Bolsas com inscrições abertas

Para quem pensa que não há muitas oportunidades na nossa área, esta semana está sendo um choque de realidade. Não deixe de concorrer a estas bolsas:

  1. De isenção da taxa para o BRAZ-TESOL SIG Symposium (7 e 8 de julho de 2017 em São Paulo) – prazo até dia 07/06, esta quarta-feira, somente para BrELTers;
  2. Para o congresso do IATEFL (10 a 13 de abril de 2018, em Brighton, Inglaterra), diversas bolsas, que podem incluir até anuidade da associação, passagens, hospedagem, etc. – prazo até 18 de julho de 2017;
  3. Para o congresso do TESOL (27 a 30 de março de 2018, em Chicago, EUA), diversas bolsas, mas você precisa se associar antes – prazo até 1o de novembro de 2017;
  4. No programa Fulbright para professores de escola pública, com quase quinhentas vagas para cursos intensivos de 6 semanas nos EUA – prazo até  15 de julho de 2017;
  5. Bolsa da Cultura Inglesa em curso de aperfeiçoamento para professores da rede pública estadual de São Paulo – prazo até 24 de junho de 2017.
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Entrevista com Nayara Bernardes sobre o M.A. in Applied Linguistics na Trinity University (Irlanda)

IMG_6868.JPGCelebrando o dia de São Patrick, entrevistamos a goiana Nayara Cordeiro Bernardes, que está cursando um M.A. em Linguística Aplicada na Irlanda. Nayara já atua como professora de Inglês há mais de 10 anos no ensino público e particular e também tem experiência em treinamento de professores. Formada em Letras/Inglês, possui especialização em Linguística Aplicada pela Universidade Federal de Goiás e CELTA. Mas a vontade de aprender só cresceu, e ela foi buscar um novo desafio do outro lado do oceano e conta para nós essa experiência.

1) Primeiramente, gostaríamos de saber um pouco mais de você como professora. Em que contexto(s) você atuava no Brasil?

No Brasil eu atuava em dois contextos totalmente diferentes. Sou professora concursada pela prefeitura de Goiânia e pelas manhãs ensinava inglês para crianças entre 9-12 anos. No momento estou de licença por interesse particular. Trabalhei também por sete anos na Cultura Inglesa, onde fui aluna, monitora, professora e também mentora.

2) Como você ficou sabendo desse programa de pós-graduação? E por que você escolheu cursar o M.A. nessa universidade especificamente?

Desde que terminei minha especialização em Linguística Aplicada, pensava em fazer um mestrado fora do Brasil, mas fui deixando esse plano de lado. Em 2014, fui para a Irlanda para um ano sabático, para vivenciar de perto a cultura de um país de língua inglesa. Durante esse ano, comecei a pesquisar sobre mestrados no país, já que a Irlanda já havia ganhado meu coração, e o primeiro nome que me veio à mente foi a Trinity College, por ser considerada uma das melhores universidades do mundo. No processo de escolha do curso, fiquei em dúvida entre o mestrado em ELT ou Linguística Aplicada. Optei pelo último. Fui aceita em 2015 e concorri a uma bolsa, mas não consegui. A minha oferta foi deferida para o ano seguinte. Voltei para o Brasil, trabalhei duro, poupei, vendi o carro e voltei para fazer o curso em 2016.

3) Por que você escolheu Linguística Aplicada em vez de ELT?

Eu me apaixonei pela área de Linguística Aplicada ao Ensino de Línguas quando fiz a especialização. Na hora de decidir sobre qual mestrado fazer, pensei primeiramente em ELT, mas quando li a ementa do curso, percebi que pouco seria novo pra mim, e as matérias que mais me interessavam também estavam presentes na grade de Linguística Aplicada , com a possibilidade de aprofundar mais em aspectos da aquisição de Língua, que é uma área pela qual tenho muito interesse.

4) Como o programa desse M.A. é organizado?

