Resumo do chat de 9 de agosto: Como melhorar a relação entre pais e escola?

O nosso chat foi bastante produtivo, com vários participantes contribuindo com o tópico e propondo discussões. O nosso participante Juan Alberto Lopez Uribe resumiu a discussão muito bem no texto abaixo. Portanto, com vocês, Juan Alberto Lopez Uribe!

Como melhorar a relação entre pais e escola?

BRELTCHAT – 09 de agosto de 2012

“Quem não comunica, se estrumbica”

Chacrinha

Antes do início das aulas

Proposta pedagógica

Uma proposta pedagógica compartilhada possibilita que professores, coordenação e direção tenham clareza e segurança em relação aos papéis esperados de todos dentro da escola. Uma língua única explicita nossa postura, nossa crença, e a nossa segurança no que fazemos. Estas trazem credibilidade na relação com as famílias.

Uma proposta pedagógica compartilhada também implica em um alinhamento em relação às abordagens diante de problemas de disciplina, aprendizagem e relacionamento com as famílias. Para estas discutem-se e estipulam-se regras que serão seguidas, pelo entendimento de que temos que trabalhar em conjunto, mesmo que não concordemos com o que a maioria decidir.

Esta identidade coletiva, que nos torna únicos, unifica a instituição, dá diretrizes e fortalece ao grupo em sua ação. Uma escola séria não muda sua proposta e atuação adequando a cada caso com o intuito de não perder o aluno.

Formação de professores

Uma formação continuada de professores que envolva estudos sobre aquisição de linguagem, leitura de casos, e discussão de problemas vividos instrumentaliza o grupo para acolher e atender melhor às famílias. Nesta formação também é importante abordar e problematizar os possíveis desafios que podem surgir no trabalho com crianças, pré-adolescentes e adolescentes.

Planejamento da comunicação

Uma comunicação pensada e discutida previamente pelo grupo traz uma atuação uniforme e assertiva. Neste planejamento são definidos calendário, frequência, conteúdo, forma, linguagem, e procedimentos em determinadas situações.

Apresentação do curso

Uma apresentação do curso alinhada com a proposta pedagógica da escola é essencial para que exista confiança entre pais e escola. Para este alinhamento é importante que a área administrativa da escola tenha o projeto pedagógico claro e que possa expressá-lo espontaneamente. Uma revisão entre as lacunas entre curso ideal apresentado e o que acontece na prática também é útil para não levantarmos falsas expectativas que podem abalar a confiança.

Início do semestre

Reunião de pais e professores

O ideal para criar o vínculo inicial é sempre uma reunião pessoal onde pais e professores possam se conhecer e compartilhar suas expectativas sobre como o semestre ocorrerá. Nesta conversa os professores relacionam a proposta pedagógica com as atividades e recursos planejados, sinalizando as novas habilidades almejadas e a aprendizagem esperada. Este é o momento para que os pais tragam suas sugestões e façam seus comentários.

Esta reunião é especialmente aconselhada para alunos mais jovens e aqueles que acabam de entrar na escola, já que assim podemos conhecer melhor o histórico emocional do aluno.

Abrindo, expandindo e fortalecendo canais de comunicação

É importante que a escola tenha sempre a iniciativa de criar o vínculo com os responsáveis, evitando somente ter o primeiro contato em um eventual problema. Isto é especialmente relevante para as famílias que não podem comparecer na primeira reunião. Uma dica é sempre começar este vínculo trazendo algo de positivo do aluno, por mais difícil que este seja.

Para incluirmos o maior número de famílias é necessário abrir diversos canais de comunicação. Reuniões pessoais, skype, telefonemas, e-mails, diário são alguns dos canais mais comuns. Vale a pena perguntarmos qual é o canal preferido e mais apropriado para cada família, ou até cada pai.

Uma plataforma única pode ser interessante e tivemos a sugestão do Edmodo, que como vantagem tem a apresentação do trabalho das crianças em contas personalizadas para os pais.

Educando pais

Na construção da confiança pais-escola um aspecto importante é a educação dos pais. Nesta educação temos o conceito da sala de aula como um espaço coletivo e acolhedor, que acomoda pessoas de perfis diferentes, onde aprendemos a conviver com a diversidade.

