BrELTers pelo Mundo #13: Laura Leite – Argentina

Brasil e Argentina podem até ser rivais quando o assunto é futebol, mas a verdade é que muitos brasileiros escolhem viver na terra de Maradona. Nossa entrevistada de hoje é a sensível e poética Laura Leite.

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  1. Há quanto tempo você trabalha nesse local e quais suas funções?

Cheguei em Buenos Aires em julho de 2017, mas como os documentos ficaram prontos em setembro, só então pude começar a trabalhar. Realmente escolhi a pior época do ano, pois por aqui a procura por professores é praticamente toda em fevereiro. Por sorte, uma consultora, que não é uma escola, mas uma empresa que contrata professores para dar aulas em empresas, estava precisando de professor na região em que eu morava. A partir daí comecei a ter mais contatos e consegui mais alunos. Abri um CUIT, que seria o equivalente ao CNPJ e assim pude passar notas fiscais diretamente para as empresas, expandindo assim os lucros. No momento sou autônoma, mas presto serviço para duas multinacionais e tenho alunos particulares. Ser autônoma nesses casos é como ter uma escola. Preciso, além de preparar e dar aulas, elaborar provas, preparar relatórios para o RH das empresas (o que me exigiu um espanhol C1 logo de cara), dar feedbacks constantes, fazer a propaganda e vender os produtos (dou aulas de italiano e português para estrangeiros também).

  1. Você já trabalhou em outros locais fora do Brasil? 

Apesar de ter estudado na Itália essa é a minha primeira experiência fora do CELTA, em 2016, quando tive a oportunidade de ter alunos portenhos.

  1. O que te levou a procurar emprego fora do país? Como você escolheu essa  cidade, país e esse modo de trabalho?

Meu marido é argentino e planejamos essa vinda por um ano e meio. Antes de vir morar fiz o CELTA aqui mesmo em Buenos Aires e vim outras vezes para ter certeza de que era o local certo. Começar trabalhando com uma consultora ao invés de uma escola me fez aprender bastante e me influenciou a trabalhar como autônoma, pois estava preocupada com a adaptação do meu filho e queria ter mais tempo para ficar com ele.

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  1. Quais os requisitos que você precisou cumprir para conseguir esse emprego, em termos de qualificações, certificações, experiência prévia, etc.?

Em todas as entrevistas que fiz com as empresas em que trabalho sempre tive que mostrar as minhas certificações internacionais (Tenho CELTA e FCE), pois aqui são muito exigentes em relação a isso. Os professores formados aqui são muito qualificados e as escolas regulares aplicam o FCE e CAE na própria escola, o que faz com que eles exijam bastante dos estrangeiros aqui, principalmente não sendo um nativo americano, por exemplo. Minha experiência de 8 anos, apesar de não ser muito, contou bastante também.

  1. Quais foram os requisitos em termo de documentação?

Todos os brasileiros têm o direito ao visto permanente. Esperei cerca de dois meses para poder conseguir o meu. Custa cerca de 300 reais e você já sai do local com a permissão provisória chamada “precária”, para trabalhar. Após 30 dias chegou o DNI, a identidade. Não precisei de terceiros para fazer nada, o processo é bastante simples.

  1. Como você ficou sabendo da vaga? Há algum site específico para saber de vagas deste tipo?

Procurei em um site de busca de empregos chamado Computrabajo. Eles usam muito esse meio aqui, inclusive as escolas. Após começar as aulas comecei o network dentro das empresas em que trabalho.

  1. Tendo em vista o custo de vida, a remuneração é compatível, inferior ou superior ao que você recebia no Brasil?

É bastante superior, apesar das escolas regulares pagarem mais do que as empresas (ao contrário do Brasil), ainda assim vale mais a pena pela qualidade de vida e o poder de compra.

  1. Você sofreu algum preconceito por ser não nativa?

Percebi que uma grande parte das escolas de inglês contrata apenas nativos e deixam isso claro já no anúncio. As escolas regulares não têm problemas em relação a isso, muito menos as empresas. Até agora não sofri preconceito diretamente, mas esses anúncios que especificam já são um preconceito só pra quem quer trabalhar em escolas de idiomas. No Brasil o preconceito em relação a isso é muito maior.

