiliza para conseguir o visto de trabalho. Além disso, é necessário enviar um comprovante de antecedentes criminais e fazer um exame médico nas primeiras semanas aqui na China.

  1. Como você ficou sabendo da vaga? Há algum site específico para saber de vagas na China?

Achei a vaga no www.tefl.com . Gosto muito do site porque podemos salvar nosso CV, documentos e informações e isso facilita na hora de enviar o material para escolas. Tudo é feito pelo site e somos contatados via e-mail para uma possível entrevista. Outro site muito bom é o http://jobs.echinacities.com/ e é sempre bom verificar escolas que devem ser evitadas pois estão na black list aqui na China . O Dave´s ESL Café tem uma lista dessas escolas http://eslcafe.com/. Dica importante: não aceite um emprego com salário inferior a 8,000 RMB (cerca de 4,000 reais), acomodação, seguro saúde e custos com o visto pagos e também a passagem Brasil-China-Brasil paga.

  1. Tendo em vista o custo de vida, a remuneração é compatível, inferior ou superior ao que você recebia no Brasil?

A remuneração aqui é maior que no Brasil. Já o custo de vida é bem mais baixo, e a grande diferença é que a maioria das escolas oferece acomodação, então não precisamos pagar aluguel. No meu primeiro emprego aqui, tive que pagar somente contas de energia, gás e condomínio. Já no meu emprego atual, eles cobrem todas as taxas e moro num apartamento dentro do campus com quarto, banheiro, varanda, sala e cozinha. Custos com transporte, celular, alimentação e lazer são bem mais baixos que no Brasil, e o salário de um professor de inglês na China é, no mínimo, duas vezes maior que a média salarial no resto país. Consigo juntar 3 vezes mais que do que juntava no Brasil no fim do mês.

  1. Você sofreu algum preconceito por ser não nativo? 

Não sofri qualquer tipo de preconceito por não ser nativo. Os chineses conseguem diferenciar bem um professor de carreira de um estrangeiro sem experiência, que dá aula de inglês por um ou dois anos e volta para o seu país. Por outro lado, mesmo com quase 15 anos de experiência na área de língua inglesa e certificados, ter um passaporte de países de língua inglesa ainda vale bem mais do que toda experiência de um não nativo aqui na China. Conseguir um emprego como professor de inglês em Pequim ou Xangai sendo não nativo é extremamente difícil, mas a China é um país continental, então outras cidades menores aceitam e precisam urgentemente de não nativos. Já conheci e trabalhei com professores da Rússia, Filipinas, Madagascar, Espanha, Eslováquia, Holanda e outros países onde o inglês não é o idioma oficial.

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  1. Como está sendo a experiência de trabalhar na China sendo brasileiro?

É muito bom ser brasileiro fora do Brasil. Sempre que digo que sou brasileiro aqui, as pessoas lembram imediatamente do futebol, belezas naturais, alegria e gente bonita. Eles também perguntam da violência e dos problemas sociais que temos no Brasil, algo bem distante para os chineses, já que aqui é mais seguro que a maioria dos países da Europa. Andar na rua de madrugada, usar transporte público e celular no meio da rua são coisas que evito ou faço no Brasil com muito cuidado. Aqui eles não têm essa preocupação com segurança, já que é bem seguro, inclusive nas grandes cidades.

  1. Qual conselho você daria a professores brasileiros que querem trabalhar aí?

A China é um país magnífico com tradições milenares e uma cultura riquíssima. É o segundo país mais rico do mundo e está em constante transformação. É, sem dúvida, o maior mercado de ensino de língua inglesa do mundo e precisa de profissionais qualificados, algo escasso por aqui. Por ser tão longe do Brasil, aprendemos pouco e sabemos quase nada na China. As notícias que chegam no Brasil sobre a China são negativas e falam da poluição e outros desastres naturais. O mesmo acontece com as notícias sobre o Brasil que chegam por aqui. Morar na China e ensinar crianças, adolescentes e adultos de uma cultura tão diferente é extremamente rico e valioso para qualquer profissional da área de educação.

  1. Algo mais que você queira dizer aos BrELTers?

Temos a sorte de trabalhar com língua inglesa e poder conseguir emprego no exterior com mais facilidade que outras profissões. Trabalhar em outro país e ter a experiência de ensinar alunos de uma cultura tão diferente da nossa é único. Em 2017 completarei 15 anos de carreira e só continuo na mesma profissão por duas razões: a paixão pelo ensino e o fato de poder atuar em diferentes contextos, segmentos e funções na mesma área. Morar fora do país e atuar como professor nos dá uma visão mais abrangente do papel da educação na sociedade e enriquece nosso CV de todas as formas possíveis.

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Nosso muito obrigado ao Eduardo pela entrevista e suas super dicas. :) Para conhecer mais BrELTers pelo Mundo, clique aqui.

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