Entrevista com Luciana de Oliveira, futura presidente eleita da TESOL International

Em nome da BrELT, nossa querida membro Cecilia Nobre entrevistou a simpatissíma Profa. Dra. Luciana de Oliveira, que a partir de março de 2017 atuará como President-Elect da TESOL International Association. A TESOL International é nada mais, nada menos que a maior associação de professores de inglês do mundo, e a Luciana é a primeira latino-americana a ser eleita para esse cargo! Ela nos conta suas experiências de sucesso e de superação de preconceito na terra do Tio Sam.

Ela conta também um pouco da história do Nonnative English Speakers Movement. Para quem estiver interessado, o artigo que ela cita no vídeo é:

Selvi, A.F. (2014). Myths and misconceptions about Nonnative English Speakers in the TESOL (NNEST) Movement. TESOL Journal 5.3, pp.573-611.

Clique no link para baixar o artigo.

Bons ventos do Espírito Santo – entrevista com Paulo Torres

O estado do Espírito Santo tem cerca de 3,8 milhões de habitantes. Mesmo no décimo quinto estado mais populoso do Brasil o desenvolvimento de professores continua sendo um desafio.

Entrevistamos Paulo Torres, um profissional que luta e muito contribui para o cenário capixaba de ELT. Paulo é diretor cultural da APIES (Associação dos Professores de Inglês do Espírito Santo) e presidente da COOPERLING  (Cooperativa dos Professores de Línguas do Espírito Santo) e compartilha conosco sua experiência na área pedagógica e administrativa.

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1- Conte-nos um pouco sobre você e sua trajetória no mundo do ensino de inglês.

Atuo no ensino de inglês há quase 22 anos. Sou graduado em Letras Inglês e Literatura da Língua Inglesa pela Universidade Federal do Espírito Santo e especialista em Novas Tecnologias Educacionais pelas Faculdades Integradas de Jacarepaguá. Já trabalhei em vários cursos de idiomas e fui coordenador pedagógico por 10 anos. Sou do Mato Grosso, mas resido em Vitória/ES há 20 anos. Sou professor efetivo de inglês da Prefeitura Municipal de Vitória, onde ministro aulas para o Fundamental 1. Também sou teacher trainer, consultor acadêmico da National Geographic Learning e mensalmente publico artigos no blog da Disal.

 

2- Sabemos que você é membro da diretoria das duas organizações de professores de inglês no estado do Espírito Santo. Conte mais sobre elas. Em que elas diferem uma da outra?

Sou membro da diretoria da Associação dos Professores de Inglês do Espírito Santo e presidente da Cooperativa dos Professores de Línguas do Espírito Santo.
A Associação dos Professores de Inglês do Espírito Santo (APIES) tem a missão de melhorar o status profissional do ensino da língua inglesa no estado. Além disso, busca atualizar os professores da área quanto a novos materiais, novas tendências da língua e do ensino nos segmentos públicos e privados e, também, oferecer oportunidades para trocas de experiências com professores do estado, do Brasil e do mundo.

A Cooperativa dos Professores de Línguas do Espírito Santo (COOPERLING) tem como objetivo a congregação dos associados, prestando-lhes assistência cooperativista e administrativa por seus serviços docentes a serem executados em quaisquer instituições de ensino, empresas e instituições públicas, filantrópicas ou privadas, bem como pessoas físicas ou jurídicas, associações de classe, órgãos municipais, estaduais ou federais.

 

3- Como e quando surgiu a ideia da criação da COOPERLING? Ela só existe no ES?

A Cooperativa foi criada por um grupo de professores interessados em implantar em Vitória um ensino diferenciado e de qualidade. Surgiu a ideia de uma Cooperativa de Professores, uma vez que, na época, não havia este tipo de prestação de serviço na capital do Espírito Santo. Houve várias reuniões para discutir a implantação do serviço nas quais especialistas em Cooperativismo e outros profissionais foram consultados para esclarecimentos pertinentes.

