BrELT @ IATEFL : entrevistas com profissionais do British Council sobre assessment literacy

por Natália Guerreiro

Uma das possibilidades no IATEFL Online é assistir, gratuitamente, a entrevistas curtas que os organizadores do congresso fazem com alguns participantes. Acabei de assistir a uma entrevista com o Mark Walker e uma com Barry O’Sullivan sobre os projetos do British Council.

Eles anunciam que o British Council está com uma iniciativa muito legal de assessment literacy. A instituição está gravando vídeos para explicar conceitos complexos de  avaliação de idiomas para professores sem background nessa área. Assessment literacy, que parece ser a buzz word do momento entre quem trabalha com avaliação de idiomas, trata-se dos conhecimentos sobre avaliação de que um professor necessita para sua prática pedagógica. Quer dizer, tenho visto o termo sendo aplicado mais a professores e administradores da educação, mas creio que em princípio daria para estender o conceito para toda a sociedade. Afinal, com a importância que avaliação tem no mundo, todos os envolvidos (alunos, pais, empregadores…) deveriam entender o que estamos fazendo quando estamos avaliando.

Mark Walker também fala da relação dos professores com a avaliação: ou acham que saber ensinar já é saber avaliar e que não precisam aprender sobre avaliação, ou veem a teoria e a temem.

Vocês se sentem confortáveis com seu conhecimento sobre avaliação? Se sim, esse tópico foi discutido na formação (inicial ou continuada) de vocês ou vocês aprenderam na marra? O projeto do British Council seria útil para professores no Brasil ou vocês acham q vai ficar muito focado no APTIS, o teste desenvolvido por essa instituição para avaliar o inglês de alunos e professores pelo mundo?

Pena que só vai sair no fim do ano… Queria ver logo. :/

Ficou curios@? Assista às entrevistas aquiaqui.

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Parece que o Harmer também falou sobre testing no congresso. Pena que o volume da gravação está quase inaudível.

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Se quiser saber mais sobre assessment literacy, aqui estão alguns artigos:

New Zealand Ministry of Education, TKI. Assessment literacy. In Assessment Online. Retrieved from http://assessment.tki.org.nz/Assessment-in-the-classroom/Assessment-for-learning-in-practice/Assessment-literacy 

White, E. (2009). Are you assessment literate? Some fundamental questions regarding effective classroom-based assessmentOnCUE, 3-25

Stiggins, R. J. (1995). Assessment literacy for the 21st century. Phi Delta Kappan, 77(3), 238. Retrieved from http://search.proquest.com/docview/218532914?accountid=8113

Popham, W. J. (2006). All about accountability/ needed: A dose of assessment literacyEducational Leadership, 63 (6), 84-85.

Popham, W.J. (2009). Assessment literacy for teachers: Faddish or fundamental?. Theory Into Practice, 48 (1), 4-11, DOI: 10.1080/00405840802577536 (Este é pago.)

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Follow-up da discussão sobre “Avaliação Contínua x somativa”

Olá a todos,

Como nosso último chat gerou bastante discussão, iremos extendê-la uma pouco mais. Além do resumo feito pela colaboradora Jossely Silva, buscamos duas novas visões sobre o assunto.

A primeira veio em forma de video entrevista com Scott Thornbury, criador do método Dogme ou Teaching Unppluged (juntamente com Luke Meddings). Para aqueles que não conhecem, dogme teaching é o mais novo approach para Language teaching e que se baseia em três pilares:

– Conversation-driven Teaching:
Dentro da perspectiva Dogme, conversação é vista como parte vital do processo de aprendizagem uma vez que conversação é a parte mais universal e fundamental das línguas. Os fundamentos do Dogme Teaching valorizam o tipo de comunicação que promove interação social. Além disso, dogme teaching dá mais enfase ao nível do discurso em detrimento do nível da sentença, já que a análise do discurso prepara melhor os alunos para situações reais de comunicação.

– Materials light approach
O dogme approach considera mais eficaz os materiais produzidos pelos próprios alunos do que aqueles pré-fabricados por editoras. Dogme teachers não usam livros textos e por isso o método é bastante criticado por professores por não terem a oportunidade de usa uma gama completa de materials e recursos. O foco da crítica sobre textbooks que Scott e Luke dão é que os livros didáticos, em geral, dão mais enfoque à gramática do que competência comunicativa.