Nesta educação devemos mostrar aos pais como o modo que ensinamos hoje mudou em relação ao como eles aprenderam e principalmente mostrar aos pais a importância que eles têm no processo de aprendizagem. Para isto podemos ensinar estratégias necessárias para promover a continuação do aprendizado em casa e a manutenção do desejo pelo aprender. É fundamental que os pais entendam que têm obrigações para que o desenvolvimento da criança ocorra satisfatoriamente.

Outras formas de educação de pais sugeridas são as seguintes: uma dinâmica com os pais simulando uma aula, um café da manha com pais novos e antigos, e um projeto com a participação de todos.

Durante o semestre 

Comunicação constante

A comunicação constante foca na inclusão das familias no desenvolvimento do aluno, e não apenas para pontuar problemas ou elogios.

Os professores são as pessoas que mais tem contato com os pais e estes devem buscar conversas mais reveladoras quando notarem pequenas insatisfações para que estas possam ser discutidas, fazendo assim que a confiança seja sempre mantida.

Nestas conversas é importante entender a real causa do incomodo e entender que muitas vezes o aluno se comporta mal por variáveis que não conhecemos. Importante é não termos pre-conceitos em relação a pais.

Em casos que requerem atenção, aconselha-se reuniões pessoais com o aluno, pai, professor e a coordenação presentes para eliminar ruidos de comunicação. Nesta comunicação constante podemos ter o apoio de psicopedagogos no trabalho direto com professores, alunos e pais.

Documentando o processo e contatos

A documentação da comunicação e do processo com as famílias faz com que tenhamos dados para uma fala precisa e confiante.

Em relação à comunicação devemos registrar todos os contatos (data, forma, conteúdo, reação da família) para que professores, coordenação e direção estejam alimentados e prontos para dialogar com os pais.

Em relação ao processo, uma documentação “pronta” mostra aos pais que conhecemos e acompanhamos o desenvolvimento da criança. Sugestões como e-portfolios, blogs de sala, e filmes com aulas gravadas podem também mostram de forma mais concreta o percurso dos alunos. Uma outra possibilidade é ter os alunos falando sobre como aprendem e mostrando o próprio trabalho aos pais

E quando a família realmente não acredita na proposta da escola?

Em alguns casos precisamos ser realistas e aceitar que, por mais que tentemos, não seremos capazes de agradar a todos e, a partir deste momento, buscar ajudar na educação do aluno mesmo que não seja conosco. Sermos profissionais recomendando um curso mais alinhado as expectativas da família.

Tivemos também os seguintes links sugeridos:

Relação familia-escola: http://revistaescola.abril.com.br/gestao-escolar/diretor/pais-sao-desinteressados-pela-educacao-filhos-493539.shtml

Uma linguagem única implica em uma mesma forma de ver o aprendizado: http://www.nais.org/publications/ismagazinearticle.cfm?ItemNumber=150509

Resultados da falta de comunicação entre responsáveis e professores: http://iesambi.org.br/noticias_arquivos/que_notas_sao_essas.htm

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Resumo: Como tornar o “homework” mais atrativo e significativo

Nosso último #breltchat foi sobre homework. O assunto é pra lá de polêmico, com livros e livros escritos sobre o assunto (Alfie Kohn, anyone?!). Embora tenha sido uma discussão mais intimista, foi igualmente proveitosa, e o resumo feito pela @amorim_kelly ficou simplesmente IMPERDÍVEL!!! Se você não pode participar do chat, pelo menos pode entrar na discussão com os comentários! Agora, deixo para vocês as palavras da Kelly! Enjoy!! 🙂

Como tornar o “homework” mais atrativo e significativo

Você, um bom educador que se preze, já deve ter ouvido a motivante frase:

“Ah! Professor! Dever-de-casa não!”

Como enfrentá-la? Como mostrar aos seus queridos pupilos que esse pequeno monstro no armário deles, na verdade, é um grande aliado contra as “forças do mal”: o esquecimento do vocabulário e o não-entendimento das estruturas gramaticais?

Esse foi o tema de nosso #breltchat do dia 10 de Novembro de 2011. Tema que acabou por ser tão intimista e reflexivo que pode-se discutir até mesmo quais os deveres de casa de todos nós professores.

Para dar aquele gostinho de ponta pé inicial ao nosso #breltchat @hoprea publicou o post sobre homework escrito em março de 2010, http://t.co/1yEsMz5H ,e logo na primeira frase lemos  “Homework is probably frowned upon by students and teachers alike”. Afirmação essa confirmada por @BrunoELT que  levantou a questão de que, infelizmente, temos q admitir que homework é visto como tortura para alguns alunos.