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Laura na Argentina

  1. Como está sendo a experiência de trabalhar nesse país sendo brasileiro?

Ao contrário do que todos pensam, os argentinos amam os brasileiros e sempre que digo que sou brasileira eles abrem um sorrisão. Durante o CELTA tive uma classe de 17 alunos (Upper Intermediate) por duas semanas e nunca precisei chamar atenção, todos muito participativos. Já ali entendi que o respeito ao professor era uma questão cultural, mas tive certeza quando comecei a trabalhar mesmo. Os alunos aqui são muito dedicados e conscientes do que devem fazer para aprender, inclusive as crianças. O respeito ao professor é incrível e, mesmo os alunos com cargos altos na empresa são muito humildes e dedicados.

  1. Você passou por alguma situação inusitada em sala de aula por não compartilhar a cultura/língua dos alunos?

Adoro tomar chimarrão e tererê junto com os alunos, isso é muito comum durante as aulas: um só pra todo mundo e vai passando! No mais é tudo muito parecido, eles têm muita influência brasileira aqui, principalmente por causa das músicas e novelas.

  1. Qual conselho você daria a professores brasileiros que querem trabalhar aí na Argentina?

Juntar dinheiro para poder e manter e procurar emprego quando já estiver aqui, pois eles dificilmente contratam pessoas que não tenham a documentação e contratam muito rápido (eu enviei meu currículo dia 5 de setembro e dia 8 comecei!). O mês ideal para procurar emprego é fevereiro, mas o trabalho mesmo só começa em março (as escolas aqui são de março a dezembro).

Muito obrigado pela entrevista, Laura! Ficamos com muita vontade de tomar um chimarrão aí contigo.

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Uma professora na Suécia

17778919_10154295460736714_67467292_oComo será viver na Escandinávia? A BrELT member Melissa Ferreira nos conta como é morar nas terras dos vikings, sua experiência como professora e o processo de qualificação local para dar aulas nas escolas suecas.

Como você foi morar na Suécia?

Bom, o meu marido é sueco e ao decidirmos morar juntos, ficou claro que morar na Suécia seria a melhor opção. Ele é jornalista e na época não falava português, logo não teria como trabalhar no Brasil. Por outro lado, eu sendo formada em Propaganda e Marketing e com quase 10 anos de experiência na área TI, teria mais oportunidades de recomeçar a minha vida. Além do fato de falar inglês e espanhol, que poderiam me ajudar a encontrar colocações multiculturais, sem necessariamente falar sueco.

Como você começou a trabalhar como professora na Suécia?

Após quase 2 anos morando na Suécia e depois de terminar o curso de sueco (Sueco para Estrangeiros, Sueco como Segunda Língua e Sueco Avançado), comecei a procurar emprego na área de TI de acordo com a minha experiência anterior. Infelizmente, logo percebi que não seria tão simples. Depois de uns 6 meses de decepções, uma amiga peruana me convidou para dar aulas de espanhol em um curso para adultos. Eu fiquei chocada com a possibilidade pois nunca havia dado aulas e pelo fato de espanhol ser uma segunda língua. Depois de muita insistência, fui conhecer a escola/professoras/grupo e percebi que o nível geral dos alunos era bem baixo. Acreditei então ser possível com os meus conhecimentos de espanhol, depois de 2 anos de estudo no Brasil e anos usando o idioma no trabalho. Realmente foi possível e passei 1 ano e meio dando aulas nessa escola. Me preparava muito para cada aula, pois não queria ser pega de surpresa com perguntas que não teria resposta. No mesmo ano, surgiu outro convite de uma escola de ensino médio, dessa vez para ser a única professora de espanhol e com todas as responsabilidades que o cargo exige. Assustador!  Mais uma vez fui conhecer a escola, entrevista com a diretora e me senti confortável para aceita, mas foi um desafio enorme! Foi 1 ano de MUITO trabalho para um cargo e remuneração de meio período. Toda a preparação das aulas, atividades, correção e minha preparação pessoal levava o dobro do tempo do que um professor “de verdade” levava. Realmente foi uma loucura, mas recebi inúmeros elogios ao longo do ano, tanto de alunos como de colegas, o que me motivou a voltar prá faculdade e me tornar professora de ensino médio.

Quais os requisitos formais para ser professor de inglês na Suécia?

