BrELTers pelo Mundo: Lidiane Aires – Austrália

Mais do que nunca, muitos professores estão procurando outros países para trabalhar. A série BrELTers pelo mundo hoje desembarca na Austrália, onde a professora está super satisfeita.

  • Há quanto tempo você trabalha nesse local e quais suas funções?

Sou ESL teacher na International house Sydney. Além de preparar os slides para as aulas (usando o English File), tenho de corrigir writing e provas, preparar o material dos alunos (eles trabalham com cópias), atualizar o teaching records diariamente e participar das reuniões semanais. 

Você já trabalhou em outros locais fora do Brasil?

Sim, mas não como professora de inglês. Fui au pair nos Estados Unidos 7 anos atrás.

O que te levou a procurar emprego fora do país? Como você escolheu essa  cidade, país e esse modo de trabalho?

A péssima situação do país, a desvalorização do professor e a oportunidade de uma nova e enriquecedora experiência, além de querer estudar, me levaram a deixar o Brasil. A cidade e o país foram escolhidos por ter mais oportunidades de trabalho.

Quais os requisitos que você precisou cumprir para conseguir esse emprego, em termos de qualificações, certificações, experiência prévia, etc.?

Ter ao menos uma graduação, algum tempo de experiência e CELTA.

Quais foram os requisitos em termo de documentação?

Certificados dos itens mencionados acima e autorização para trabalhar na Austrália (no caso, o visto de estudante, que permite trabalhar 20 horas semanais).

Quais os passos para conseguir um visto como o seu?

O  visto de estudante depende muito do curso que você quer fazer aqui. Ele precisa estar alinhado à sua formação e área de estudo. No meu caso, foi simples porque vim fazer o preparatório para o CPE e já tinha CELTA e CAE no currículo. No momento, estou estudando marketing, o que também está alinhado à minha primeira graduação, em comunicação social com ênfase em jornalismo. Desde que suas intenções sejam genuínas e devidamente justificadas, é  relativamente fácil vir estudar na Austrália, mas fiz tudo isso com a orientação de uma agente.

Então um visto de estudante para um curso de inglês como um preparatório para CPE é suficiente? Há países que só oferecem esse tipo de visto para cursos de nível superior, não é o caso então, certo?

Não é o caso, mas claro que não é só isso. Você tem de escrever uma carta, comprovar vínculos com o Brasil, comprovar renda (tem de pagar o curso, taxas de imigração, seguro saúde). Por isso, é bom procurar uma agência para auxiliar.

Como você ficou sabendo da vaga? Há algum site específico para saber de vagas deste tipo?

Era aluna da escola e fui indicada pelo meu professor de CPE. O LinkedIn aqui é muito recomendado, mas há sites de busca de emprego, apesar de indicação ser mais comum nessa área.

Tendo em vista o custo de vida, a remuneração é compatível, inferior ou superior ao que você recebia no Brasil?

A remuneração é superior a do Brasil. Embora o custo de vida em Sydney seja alto e, como estudante, eu só possa trabalhar 20 horas semanais, ainda vale mais a pena não só em termos de remuneração mas também de qualidade de vida.

Você sofreu algum preconceito por ser não nativa?

Nunca por parte da equipe, que é bem heterogênea, com professores de vários países. Os diretores têm plena consciência da importância de se ter professores não-nativos na escola, não só por terem vivenciado a aprendizagem do idioma (o que não aconteceu da mesma forma com um nativo), mas também por falarmos outras línguas e facilitarmos a comunicação com estudantes estrangeiros, que também buscam acolhimento num país estrangeiro que não fala a língua deles. O preconceito às vezes vem dos próprios alunos, principalmente de algumas nacionalidades. A coisa de  professor nativo ser melhor, apesar de ser um mito, ainda existe.

Como está sendo a experiência de trabalhar nesse país sendo brasileiro?

Tem sido maravilhoso e desafiador porque envolve conhecer outras culturas e efetivamente ensiná-los na própria língua que estão aprendendo (inglês). Tive de explicar termos que antes não precisava me preocupar (pois eram cognatos em português, mas não são em outras línguas) e voltar a usar letra de forma ao invés da cursiva (pois a maioria dos asiáticos consegue ler apenas letra de imprensa). Os alunos têm aulas diárias de 5 a 6 horas, o que também é desafiador. Em relação a ser brasileira, apenas o preconceito mencionado acima (e, às vezes, por ser mulher, dependendo da nacionalidade do aluno).

Você passou por alguma situação inusitada em sala de aula por não compartilhar a cultura/língua dos alunos?

Não (pelo menos, não ainda).

Qual conselho você daria a professores brasileiros que querem trabalhar aí na Austrália?

Estude e melhore profissionalmente. O brasileiro é muito bem visto aqui como trabalhador, mas dar aulas de inglês num país de língua inglesa sem ser nativo vai exigir que você seja extremamente bom naquilo que faz e que tenha um diferencial: que fale outras línguas, que saiba lidar com pessoas (alunos de outras nacionalidades) ou que entenda muito sobre algum exame (como Ielts, FCE, CAE, etc.).


Lidiane, muito obrigado pela entrevista. Temos certeza de que você terá ainda mais sucesso aí na Austrália.

Lidiane Aires começou a trabalhar como professora de espanhol em 2009. Se formou em jornalismo, passou um ano nos Estados Unidos e acabou se tornando também professora de inglês. É especialista em língua inglesa, com ênfase nos estudos de expressões idiomáticas e dá aulas de General English e preparatórios para exames de Cambridge como Ielts e FCE. Atualmente estuda e trabalha na Austrália.

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