BrELTers pelo Mundo #13: Laura Leite – Argentina

Brasil e Argentina podem até ser rivais quando o assunto é futebol, mas a verdade é que muitos brasileiros escolhem viver na terra de Maradona. Nossa entrevistada de hoje é a sensível e poética Laura Leite.

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  1. Há quanto tempo você trabalha nesse local e quais suas funções?

Cheguei em Buenos Aires em julho de 2017, mas como os documentos ficaram prontos em setembro, só então pude começar a trabalhar. Realmente escolhi a pior época do ano, pois por aqui a procura por professores é praticamente toda em fevereiro. Por sorte, uma consultora, que não é uma escola, mas uma empresa que contrata professores para dar aulas em empresas, estava precisando de professor na região em que eu morava. A partir daí comecei a ter mais contatos e consegui mais alunos. Abri um CUIT, que seria o equivalente ao CNPJ e assim pude passar notas fiscais diretamente para as empresas, expandindo assim os lucros. No momento sou autônoma, mas presto serviço para duas multinacionais e tenho alunos particulares. Ser autônoma nesses casos é como ter uma escola. Preciso, além de preparar e dar aulas, elaborar provas, preparar relatórios para o RH das empresas (o que me exigiu um espanhol C1 logo de cara), dar feedbacks constantes, fazer a propaganda e vender os produtos (dou aulas de italiano e português para estrangeiros também).

  1. Você já trabalhou em outros locais fora do Brasil? 

Apesar de ter estudado na Itália essa é a minha primeira experiência fora do CELTA, em 2016, quando tive a oportunidade de ter alunos portenhos.

  1. O que te levou a procurar emprego fora do país? Como você escolheu essa  cidade, país e esse modo de trabalho?

Meu marido é argentino e planejamos essa vinda por um ano e meio. Antes de vir morar fiz o CELTA aqui mesmo em Buenos Aires e vim outras vezes para ter certeza de que era o local certo. Começar trabalhando com uma consultora ao invés de uma escola me fez aprender bastante e me influenciou a trabalhar como autônoma, pois estava preocupada com a adaptação do meu filho e queria ter mais tempo para ficar com ele.

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  1. Quais os requisitos que você precisou cumprir para conseguir esse emprego, em termos de qualificações, certificações, experiência prévia, etc.?

Em todas as entrevistas que fiz com as empresas em que trabalho sempre tive que mostrar as minhas certificações internacionais (Tenho CELTA e FCE), pois aqui são muito exigentes em relação a isso. Os professores formados aqui são muito qualificados e as escolas regulares aplicam o FCE e CAE na própria escola, o que faz com que eles exijam bastante dos estrangeiros aqui, principalmente não sendo um nativo americano, por exemplo. Minha experiência de 8 anos, apesar de não ser muito, contou bastante também.

  1. Quais foram os requisitos em termo de documentação?

Todos os brasileiros têm o direito ao visto permanente. Esperei cerca de dois meses para poder conseguir o meu. Custa cerca de 300 reais e você já sai do local com a permissão provisória chamada “precária”, para trabalhar. Após 30 dias chegou o DNI, a identidade. Não precisei de terceiros para fazer nada, o processo é bastante simples.

  1. Como você ficou sabendo da vaga? Há algum site específico para saber de vagas deste tipo?

Procurei em um site de busca de empregos chamado Computrabajo. Eles usam muito esse meio aqui, inclusive as escolas. Após começar as aulas comecei o network dentro das empresas em que trabalho.

  1. Tendo em vista o custo de vida, a remuneração é compatível, inferior ou superior ao que você recebia no Brasil?

É bastante superior, apesar das escolas regulares pagarem mais do que as empresas (ao contrário do Brasil), ainda assim vale mais a pena pela qualidade de vida e o poder de compra.

  1. Você sofreu algum preconceito por ser não nativa?

Percebi que uma grande parte das escolas de inglês contrata apenas nativos e deixam isso claro já no anúncio. As escolas regulares não têm problemas em relação a isso, muito menos as empresas. Até agora não sofri preconceito diretamente, mas esses anúncios que especificam já são um preconceito só pra quem quer trabalhar em escolas de idiomas. No Brasil o preconceito em relação a isso é muito maior.

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Laura na Argentina

  1. Como está sendo a experiência de trabalhar nesse país sendo brasileiro?

Ao contrário do que todos pensam, os argentinos amam os brasileiros e sempre que digo que sou brasileira eles abrem um sorrisão. Durante o CELTA tive uma classe de 17 alunos (Upper Intermediate) por duas semanas e nunca precisei chamar atenção, todos muito participativos. Já ali entendi que o respeito ao professor era uma questão cultural, mas tive certeza quando comecei a trabalhar mesmo. Os alunos aqui são muito dedicados e conscientes do que devem fazer para aprender, inclusive as crianças. O respeito ao professor é incrível e, mesmo os alunos com cargos altos na empresa são muito humildes e dedicados.

  1. Você passou por alguma situação inusitada em sala de aula por não compartilhar a cultura/língua dos alunos?

Adoro tomar chimarrão e tererê junto com os alunos, isso é muito comum durante as aulas: um só pra todo mundo e vai passando! No mais é tudo muito parecido, eles têm muita influência brasileira aqui, principalmente por causa das músicas e novelas.

  1. Qual conselho você daria a professores brasileiros que querem trabalhar aí na Argentina?

Juntar dinheiro para poder e manter e procurar emprego quando já estiver aqui, pois eles dificilmente contratam pessoas que não tenham a documentação e contratam muito rápido (eu enviei meu currículo dia 5 de setembro e dia 8 comecei!). O mês ideal para procurar emprego é fevereiro, mas o trabalho mesmo só começa em março (as escolas aqui são de março a dezembro).

Muito obrigado pela entrevista, Laura! Ficamos com muita vontade de tomar um chimarrão aí contigo.

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