O ensino de inglês na Suécia ocorre no ensino fundamental e no ensino médio. Até 2011, não era obrigatório ter uma licença específica para ser professor. Isso significa que qualquer pessoa que tivesse feito um curso superior na matéria (História, Matemática, Inglês, etc.) poderia dar aulas. A partir de 2011, tornou-se obrigatório e os professores não licenciados foram obrigados a fazerem cursos complementares de pedagogia/didática, etc., mesmo tendo muitos anos de experiência. Ainda há a possibilidade de tornar-se professor sem fazer o programa de formação de professores. Cada matéria/curso tem um requisito mínimo de pontos que equivale a 3 semestres ou mais. A pessoa pode estudar inglês na universidade na Suécia de forma independente ou pode ter estudao no exterior, mas para tornar-se professor, tem que obrigatoriamente fazer um curso complementar de 3 semestres, ministrado em sueco, que tem por objetivo ensinar pedagogia/didática, leis, como avaliar e dar notas, além de valores democráticos como discussão de gênero, multiculturalidade, etc.

O outro caminho é seguir o programa de formação de professores (4,5 anos para ensino fundamental e 5 ano para ensino médio). Para o ensino fundamental, o candidato escolhe 2 ou mais matérias para dar aula e para o ensino médio, são somente duas. No meu caso, eu estou no 4º ano do programa e minhas matérias são inglês e espanhol.

Tendo em vista o custo de vida, a remuneração é compatível, inferior ou superior ao que você receberia no Brasil?

Eu não tenho idéia de qual é a remuneração de um professor no Brasil, a não ser o que escuto dizer sobre ser baixa, mas sei que a variação entre escola pública, privada e os diferentes níveis é grande. Aqui na Suécia há uma grande discussão sobre melhorar o status da profissão de professor, mas por tudo que tenho observado e vivenciado nesses anos morando aqui, a remuneração é superior à do Brasil, pois é superior inclusive à de outras profissões e cargos que tenho conhecimento. Os professores querem melhorias o tempo todo, mas não se escuta que professores trabalham em várias escolas para tentar cobrir as despesas do mês, por exemplo, ou greve de professores para reinvindicar algo. Portanto, a minha análise é que a remuneração está de acordo com o custo de vida do país.

Você sofreu algum preconceito por ser não nativa?

Os brasileiros são bem vistos na Suécia e nunca tive nenhum problema que pudesse ser relacionado diretamente ao fato de ser brasileira. Talvez alguma diferenciação no tratamento por ser estrangeira, mas não especificamente por ser brasileira.

Como está sendo a experiência de trabalhar nesse país sendo brasileira?

Eu trabalhei somente 1 ano e meio e estou há 4 anos somente estudando. O curso na universidade é em período integral e eu preferi me dedicar 100%.

Ao dar aulas de espanhol, senti que foi uma vantagem ser brasileira, pois eles vêem as culturas como sendo muito próximas. Ter uma pessoa da América Latina dando aulas de espanhol acrescentou alguns ingredientes que um professor de espanhol sueco talvez não pudesse agregar.

Quais são as oportunidades de desenvolvimento profissional?

Trabalha-se muito em grupos nas escolas suecas e após alguns anos de experiência e alguns cursos adicionais, o professor pode alcançar o cargo de professor “especialista” ou líder. Isso significa um aumento significativo na remuneração, mas ainda é algo em desenvolvimento, pois surgiu depois de 2011 com a obrigatoriedade de licença. Além disso, os professores podem fazer cursos para se tornarem diretores ou pós-graduação/master/doutorado e dar aulas em universidade ou trabalhar com pesquisas.

Você passou por alguma situação inusitada em sala de aula por não compartilhar a cultura/língua dos alunos?

Algumas situações relacionadas ao vocabulário. Ao ensinar termos em espanhol, por exemplo, e ter a necessidade de traduzir para o sueco para o aluno entender mas não saber a palavra exata. Nessas situações, fui obrigada a usar o inglês para explicar. Os alunos sabiam que estava há poucos anos no país e alguns ficavam felizes de poder me “ensinar” algo de volta.

Mas o mais difícil foi entender o sistema de ensino sueco e a terminologia específica da área. Mesmo depois de 4 anos na universidade, continuo aprendendo muito e tentando entender algumas coisas.