Mas, como torná-lo mais significativo? Menos mecânico? Como fazer os alunos entenderem que não será um “homework” mas, como sugerido por @BrunoELT, será um “after class learning”. Afinal, @Raquel_EFL mesmo pontua “Eu gosto de chamar de produção do aluno, trabalho lembra algo remunerado… e cansativo”. Como incentivá-los, de forma a perceberem que só terão a ganhar ao realizar sua “produção individual” em casa?

Nessa questão @hoprea acredita que “o primeiro ponto para se tornar a tarefa de casa mais atraente é saber os motivos de passar as tarefas para os alunos”.

@amorim_kelly Concordo com @hoprea quando diz que saber os motivos de se passar o homework é o príncipio de tudo. Quando sabemos o motivo para o qual passamos uma atividade e deixamos claro aos alunos eles possuem uma motivação para fazê-la.

@BrunoELT  Como avaliar tais motivos? Muitos professores tem dificuldade nisso.

@hoprea: Acho que o motivo é dar mais uma chance para os alunos praticarem o conteúdo, mas não pode ser algo mecânico.

@BrunoELT  “praticar o conteudo” essa deve ser a palavra de ordem de todo homework.

@hoprea  Por exemplo, tarefas que apenas pedem que os alunos passem frases para a negativa, sem critério, não dá!

@BrunoELT  É, isso serve pra niveis BEM básicos como prática para reconhecimento da estrutura e forma da língua.

@hoprea: Ainda assim, esse é um tipo de exercício que pode até praticar a forma, mas cadê o significado e o uso?

Praticar o conteúdo com significado, com motivo, com produção. Mostrar a real necessidade daquele pequeno momento de estudo praticado por ele em casa. Fazê-lo acreditar que esse momento será essencial para o desenvolvimento de suas habilidades lingüísticas. Mas, praticado em casa? Praticado dez minutos antes da aula começar? Praticada cinco minutos depois da aula terminar? O quando interfere?

@hoprea Acho que uma das coisas que peço é que os alunos nunca façam o dever no dia da aula, nem antes nem depois.

@BrunoELT  Antes nunca! Mas logo após, pq nao? A coisa ta fresh na memoria deles.

@hoprea:  se fizerem no dia seguinte,eles se forçam a retrieve a informação, estudar ao invés de lembrar.

@hoprea: o homework pode ser significativo se for algo que os faça estudar, daí o meu pedido de que façam em dias que não tem aulas.

@amorim_kelly Interessante essa questão de “quando” fazer..mas, não podemos controlar isso. Como saber o aluno que faz o HW no carro a caminho?

 @hoprea: Ahhhh… bem, controlar isso é impossível, mas podemos apenas orientar e explicar os motivos.

@BrunoELT: Pois eh, é preciso entao que se crie uma cultura de “como fazer” o Hw. Desde o primeiro dia explicando.

@hoprea: Assim como tudo o que fazemos, é importante termos essas explicações desde o início.

@sergiopantojajr: Concordo! Deixar claro os objetivos e adaptar o ‘formato’ do homework a realidade dos alunos é essencial.

Levantar a questão da realidade do aluno nos liga diretamente ao uso da tecnologia. Em mundos de twitter, facebook, tumblr, blogs e afins como tornar o homework atraente? Fazer uso indiscriminado da Web 2.0 já é o suficiente?

@BrunoELT: As web20 tools podem ser uma alternativa para transformar o homework e como os alunos o veem, concordam?

@hoprea: Muitos acham que apenas o uso da web 2.0 já basta para tornar o homework atraente, mas não é bem assim

@hoprea: As web 2.0 tools só serão meaningful e appealing se forem bem usadas e explicadas. Mas mesmo assim, não acho que são A solução.

@sergiopantojajr: Tenho usado bastante vocaroo, por exemplo, para exercícios de pronúncia e voxopop para discussões

@amorim_kelly: o que venho fazendo para que eles vejam algo de interessante em casa é levantar algumas discussões no twitter ou facegroups.

