BrELT coLAB com Rosana Cabral sobre ‘Disrupting Class’

colab

De uma discussão na BrELT sobre o futuro do ensino de línguas, surgiu todo um debate acerca de “disrupting class“. Rosana Cabral, que tem estudado a ideia e experimentado trazê-la para o ensino de inglês, presenteia-nos com seu entusiasmo e sua visão de como ELT pode mudar. 

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Ro_Jan2017.jpgESL teacher desde 2006, empreendedora desde 2016 e sonhadora desde sempre, Rosana Cabral acredita que sua missão é não somente ensinar um idioma, mas também tocar vidas e ajudar seus alunos a realizarem seus sonhos. Focada em jovens e adultos, busca dinâmicas inovadoras e alternativas para desfazer as objeções comuns desse público, permitindo que o inglês faça parte do seu dia a dia. Desde 2013 tem pesquisado sobre o uso das tecnologias para o ensino, rompendo os paradigmas da sala de aula convencional. Trabalhou em diversas escolas de idiomas, lecionando cursos regulares, inglês para carreiras, preparatório para exames de proficiência e inglês para viagens para jovens e adultos de todos os níveis. Recentemente se aventurou em novos desafios abrindo sua própria escola de idiomas, a Messiah Idiomas em Marília no estado de São Paulo, que oferece cursos presenciais e online e desenvolve materiais didáticos e conteúdos digitais.

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O futuro já chegou!! Alguém aí também tem esse feeling? Os quadros negros se foram e os retroprojetores também. Hoje temos quadros brancos, televisores, projetores, lousas digitais, laptops, tablets, e muitos outros equipamentos modernos na sala de aula. A internet chegou para ficar e num piscar de olhos, ou melhor em um touch, o mundo está em suas mãos. É incrível e às vezes até assustador, mas o que antes víamos nos filmes está no nosso dia a dia. Agora vamos parar pra refletir um pouco: Será que tudo isso realmente revolucionou a educação ou é só a mesma dinâmica com high-tech classrooms?

Na época da revolução industrial, surgiu a necessidade de massificar o ensino. O professor era o dono do saber, e a sala de aula estava superlotada de alunos repetidores de informações. Ok, isso já mudou muito, mas vamos analisar uma situação “hipotética”… Um professor de inglês de uma escola de idiomas tem uma turma de 12 alunos. Fez seu planejamento de aula, organizou uma super dinâmica, trouxe vídeos, flashcards, games and so on. Até achou um site onde os alunos podem praticar o conteúdo em casa através de um jogo super divertido que vai ser homework. Great job!!

Vamos mudar o ângulo da câmera. Dentre os 12 alunos, quatro deles já aprenderam isso antes, não foram desafiados com algo novo, ficaram entediados durante a aula com o conteúdo que já conhecem e irritados com os alunos “lerdos” (rolou até um bullying). Outros quatro não tinham compreendido por completo o conceito da aula anterior. Com isso não conseguiram acompanhar o que estava acontecendo naquela aula. Sentiram-se incomodados, desmotivados e até se questionaram se tinham mesmo capacidade de aprender. Os outros quatro alunos adoraram a aula. Acharam super dinâmica, divertida, e realmente entenderam aquele conteúdo.

Essa é uma situação hipotética, mas sei que há uma grande possibilidade de você, que está lendo esse artigo, já ter passado por isso (muitas vezes). Já aconteceu comigo. Ficava pensando o que fazer com aquele aluno que não acompanha e como motivar aquele que está à frente, bem no estilo “Onde foi que eu errei?”. Aí chega na hora de corrigir as provas, ficamos com o coração na mão. “É um menino tão esforçado, falta pouco pra chegar no 7. Ele merece, vou dar um empurrãozinho.” E lá vai mais um aluno para o próximo nível com um gap de conteúdo.  

Agora vamos imaginar outra situação. Uma escola de idiomas possui uma estrutura diferente de ensino: personalized and mastery based. Quando o aluno se matricula, ele faz um teste que identifica quais são as habilidades da língua que ele já domina e quais ainda precisam ser trabalhadas (nada de carimbar na testa iniciante, intermediário ou avançado). Com isso, ele segue sua própria trilha de aprendizado direcionada por um sistema online que indica, através de um mapa do conhecimento, quais são as opções de atividades que ele pode escolher fazer em seguida. Para passar para a próxima etapa, o aluno precisa master aquele conceito (esquece aquela ideia de “passou com 7 tá ótimo”. Afinal, o que acontece com os 3 pontos de conteúdo que perdeu em todos os semestres?).

As atividades são variadas: vídeo-aulas gravadas (Pra que ficar ouvindo um tempão de explicações em sala de aula, se dá pra assistir um vídeo mais objetivo sobre isso?), exercícios online, jogos, cenas de filmes, músicas, desafios, etc. O próprio sistema dá a pontuação das atividades e também tem uma classificação de badges em que o aluno pode ir conquistando níveis diferentes, sendo mais motivado através da gamificação. Tudo isso feito no computador, tablet ou celular, em qualquer lugar com acesso à internet. Espera um pouco… isso está parecendo bem solitário, não acha? E o que aconteceu com o professor? Evaporou? Calmaaaa!! Claro que não!! Vamos para outra parte interessante.