– Emergent Language
Para Dogme Teaching, a aquisição de uma língua estrangeira acontece quando a língua emerge através conversação ao invés de ser adquirida. Isso pode acontecer de duas maneiras: primeiramente, as atividades feitas em sala levam a uma comunicação colaborativa entre os alunos. Em seguida, os alunos produzem falas que ainda não foram necessariamente ensinados. Assim, parte do papel do professor em uma dogme lesson é facilitar o “aparecimento” da linguagem. É necessário também encorajar os alunos a se engajarem com esse novo tipo de linguagem para que o aprendizado seja realizado.

Adaptado de “Teaching Unppluged: Dogme in ELT” by Luke Meddings and Scott Thornbury – Delta Publishing

AVALIAÇÃO: A VISÃO DOS ALUNOS

Alguns alunos foram entrevistados sobre o tópico de avaliação e como eles se sentiam sobre tal assunto. Nossas perguntas foram:

– Para você, o que é avaliação?
– Você está satisfeito com a forma que é avaliado?
– (Em caso de negativo) Que outras opções de avaliação refletiriam melhor seu aproveitamento?
– Você já participou dessas outras forma de avaliação?
– O que você acha de um curso sem provas?

E as respostas deles foram:

Aluno1
Para mim, avaliação é uma forma de o professor ver se o aluno realmente aprendeu a matéria ou não.
Eu acho que as avaliações são boas, principalmente na parte em que as provas são divididas entre 3 formas ( A,B,C ), evitando, dessa forma, a cola. Mas acho que deveria ter pelo ou menos uma prova para testar nossa pronuncia, afinal, Inglês não é apenas escrita! Em meu colégio, ás vezes, meu professor de Inglês faz esse tipo de avaliação.
Um curso sem provas não teria sentido! Você não iria saber se está errando ou acertando, pois não haveria como você ser avaliado. Por mais que eu não goste de provas, elas atuam com muita importância em nossa vida; em nosso futuro.

Aluno2
Para mim, avaliação é um método para o professor avaliar se seus alunos aprenderam a matéria dada. Ou até para o aluno ver como ele está se saindo. (…) Sinceramente, eu não gosto de provas, eu e ninguém, eu acho. Mas eu acho que um curso sem provas, as pessoas não iam aprender. Elas iriam pro curso para se encontrar com os amigos e nem prestariam atenção na aula. Eu estou falando de um modo geral. É obvio que tem pessoas que têm noção do quanto os pais pagam nesses cursos, mas enfim. Acho que deveria ter mais uma prova oral.

Aluno3
Pra mim avaliação é quando você aprecia, calcula o valor de algo (no caso o aprendizado). Eu estou sim, satisfeito com a forma como sou avaliado. Eu não acho uma ideia muito boa um curso sem avaliação, provas e testes, porque se não a maioria dos alunos iriam somente estudar dentro da salas, não teríamos uma rotina de estudos em casa se n fosse a preocupação q temos com as avaliações.

Aluno4
É uma forma qualitativa e/ou quantitativa de mensuração, ou seja, de comprovar argumentos apresentados. As formas de avaliação não devem se resumir a provas e testes formais, devem ser considerados aspectos diários, como o comprometimento do aluno.
Já participei de avaliações globais que avaliam todo o processo de aprendizado do estudante. Porém,     não sou a favor de um curso sem provas, pois desta maneira, o estudante não desenvolve o ritmo de competitividade, de forma sadia, não passando por provas será mais difícil para esse aluno participar de qualquer concurso.

Através dessas respostas podemos ver que os alunos ainda veem o aprendizado e estudo de línguas da mesma forma que veem outras matérias como Geografia e História. É nosso papel instruir os alunos sobre como se preparar para o real aprendizado da língua inglesa. Precisamos entender que apesar de grande importancia, toda forma de avaliação tem suas vantagens e desvantagens. O que deve ser transmitido aos alunos é que o processo de estudo de línguas e os resultados obtidos por tal são diferentes dos de outras matérias.

E vocês, o que acham?

Resumo: “Avaliação contínua x avaliação somativa” by Jossely Oliveira

“Avaliação contínua versus somativa”

ESCLARECENDO OS CONCEITOS

AVALIAÇÃO SOMATIVA: “Tipo de avaliação que ocorre ao final da instrução com a finalidade de verificar o que o aluno efetivamente aprendeu. Inclui conteúdos mais relevantes e os objetivos mais amplos do período de instrução; visa à atribuição de notas; fornece feedback ao aluno (informa-o quanto ao nível de aprendizagem alcançado), se este for o objetivo central da avaliação formativa; e presta-se à comparação de resultados obtidos com diferentes alunos, métodos e materiais de ensino. Foi assim classificada por Benjamin Bloom e seus colaboradores, cujos estudos apontam para outros dois tipos de avaliação: a formativa e a diagnóstica.”