O mestrado tem duração de um ano e é regime integral para os alunos que não são europeus. O curso é dividido em três períodos: o primeiro inicia em setembro e vai até meados de dezembro, com um mês de recesso para escrever os trabalhos do primeiro período. Nesse período tive as seguintes disciplinas: Second Language Curriculum Planning and Implementation, Describing Grammar, Research Dissertation e a disciplina eletiva de Technology Language and Communication. O segundo período iniciou em janeiro e vai até abril, quando encerram as aulas do mestrado  As disciplinas desse período são: Language Acquisition, Pragmatics e Language Testing. Em maio teremos um mês para escrevermos os trabalhos do segundo período. O terceiro e último período inicia-se em maio e vai até agosto, momento esse para coletar os dados, analisar e escrever a dissertação.

5) Como foi o processo seletivo da universidade?

O primeiro passo para o processo seletivo foi fazer o IELTS, já que para ser aceito é necessário apresentar comprovante de proficiência. A nota mínima para ser aceito no mestrado da Trinity é 6.5. Outros testes de proficiência como o TOEFL, CAE e CPE também são aceitos. O processo seletivo ocorre todo online com vários formulários a serem preenchidos e documentos a serem enviados. Além do teste de proficiência, há a necessidade de apresentar o histórico acadêmico e diplomas (no caso, eu enviei tanto o da minha graduação em Letras quanto o da minha especialização em Linguística Aplicada) devidamente traduzidos oficialmente. Também é necessário fornecer o contato de duas referências acadêmicas para que a universidade entre em contato com eles. Por fim é preciso enviar seu currículo atualizado. Após enviar sua candidatura, eles fazem uma análise e enviam a resposta por e-mail.

6) Como está sendo a experiência numa universidade estrangeira?

Tem sido uma experiência incrível, tanto na questão de conhecimento acadêmico quanto humano. No primeiro período tivemos a oportunidade de nos dedicarmos a fundo ao tema currículo, tanto em teoria quanto na prática. Tivemos oportunidade de criarmos um currículo levando em consideração aquilo que havíamos estudado em sala e baseado nas leituras. Temas instigantes como “learner centeredeness” e “learner autonomy” me fizeram refletir bastante a minha prática. Outra disciplina fascinante, porém muito desafiadora, foi Describing Grammar, na qual tivemos a oportunidade de estudar sintaticamente várias línguas e ao final escolhemos uma língua para descrevermos que não fosse nem nossa língua materna e nem inglês. Não foi fácil, mas ao fim obtive uma boa avaliação. Em relação aos professores, todos são muito acessíveis e solícitos.

A universidade em si proporciona aos alunos uma série de recursos desde apoio psicológico, academia, sala de leitura exclusiva para pós-graduandos com acesso livre por 24 horas, ajuda na escrita do cúrriculo e dicas para entrevistas de trabalho, palestras em diferentes temas como: planejamento da dissertação,  procrastinação, preparar e apresentar trabalhos orais e outros.

Por ser uma universidade multicultural, é muito rica a experiência de conviver diariamente com pessoas de diferentes países. Na minha turma algumas das diferentes nacionalidades são: chineses, espanhóis, americanos, irlandeses, vietnamitas, dentre outras. Conversamos sempre e aprendo diariamente sobre a cultura deles, como diferentes celebrações, comida, hábitos, etc., e é claro que ensino sobre a minha cultura também. E dessa forma aprendemos a conviver tranquilamente com as nossas diferenças.

7) Em que sentido você considera que essa experiência pode impactar sua carreira e sua prática pedagógica?

Quando você faz mestrado ou doutorado aqui na Irlanda, você tem direito de se candidatar para mais um ano de visto para tentar trabalhar na sua área. Inicialmente gostaria de tentar essa possibilidade, visto que tenho curiosidade de ter experiência de trabalhar com inglês como segunda língua. Sei que é um plano ambicioso, mas não custa tentar, afinal conheço professoras brasileiras que dão aula nesse contexto por aqui. Após isso, tenho interesse em tentar me aventurar pela área acadêmica e quem sabe tentar o doutorado em um futuro não muito distante. Em relação à minha prática pedagógica, acredito que umas das práticas que pretendo com certeza adotar é ajudar a  desenvolver a autonomia dos meus alunos para que eles se tornem mais ativos em seu processo de aprendizagem e dessa forma possam alcançar resultados mais satisfatórios.  Saber mais sobre o processo de aquisição de língua e segunda língua com certeza irá influenciar na minha prática, pois é necessário refletir sobre o processo e levar em consideração  as variantes individuais dos alunos e a influência da primeira língua (e a importância dela também).