Assim, em 27 de junho de 1997, reuniram-se extraordinariamente os primeiros 25 (vinte e cinco) professores cooperados, onde foi inscrito e aprovado seu estatuto original.

A COOPERLING atua somente no ES. Contudo, há outras cooperativas de línguas em outros estados.

 

4- Como um professor pode se tornar cooperado? Onde podemos obter mais informações?

De acordo com o nosso estatuto, os docentes em língua inglesa precisam ter diploma do ensino superior de licenciatura plena e/ou bacharelado em curso de Letras, reconhecidos pelo MEC, residir na área de atuação da Cooperativa, não praticar atividades colidentes ou prejudiciais aos interesses da Cooperativa e ter inscrição municipal ativa como autônomo em seu município de residência.

Para docentes em outras línguas, é aceito diploma e/ou certificado emitido no exterior, que seja equivalente ao terceiro grau (graduação), bem como Certificado de Proficiência emitido por entidades conceituadas e com reputação ilibada, além de todas as outras exigências.

Para mais informações, visitem e curtam a nossa fan page facebook.com/cooperlinges.

5- Como você enxerga o cenário ELT no Espírito Santo comparado a outros estados no Brasil?

O Espírito Santo é um estado bastante desenvolvido em relação ao ensino de língua inglesa. Há uma grande preocupação em relação ao aperfeiçoamento contínuo por parte dos docentes e uma busca constante por atualização sobre novas tendências da língua, novos materiais e o ensino em todos os segmentos.

Há grandes possibilidades de crescimento para os cursos de idiomas que procuram inovar e se adequar às rápidas mudanças que a nossa sociedade vem vivenciando nos últimos anos. É nessa linha que a COOPERLING procura desenvolver seus projetos, fechando parcerias com empresas e instituições que atuam nos mais diversos ramos buscando atender à sempre e cada vez mais rápida mudança de demanda no ramo do ensino de línguas.

 

6- Que dicas você daria a uma pessoa que queira criar uma cooperativa de professores em outros estados? Quais são os possíveis problemas?

Há três fatores que julgo ser de extrema importância a serem considerados antes de se criar uma cooperativa de professores. O primeiro é definir se será uma cooperativa somente de professores de inglês ou de línguas. Segundo, é necessário ter uma assessoria contábil e jurídica que realmente entenda como o cooperativismo funciona. E, por último, é fundamental promover a educação cooperativista dos associados para que os cooperados entendam que eles não são empregados da Cooperativa. Todos os cooperados são donos e responsáveis de forma igualitária, dividindo as sobras e as perdas.

Em relação aos possíveis problemas, destaco três também. Primeiro, a altíssima carga tributária dificulta muito o funcionamento das cooperativas. Além disso, a captação de novos tomadores/parceiros nem sempre é fácil. E, finalmente, fazer com que todos os cooperados estejam em dia com suas obrigações fiscais junto ao município é outra tarefa um tanto quanto desgastante. Contudo, como Pontes de Miranda sabiamente disse, “As pessoas mais se unem em Cooperativas não para lucrar, mas sim para que outros não lucrem sobre elas.” Caso esse espírito consiga ser criado dentro de uma cooperativa, certamente há de ser bem sucedida!

BRAZ-TESOL Elections: FAQ

braz-tesol-your-choiceComo vocês sabem, a BrELT tem muito orgulho de apoiar as associações de professores do Brasil e internacionais. E esta é uma época muito especial para a maior associação de professores de inglês no Brasil, o BRAZ-TESOL. De 16/09 a 06/10 elegeremos os nomes que dirigirão o BRAZ-TESOL (vote aqui). Para que possamos entender o que são essas eleições, qual a importância delas e do BRAZ-TESOL, vão aí algumas coisas que você sempre quis saber sobre o BRAZ-TESOL mas nunca teve coragem de perguntar!