AVALIAÇÃO FORMATIVA (ou CONTÍNUA): “Tipo de avaliação que ocorre durante o processo de instrução. Inclui todos os conteúdos importantes de uma etapa da instrução; fornece feedback ao aluno do que aprendeu e do que precisa aprender; fornece feedback ao professor, identificando as falhas dos alunos e quais os aspectos da instrução que devem ser modificados; e busca o atendimento às diferenças individuais dos alunos e a prescrição de medidas alternativas de recuperação das falhas de aprendizagem. Foi assim classificada por Benjamin Bloom e seus colaboradores, cujos estudos apontam para outros dois tipos de avaliação: a somativa e a diagnóstica.”

PESQUISADO POR NATÁLIA GUERREIRO (http://www.educabrasil.com.br/eb/dic/dicionario.asp?id=300)

VANTAGENS DA AVALIAÇÃO CONTÍNUA

A avaliação contínua abre maior espaço para um trabalho personalizado e estimula o aprendizado com foco no aprendiz e não necessariamente nos objetivos da lição. A avaliação contínua, dentre outras vantagens, permite que o professor observe o desenvolvimento do aluno respeitando o tempo de aprendizagem deste. Ou seja, a avaliação contínua mostra o processo de outra forma, ela mostra os diferentes momentos na aprendizagem, momentos de altos e baixos.

Por depender mais da sensibilidade e do olhar técnico do professor, esse tipo de avaliação fornece mais informações que permitem a customização do trabalho do professor com base nas necessidades do aluno. Enquanto isso, a avaliação contínua irá mostrar de outra forma o processo, talvez nos mostrando os momentos diferentes através de diferentes tangentes.

DESVANTAGENS DA AVALIAÇÃO CONTÍNUA

A grande desvantagem da avaliação contínua é que, na nossa realidade, ela funciona melhor em salas com poucos alunos. Afinal, o professor deve conhecer cada um deles. Não só o nome, mas também o jeito de ser, aprender e pensar. É preciso conhecer seus gostos e expectativas. Sendo assim, monitorar uma sala com muitos alunos desfavorece um resultado justo nesse processo de avaliação.

Em lugares onde há uma tentativa de avaliar os alunos de forma contínua, o diagnóstico sai prejudicado por não haver critérios delimitados, muitas vezes por falta de um maior conhecimento técnico por parte do professor e do quanto o resultado sofre interferências da subjetividade desse professor.

VANTAGENS DA AVALIAÇÃO SOMATIVA

A avaliação somativa permite que o aluno perceba seu progresso através de um resultado mais fácil de ser lido: o resultado numérico. Esse instrumento de avaliação também serve como uma amostragem do que foi ensinado e aprendido, verificando o quanto os alunos incorporaram dos objetivos propostos e fornecendo informações que permitem que o estudante passe ou não para o próximo nível. Além disso, a avaliação somativa atende a uma demanda da sociedade que pede provas documentais de aprendizado.

DESVANTAGENS DA AVALIAÇÃO SOMATIVA

O problema da avaliação somativa é que, por ser uma amostragem do que foi aprendido, uma pessoa que não esteja se sentindo bem no dia da avaliação, por motivos diversos, pode ter um desempenho inferior ao que normalmente teria ou superior porque decorou um monte de coisas na véspera. Nesses casos, o resultado jamais será 100% fiel ao desempenho real do aluno. Uma avaliação somativa acaba medindo o momento da “fotografia”, então pode sair nebulosa.

Além disso, a avaliação sumativa, nos moldes atuais, estimula o aluno a só estudar em determinado dia para memorizar conteúdos por curto tempo. Memorizar conteúdo não é necessariamente aprender este conteúdo. Se não há como evitar a avaliação sumativa nesses moldes, esta deve ser voltada para situações de comunicação tais como criar um diálogo entre um vendedor e um cliente ou um e-mail, por exemplo.

PONTO DE EQUILÍBRIO

Chegando a um consenso, entendemos que as avaliações somativa e contínua são instrumentos de avaliação válidos e complementares. Se vivemos em uma sociedade onde os números e as quantidades são importantes por que não discutirmos a melhor forma de elaborar uma avaliação somativa eficaz? Afinal, se optarmos apenas pela avaliação contínua, por exemplo, o aluno ficará anos sendo avaliado continuamente e depois cairá nas mãos de uma sociedade regida pelo número: pontos em concurso, notas em provas de ingressos e etc. O aluno precisa estar pronto para essa realidade também.

