Parte 2 da entrevista com Nayara Bernardes que fez Mestrado na Trinity College Dublin.

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Em março de 2017 entrevistamos a BrELTer Nayara Bernardes sobre o seu curso de Mestrado em Linguística Aplicada pela Trinity College Dublin na Irlanda. Para relembrar, clique aqui.

Dessa vez, ela volta para nos contar dos benefícios e impactos da pesquisa no seu desenvolvimento profissional. Vem com a gente conferir:

 

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1- Como o mestrado mudou, se mudou, a sua visão sobre o ensino de línguas?

Eu acredito que mudou e ampliou minha visão sobre o ensino de línguas em relação a vários aspectos. O primeiro deles é o papel do professor de línguas como pesquisador. Por muito tempo me dediquei em planejar e dar uma boa aula, em ler a respeito de novas técnicas, ir a conferências e tentar ao máximo ser a “melhor professora possível” para os meus alunos. Nada de errado com tudo isso. Pelo contrário, mas ao iniciar o mestrado notei o quanto negligenciei o meu lado pesquisadora e o quanto a sala de aula é um solo muito fértil para pesquisar e melhorar sua própria prática. Acredito que através de “action research” por exemplo o professor pode descobrir muito sobre si e seus alunos e dessa maneira melhorar o processo de aprendizado de um idioma. Fiquei muito tempo sem escrever artigos, sem apresentar em conferências por achar erroneamente que isso era para o pessoal da “área acadêmica” ou por me sentir insegura também. Outro ponto de mudança foi em relação a vontade e a necessidade de instigar em meus alunos a serem mais autônomos na aprendizagem de língua inglesa e se conhecerem melhor descobrindo formas de aprendizagem com as quais eles mais se identifiquem para aprimorar as habilidades linguísticas de maneira mais ampla. Além disso, a minha visão em relação a “Language Testing” se ampliou mais. Essa sempre foi uma disciplina que nunca havia despertado meu interesse, sempre torci o nariz para ela, mas aprendi tanto sobre a responsabilidade que é a elaboração de uma avaliação, sobre os passos e o que deve ser levado em consideração no processo todo, desde a elaboração, validação, aplicação e correção.

 

2-  Quais são os seus próximos passos em relação à colocação no mercado e empregabilidade? Você pretende enveredar pela área acadêmica? Pretende voltar para o Brasil?

Como tenho direito a dois anos de visto após o término do mestrado, tentarei primeiramente conseguir uma vaga em um instituto de idiomas por aqui. Durante o verão trabalhei em duas escolas por indicação de uma amiga brasileira que é professora também. Foi muito gratificante exercer minha profissão novamente ainda mais em um país onde a língua materna é o inglês. Foi uma experiência curta, mas de muito aprendizado, pois fora o CELTA, essa foi a minha primeira experiência ensinando inglês como segunda língua. Ficaria muito feliz se pudesse trabalhar como professora de inglês por aqui novamente. Minha primeira opção seria uma colocação em escolas de inglês mas estou aberta também a outros campos que a linguística tem a oferecer. Por aqui várias empresas como Facebook, Google, Airbnb, contratam linguistas para diferentes funções. A área acadêmica era algo que há alguns anos não me passava pela cabeça mas no futuro não descarto essa possibilidade.

3- Você acha que fez diferença ter feito o mestrado fora? Por que?

Primeiramente gostaria de salientar que o Brasil possui programas de mestrado maravilhosos, tão bom quanto ou melhores do que os encontrados fora. Dito isso, há muito tempo nutria uma vontade de cursar mestrado fora pela oportunidade de aliar a experiência de estudar em uma universidade multicultural, a vivência em um país de língua inglesa e um programa de mestrado relevante em uma universidade de excelência que pudesse contribuir para o meu crescimento profissional. A minha conclusão é que fez diferença fazer mestrado fora porque o que aprendi foi bem além do que estava previsto no currículo. Tive a oportunidade de trocar experiências com pessoas de diferentes partes do mundo, compartilhar o que sei e aprender com o outro, ter insights e vencer barreiras. Foi uma experiência bem desafiadora, pois fazia muito tempo que não escrevia academicamente e isto pesou no início. Tive dificuldades, mas fui me aperfeiçoando, estudando e melhorando tanto a minha escrita quanto a minha fala o que foi me ajudando na questão da autoestima como professora também.

 

4- Como foi a receptividade com você sendo brasileira?

A receptividade tanto dos colegas quanto dos professores foi ótima. Os professores valorizavam minhas contribuições e sempre tiveram interesse em saber  mais sobre os contextos em que eu atuava no Brasil. Já em relação ao mercado de trabalho em escolas de idiomas, a receptividade não é a mesma. Se você for indicado para uma vaga por alguém, há maior chances da escola contratante te chamar para uma entrevista, caso contrário só enviando currículo é mais complicado. Apesar de ainda existirem escolas que só querem contratar professores nativos, há várias que não possuem essa concepção por aqui. Quando dei aula durante o verão não sofri nenhum preconceito ou resistência dos alunos por não ser falante nativa de inglês. Meus alunos nessa ocasião eram italianos e espanhóis. Pelos relatos de professores brasileiros que dão aulas aqui em Dublin a resistência maior vem de alguns brasileiros que não querem ter aulas com seus compatriotas. Os professores relataram que muitos torcem o nariz, mas depois de algumas semanas mostrando que realmente são competentes e estudaram e se especializaram apara estar ali o cenário começa a mudar.

Agradecemos à Nayara por mais uma entrevista e desejamos muito sucesso em sua vida profissional! Go Nayara!

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