Como é o currículo e a experiência de fazer uma faculdade na Suécia?

O programa de formação de professores tem duração de 4,5 anos para o ensino fundamental e 5 ano para o ensino médio. Para o ensino fundamental, o candidato escolhe 2 ou mais matérias para dar aula e para o ensino médio, são somente duas.

No caso do ensino médio, são 3 semestres para cada matéria, totalizando 6 semestres e 3 semestres de matérias gerais para todos os candidatos à professores, como as que mencionai antes – pedagogia/didática, leis, como avaliar e dar notas, além de valores democráticos como discussão de gênero, multiculturalidade, etc. Há 10 semanas de estágio para cada matéria em escolas que a universidade indica. O último semestre é dedicado ao trabalho de conclusão/monografia.

No meu caso foram 3 semestres de inglês/3 de espanhol e 100% do curso é ministrado nos idiomas. Já os cursos gerais são ministrados em sueco e tem um nível bem avançado, pois grande parte da literatura é em sueco, além de todas as avaliações e apresentações.

A experiência de fazer uma faculdade na Suécia é bem bacana e também bem diferente da experiência que tive no Brasil. Como disse, sou formada em Propaganda e Marketing pelo Mackenzie (SP) e estudei 4 anos em período noturno, depois de trabalhar o dia todo. No Mackenzie tínhamos aulas todos os dias, já aqui tenho aulas alguns dias da semana e o resto da semana é dedicado ao estudo independente. Lembro que no Mackenzie tínhamos alguns capítulos de livros prá ler durante todo o semestre e várias matérias ao mesmo tempo, como na escola. Aqui são vários livros para ler em cada módulo/matéria do curso e os módulos não são simultâneos. Cada módulo (1 mês) pode ter uma lista de 10 livros ou mais, além de artigos acadêmicos diversos. É realmente muita leitura e no início quase entrei em pânico, mas depois aprende-se a priorizar o que ler com mais atenção ou não. As avaliações também são mais abrangentes e exige-se mais análise do que somente compreensão de termos.

Qual conselho você daria a professores brasileiros que querem trabalhar na Suécia? 

São muito bem vindos, pois há uma demanda altíssima de professores no país, mas infelizmente terão que estudar sueco primeiro. Considero impossível trabalhar em uma escolha sueca (com exceção das escolas internacionais) sem conhecer o idioma. Todos os estrangeiros tem direito ao curso gratuito de Sueco, o que quer dizer que a pessoa pode vir estudar um semestre em uma universidade sueca e terá a oportunidade de aprender o idioma.

Além disso, para ter licença como professor no país, é necessário completar os 3 semestres de cursos que mencionei antes e que são dados em sueco. Ou seja, é imprescindível conhecer o idioma.

Talvez para dar aulas de inglês na universidade seja mais fácil, já que toda a comunicação com os alunos (dentro e fora da sala de aula) é feita em inglês, mesmo para os professores suecos.whatsapp-image-2016-11-03-at-19-22-50-1

Mas acrescento que para quem domina o inglês, é muito fácil aprender sueco, então não vejam isso como um obstáculo impossível!

Muito obrigado pela entrevista, Melissa! Adoramos saber um pouco mais da sua vida na Suécia! Desejamos muito sucesso na sua trajetória de professora!

BrELTers pelo Mundo #12: Eduardo Santos, China

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E tem mais BrELTer morando (e adorando) na Terra do Dragão: desta vez, Eduardo Santos, um querido amigo da BrELT que agora divide seu tempo entre passeios por esse país tão singular e aulas no departamento internacional de uma escola local.

Vejam a trajetória desse profissional que veio de Recife, terra linda no nordeste do nosso país e que agora se aventura no país mais populoso do mundo:

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Eduardo Santos e seus alunos na escola chinesa

  1.  Há quanto tempo você trabalha nessa escola  e quais suas funções? 

Trabalho no departamento internacional da Nanchang no. 3 High School desde agosto desse ano. O campus onde trabalho tem mais de 1000 alunos de middle e high school, mas o departamento internacional possui cerca de 100 alunos de high school que irão estudar no exterior após conclusão do ensino médio. Sou professor de inglês e tenho 3 turmas. Em duas turmas ensino gramática de língua inglesa para alunos no programa GAC (Global Assessment Certificate), preparatório para alunos que irão ingressar universidades de países de língua inglesa, e em outra turma ensino IELTS Listening.