Quando se trata do ensino de línguas, é possível sugerirmos que o processo de estudo para avaliação (que na maioria ainda é somativa) deva ser completamente diferenciado de outras matérias como Geografia ou História.

No caso de avaliações somativas, é importante que essas avaliações contenham questões que representem melhor situações passíveis de serem vividas pelos alunos. Podemos ter avaliações somativas que vão além de um simples teste de múltipla escolha. Uma redação com uma questão bem formulada, e com critérios e descrições claros podem fornecer um resultado somativo que realmente permite o aluno ir além. É preferível uma avaliação somativa bem aplicada e bem elaborada que uma avaliação contínua mal aplicada.

Teoricamente a avaliação continua é menos excludente que a avaliação somativa. Como educadores, sentimos cada vez mais a necessidade de sermos capazes de utilizar essa avaliação. Porém, é difícil mudarmos uma cultura enraizada no Brasil, onde existe uma necessidade de quantificar o desempenho em notas ao invés de compreender o diagnóstico exposto em um relatório, por exemplo.

Seria preciso escolher com cuidado os elementos que entrariam nesta avaliação para no fim do semestre ter uma clareza de amostra para justificar a avaliação do professor baseada no trabalho do aluno. Não precisa ser algo grande e elaborado. Às vezes é algo bem pequeno que depois fará parte de uma tarefa maior. Esse procedimento exige mais trabalho da parte do professor, mas faz parte do compromisso com a aprendizagem e com a excelência.

Em relação ao problema com salas de aula numerosas e a avaliação contínua, seria importante aprendermos com outros contextos onde esse tipo de avaliação é bem sucedido. Nesses contextos as tarefas são tais que os próprios alunos se avaliam e isso também gera outro sentido de apropriação da tarefa. É muito comum também terem avaliações de grupo. Estas são soluções bem utilizadas já, mas exige um entendimento claro pelo professor do processo, uma unidade de ação na escola e clareza de comunicação com os pais e alunos. A questão é que ações assim deixam claro que o ensino não está focado em conteúdo, mas sim em conhecimento. Isso é a chave.

Uma sugestão para uma rotina de avaliação contínua em turmas numerosas seria a seguinte: numa sala com 40, por exemplo, o professor criaria oportunidades de conduzir esse tipo de avaliação. Por exemplo, numa aula reunir-se com um determinado número de alunos para realizar um tipo de tarefa que permita o monitoramento desse grupo enquanto outros grupos estão fazendo outro tipo de atividade. Essa rotina se alternaria nos grupos. Isso leva tempo, mas para isso acontecer, a estrutura da aula e do plano anual de conteúdos precisaria mudar. Do jeito que está, é muita coisa pra professor e alunos darem conta.

Outra questão cultural a ser superada é a de confiança no diagnóstico do professor no caso da avaliação contínua, que por sua vez precisa produzir algum tipo de relatório de desempenho, seja com pequenos comentários na agenda ou de maneira mais formal, como comunicados, ou ainda através de portfolios e projetos.

Não há dúvida que a tecnologia pode vir a nos ajudar na elaboração e criação de confiabilidade e “reliability” de uma prova, e também com os elementos que escolhemos para estes portfolios de avaliação contínua.

O outro lado dessa questão cultural a ser superada é o lado da formação continuada do professor. Mesmo com a tecnologia e exames precisos, existem momentos num diagnóstico médico que a avaliação é subjetiva, e a gente precisa confiar no médico, na formação e atualização dele. É importante reconhecer que o professor precisa de uma boa formação e que ela seja continuada, assim como outros profissionais que também precisam de atualização para exercer com eficiência e competência a sua profissão.

UMA DECISÃO CONJUNTA

É necessário em todos os casos levar-se em conta a realidade administrativa da instituição: numero de alunos, objetivos, conhecimento técnico do professor, materiais, clientela, etc.

Qualquer decisão nas formas de avaliação precisa envolver direção, professor, alunos e responsáveis (quando é o caso). Se entendermos que a forma atual de avaliação está ruim, todos precisam se comprometer com o processo de melhorá-la, e isso envolve uma mudança de atitude, às vezes até da própria direção da escola. Esse processo é longo, assim como todo  processo de aprendizagem.