8) Você já verificou a questão da revalidação de seu diploma? 

Eu pesquisei superficialmente sobre o processo de revalidação e, pelo que vi na época, tenho grandes chances de conseguir a revalidação, por ser um mestrado que existe no Brasil, pelo prestígio da universidade e a questão das horas também, já que, apesar de estar fazendo o mestrado em um ano, faço em tempo integral, então seria como se fossem dois em um. Mas certeza que será aprovado não tenho, só terei quando aplicar para o reconhecimento.

9) Que dicas você pode dar para quem quiser trilhar o mesmo caminho?

Fiquem sempre atentos às bolsas de estudo oferecidas, façaIMG_6590.JPG pesquisas constantes, pesquise sobre o país onde o curso que você tem interesse é realizado porqu
e você precisa se identificar com o país (cultura, clima, etc.) em que irá estudar, caso contrário, será um ano de experiência negativa. Caso não consiga uma bolsa, economize, invista no seu sonho, pois vale muito a pena. Não há dinheiro que pague a realização desse sonho. Eu estou muito contente com a minha decisão.

10) Gostaria de deixar um recado para seus fellow BrELTers?

Pode parecer um sonho distante fazer mestrado em outro país. Eu também pensava assim, mas não é. Pelo contrário, é totalmente possível. Temos mestrados incríveis no Brasil de muita qualidade, mas se além de aumentar seus conhecimentos acadêmicos, você estiver interessado em imersão cultural e linguística, recomendo o mestrado em algum país de língua inglesa.

Entrevista com Larissa Costa Campos sobre o M.A. in Applied Linguistics da Texas Tech University

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A carioca Larissa Costa Campos tinha o sonho de fazer o M.A. nos Estados Unidos e conseguiu uma bolsa diferente para isso: uma assistantship! Professora há 10 anos, Larissa já possui os certificados TKT 2 e 3 e CAE, além do diploma em Letras Português-Inglês pela Faculdade CCAA. Após ser bolsista FLTA (Foreign Language Teaching Assistant) da Fullbright em Utah, ficou sabendo do M.A. em Linguística Aplicada da Texas Tech University (TTU), arriscou e conseguiu. Muito disposta a ajudar, ela tirou um tempinho de sua vida de estudante e professora assistente para nos ensinar o caminho das pedras.  
1) Primeiramente, gostaríamos de saber um pouco mais de você como professora. Em que contexto(s) você atuava no Brasil?

Bem, eu comecei a atuar como professora no fim de 2006, com apenas 17 anos. Minha primeira oportunidade foi dada pela Sociedade Brasileira de Cultura Inglesa no Rio de Janeiro, em que atuei como monitora, dando aulas de reforço para alunos que encontravam dificuldades no idioma. Trabalhei como monitora ou, como chamam atualmente, trainee teacher, pelo período de 2 anos, sendo convidada para me tornar professora, porém na época não pude assumir o cargo, devido a outros planos e motivos pessoais. No entanto, me tornei professora de lá anos depois. Também trabalhei em outros cursos privados, sendo que o curso em que trabalhei a maior parte da minha carreira no Brasil foi na Cultura Inglesa, onde aprendi e cresci muito profissionalmente. Além disso, também atuei como professora particular sempre que aparecia a oportunidade.

2) Como você ficou sabendo desse programa? E por que você escolheu cursar o M.A. nessa Universidade especificamente?

Fui bolsista da Fulbright entre 2012 e 2013, quando trabalhei como professora assistente de português na Utah Valley University. Com essa oportunidade, conheci muitas pessoas da área, incluindo uma outra professora que veio para a Texas Tech University. Na minha universidade em Utah, não havia oportunidade de mestrado, e eu também tinha o desejo de voltar ao Brasil para trabalhar e me preparar para uma possível oportunidade de mestrado nos EUA. Foi quando essa amiga que estava aqui no Texas publicou no nosso grupo de bolsistas que a sua universidade estava fazendo seleção para o mestrado em Linguística Aplicada. Como a área sempre me interessou, foi o incentivo extra. Foi a única universidade para qual eu me candidatei e aqui estou.