Para saber mais sobre o  GAC: http://actinternationalservices.com/en/gac/

  1. Você já trabalhou em outros locais fora do Brasil? 

Em 2012 morei 2 meses em Buenos Aires para fazer o Cambridge DELTA na International House. Dei aula para adultos e foi minha primeira vez ensinando inglês para estrangeiros. Atualmente estou no meu segundo ano na China. Saí do Brasil em agosto de 2015 para Qingdao, norte da China, onde trabalhei por um ano como professor de inglês com alunos chineses e coreanos na Premier English, curso de inglês para crianças, jovens e adultos. Metade dos meus alunos eram crianças de 8 a 12 anos, 20% dos meus alunos eram adolescentes e 30% eram adultos de General e Business English.

  1. O que te levou a procurar emprego fora do país? E por que essa país em especial?

Sempre quis ter experiência internacional e adiei esse objetivo por muitos anos por ter focado na carreira no Brasil. Trabalhei como professor de inglês no Brasil por 10 anos na Cultura Inglesa e outros cursos de inglês, 1 ano como consultor acadêmico na Oxford University Press e nos últimos 3 anos como D.O.S. na Cultura Inglesa. Além disso, fui presidente do BRAZ-TESOL Pernambuco Chapter por 3 anos e apresentei em conferências de ELT na América do Sul, Europa e na China no ano passado. Após ter viajado bastante para países da Europa e para os EUA, pude concluir que não há país com tanta beleza natural como o Brasil. Por outro lado, os problemas sociais, políticos e a constante insegurança no país mudaram meus objetivos. Não pretendo ficar na China minha vida toda, mas acho que depois daqui irei morar em outro país e quero voltar para o Brasil somente para visitar minha família e meus amigos.

  1. Quais os requisitos que você precisou cumprir para conseguir esse emprego, em termos de qualificações, certificações, experiência prévia, etc.?

img_9896Os requisitos mínimos para conseguir o visto de trabalho na China (Z Visa) como professor de inglês é ter um diploma de bacharelado e 2 anos de experiência como professor. Algumas escolas pedem que seu diploma seja autenticado pela embaixada chinesa no Brasil para comprovar a veracidade do mesmo já que no passado alguns estrangeiros usaram diplomas falsos para conseguir emprego aqui. O governo chinês agora está bem cauteloso e rígido com toda a documentação que você utiliza para conseguir o visto de trabalho. Além disso, é necessário enviar um comprovante de antecedentes criminais e fazer um exame médico nas primeiras semanas aqui na China.

  1. Como você ficou sabendo da vaga? Há algum site específico para saber de vagas na China?

Achei a vaga no www.tefl.com . Gosto muito do site porque podemos salvar nosso CV, documentos e informações e isso facilita na hora de enviar o material para escolas. Tudo é feito pelo site e somos contatados via e-mail para uma possível entrevista. Outro site muito bom é o http://jobs.echinacities.com/ e é sempre bom verificar escolas que devem ser evitadas pois estão na black list aqui na China . O Dave´s ESL Café tem uma lista dessas escolas http://eslcafe.com/. Dica importante: não aceite um emprego com salário inferior a 8,000 RMB (cerca de 4,000 reais), acomodação, seguro saúde e custos com o visto pagos e também a passagem Brasil-China-Brasil paga.

  1. Tendo em vista o custo de vida, a remuneração é compatível, inferior ou superior ao que você recebia no Brasil?

A remuneração aqui é maior que no Brasil. Já o custo de vida é bem mais baixo, e a grande diferença é que a maioria das escolas oferece acomodação, então não precisamos pagar aluguel. No meu primeiro emprego aqui, tive que pagar somente contas de energia, gás e condomínio. Já no meu emprego atual, eles cobrem todas as taxas e moro num apartamento dentro do campus com quarto, banheiro, varanda, sala e cozinha. Custos com transporte, celular, alimentação e lazer são bem mais baixos que no Brasil, e o salário de um professor de inglês na China é, no mínimo, duas vezes maior que a média salarial no resto país. Consigo juntar 3 vezes mais que do que juntava no Brasil no fim do mês.