PERGUNTAS SEM RESPOSTAS (por enquanto…)

. Qual a ideia que se tem sobre como mensurar um curso de avaliação contínua?

. Como documentar o progresso do aluno de maneira continua para efetivamente mostrar (e convencer) os pais, por exemplo?

. Qualquer professor é capaz de avaliar a produção de um aluno a partir de uma tabela de critérios (ou mesmo sem ela até)?

. No caso de turmas numerosas, se falou em colocarmos alunos em grupos e monitorarmos eles. Como anotamos isso? Como acompanhamos cada grupo? Se eu monitoro, eu ajudo também? Qual nível de interferência eu posso ter?

EXPERIÊNCIA

Valéria França: Algum de vocês já passou por alguma avaliação contínua? Como foi a experiência de vocês como “aluno”?

Kelly Amorim: eu já passei por avaliação contínua e como aluna e senti falta da prova, da nota, do ver meu desenvolvimento sendo quantificado. Gostei de ser avaliada continuamente, mas assim como me sinto quando avaliada somente somativamente, faltou algo.

LEITURAS

Embora seja muito diferente de nosso contexto, segue uma leitura super interessante sobre processos escolares de avaliação no Canadá: http://www.wncp.ca/media/40539/rethink.pdf

Cecilia Lemos- Box of Chocolates: http://cecilialcoelho.wordpress.com/tag/assessment/

Henrick Oprea http://hoprea.wordpress.com/tag/assessment/

http://www.cambridgeassessment.org.uk/ca/digitalAssets/113878_ICT_in_Assessment.pdf

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Agradecemos a participação de Jossely Oliveira e seu comprometimento com a melhora do ensino de inglês no Brasil.

Jossely de OliveiraImage é graduada em Letras com habilitação em Língua Inglesa pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). Nascida e residente em Patos, na Paraíba, Jossely é mãe de Lucy (2 anos) e apaixonada pelos alunos que enchem de sentido o seu dia a dia como educadora. Ela ensina inglês na Cultura Inglesa desde 2003 (anos divididos entre Campina Grande e Patos) e recentemente tem se interessado em Critical Literacy, Reflective Teaching, Humanistic Approach to Teaching and Learning and DOGME.

 

 

 

“Como lidar com o aluno que já sabemos que irá reprovar?”

O resumo do #BReltchat desta semana foi escrito pela Kelly Amorim  (@amorim_kelly). #BReltchat agradece imensamente pela contribuição dela e de todos que participaram do chat na quinta.

Photo taken by @thornburyscott at Sant Pol de Mar, Catalonia #ELTpics

 

Todos nós fracassamos em algum momento de nossas vidas, seja na vida pessoal ou profissional, sempre temos os dois lados da mesma moeda. Mas, como lidamos com o fracasso de nossos alunos? Uma piada comum nas redes sociais e que muitos de vocês já devem ter lido é:

– Teacher: “You’ve failed English”

– Student: “You’ve failed teaching”.

 

O #BReltchat dessa semana não foi nada menos do que polemico. O tema: “Como lidar com o aluno que já sabemos que irá reprovar?”, girou em torno de questões que envolveram a participação e responsabilidade dos pais, da instituição, dos professores e dos próprios alunos.

 

A questão primeira que nos toca é quem são esses reprovados eminentes e como identificá-los. Serão os matematicamente “condenados”? Os cujo desempenho não acompanha o nível da turma? Os que faltam mais do que comparecem? Os que possuem dificuldades de aprendizado no nível em que estão?

 

Acreditamos que durante o progresso do semestre temos todas as armas para diagnosticar os alunos que não serão aprovados para o próximo nível. O fato é quando aceitar que esse desfecho é real:

@agrizi_luiz: Procuro ser otimista e acreditar que o aluno vai passar mesmo tirando uma nota horrível na primeira prova. #breltchat

@amorim_kelly Até mesmo tirando nota horrível na primeira e segunda, ainda sim, prefiro encorajá-lo a desacreditar na reprovação e tentar #breltchat

@agrizi_luiz: “saber que o aluno vai reprovar” é meio radical pra mim. É como perder as esperanças. #breltchat

 

A própria palavra reprovação já nos vem cheia de sentidos:

@llea_dias A palavra reprovação já me leva a pensar em problemas com pais e tumulto com a coordenação.

