BrELTers pelo Mundo: Greicy Ferreira – Vietnam

Hoje viajamos para a Ásia e desembarcamos no Vietnam! Muitos nos perguntam sobre lugares para os quais brasileiros podem ir com o passaporte Brasileiro, alguns locais, como o Vietnam, são opções. Conversamos com a BrELTer Greicy Ferreira sobre essa experiência.

1 – Há quanto tempo você trabalha nesse local e quais suas funções?

Eu me mudei para Hanoi em novembro do ano passado. Meu cargo é de ‘Learning Experience Coordinator’, equivalente a coordenadora pedagógica. Eu dou suporte e treinamento para o time de professores, assim como entrevisto e contrato professores, dou aulas demonstrativas e aplico testes de nível à potenciais alunos novos, realizo workshops, entre outras tarefas.

2 – Você já trabalhou em outros locais fora do Brasil?

Minha primeira experiência no exterior foi em Dublin, na Irlanda, logo após ter finalizado o CELTA. Uma semana após a finalização do curso, fui contratada pela própria escola, onde trabalhei por cerca de 6 meses.

3- O que te levou a procurar emprego fora do país? Como você escolheu essa cidade, país e esse modo de trabalho?

Eu me mudei para a Irlanda a fim de ter vivência no exterior e tirar certificados de proficiência (CAE e, posteriormente, o CPE). Eu já possuía alguns anos de experiência no Brasil e, tendo decidido que gostaria de me aprimorar na indústria do ensino de língua inglesa, meu próximo passo foi o CELTA. Eu não tinha intenções de voltar a morar no Brasil no short-term, e sabia que o certificado seria um dos requisitos básicos no exterior independente do país.

4 – Quais os requisitos que você precisou cumprir para conseguir emprego nessa escola, em termos de qualificações, certificações, experiência prévia, etc.?

Para se tirar o Work Permit no Vietnam, é necessário ter algum certificado EFL (no meu caso o CELTA) e um diploma (no mínimo Bacharel). Experiência afeta a escala de salário, mas não é um MUST. No geral, a oferta de professores qualificados na Ásia é baixa e a demanda alta, o que torna conseguir emprego sem experiencia algo tranquilo.

5 – Quais foram os requisitos em termos de documentação?

Precisei traduzir meu diploma, reconhecer firma das assinaturas dos reitores, pegar um carimbo com o Ministério das Relações Exteriores e, depois de tudo isso, enviá-lo para a Embaixada Vietnamita em Brasília para eles carimbarem. Mesmo procedimento com o atestado de antecedentes criminais (à exceção do reconhecimento de firma). O procedimento foi parecido com o CELTA, exceto que como o certificado é emitido por Cambridge, eu tive que enviá-lo para Londres. Como sou casada, tive que fazer o mesmo procedimento com minha certidão de casamento e pude trazer meu marido comigo com um “family reunion” visa.

6 – Como você ficou sabendo da vaga? Há algum site específico para saber de vagas deste tipo?

Quando estava fazendo o CELTA meu tutor já havia mencionado essa escola, pois eles eram parceiros da escola onde estava fazendo o curso, mas na época não me interessava mudar para o Vietnã. Meses depois eu decidi que queria passar um tempo pela Ásia e comecei a checar vagas no site ‘tefl.com’, quando vi que a escola estava contratando novamente. Eu me candidatei à uma vaga de professora, mas fui oferecida coordenação por conta da minha experiência.

7 – Tendo em vista o custo de vida, a remuneração é compatível, inferior ou superior ao que você recebia no Brasil?

Muito superior. Mesmo em vagas de coordenação eu não acredito ser possível ter, no Brasil, um um salário equiparável ao que tenho aqui. O custo de vida é super baixo e se ganha, no geral, em torno de $20/hora. Meu salário sustenta eu e meu marido de forma bem confortável e ainda conseguimos manter uma “poupança” para viagens.

8 – Você sofreu algum preconceito por ser não nativo?

Pelo contrário, aqui você é visto como bem sucedido simplesmente por ser branco e ocidental. é comum as pessoas virem falar com você na rua e perguntar de onde você é na ânsia de ter uma oportunidade de praticar inglês e fazer amigos estrangeiros. Quando digo que sou brasileira sempre recebo sorrisos e comentários sobre futebol e Pelé (eles AMAM futebol aqui).

9 – Como está sendo a experiência de trabalhar nesse país sendo brasileiro?

Aqui tem gente de tudo quanto é canto do mundo e, como disse acima, eles amam futebol então isso por si só já é uma conexão. Para mim, particularmente, ser brasileira não faz a menor diferença em como levo a vida aqui.

10 – Você passou por alguma situação inusitada em sala de aula por não compartilhar a cultura/língua dos alunos?

Todo dia! Eu leciono para crianças, o que torna a comunicação diferente mesmo quando compartilhamos da mesma língua mãe. Eu não falo uma palavra de Vietnamita, mas já entendo quando eles querem ir ao banheiro ou quando estão pedindo lápis/borracha. Mas eu trabalho com teacher assistants em sala, então eles traduzem pra mim e, em último caso, para os alunos também.

11- Acha que elas são diferentes das crianças daqui do Brasil?

Olha, faz quase 4 anos que não dou aula para crianças brasileiras, mas a meu ver o respeito com o professor aqui e maior. Desde os pais, até os alunos. Tem aluno difícil, bagunceiro, as vezes precisa chamar o pai pra conversar mas, na maioria são os alunos mais novos (entre 3 e 7 anos), conforme eles ficam mais velhos fica mais fácil de lidar, pois as escolas regulares aqui são bem rígidas, ou seja, eles ja vem com a cabeça diferente de que tem regras e tal. Eu gosto muito das crianças vietnamitas pra ser bem sincera.

12 –Qual conselho você daria a professores brasileiros que querem trabalhar aí no Vietnã?

Se especializem! É muito comum não precisar de requisito nenhum para começar a dar aula de inglês em centros de línguas no Brasil. Eu comecei assim, sem experiência ou conhecimento teórico, pois eu precisava de dinheiro para pagar a faculdade. Não é necessário ter um diploma em Letras necessariamente (mas algumas escolas/cargos podem requerer), mas precisa ter, no mínimo, um curso superior de 4 anos e algum tipo de certificado em ELT.

Greicy Ferreira tem 27 anos e é de São Paulo. Dá aula há cerca de 5 anos . Formada em administração, concluiu o CELTA em março de 2018. CAE e o CPE holder (ambos Grade A), seus planos incluem o Trinity Dip-TESOL ou o DELTA.

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