  1. Você sofreu algum preconceito por ser não nativo? 

Não sofri qualquer tipo de preconceito por não ser nativo. Os chineses conseguem diferenciar bem um professor de carreira de um estrangeiro sem experiência, que dá aula de inglês por um ou dois anos e volta para o seu país. Por outro lado, mesmo com quase 15 anos de experiência na área de língua inglesa e certificados, ter um passaporte de países de língua inglesa ainda vale bem mais do que toda experiência de um não nativo aqui na China. Conseguir um emprego como professor de inglês em Pequim ou Xangai sendo não nativo é extremamente difícil, mas a China é um país continental, então outras cidades menores aceitam e precisam urgentemente de não nativos. Já conheci e trabalhei com professores da Rússia, Filipinas, Madagascar, Espanha, Eslováquia, Holanda e outros países onde o inglês não é o idioma oficial.

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  1. Como está sendo a experiência de trabalhar na China sendo brasileiro?

É muito bom ser brasileiro fora do Brasil. Sempre que digo que sou brasileiro aqui, as pessoas lembram imediatamente do futebol, belezas naturais, alegria e gente bonita. Eles também perguntam da violência e dos problemas sociais que temos no Brasil, algo bem distante para os chineses, já que aqui é mais seguro que a maioria dos países da Europa. Andar na rua de madrugada, usar transporte público e celular no meio da rua são coisas que evito ou faço no Brasil com muito cuidado. Aqui eles não têm essa preocupação com segurança, já que é bem seguro, inclusive nas grandes cidades.

  1. Qual conselho você daria a professores brasileiros que querem trabalhar aí?

A China é um país magnífico com tradições milenares e uma cultura riquíssima. É o segundo país mais rico do mundo e está em constante transformação. É, sem dúvida, o maior mercado de ensino de língua inglesa do mundo e precisa de profissionais qualificados, algo escasso por aqui. Por ser tão longe do Brasil, aprendemos pouco e sabemos quase nada na China. As notícias que chegam no Brasil sobre a China são negativas e falam da poluição e outros desastres naturais. O mesmo acontece com as notícias sobre o Brasil que chegam por aqui. Morar na China e ensinar crianças, adolescentes e adultos de uma cultura tão diferente é extremamente rico e valioso para qualquer profissional da área de educação.

  1. Algo mais que você queira dizer aos BrELTers?

Temos a sorte de trabalhar com língua inglesa e poder conseguir emprego no exterior com mais facilidade que outras profissões. Trabalhar em outro país e ter a experiência de ensinar alunos de uma cultura tão diferente da nossa é único. Em 2017 completarei 15 anos de carreira e só continuo na mesma profissão por duas razões: a paixão pelo ensino e o fato de poder atuar em diferentes contextos, segmentos e funções na mesma área. Morar fora do país e atuar como professor nos dá uma visão mais abrangente do papel da educação na sociedade e enriquece nosso CV de todas as formas possíveis.

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Nosso muito obrigado ao Eduardo pela entrevista e suas super dicas. 🙂 Para conhecer mais BrELTers pelo Mundo, clique aqui.

BrELTers pelo Mundo #11: Audrey Duarte – China

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We have got a lot of questions about working in China and can now count on Audrey Duarte‘s experience of going from São Paulo to living and working in the other side of the world.

