BrELTers pelo Mundo: Wellington Barbosa – Espanha

Hoje o nosso avião decola e vai parar na Espanha!
Aqui no Brasil muitos professores se dedicam ao ensino online, que tal fazê-lo em outro lugar? Wellignton nos ensina como.
Agradecemos muito, Wellignton! Temos certeza que muitas pessoas ficarão inspiradas.

1 – Há quanto tempo você trabalha nesse local e quais suas funções?

Estou morando na Espanha desde julho de 2018. Sou professor de inglês autônomo (online) e ensino numa ONG como voluntário, na região de Valência.

2 – Você já trabalhou em outros locais fora do Brasil?

Sim, ensinei inglês na Indonésia, China e agora na Espanha.

3 – O que te levou a procurar emprego fora do país? Como você escolheu essa cidade, país e esse modo de trabalho?

Desde a juventude sempre fui envolvido em ações do terceiro setor e voluntariado, e um apaixonado pela educação intercultural. Tenho uma formação em Antropologia Cultural e experienciar culturas é algo que sempre me chamou muito a atenção. Depois de estar fora do Brasil entre idas e vindas por quase 15 anos, escolher Valência na Espanha, foi uma decisão de “settle down”num lugar com bom clima, custo relativamente acessível e uma migração da sala de aula física para o ensino online como professor autônomo. Foi um processo transicional que durou alguns anos ainda quando ensinava na Ásia. Pesquisei, visitei o país, a cidade e fiz contatos iniciais com pessoas que já moravam para programar o máximo a mudança de lugar e de perfil de carreira.

4 – Quais os requisitos que você precisou cumprir para conseguir emprego neste país como autônomo, em termos de qualificações, certificações, experiência prévia, etc.?

Para ensinar como autônomo num país novo vale muito as referências prévias e qualificações, no meu caso ser professor de idiomas há mais de uma década, ter uma licenciatura em letras, um certificado de TESOL e atualmente cursar um mestrado em linguística aplicada, foram essenciais para essa etapa.

5 – Quais foram os requisitos em termos de documentação?

Licenciatura em letras (filologia) e certificado de professor de inglês para falantes de outras línguas. Além da experiência em cartas de referência de empregadores anteriores. Para o visto de autônomo, eles exigem um plano de negócios viável (pode ser um negócio online), uma determinada quantia em conta bancária e o pagamento de taxas de seguridade social e impostos.

6 – Como você ficou sabendo dessa possibilidade? Há algum site específico para conseguir alunos?

No meu caso a oportunidade de empreender online foi mais forte do que a carreira institucional. Para ser professor em escolas de idiomas oficialmente na Espanha é preciso graduação ou CELTA, além da permissão de residência e trabalho para ser contratado formalmente. Existem muitos professores que são autônomos ou ensinam online através de sites como www.misclasesparticulares.com

7 – Tendo em vista o custo de vida, a remuneração é compatível, inferior ou superior ao que você recebia no Brasil?

Partir para o modelo de negócio autônomo num primeiro momento exige planejamento, ações de marketing direcionadas e a construção de uma gestão de tempo, alunos e ensino. Se comparo tudo isso com o custo de vida e remuneração hoje é bem melhor do que eu recebia no Brasil.

8 – Você sofreu algum preconceito por ser não nativo?

Não, o único que me pediram foi o CELTA, mas devido a experiência, vivência e formação, viram que eu poderia ensinar no mesmo nível que um nativo.

9 – Como está sendo a experiência de trabalhar nesse país sendo brasileiro?

Penso que ser brasileiro, daqueles que não desistem nunca, sendo empreendedor num país como a Espanha, tem sido uma aventura. Há dias como na vida de qualquer imigrante que sentimos os altos e baixos da vida de estrangeiro, mas não há preço como ser dono de seu próprio negócio e poder contribuir para o conhecimento cultural e internacional de uma terceira cultura com meus alunos espanhóis e de outros países.

10 – Você passou por alguma situação inusitada em sala de aula por não compartilhar a cultura/língua dos alunos?

Aqui na Espanha não, mas durante os meus anos como professor de inglês na China, sim. O fato de eu não falar mandarim na época por não entender muito da cultura e não memorizar os nomes chineses de meus alunos, sempre apareciam alguns nomes bem exóticos como “potato”, “animal” entre outros era sempre uma aventura tentar descobrir o significado dos nomes e quando eles escolhiam os nomes em inglês para si nos primeiros dias de aula.

11- Qual conselho você daria a professores brasileiros que querem trabalhar aí na Espanha?


Se possuem alguma cidadania europeia e tem experiência e graduação pode ser interessante ter um certificado CELTA e não precisa ter medo de topar essa aventura na terra de Cervantes.

12- Mas essa possibilidade de trabalhar como autônomo só foi possível por você ter cidadania européia ou esse não é o seu caso?

Não é o meu caso, há países como Portugal em que professores também podem ter visto de residência. Aqui pra Espanha para ter essa possibilidade você precisa ter um valor mínimo 10 mil euros para começar um negócio. Há mais informações neste site.

Professor de inglês especializado em TESOL. Licenciado em letras português/inglês, Mestre em Gestão e Marketing pela UKSW (Indonésia) e Mestrando em Linguística Aplicada pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Com mais de 10 anos de experiência no ensino de língua inglesa no Brasil, Indonésia, China e atualmente residindo em Valência, na Espanha. Desde 2018 migrou para o ensino online e possui alunos online de inglês de várias partes do Brasil e do mundo.
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