@hoprea: Aí sim é um uso com propósito das ferramentas da web 2.0. #breltchat Curti! J

Mais uma vez a necessidade de se unir propósito à ação é levantada. Nada é possível sem o devido planejamento, sem a devida clarificação dos reais motivos e sem um objetivo específico a ser alcançado. Não apenas fazer uso da tecnologia, mas saber o porquê de usá-la e como usá-la para alcançar um resultado produtivo.

Passando deste ponto levantou-se a questão da motivação em sala de aula. No momento da correção como trazer o homework para a vida, não transformá-lo em um algo mecânico onde o aluno tenha a certeza de que se chegar atrasado em sala não perderá muita coisa, “Ah! Foi apenas a correção do homework! Depois copio as respostas de alguém!”.

Sim! O quê, quando e como corrigir? @hoprea pontuou a preocupação de que, por não saber como corrigir, pode-se passar uma aula inteira apenas no homework. Problema esse que gera outro, maior e mais preocupante que apenas o timing, o aumento de TTT, como bem colocado por @BrunoELT: é importante não nos deixarmos levar pela correção dando respostas o q pode aumentar o TTT ao extremo. E a questão que fica para a reflexão é: como tornar a correção + produtiva, menos mecanica e nada time consuming?

@Raquel_EFL Planejamento + eficácia + aplicabilidade + motivação = nossa tarefa de casa diária como Educadores!

E como disse no início, não poderíamos deixar de levantar a questão das freqüentes reclamações de nossos alunos. @hoprea, então, fez a fatídica pergunta: qual a reclamação mais comum que vocês ouvem dos alunos sobre homework? As respostas foram, nada menos que familiares a todos:

@Raquel_EFL Mts atividades diárias esem tempo p HW.

@BrunoELT: “Ah, teacher que boring!”.

@sergiopantojajr: Não ter tempo nem para dormir quanto mais para fazer o homework!

Mais uma vez batemos na porta da danada da “significação”. Eles precisam saber que o homework é, sim, significativo! Mas, o questionamento que não nos deixa é: Como?

@hoprea: o Homework é significativo quando auxilia no aprendizado. Cabe a nós mostrarmos isso no decorrer das aulas.

@sergiopantojajr  faz parte do papel do professor fazer exatamente isso, ajudá-los a descobrir o caminho.

@hoprea: O problema do tempo… ou seja, precisamos planejar cada vez melhor o HW para ser significativo e auxiliar no rendimento em sala.

Significação e percepção do próprio aluno na melhoria de seu rendimento pelo simples ato de cumprir com a tarefa de casa. Tudo é mostrado pelo professor, que funciona como a estrela guia deles. E como fazemos? Contamos com nosso planejamento, com a criteriosa seleção do que é de fato importante, do que deve ser discutido, do que deve ser treinado em casa. Mas, o que fazer com os livros cujos homeworks já estão lá nos workbooks? Essa foi a pergunta da @Raquel_EFL. Respondida por @hoprea: “Selecionar o exercícios ao invés de pedir que façam tudo é um começo! Podemos optar por exercícios diferentes de acordo com as necessidades, mas a princípio um mesmo set para todos”.

Entrando no campo de responsabilidade do professor discutiu-se uma questão crucial. E a postura do professor? Aonde você se coloca como motivador?

@Raquel_EFL: E a postura dos profs ao corrigirem HW como redações, por ex? Muitos reclamam que odeiam corrigir compositions.

@sergiopantojajr: E alguns fingem corrigir! Vi isso quando tinha que corrigir 4 redações de cada aluno por semestre.

@hoprea: Fingir que corrige é pior ainda! Mas alguns fingem corrigir mesmo que seja apenas 1 redação por ano.

@hoprea: Vamos além da correção… tem “professor” que apenas finge ensinar.

@amorim_kelly Como esperar q o aluno tenha comprometimento se vc ñ tem?

 @sergiopantojajr: O pior q esse tipo d prof é o q + reclama. O sujeito não vê q a atitude do aluno é o mero reflexo da dele.

@hoprea: Exatamente! Nós, como professores, ditamos o ritmo das coisas em sala e influenciamos muito no andamento das coisas.

Ditamos o ritmo, somos o reflexo, o guia, o motivador, em suma: somos professores. E o homework é mais um dos campos minados nos quais pisamos todos os dias. E para cruzarmos com esmero precisamos de muita preparação, planejamento, muito pensar e refletir sobre nossa prática diária. Afinal esse é o nosso homework.