1. O que é o BRAZ-TESOL?

Fundado em 1986, o BRAZ-TESOL é a maior associação do Brasil de professores de inglês para falantes de outras línguas. Sem fins lucrativos e com uma adesão de mais de 2.000 profissionais, o BRAZ-TESOL é afiliado da TESOL International (EUA), do IATEFL (UK) e membro do Cone Sul TESOL (Argentina , Chile, Uruguai e Paraguai).

2. Quem pode votar?

Qualquer membro cuja anuidade esteja em dia. Se você ainda não é membro, veja aqui como se tornar um. Dentre as vantagens de ser membro estão: uma newsletter com artigos de especialistas de ensino de língua inglesa (4x por ano); tarifas especiais na conferência bi-anual, em eventos TEFL selecionados, em cursos para professores e materiais ELT; oportunidade de participar de um dos Grupos de Interesse Especial (SIGs); acesso a áreas exclusivas do site (incluindo “Seção de Emprego”).

Se você quer votar ainda nessa eleição, não perca tempo e se torne membro!

3. Tem membros da BrELT concorrendo?

Todos os candidatos são! Olha só:

Moderadores: Natália Guerreiro e Ricardo Barros estão concorrendo ao advisory council.

Colaboradores: Higor Cavalcante, que já deu webinar pela BrELT, está concorrendo à vice-presidência. Ilá Coimbra, responsável pela divulgação mensal do calendário de eventos e membro da comissão que organizou o primeiro BrELT QUEER ELT day, está concorrendo  a advisory council junto com os moderadores.

Membros:

  • advisory council: Adriana Lima Stranks, Cristiane Ruzicki Corsetti, Daphne Walder, Debora Ize Balsemao Oss, Florinda Scremin Marques, Graeme Clive Hodgson, Ilá Cristina Coimbra, Isabela de Freitas Villas Boas, Julio Cesar Fagundes Vieitas, Paulo Dantas, Paulo Torres, Stephan Hughes
  • executive board: Catarina Maria Bocalete Pontes, Marcela Marconato Cintra, Rubens Heredia, Paulo Pita, Sérgio Luis Monteiro da Silva, Fernando Guarany, Jaime Cara Junior.

4. O que cada membro do board e do advisory council faz?* 

First Vice-President – Responsável por auxiliar o presidente em todos os seus deveres e substituir o Presidente em sua ausência – temporária ou indefinida . O First Vice-President torna-se automaticamente o próximo Presidente da BRAZ – TESOL (isso significa que estamos realmente elegendo o próximo presidente ) . Ele/Ela também é tradicionalmente o Presidente Acadêmico da Conferência Internacional.

Second Vice-President – Responsável por promover a adesão e pela a edição do BRAZ – TESOL Newsletter e outras publicações.

Treasurer– Responsável por cuidar de assuntos financeiros da organização. Na Reunião Geral Anual (AGM), o Treasurer é responsável por apresentar a posição financeira para o ano.

Secretary – Responsável pela manutenção de atas de reuniões e a guarda de documentos oficiais da organização. O secretary também é responsável por toda a correspondência e a comercialização da associação.

Advisory Council Members (6): Estes são BRAZ – TESOLers que compartilham os ideais e objetivos da organização, aconselham o Executive Board sobre as principais questões de política e apoiar o Conselho no cumprimento de metas da organização.

*Resposta reproduzida do BRAZ-TESOL

5. Como funciona o Executive Board?

As decisões precisam de três votos a favor dentre os cinco membros do Executive Board. Essas decisões variam entre onde serão as conferências e os eventos internacionais da associação, que propostas serão aceitas para esse eventos, orçamentos para tais eventos e etc.

Tem mais alguma pergunta que não foi respondida? Não fique tímida/o! Pergunte a nós, pois somos todos BRAZ-TESOL! 😀

Conheça a APLIESP

Pelo Brasil afora, as associações regionais têm feito um trabalho dedicado a professores de língua inglesa. Hoje a Equipe APLIESP, a Associação de Professores de Língua Inglesa do Estado de São Paulo, nos conta mais de um dos projetos da sua nova direção.