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3) Como o programa desse M.A. é organizado?

Aqui na TTU (Texas Tech University), temos que fazer a carga horária de 36 horas durante todo o curso, isso equivale a três matérias com carga horária de 3 horas semanais por 4 semestres até a conclusão, o que equivale a mais ou menos 18 meses de estudos. A minha parte prática vem com as aulas em que sou a instrutora. Como dou aulas de português, posso aplicar teorias e metodologias com as turmas que trabalho. A tese não é obrigatória, pode fazer ou não. A obrigatoriedade geralmente só vem no doutorado. No entanto, no mestrado temos que fazer os Comprehensive Exams, provas em quatro áreas que escolhemos. Esse é um dos requisitos para a obtenção do diploma, além de matérias específicas.

4) O que é uma assistantship? Quais as vantagens e desvantagens, a seu ver, de cursar o M.A. sendo uma T.A. (Teaching Assistant)?

Assistantship ou T.A.ship é quando a universidade lhe oferece a possibilidade de estudar e trabalhar, e geralmente isso lhe permite um desconto na sua mensalidade. No meu caso, foi um bom desconto, então uso o meu salário para pagar minhas contas e a mensalidade da faculdade. É um valor considerável, mas ainda assim limitado. Aconselho que quem esteja pensando em fazer algo assim se prepare e guarde dinheiro para poder trazer, senão fica bem complicado. No entanto, depende da universidade: umas universidades oferecem salários melhores e, dependendo, a mensalidade fica bem baixinha mesmo. Não é o caso da TTU, mas ser professor assistente (TA) é sempre maravilhoso. A única desvantagem pode ser o valor que recebemos.

5) Como foi o processo seletivo da universidade e da bolsa?


Quando eu me inscrevi para o mestrado, já me inscrevi para a assistantship pois eles precisavam de professores para o curso de português. Preenchemos vários formulários com dados pessoais, tradução de diploma e histórico acadêmico, comprovação de proficiência em inglês (usei o CAE), cartas de recomendação, além de cartas explicando o porquê de você querer fazer o mestrado, entrevistas pelo skype, etc. A papelada é trabalhosa mas não é nada impossível. Com organização e calma, dá tudo certo!

6) Como está sendo a experiência numa universidade estrangeira?

Eu já havia tido a experiência no passado, então está sendo bem tranquilo e culturalmente enriquecedor.

7) Em que sentido você considera que essa experiência pode impactar sua carreira e sua prática pedagógica?

Do ponto de vista teórico aprendi muitas coisas novas e tive a oportunidade de expandir meus conhecimentos pedagógicos com muitas leituras relevantes aos tópicos que envolvem a Aquisição da Segunda Língua. Além disso, também pude me aperfeiçoar no ensino do português, e a cada dia me apaixono mais por ensinar a minha língua materna.

8) Que dicas você pode dar para quem quiser trilhar o mesmo caminho?

Pesquise muito sobre o que você quer cursar, pesquise universidades que oferecem os cursos e não tenha medo de mandar e-mails com perguntas. E, é claro, tentar!!! Fique atento às datas: geralmente as seleções para o outono (agosto) do ano seguinte começam em outubro do ano anterior. Fique de olho e, claro, se prepare financeiramente! E como dizemos em inglês “The world is your oyster”, literalmente o céu é o limite. Com preparação e organização, você consegue.

9) Gostaria de deixar um recado para seus fellow BrELTers?

Se você sonha em estudar fora do Brasil, saiba que isso é possível. Pesquise bastante, compartilhe ideias nos fóruns como a BrELT e mande brasa! Como disse anteriormente, você consegue! Boa sorte a todos. Não é fácil, mas vale a pena!

Bolsas IATEFL – últimos dias!

Amanhã, dia 21 de julho, é o último dia para concorrer a bolsas para ir ao congresso do IATEFL na Escócia em abril do ano que vem.