Os alunos não pertencem a turmas específicas divididas por níveis, e sim a uma comunidade de aprendizado. Nessa comunidade, eles interagem com outros alunos, tutores e professores, que fazem um networking motivacional, tiram dúvidas e apoiam uns aos outros. Além disso, a cada etapa conquistada nas atividades online, o aluno pode agendar um encontro presencial. Nesse momento ele tem a oportunidade de praticar o conteúdo, que já dominou anteriormente, através de atividades dinâmicas, comunicativas, desafios, projetos em grupos e outras coisinhas divertidas. Também pode rolar uns hangouts no estilo book club, movie session, Let’s go to the restaurant and speak only English, até onde a criatividade alcançar e os alunos estiverem dispostos a fazer.

Com essa proposta, cada aluno aprende no seu ritmo, no seu tempo, conforme a sua necessidade de aprendizado e de acordo com a sua agenda pessoal de atividades, sem perder a interação com o grupo e engajamento com a escola e o professor. Sem contar que os encontros presenciais podem sair das 4 paredes da sala de aula e ganhar o mundo. Até aquela velha estrutura da sala de aula com lousa, mesa do professor, mesas e cadeiras dos alunos, pode mudar de setting dependendo das atividades do dia.

Sim! O professor precisa mudar seu papel. Todo mundo sabe que o professor não é mais o único dono do saber. Temos muitas experiências para compartilhar, muito conhecimento para oferecer, nos preparamos muito para chegar onde chegamos. Foram horas incansáveis de estudo da língua, preparação de aulas, noites mal dormidas… Tudo isso tem muito valor e continuará tendo, mas é preciso mudar as lentes e perceber qual é o nosso papel diante das transformações que estão acontecendo e ainda estão para acontecer no mundo.

Está na hora de oferecer aos nossos alunos a chance de serem protagonistas do seu processo de aprendizagem e passarmos a ser diretores nessa história. Dessa forma damos a eles a chance de alçar vôos muito mais altos.

Acho que já escrevi demais. Poderia ficar horas discursando sobre minhas ideias malucas. Pois é, já fui chamada de louca, mas cheguei à conclusão que isso só me motiva ainda mais pra fazer acontecer e mostrar pra todo mundo que funciona. Se você chegou até aqui, com certeza está cheio de question marks na cabeça sobre como seria esse processo na prática. Realmente essa logística de informações dá um nó na ideia. Sinto lhe informar que não tenho todas as respostas (AINDA). Tudo o que escrevi aqui surgiu como resultado de muitas pesquisas, leituras, vídeos e algumas ideias que desenvolvi durante minha experiência diária como teacher. Esse é só um exemplo. Existem vários outros modelos para personalização do ensino que podem ser explorados de diversas formas.

Sonho em um dia ver tudo isso acontecendo. Difícil? Certamente!! Impossível? DUVIDO!! Realmente creio que estamos vivenciando a chegada de uma revolução educacional como nunca vista antes. Amo a ideia de colaboração e compartilhamento, por isso quero te convidar a fazer parte dessa loucura. Que tal ajudar a escrever uma nova história nas páginas do desenvolvimento educacional? Se você quiser embarcar comigo, pode ser que esse futuro fique menos distante. Let’s?

https://www.ted.com/talks/salman_khan_let_s_use_video_to_reinvent_education

https://www.ted.com/talks/sal_khan_let_s_teach_for_mastery_not_test_scores

https://www.khanacademy.org/

https://pt.khanacademy.org/exercisedashboard

https://www.coursera.org/learn/blended-learning

http://www.fundacaolemann.org.br/ensino-hibrido/

https://www.facebook.com/ensinohibrido/

http://www.saraiva.com.br/blended-usando-a-inovacao-disruptiva-para-aprimorar-a-educacao-8889819.html

http://www.christenseninstitute.org

https://www.youtube.com/watch?v=lIh4jJlvF44

https://www.youtube.com/watch?v=GQzTODkYr5s

http://www.qmagico.com.br/

 

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2 thoughts on “BrELT coLAB com Rosana Cabral sobre ‘Disrupting Class’

  1. Oi Rosana! Quero parabenizá-la pelo trabalho que você tem feito, suas ideias são inspiradoras!! Também tenho esse sonho de transformar a sala de aula e inserir os alunos em um contexto mais interativo. Adoraria trocar ideias contigo, acredito que a união de pessoas com o mesmo propósito pode fazer esse sonho acontecer. Meu email é talita.teacher@gmail.com, agradeço se você puder entrar em contato. Abraço!

    • Oi Talita! Fico super, super feliz com seu feedback. =) Por muito tempo achei que era muita loucura, mesmo acreditando muito nisso (um tanto contraditório, mas me sentia assim…vai entender…hehehe). Me inspira ainda mais saber que essas ideias podem ser úteis para outros teachers e que através do compartilhamento seja realmente possível fazer acontecer. Será um prazer trocar ideias com você. Vou te escrever com certeza!! Abraço!

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