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AMAZINGLY TRUE- Inauguração do quadro

No mês do professor, a APLIESP lança em seu canal um dos vários quadros que serão oferecidos ao público: o AMAZINGLY TRUE.

Neste quadro, os professores contam situações curiosas, engraçadas, constrangedoras ou difíceis que já viveram ao longo de suas carreiras, muitas, que se contar, ninguém acredita que são verdade.

O tema vem ao encontro da missão da associação de empoderar e dar voz aos professores, porém, com uma abordagem mais bem humorada e desprendida.

“Acredito que o formato de vídeos realmente seja a forma mais interativa e eficiente de passar as mensagens para os professores.“ diz Amanda Russo, da Interacting, parceira da Apliesp.
“Congressos, seminários, palestras sempre foram muito importantes e vamos continuar a oferecê-los, porém, acreditamos que a internet nos oferece ferramentas para interagir e incluir mais o professor-público que sempre teve muito a dizer, mas ficava em condição passiva, além de ser um mecanismo para fazermos valer o termo associação em toda sua acepção.

Outra vantagem de criarmos conteúdos em formato de quadros para nosso canal no youtube é que isso permite que o conteúdo oferecido não se limite apenas ao público daquela palestra do congresso do ano x. O vídeo ficará disponível para acessos futuros para um número ilimitado de pessoas por um tempo indefinido. E, conforme nós recebermos doações e tivermos mais associados, teremos mais recursos para voltar a vídeos antigos e efetuar melhorias como incluir legendas em inglês ou português e fazer com que aquele vídeo possa ter um alcance ainda maior, por exemplo.” –diz Denise Coelho, vice presidente da APLIESP.

Quais são os outros quadros do canal? Por enquanto, é segredo. A associação quer ir surpreendendo o público aos poucos, mas adianta que em novembro realizarão seu coquetel de lançamento em que falarão mais sobre este e outros projetos. É um evento que também vai trazer inovações. Vamos aguardar!logo_apliesp

Ass.: Equipe APLIESP

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Gostou da iniciativa da APLIESP? Conte também o que sua associação tem feito. O blog da BrELT está de portas abertas!

BrELT no XI CBLA por Eliane Azzari

Este agitado julho teve mais um evento na nossa área: o CBLA (Congresso Brasileiro de Linguística Aplicada), que ocorre a cada dois anos e é organizado pela ALAB (Associação de Linguística Aplicada do Brasil). Eliane Azzari, querida membro da BrELT, esteve lá e conta para nós como foi o congresso. Dentre os temas de interesse, foi discutida a questão do status do inglês no mundo e nas universidades brasileiras. E porque cada vez mais se estudam diversos contextos de uso da língua, teve até professor universitário pondo funk para tocar… PRE-PA-RA!

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Linguística Aplicada para além das fronteiras ou “o show das poderosas”

por Eliane Azzari

Entre 13 e 17 de julho, estive com outros linguistas aplicados de todo o Brasil – e alguns visitantes de outros países – reunidos na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) para dialogar, problematizar e instigar discussões em torno das relações entre linguagem, educação e sociedade durante o XI CBLA. Em pauta: o papel da investigação em Linguística Aplicada (LA) para além das fronteiras – algumas literais e evidentes, outras nem tanto assim, mas todas igualmente relevantes – do ensino-aprendizagem, da formação de professores, da pesquisa acadêmica e dos currículos, materiais e fazeres didáticos na educação linguística em nosso país. As discussões focalizaram os mais diferentes contextos, navegando pela educação básica (privada e pública), pelo ensino superior e a formação pré e em serviço de professores de línguas, entre outros.

A Linguística Aplicada (que – para aqueles não familiarizados com a área – não é uma “aplicação” da Linguística), de natureza essencialmente transdisciplinar (e como proposto em vários dos discursos circulados nesse Congresso – transgressiva) propõem-se a dialogar com outras disciplinas. Dentre elas, as teorias linguísticas de diversas orientações teóricas; a antropologia; a psicanálise, a pedagogia e (quaisquer) outras áreas do conhecimento que possam contribuir para a investigação, o entendimento e, especialmente, a discussão e a problematização das questões ligadas à educação linguística e suas interfaces com a sociedade, a formação de cidadãos e as políticas (linguísticas e educacionais) públicas.