Há bolsas para todo mundo: membros e não membros do IATEFL, professores experientes ou novatos, pessoas que já foram ao congresso e quem é a primeira vez, quem quer fazer uma comunicação e quem só quer ir assistir ao evento… Veja a lista de bolsas neste link:

http://www.iatefl.org/scholarships/current-list-of-scholarships

Fique atento, pois há bolsas super generosas, que cobrem tudo que você possa imaginar, e há bolsas que exigem que você arque com alguns custos (ainda assim, é uma mão na roda, né!).

Após escolher qual bolsa você quer tentar, leia as instruções e clique no botão APPLY FOR A SCHOLARSHIP no fim desta página: http://www.iatefl.org/scholarships/scholarships-overview-and-faqs  

Atenção! Se a bolsa requerer apresentação de trabalho, você também terá de submeter uma proposta ao congresso e o prazo é também amanhã.

Mas tente! Vários BrELTers já foram ao IATEFL com essas bolsas, provando que é possível, sim, quando se tenta. Sem tentar é que é impossível.

Como ganhar uma bolsa mudou minha vida

Por Bruno Andrade

iatefl scholarships

 

Salve, BrELTers!

Nos dias de hoje, alcançar um certificado ou título acadêmico é requisito fundamental para que se possa conseguir um colocação no mercado. Certificados em educação, licenças ou permissões de trabalho, pós-graduações e outros produtos de formação profissional são frequentemente considerados ritos de passagem. Porém, há várias outras formas de desenvolvimento profissional para professores. Uma delas é a formação informal que podemos adquirir ao participar de uma comunidade virtual como a BrELT. A outra é participar (como espectador ou apresentador) de conferências. 

Sabemos, no entanto, dos entraves à participação de conferências: gastos, gastos, gastos, problemas com liberação de dias (e a consequente não remuneração pelos dias não trabalhados), instituições que não incentivam o crescimento profissional de professores (“sua aula é ótima e o inglês que você tem é suficiente pra ensinar aqui..”), etc. A internet é grande aliada dos professores nessa batalha. Porém, nada substitui a oportunidade de estar in loco com professores admirados e palestrantes renomados. A energia que permeia aqueles dois, três ou até quatro dias de conferência é indescritível.  Imagine um espaço onde você só encontra professores como você que levam sua formação profissional a sério e super dispostos a compartilhar ideias, conhecimento e práticas? Heaven, uh?

Uma das conferências de que todo professor deveria participar é o IATEFL Conference que acontece anualmente na Grã-Bretanha. Mas se você já leu as palavras IATEFL, anualmente e Grã-Bretanha como $$$, $$$ e $$$$; não se desespere! Há uma saída! Em 2011 eu não tinha nem passaporte, nunca tinha viajado pra fora da América do Sul e, por conta das limitações financeiras, nunca tinha imaginado participar de um evento tão importante na minha vida profissional.

Querem saber como eu fiz isso?
Joguei minha fichas e apostei bem alto: candidatei-me para uma das bolsas oferecidas. E não me arrependo! No ano seguinte, eu estava embarcando para Glasgow na Escócia para apresentar os resultados de um projeto conduzido em sala de aula com meus alunos adolescentes. Na época sugeri aos meus alunos que nos conectássemos via Skype com outros alunos de vários pontos do mundo. Fizemos 6 encontros durante 6 meses e aprendemos muito com esse tipo de interação: meus alunos puderam experienciar contato direto com outros alunos e descobrir mais sobre suas vidas e frustrações como alunos de inglês. Também foram bastante desenvoltos quando fizemos uma sessão com alunos nativos de países de língua inglesa.

Representar meus alunos, a minha instituição e o meu país num evento tão grandioso foi algo além das minhas expectativas. Ter meu trabalho avaliado e validado por profissionais que eu só conhecia pela autoria em livros ou blogs que eu lia e me inspirava é algo tão poderoso que mudou a minha vida. Voltei de Glasgow não só com o primeiro carimbo no meu passaporte mas com a mala cheia de ideias, discussões, frases que marcaram na memória, conversas informais que me fizeram refletir e um reforço no meu networking; além de livros e mais livros, lembranças de bons momentos que passei com pessoas queridas e o aprendizado que vai perdurar pra sempre!

Por isso eu indico: candidate-se para uma bolsa IATEFL, que será novamente em Glasgow em 2017. Quem sabe você também não pode ser escolhido para ter sua vida mudada?