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1. Where do you work and how long have you been working there?
I currently work at two public primary schools in Chaoyang District in Beijing, China. Both are regular Chinese public schools for which the government recruits foreign teachers to teach English to primary, middle and high school students. The goal is for the foreign teacher to introduce a teaching style focused on oral English as this is the area in which Chinese foreign language education lacks the most.
I’ve been working at these schools since the start of September of this year. I teach English to primary and middle school kids, grades 3-6.
2. Had you ever worked abroad before?
I’ve worked abroad before in the U.S.A. and France. While I was in college in New York, I taught English to refugees at the Mohawk Valley Refugee Center in Utica, New York.  I worked in charity fundraising in New York City following my graduation from Hamilton College. In France, I worked at a second-hand francophone and anglophone bookshop called The Abbey . If you’re ever in the Latin Quarter, be sure to check out their more than 35,000 titles all piled up in a little medieval shop!
3. What motivated you to look for another job abroad?
After five years living in the U.S., I returned to Brazil and started teaching  general and business English through language schools in Sao Paulo. After a year, though, the itch for that immersive learning experience I had had a taste of living abroad came back, and I paid attention. I have always been one to thrive and flourish in challenging environments, and shrink when I don’t feel like I’m “working for” my experience. I craved the feeling of “working for” a rewarding and rich output of a new experience that would push me personally and professionally. I chose not to ignore that call, did my research and applied to some 6 different countries in Asia. So far I had lived in places that had been quite accessible to me regarding convenience, comfort and language, like North America and Europe. This time, I wanted a bigger, even more foreign challenge to wake me up to life and grant me a true adventure. After a few offers, I settled on a foreign teacher recruitment company in Beijing, called HYZD International Education. These were the most important factors in my decision-  1. Beijing is a big city and I wanted to be in a place easy to travel from. 2. As a language enthusiast,  I could try to pick up some Chinese while I’m there. 3. The English teacher salary in China tends to be higher than in countries in Southeast Asia. The company was also very attentive and clear with me throughout the entire process of application, from the first email exchanges to answering any questions I had in a prompt fashion, to now, a proactive and responsive employer.
4. What kinds of pre-requisites were there for this position? What qualifications and experience were required?
As I was job hunting, I found that almost every English teaching position abroad requires some form of teaching training. Most require TEFL, some allow the online certification, but the really great and competitive positions want CELTA-certified foreign workers. For my current job, I was required to have a B.A. degree in any subject, to obtain a 120-hr CELTA, and 2 years experience teaching English. However, a CELTA was not compulsory for applicants with a B.A. in Education. Furthermore, and this is the tricky part, most job ads- mine included- call for Native English speakers only. In some places, once you tell them you’re from Brazil, i.e. you don’t possess a passport from an English speaking country, they will unfortunately not consider you, regardless of your level of fluency, even if you’ve lived in an English speaking country. You can sound native-like and they still will say no, in many cases. Some companies recruiting foreign workers are more lenient, though. The company I currently work for agreed to have an interview with me after going through my documents,  such as a cover letter, resumé, and a copy of my college degree. That’s your time to shine and show them not only your command of English but also your teaching knowledge and qualifications.
5. Which documents were required? How did you get a visa to work in China?
As far as bureaucracy goes, it was a long but organized process. The Chinese company that hired me was in charge of requesting the work permit on my behalf. I was required to Fedex in a medical check and my B.A. degree. Because I was in the process of obtaining a CELTA, I didn’t send them a certificate, though they will usually require it. A month or so later, I received the letter of employment and the official visa request in the mail from China and made my way to the Chinese General Consulate in Sao Paulo. The visa was ready in 3 business days and my experience at the consulate smooth and efficient.
6. How did you become aware of this position? Where did you look for it?
I became aware of this teaching position through one of many websites prospective teachers can browse for jobs abroad. My partner had just finished CELTA in Ireland and he had garnered online resources with a lot of job posts abroad. I found my current position through Seek Teachers (http://www.seekteachers.com/). Others include Dave’s ESL Cafe (http://www.eslcafe.com/joblist/) and Teach To Travel (http://teachtotravel.com/). Those are the ones I used primarily, but there are others you’ll likely find as you go.
7. Taking into account the cost of living, how does the salary compare with what you used to earn in Brazil?
A very compelling factor of coming to work in Beijing was the salary. Foreign teachers who come to work in Beijing are well rewarded for their work, while Chinese nationals who teach English here are unfortunately underpaid, as is the predominant case in Brazil for Brazilians teaching classroom English. Keeping in mind the cost of living, my current remuneration here is considerably higher than what  I earned as a teacher in Brazil, or even than what I would earn as almost any other corporate professional at the age of 24, with the exception of large multinational companies and banks, probably. Two important factors to consider when analyzing the salary offer of a prospective workplace abroad are  the cost of life in the city you will work in, and whether or not you will be provided accommodation. I chose Beijing because, though not as cheap as some places in Southeast Asia (think Vietnam or Thailand), the Beijing salary is considerably more attractive while not boasting a high cost of living. Life in Beijing isn’t expensive, and so far I’ve been able to save more than half of my salary each month.