Dentre as temáticas abordadas nas mesas debatedoras estavam o plano nacional do livro didático (PNLD); o ensino-aprendizagem de línguas, as construções de sentidos e as práticas transgressivas; questões de linguagem e gênero, raça, sexualidade e etnias; a internacionalização, e a interface linguagem e (novas) tecnologias e culturas digitais.

Durante as palestras, pesquisadores nacionais e internacionais trouxeram à pauta questões relacionadas à formação (pré-serviço / contínua) de professores de língua materna e estrangeira (em especial a língua inglesa) e às práticas críticas e transgressoras decorrentes de perspectivas contemporâneas da linguagem e sua interface com a educação-sociedade. Nessa visão, há lugar reservado para o diálogo trans e também interdisciplinar, em favor de uma educação linguística que rompa com visões e práticas (antigas e consolidadas), dentro e fora de ambientes escolares, que reforçam diferenças; (pré)conceitos e relações de poder que, mediadas e reafirmadas por meio de práticas sociais letradas, mantém a exclusão e os desequilíbrios sociais.

As comunicações (orais e em pôsteres) projetaram um painel estado-da-arte de mais de 700 pesquisas recentes, realizadas por professores e alunos de graduação e pós-graduação de todo o Brasil, relatando a preocupação e o interesse em entender, visibilizar, discutir e propor possíveis saídas e caminhos para questões de extrema relevância para a educação linguística e o papel do formador-gestor-professor de línguas na atualidade. Por meio dessas comunicações, foi possível traçar e observar retratos de variados contextos educacionais nacionais (e alguns também internacionais), em um precioso e necessário relato, misto de realidades conflitantes; projetos e procederes inspiradores; ideias instigantes e, acima de tudo, incompletudes.

Ainda foi possível, antes da abertura oficial do evento, participar de minicursos gratuitos com importantes representantes nacionais e internacionais da pesquisa em LA, pesquisadores focados em algumas das temáticas que destaquei acima, tais quais os (multi)letramentos e a criticidade na formação docente e no papel e uso de tecnologias digitais no ensino-aprendizagem de línguas e o caráter translíngue do inglês contemporâneo. Desses momentos, destaco, a discussão proposta durante mini-curso em 14/07, ministrado pelo Prof. Dr. Alistair Pennycook, renomado pesquisador da área.

A partir de exemplares linguísticos observados em diferentes paisagens em diversos países por que passou, e sob a orientação sociolinguística e do letramento crítico, Pennycook polemizou a existência de um emergente “English from below”. A partir de práticas que (para outros pesquisadores como Blommaert e Canagarajah poderiam ser chamadas de translíngues) exemplificam uma língua inglesa hibridizada, mestiça, situada em panoramas de diversidade, imigração e, também, contextos como a sala de aula de língua inglesa, o pesquisador trouxe exemplos desses ingleses que desafiam outras variantes, como a chamada norma culta. O termo proposto “from below” gerou certo desconforto entre os participantes do mini-curso que questionaram, por exemplo, se a afirmação de binarismos (from above x from below) não estaria reforçando (ainda mais) preconceitos linguísticos mediante esses ingleses que circulam na atualidade globo-local. A discussão situou esses ingleses em diversos contextos  em que as práticas sociais revelam o quanto a língua inglesa falada hoje está cada vez mais distante de sua “terra natal” e, portanto, afetada (em termos estruturais, lexicais e fonológicos) pelas outras tantas línguas que a permeiam nesses contextos.