 

Mas, está a responsabilidade da reprovação deitada confortavelmente em nossos colos?! Somos nós, professores, quem devemos motivar os alunos a estudar a ponto de não chegar a ser reprovado? Ou é da responsabilidade do aluno perceber que se não houver uma mudança de atitude não haverá aprovação? Tal decisão é compartilhada por ambos como acredita Gardner em sua obra Social psychology and second language learning: The role of attitude and motivation.(1985) “motivation to learn a foreign language can be described as a complex of constructs, involving both effort and desire, as well as a favorable attitude toward learning the language at hand.”. Opinião essa compartilhada pela maioria dos participantes que concordam quando @iury_ELT afirma:

@iury_ELT O professor deve dar apoio, mas se não há interesse do aluno em melhorar fica difícil passá-lo pra outro nível. #breltchat

 

Ainda dentro dessa linha de pensamento como identificar o aluno que será, inevitavelmente, reprovado? E como “anunciar” que sua “comédia” se transformou em um “ato trágico” sem fazê-lo desistir de finalizar a obra? Como bem questionou @shirleyteacher: Vocês acham q a reprovação iminente deve ser “anunciada”?

Não há dúvidas entre os participantes que deixar que a reprovação seja uma surpresa de última hora para o aluno e para os responsáveis não é o melhor caminho. Mas, como informá-los sem tirar a motivação deles para com o idioma? Como fazer os pais entenderem que a reprovação é o melhor caminho? Como evitar que aconteça o que Teresa pontua:

@teresa1999 #breltchat Ouvi de poucos pais q iriam incentivar o filho a fazer de novo, que não poderiam desistir. A maioria se desespera. Como não gerar o desespero e a desmotivação?

 

São muitas as perguntas. Afinal estamos todos sempre em busca disso, motivar nossos alunos a quererem estudar, a quererem aprender, a progredirem. Afinal “to be motivated is to be moved to do something” (Ryan & Deci, 2000, p. 54).

 

Começar pensando em como nós mesmos encaramos a reprovação, como nossa cultura a encara e como nossa “clientela encarara”, como sugeriu @teresa1999 é um bom primeiro passo. Aliás, nossa prática diária e nossas experiências ditam os outros passos a serem dados nesse caminho:

@siportessantos: Quando sinalizo p os pais, evito a palavra reprovação, digo “ele pode não ser aprovado o próximo nível”#breltchat

@vbenevolofranca: #breltchat Sempre liguei para a mãe/pai/aluno reprovado para q pudesse pegar o resultado em outro momento.

@iury_elt: Se for jovem é bom conversar com os pais durante o curso p/ falar do progresso do filho.

@lu_bodeman a responsabilidade deve ser compartilhada. Jamais nas costas de um só (prof x aluno x pai ) #breltchat

@amorim_kelly #breltchat Fazer o aluno entender que a reprovação não é um castigo e sim uma 2ª chance de melhoria, o fará ter gás para refazer o livro.

@iury_ELT  devemos fazer o aluno refletir sobre como ele chegou naquele estágio (reprovação). #breltchat Mesmo o desinteressado reflete.

@amorim_kelly #breltchat Mostrar que são capazes e deixar claro aonde precisam melhorar. Dar suporte emocional…esse é tb o nosso papel!

@DyegoSaraiva: #breltchat uma boa abordagem é o professor levar o aluno a refletir pq ele vai repetir o semestre/ano.

@DyegoSaraiva #breltchat (…) e já traçar metas para ele passar no próximo ano/semestre.

@DyegoSaraiva #breltchat perguntas-chave como: como vc vê sua performance esse ano? / vc estudou/praticou o bastante? / vc acha que tem condição de seguir?

@amorim_kelly #breltchat Não deixar o aluno se sentir incapaz e sim mostrar o que ele é capaz de melhorar refazendo o módulo, o ajudará a ter motivação.

 

Motivação para continuar é a chave de tudo, anunciar a reprovação, mas de forma a motivá-lo e motivar aos pais a continuação da aprendizagem. Citando Dörnyei em sua obra Motivational strategies in the language classroom: “Tapping into motivation is crucial for language teachers because we know that motivation is one of the key factors driving language learning success”

 

Comprometimento com o progresso do aluno, motivá-lo a se conscientizar com seu próprio desenvolvimento, ajudá-lo a recuperar o que foi perdido. Enfim dar suporte. Desempenhar nosso papel de educadores para a vida. Afinal:

@shirleyteacher lidar com reprovação é preparar para a vida tb! Nem sempre se ganha, já dizia a vovó, né? ‎#breltchat