BrELTers pelo Mundo: Francis Resende – Luxemburgo

Pensa em luxo. Agora pensa em um BrELTer! Pois é, Francis Resende está poderosíssimo em Luxemburgo e nos conta detalhes dessa experiência!

1 – Há quanto tempo você trabalha nesse local e quais suas funções?

Eu trabalho em uma creche em Luxemburgo que recebe crianças de vários países europeus. A proposta da escola é que as crianças (de 2 meses a 4 anos de idade) sejam expostas a 3 línguas diariamente: Luxemburguês, Francês e Inglês, que é onde eu entro. Fui contratado há um mês para fazer atividades com as crianças e lidar com elas no dia a dia em Inglês, e estou adorando o trabalho. Outro fator que encanta no país é sua riqueza linguística, pois há 3 idioma oficiais: Luxemburguês, Alemão e Francês. O Português também é uma língua muito utilizada pois 1/5 da população é portuguesa.

2 – Você já trabalhou em outros locais fora do Brasil? 

Em 2004 eu tive a oportunidade de fazer meu primeiro intercâmbio em Toronto por um mês. Como eu já dava aula de Inglês e o falava fluentemente, o diretor da escola me perguntou se eu não poderia estender a viagem por mais um mês para fazer um trabalho de teacher assistant, dando suporte aos alunos pós aula, e também auxiliando os professores em algumas atividades.Obviamente eu aceitei, uma pena que eu só tinha 1 mês para fazê-lo pois as aulas no Brasil já estavam prestes a começar. Ao final, ele me deu uma Letter of Recommendation que valeu ouro pra mim na época.

3 – O que te levou a procurar emprego fora do país? Como você escolheu essa  cidade, país e esse modo de trabalho?

Há muitos anos sonhava em morar e trabalhar fora do Brasil. Nos últimos anos, com o aumento da violência (tive minha casa invadida e vários bens furtados) a qualidade de vida declinou drasticamente. Passei ter medo de dirigir à noite, de andar na rua sozinho, entre outras inseguranças. Nesse período, meu marido descobriu que tinha direito à cidadania luxemburguesa, o que nos permitiu sonhar, e logo depois, realizar esse sonho. Tudo aconteceu muito rápido: ele recebeu a cidadania, logo depois eu me inscrevi no CELTA, pois sempre acompanhava os debates no BrELT e concluí que seria a formação necessária para conseguir trabalhar na minha área aqui fora.Depois, num período de um pouco menos de um ano, já estávamos vivendo em Luxemburgo. Tive que esperar os papéis chegarem para começar a procurar emprego. Logo assim que comecei, fui chamado para uma entrevista na creche e, 6 dias depois já estava começando a trabalhar.

4 – Quais os requisitos que você precisou cumprir para conseguir emprego nessa escola, em termos de qualificações, certificações, experiência prévia, etc.?

Os requisitos para a vaga eram que eu falasse Inglês fluentemente, tivesse um diploma na área de educação (e esse diploma tinha que ser reconhecido pelo governo luxemburguês – o processo de reconhecimento foi simples e levou um pouco mais de 3 semanas) e tivesse alguma experiência na área da educação. Eu nunca havia trabalhado com crianças de 2 meses a 4 anos antes, mas já havia trabalhado com crianças a partir de 6 anos, o que ajudou no processo de seleção.

5 – Quais foram os requisitos em termos de documentação?

Primeiramente é necessário ter uma permissão de residência e trabalho no Luxemburgo (ou na U.E.). Eu consegui a minha “carte de sejour” como membro de família por ser casado com um Luxemburguês. Além disso, como mencionado anteriormente, precisei do meu diploma reconhecido aqui no Luxemburgo.

6 – Como você ficou sabendo da vaga? Há algum site específico para saber de vagas deste tipo?

Desde que cheguei ao Luxemburgo, vivia procurando empregos pela internet. Em uma dessas pesquisas, vi a vaga da creche e mandei meu CV pois era uma das poucas vagas que não pedia pelo menos o francês para trabalhar. Porém aqui há um órgão do governo chamado ADEM onde todos os que têm a permissão de trabalhar podem se inscrever e eles o auxiliam na busca de emprego, disponibilizando um job board onde a pessoa pode enviar CVs para todas as vagas dentro de qualquer área que escolher.

7 – Tendo em vista o custo de vida, a remuneração é compatível, inferior ou superior ao que você recebia no Brasil?

A remuneração é superior ao que recebia no Brasil, se levarmos em consideração que com esse valor, pode-se comprar um carro, alugar/comprar uma casa (o que ainda não tive como fazer por estar no período de experiência que dura 6 meses) e ainda sobreviver de forma digna, sem contar que só o fato de viver sem aquele medo absurdo de sofrer um assalto ou levar uma bala perdida já é o suficiente para elevar a qualidade de vida.

8 – Você sofreu algum preconceito por ser não nativo?

Eles não procuravam um falante nativo do Inglês, apenas alguém com total domínio do idioma. Creio que isso foi essencial para não sofrer nenhum tipo de preconceito por ser brasileiro.

9 – Como está sendo a experiência de trabalhar nesse país sendo brasileiro?

Está sendo uma experiência super interessante, pois as pessoas com quem trabalho só mencionam esse fato quando querem saber alguma curiosidade sobre o Brasil. Com relação aos pais, tenho recebido elogios pois os filhos têm chegado em casa falando Inglês e eles estão super satisfeitos com o meu trabalho, independente da minha nacionalidade. Além disso, há 2 mães que também são brasileiras e foram me parabenizar por ter conseguido a vaga, desejaram-me boa sorte e ainda pediram para falar com seus filhos em Português Brasileiro para que eles não deixem de falar o idioma.

10 – Você passou por alguma situação inusitada em sala de aula por não compartilhar a cultura/língua dos alunos?

HAHAHAHAHAHA…. TODOS OS DIASSSSSSS!!!! Pois a língua principal da creche é o Francês, que eu ainda não domino, e as crianças sempre vêm falar comigo em Francês. Às vezes eu já entendo, mas em algumas circunstâncias eu dou aquela risadinha amarela e mando um: “Let’s play together?” HAHAHAHA

11 – Berro! ‘Let’s play together’ é uma ótima saída!
Qual conselho você daria a professores brasileiros que querem trabalhar aí em Luxemburgo?

Para uma pessoa vir trabalhar em Luxemburgo, primeiramente precisa de uma permissão de residência e trabalho que pode ser conseguida como um nacional de qualquer país da U.E. ou um membro de família. Além disso, saber pelo menos o Francês é fundamental para conseguir se comunicar e se encaixar na maioria das vagas abertas por aqui. Se a ideia é vir para trabalhar como professor em uma escola pública, aí além do Francês, invista no Alemão e no Luxemburguês também.

Francis é de Cabo Frio (Região dos Lagos do Rio de Janeiro), formado em Letras (Português e Inglês), dá aula desde 2002 e sempre foi apaixonado pela língua e por ter a habilidade de poder ajudar pessoas que querem aprendê-la.

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