Outro destaque fica para a mesa composta pelos professores-doutores Cláudia Hilsdorf Rocha, Lynn Mario Menezes de Sousa e Clarissa Jordão, que discutiram o papel da LA para além das fronteiras da internacionalização, processo que atinge as universidades de todo o país e marcado por projetos do MEC como o Idiomas sem Fronteiras (IsF), conectado ao Ciência sem Fronteiras. De maneira clara, precisa e pertinente, a mesa debatedora demonstrou, com suporte de teorias e de programas implementados, o caráter mercadológico assumido pelo inglês mediante tais projetos, o que retoma a característica de commodity assumida por essa língua, tornando-a um “bem de consumo” almejado pelas mais diversas áreas do conhecimento que, por sua vez, recorrem ao profissional de Letras (língua estrangeira) como um fornecedor de um produto em destaque – características marcadamente neo-liberalistas. A discussão ganhou forte adesão da plateia presente, que aplaudiu entusiasticamente as problematizações trazidas pelos pesquisadores da mesa debatedora.

E, por fim, destaco a mesa composta pelos professores-doutores Miriam Jorge, Danie M. Jesus e Luiz Paulo da Moita Lopes, sobre o tema “LA para além das fronteiras: linguagem, gênero e raça”. A mesa trouxe à pauta importantes questões tais quais a presença, ainda insistente, do preconceito e da intolerância à diversidade e à diferença, manifestada, por exemplo, por intermédio das redes sociais, bem como notabilizou que ainda é preciso muito trabalho e discussão em relação à posição assumida pela educação linguística (por intermédio, por exemplo, de materiais didáticos) mediante tais questões. Moita Lopes, um dos grandes nomes da pesquisa em LA em nosso país, começou sua fala com um título elaborado e rebuscado, que não ouso aqui tentar reproduzir. Mas, para alívio (e entretenimento) dos presentes, imediatamente sugeriu “ou também, O Show das Poderosas” como título alternativo para sua fala na mesa debatedora.

Sem dúvida, ao terminar sua exposição com um vídeo de jovens filipinos dublando e coreografando um funk da cantora Anita, que se tornou viralmente notório nas redes sociais recentemente, Moita Lopes me fez (re)pensar quão rígidas podem ainda ser as fronteiras mediadas / construídas / consolidadas pelas línguas nos contextos escolares e escolarizados, enquanto há contextos em que as  práticas sociais letradas tidas marginais (ou será from below?) desafiam quaisquer tipos de fronteiras – físicas e/ou subjetivas – revelando o papel transgressor inato do ser falante que, translinguisticamente – refuta, ainda que inconscientemente, a ideia essencialista de “uma língua pura; uma cultura específica”. Afinal, as língua(gens) são híbridas desde seus berços e, portanto, não podem se submeter às impostas fronteiras uma vez que são, por princípio, elas mesmas as poderosas do show.

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Mesa redonda: LA e Internacionalização. Com os professores Lynn Mario Menezes de Souza (USP), Cláudia Hilsdorf Rocha (Unicamp) e Clarissa Jordão (UFPR).

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Obs.: O vídeo das mesas debatedoras ficará disponível em breve no site do evento. Olho vivo!

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elianeEliane F. Azzari é professora da faculdade de Letras da PUC Campinas e doutoranda em Linguística Aplicada (Linguagem e Educação – linha de pesquisa: linguagem e tecnologia) pela Unicamp. Apaixonada pelo ensino e a formação de professores, há 29 anos trabalha com EFL no Brasil e já ministrou cursos de inglês em escolas regulares da Educação Infantil ao Ensino Médio, em empresas e em escolas de idiomas. Possui Mestrado em Linguística Aplicada na área de Língua Estrangeira pela Unicamp e os certificados ICELT e CPE pela Cambridge University. Seus interesses de pesquisa se concentram especialmente na formação de professores de línguas; avaliação e desenvolvimento de materiais didáticos impressos e digitais e o ensino de línguas na escola pública, orientando-se a partir  dos (multi)letramentos críticos. Para acessar algumas de suas publicações,visite https://unicamp.academia.edu/elianeazzari.