BrELTers pelo Mundo: Michelle Hudson Daniel – Espanha

Pense numa BrELTer carismática, alegre e super comprometida com professional development? Pensou? Pois é, hoje a nossa entrevistada é a maravilhosa Michelle Hudson Daniel! Há mais de dois anos na Espanha, Michelle vai direto ao ponto e nos conta tudo!

1 – Há quanto tempo você trabalha nesse local e quais suas funções?


Retornei a Sevilla no final de dezembro de 2016. Esperei passar duas semanas, por causa das festas, para somente então publicar meu perfil em um site de professores particulares. Para a minha surpresa, no dia seguinte eu já recebi ligações de pais buscando aulas para os filhos. Consegui muitos alunos através deste site. Posteriormente, novos alunos através de indicações das famílias para as quais eu trabalhava. Contar apenas com aulas particulares me deixava muito ansiosa pela instabilidade financeira e extremamente cansada, pelas distâncias a caminhar a pé, tempo dentro de ônibus e o calor brutal daqui. Eu queria muito trabalhar em uma escola de inglês. Tinha muita saudade de trabalhar com grupos. Foram alguns nãos antes de ser aceita, depois de ter ficado 1 ano e meio com aquela correria de aulas particulares. Os contratos aqui são diferentes, de setembro a junho. Estou muito contente de saber que a minha chefe conta comigo para o próximo ano letivo! Mantive alguns alunos particulares e tenho aulas inclusive sábados e domingos. Desde que cheguei, sabia que trabalhar com crianças seria a maior demanda. Um novo desafio. Atualmente, tenho todas as faixas etárias possíveis, tanto na escola onde estou empregada quanto nas aulas particulares (online e presenciais). Ao longo desse tempo, tive oportunidade também de trabalhar como professora particular para grupos em duas empresas diferentes.

2 – Você já trabalhou em outros locais fora do Brasil?

Minha primeira experiência de trabalho fora do Brasil foi aqui na Espanha mesmo.

3 – O que te levou a procurar emprego fora do país? Como você escolheu essa  cidade, país e esse modo de trabalho?

Voltei a Sevilla com pouquíssima esperança de conseguir emprego imediato, mas muito determinada a encontrar meu espaço. Eu já tinha passado 3 meses aqui para estudar espanhol, no início de 2016. Percebi que havia quase nada de oportunidades para professores non-native. Muito menos para os que além de não nativos são não europeus. Mesmo ciente de todas as dificuldades, senti que deveria tentar, por motivos pessoais. Meu marido é daqui e não tem possibilidade de sair de Sevilla por razões familiares. Ter tido somente aulas particulares era a minha única opção no início. Os empregadores não teriam por que contratar alguém que estava com visto de estudante, tendo que enfrentar todo um processo burocrático; considerando o número de professores de inglês que vivem aqui e que estavam com a questão de documentos mais bem resolvida.

4 – Quais os requisitos que você precisou cumprir para conseguir emprego nessa escola, em termos de qualificações, certificações, experiência prévia, etc.?

Antes de ser aceita pela escola onde estou, eu já tinha conseguido algumas horas em uma companhia que contrata professores de inglês para trabalhar em empresas. Foi a minha primeira entrevista aqui e eu fiquei extremamente feliz de ter conseguido aquelas horas. Eram poucas, mas significaram muito para mim. O fato de eu ter o CELTA certamente contou muito, assim como os anos de experiência. Para ter conseguido a vaga na escola onde estou, igualmente. Nessas duas entrevistas bem sucedidas, além dos certificados Cambridge (CELTA, TKTs) e o TESOL course que eu tinha feito em Auckland – NZ, sinto que a dedicação ao meu desenvolvimento profissional contou muito também. Leituras e cursos online com professores que são referência no meu país tem me deixado com uma bagagem teórica cada vez maior. É o tipo de conhecimento que vem naturalmente em um momento de entrevista de emprego.

5 – Quais foram os requisitos em termo de documentação?

Ter conseguido a carteira de residência foi primordial para a contratação na escola. Eu tinha que estar em dia com o número de segurança social, conta bancária e principalmente o NIE (número de identidade de estrangeiros). Enquanto eu estava aqui na Espanha somente com o visto de estudante, a única possibilidade era realmente o mercado informal, as aulas particulares.

6 – Como você ficou sabendo da vaga? Há algum site específico para saber de vagas deste tipo?

O site que me abriu as portas para as aulas particulares é o www.tusclasesparticulares.com. Para vagas em escolas de Sevilla e oportunidades para professores de inglês em geral, há um grupo no Facebook: TEFL Teachers in Seville. Enviei meu CV para escolas que aí postavam anúncios de vagas. E foi assim que eu cheguei ao meu emprego atual.

7 – Tendo em vista o custo de vida, a remuneração é compatível, inferior ou superior ao que você recebia no Brasil?

Superior se eu pensar somente em hora/aula do tempo que eu trabalho na escola. Mas a julgar pelo valor recebido das aulas particulares, inferior. No Brasil os professores particulares ganham muito mais pela hora/aula do que aqui.

8 – Você sofreu algum preconceito por ser não nativa?

Muito! Aqui na Espanha a preferência por professores nativos é muito forte. E pela proximidade dos países, eles estão aqui aos montes! E sim, eles conseguem as vagas mesmo não tendo as qualificações esperadas, somente por serem nativos. Em muitos anúncios de vaga eles dizem abertamente que querem um professor nativo, sem o menor constrangimento. Quando recebem reclamações para modificarem o texto sobre a vaga (nos comentários do Facebook), eles até editam; mas depois enviam claramente por e-mail uma resposta à tentativa de enviar CV, dizendo que eles querem professores nativos. Além de não ter sido aceita para entrevistas, já perdi de ter mais alunos particulares por ser não-nativa. É comum ver nos sites das escolas o “temos professores nativos”, mesmo que isso seja ilegal dentro da União Europeia. Inclusive na página da escola que é considerada a mais prestigiosa aqui em Sevilla.

9 – Como está sendo a experiência de trabalhar nesse país sendo brasileiro?

Eu sinto a resistência inicial por parte dos alunos em ter uma professora brasileira para ensinar inglês. Essa barreira se dissolve pouco a pouco. O rapport tem ajudado muito, além do compromisso que eu tenho mantido com o desenvolvimento de cada aluno. É muito tempo de entrega extra-classe. Mas tem sido muito gratificante!

10 – Você passou por alguma situação inusitada em sala de aula por não compartilhar a cultura/língua dos alunos?

Momentos engraçados por usar a L1 deles com “Portuguese interference” sim. Mas no geral, o fato de eu ter um nível C1 em espanhol e um interesse enorme pela cultura local me ajuda muito na questão rapport com os alunos.

11 – Qual conselho você daria a professores brasileiros que querem trabalhar aí na Espanha?

Saber bem o idioma daqui e as dificuldades que eles têm com pronúncia e compreensão das diferenças gramaticais entre a L1 deles e o inglês é um diferencial. A maioria dos professores nativos em Sevilla mostra falta de interesse em aprender o espanhol. Como citado anteriormente, estar bem com a parte burocrática de estar aqui na Espanha é essencial.

Formada em Biologia pela UFPR, em 2011 Michelle decidiu transformar o que tinha sido um hobby desde sua adolescência em carreira profissional. Ela tem os cursos CELTA, Módulos 1 – 3 TKTs e o certificado TESOL pela Languages International (Auckland – NZ). Vive em Sevilla há mais de 2 anos, trabalhando em uma escola de inglês e também em aulas particulares online e presenciais.

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