Veja aqui como participar. O prazo de inscrição é 21 de julho! Corre e veja o que cada bolsa pede!

 

 

Entrevista com Taísa Nunes sobre a bolsa Lemann

taisaTaísa Nunes é uma BrELTer que saiu do Rio para Nova York a fim de fazer seu mestrado em Adult Learning and Leadership na Teachers College da Universidade de Columbia. Ela nos conta como foi o processo seletivo da universidade e da bolsa Lemann, que possibilitou que ela deixasse a Cidade Maravilhosa rumo à cidade que nunca dorme (até porque ela fica na biblioteca estudando).

 

  1. Primeiramente, gostaríamos de saber um pouco mais de você como professora. Em que contexto(s) você atuava no Brasil? 

Eu atuei em colégios particulares e em cursos de inglês do Rio de Janeiro. Minha primeira experiência em sala de aula começou na UFRJ (alô, CLAC-sauros!) e como monitora da Cultura Inglesa. Desde então, não quis saber de outra coisa que não fosse relacionada com a sala de aula.

  1. Você poderia falar um pouco mais dessa bolsa para quem não a conhece?

A minha bolsa de estudos veio da Fundação Lemann, que atua em projetos de políticas públicas, educação, tecnologia e liderança espalhados pelo Brasil. Para ser um Lemann Fellow, é preciso que você apresente um forte compromisso com o impacto e desenvolvimento social do Brasil, independente do setor de atuação. O importante é mostrar uma grande vontade e motivação de gerar impacto e contribuir com a superação dos problemas que o nosso país apresenta.

A bolsa varia de acordo com as universidades parceiras. No meu caso, ela é parcial e dá conta de parte dos custos acadêmicos e de moradia.

  1. Como foi o processo seletivo? Foi muito trabalhoso e custoso?

O processo seletivo foi tão trabalhoso quanto qualquer outro processo de candidatura a uma universidade americana, ou seja, foi duro! No total, foram 8 meses desde o momento que comecei o processo até a minha última resposta positiva. Eu passei pelo passo a passo clássico:  históricos traduzidos, TOEFL em dia, 3 cartas de recomendação, GRE, redações. Com tudo enviado, esperei pela carta de aceite. Você só é considerado para essa bolsa mediante a aprovação da universidade. Com o ok em mãos, precisei escrever mais uma redação que apresentava as minhas intenções como Lemann Fellow, que tipo de impacto eu me via fazendo, etc. Um mês depois, recebi um telefonema e a boa notícia: eu estava dentro e com bolsa!

  1. Como está sendo a experiência numa universidade estrangeira?

Está sendo um verdadeiro desafio e um privilégio poder estudar numa instituição tão importante e tão rica de oportunidades e recursos. Acho interessante que o mestrado por aqui é como se fosse um curso de graduação bem mais intenso. O meu curso pede 45 créditos, o que significa que eu preciso estudar uma média de 4 matérias por semestre por 2 anos, sem contar com o projeto final, que deve ser produzido no meio tempo.

Demorou um pouco para eu entender o nível de cobrança dos professores e para me encontrar e me reconhecer como full time stundent. Melhor que full time seria me descrever como “all-day-every-day” student. Há semanas em que entro na biblioteca às 8 da manhã e só volto para casa 1 da manhã. Nenhuma experiência acadêmica anterior chegou perto do que está sendo estar aqui.  É incrivelmente desafiador.

  1. Em que sentido você considera que a bolsa pode impactar sua carreira?

Eu acho que fazer parte da Fundação Lemann amplia a minha voz e as minhas oportunidades de geração de impacto. Há toda uma rede de suporte aos bolsistas, encontros anuais… Essa bolsa me trouxe a uma instituição de ensino que eu jamais teria a oportunidade de fazer parte e aqui tenho acesso a muito do que gostaria de ter estudado em tempos de faculdade. Eu pretendo continuar na área de Educação, e esse mestrado tem me dado ferramentas para fazer a transição da sala de aula para ambientes em que eu possa experimentar mais e ajudar mais.

