Uma tarde entre o coração e as línguas

Nosso evento BrELT Hand in Hand foi um sucesso e os ecos daquela tarde maravilhosa continuam a surgir. Neste texto, Roberto Bemfica Peters compartilha suas impressões sobre algumas partes do dia. Não deixe de ler também o texto da nossa amiga e palestrante Dani Hersey aqui. Nosso muito obrigado a todos que compareceram e ajudaram a levantar mais de R$3000 para o projeto English to Trans-Form da Casa 1.

No dia 11 de maio de 2019, tive a honra de ser convidado para participar do BrELT Hand in Hand, evento sediado na Livraria Martins Fontes, na Av. Paulista. Com o mote da diversidade cultural e de gênero, o ciclo de quatro palestras abordou diversos assuntos, desde o uso da tecnologia na sala de aula, passando pela gamificação das práticas de ensino até chegar no ponto alto daquela tarde: o afeto e o amor no planejamento das aulas como norteadores da relação entre professores e alunos.

Um dos palestrantes, Henrique Moura, abordou a importância da digital literacy como competência essencial nos novos formatos de educação no século XXI. Docentes e estudantes devem estar aptos a pesquisar e buscar informações relevantes na web, sabendo avaliá-las de maneira crítica.
Além disso, é fundamental aprender a organizar e classificar conteúdos por meio de hashtags, processar e usar hyperlinks e, acima de tudo, aprender a manter o foco em um universo de distrações multimidiáticas.

Nesse cenário de redes sociais, outras competências como apresentação pessoal e uso de tecnologias mobile se transformam em ferramentas pedagógicas vitais para conquistar a atenção dos alunos e garantir uma aprendizagem autêntica e significativa. Além disso, falou-se da necessidade de comunicar novas ideias por meio de objetos culturais remixados — isto é, reciclados de maneira intertextual, criando novos sentidos para produtos já existentes na cultura.

Embora muitos acreditem que aplicativos e vídeos educativos estejam ressignificando o cenário da aprendizagem, colocando em risco a necessidade da mediação de um docente, os professores continuarão sendo relevantes na medida em que serão eles os sujeitos capazes de atuar como curadores desses conteúdos e dessas ferramentas, orientando os seus alunos a realizar uma leitura do mundo por meio da tecnologia.

A americana Dani Hersey também abrilhantou a tarde com as suas técnicas de ensino por meio de jogos, a fim de garantir diversão e maior interação entre os alunos. Para ela, o poder dos games consiste no fato de que são motivadores e promovem habilidades importantes como empatia,
colaboração, resolução de problemas e pensamento crítico. Ademais, as brincadeiras em sala de aula diminuem o esforço cerebral para aprender, servindo de catalisadores do processo de aprendizagem.

Ao final, a palestrante compartilhou diversos jogos colaborativos e outros games com elemento maker, permitindo a participação da plateia para demonstrar o funcionamento das suas práticas.

Para fechar o evento com chave de ouro, a australiana Claire Venables subiu ao palco com o coração aberto para provocar a plateia de professores a repensar como planejam as suas aulas. E o grande eixo norteador da sua apresentação consistia em descobrir o que está no coração de uma aula
e o que deve ser feito para que se atinja esse objetivo central.

Usando a metáfora do corpo humano para falar da anatomia de uma aula, Claire demonstrou que, muitas vezes, os planejamentos tem um coração frágil — isto é, o propósito essencial perde-se em um emaranhando de objetivos secundários que não auxiliam os alunos a usar efetivamente a língua inglesa no mundo real. Devemos ter foco e clareza para entender as prioridades educativas, em quais momentos da aula investir mais ou menos tempo e quais materiais utilizar.

A palestrante teceu críticas ao modelo vertical rígido que engessa as práticas docentes. Segundo ela, é preciso dar espaço nas aulas para conversas autênticas, para ouvir o que os alunos têm a dizer e de que forma estão usando a língua. O objetivo comunicacional de uma aula não consiste na memorização de uma lista de palavras ou frases aleatórias; há outros elementos importantes — como gestos, silêncios e expressões faciais — que contribuem para a consecução desse intento.

Nesse sentido, quando os professores se concentram no processo de aprendizado em vez de enfatizar os resultados de desempenho, o estudante deixa de ser aquele sujeito que apenas recebe uma nota e se transforma em um líder do seu próprio conhecimento. Claire cita o FFLP (Feedback-focused
lesson planning), para o qual o feedback constante do professor ajuda efetivamente os alunos a entender o assunto trabalhado e fornece-lhes uma orientação clara sobre como melhorar a sua aprendizagem, direcionando-os ao sucesso acadêmico.

Com todas as contribuições compartilhadas e discussões promovidas naquela tarde, sem dúvida saímos de lá entusiasmados para defender e abraçar muitas das ideias defendidas por Moura, Dani e Claire. Se nos certificarmos de que as nossas aulas contribuam para alcançar ao menos uma parte dos objetivos debatidos, já teremos promovido um impacto no ensino de idiomas. Só assim poderemos comunicar globalmente, respeitar a diversidade e dar voz aos alunos, permitindo-lhes progredir na vida e compreender o mundo que os cerca.

Sou Roberto Peters, também conhecido como Mr. Robbie. Atuo desde 2005 no mercado de ensino de idiomas, tendo certificação pelo Hansa Language Centre (Eglinton Campus) em Toronto (ON), Canadá, e pelo Instituto de Línguas da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos/Unilínguas), em São Leopoldo (RS), Brasil. Tive experiência de 3 anos de trabalho na Europa, com vivências na Itália, Espanha, França e Alemanha, além de um intercâmbio de estudos em La Plata e Buenos Aires, na Argentina. Leciono inglês para o Ensino Fundamental no Colégio Pentágono, em Perdizes, e também atuo como professor particular de inglês, espanhol, italiano, francês e português nas seguintes modalidades: em domicílio, in-company e via Skype.
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