  1. Gostaria de deixar um recado para seus fellow BrELTers?

Pode soar um grande clichê, mas se você tem uma paixão ou uma ideia e sente que não consegue colocá-la em prática sozinho, procure por quem possa investir no seu sonho com você. Procure saber mais sobre os programas de pós, intercâmbio e o que mais for que te interesse. Encontre uma rede de suporte e nunca ache que o você quer está longe demais ou é grande/pequeno demais. Procure saber de quem já caminhou nas estradas pelas quais você quer explorar e vá. Com medo, sem saber o que vai acontecer, mas não deixe de tentar.

Entrevista com Patricia Carneiro dos Santos, ganhadora de uma bolsa para ir ao congresso do IATEFL em abril de 2016

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Primeiramente, gostaríamos de saber um pouco mais de você como professora.

a) Em que contexto(s) você atua no momento?
Sou professora do primeiro segmento de uma escola municipal no Rio de Janeiro. Tenho turmas de 6/7 anos até os 12/13.

b) Você pode falar brevemente de seu histórico profissional?
Sou Psicóloga de formação e professora de coração, comecei a dar aulas porque gostava muito de inglês e sabia falar bem numa época em que muitos ainda não valorizavam inglês tanto assim (nos anos 90)
Sempre fui professora de cursos de inglês, fiquei no IBEU por 10 anos e escolas particulares. Em 2011 fui convocada para o concurso que havia prestado e toda a minha visão de alunos de inglês teve que ser readaptada para aquele realidade, em que é imposto ao aluno o estudo de uma língua que ele nada sabe e acha que não precisará nunca. Minha maior tarefa é mostrar a esse aluno que aprender inglês pode engrandecê-lo em diversos aspectos de sua vida, desde culturalmente até mesmo num futuro econômico. Mas o que desejo mesmo é que ele desenvolva uma consciência crítica e possa se inquietar com a predeterminação de um futuro sem sucesso que a sociedade da aos alunos de escolas publicas, e que a partir dessa inquietação ele possa agir.

Parabéns pela bolsa que você ganhou! Você poderia falar um pouco mais dessa bolsa para quem não a conhece?

Em primeiro lugar quero agradecer muito a BRELT. Fiquei sabendo da bolsa pelo grupo do Facebook e lembro de pensar que era impossível conseguí-la. Era apenas uma bolsa para todo o Brasil. Eu me sentei e resolvi dar o primeiro passo para esse sonho.
A bolsa é para assistir 5 dias da conferência de 50 anos da IATEFL em Birmingham, na Inglaterra. Com despesas pagas mais uma graninha para gastar lá. E o melhor de tudo? Fui aprovada para dar uma pequena palestra (30 minutos) numa conferência com pessoas que admiro e sigo há anos! Eu me sinto lisonjeada e muito feliz.
Claro que deu trabalho, mas ensinar nossos alunos dá trabalho também e estamos lá todos os dias felizes e contentes.

Como foi o processo seletivo? Foi muito trabalhoso e custoso?
O processo foi todo escrito. Eu tinha que escrever porque eu merecia essa bolsa, falar sobre minha experiência e mandar uma proposta de palestra. Escrevi ao longo de uma semana e enviei no último dia. Depois de um pouco mais de um mês recebi o e-mail que eu havia sido selecionada. Eu gritava em casa sem parar numa alegria absurda.

O que você espera do congresso?
Já recebi a programação e já sublinhei todas as palestras em que quero estar. Junto com a bolsa ganhei também a pré-conferencia (que e bem custosa) e um ano de anuidade do IATEFL. Recebo textos, notificações de webinars, posso fazer download de vários artigos.

Esperamos que você volte para nos contar como foi o congresso. Mas, antes disso, você gostaria de deixar um recado para seus fellow BrELTers?
Diria que tem que se inscrever para tudo que parecer interessante. Você acaba conhecendo pessoas, fazendo conexões, aprendendo coisas novas. Depois de ter sido selecionada eu estou fazendo parte de dois projetos, um deles com 4 lovely ladies do mundo todo! Uma experiência sem igual. Por mais que dê trabalho, agora eu me inscrevo para todas as bolsas que acho relevantes. Algumas vezes vou conseguir, um milhão de vezes não conseguirei, mas com isso vou conhecendo gente. E participem da página da BRELT no Facebook. Ótimos profissionais e ótimas dicas.