8. What was the most difficult part of the process?
The application process was surely draining. It was both upsetting and exhausting to hear No from jobs in Middle Eastern countries, Japan, South Korea and some places in China, for the simple reason that I am a Brazilian national. Nevermind that I went to college in the States, that I had prior teaching experience and that I have native-sounding English. You can know more grammar (and probably do!) than any native applicant, and they will still get the job before you do. It’s a tough fight, but it’s not nearly as impossible as people will try to make you believe. There are currently many companies looking to recruit foreign teachers who don’t necessarily have a passport from an English speaking country. Having gone through the job hunting journey with my Irish partner, I can fairly say he had a much easier time “convincing” employers than I did… while he was qualified by default, I found myself having to go the extra mile to prove myself to them. My advice to you is- Know your worth, try for every position that interests you – even the ones that advertise native English speakers only- and take it from there. Let go of the ones that reject you on that merit, keep your eyes on the prize and don’t sell yourself short! You shouldn’t get paid less in any job just for being Brazilian. Now that I am here in Beijing, the native speaker obsession has subsided. There is such a high demand for English teachers in China that, if your oral English is strong- native or non-native- you will be well-received and grouped as a Foreign Teacher. People won’t bother making a nominal distinction between you and a native speaker unless they are looking for private lessons, which pay excellent hourly rates. But again, it’s all about presentation and how you sell yourself. At the public schools, most Chinese teachers teaching English here have very limited command of the language, so it is highly likely that a foreign-certified teacher with a good attitude will be seen as an asset in any school.
9. Have you suffered any prejudice for being Brazilian?
I feel no difference between how I am treated from how my fellow foreign teachers, who are native speakers, are treated. HYZD treats their employees with equal professionalism, from the moment they make a commitment to you. That has been my experience in this company so far. As far as my contact with Chinese people outside work, there seems to be some confusion and even curiosity over Brazilian culture, and contrary to the stereotypes we Brazilians get when we travel to other Western countries, most people here in Beijing aren’t aware of much about Brazil. I am often asked questions along the lines of “What is this or that like in Brazil?”. I can’t say I’ve felt any prejudice as a Brazilian here.
10. What has the experience of teaching Chinese children been like?
My average classroom is 35 children whose knowledge of English is at the elementary level at best and who often don’t understand the most basic instructions beyond “No Chinese please”. This has proved to be a real challenge, but it has made me a significantly better teacher. From increasing my use of visual aids and body language, to using universal humor, to exploring kinaesthetic learning styles, my lessons are that much more original and effective because of the language barrier. The students’ inability to communicate more complex thoughts to me pushes them to look for alternative routes of expression, which range from body language to breaking down and reformulating familiar phrases in different ways to try to convey something new. That´s where the magic happens! I get them to practice thinking in English. That’s the beauty foreign teachers bring to an often rigid Chinese curriculum of rote learning: language assimilation through creativity and pushing comfort zones.
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Audrey and her students.

11. What advice would give to other teachers who would like to teach in China?
My advice to you is: 1. Take a teaching training course before setting out on a teaching adventure. My classes have been filmed and I have been repeatedly asked for my lesson plans and powerpoint presentations so that my coworkers and managers can use as examples for themselves and other inexperienced teachers. I can only attribute the quality I am now able to deliver to CELTA. One intensive month  of the course has changed everything. I don’t say that lightly. My tutors helped me understand what an effective lesson structure looks like, how to hone the details so that the whole is cohesive and smooth. It has made me more confident and it has given me the surprising ability to simultaneously teach, keenly observe myself, and make quick adjustments from my mistakes. It will make all the difference in the world.  2. If health is a concern to you, beware of Beijing’s air quality. Both my partner and I wear masks and have air purifiers at home, but my partner suffers from slight asthma and it has flared up since being here. To me, the protection is effective, but the air quality remains an inconvenience, bothersome, and a true threat for Chinese people. Also, make sure to obtain a travel health insurance before coming as bureaucracy will keep you waiting for your medical card for a couple of months. 3. You won’t feel culturally isolated in Beijing as there is a pretty vibrant expat community, mostly from English-speaking countries.  4. Making the move to China also means encountering a lot of cultural differences, and some can appear to be huge barriers. It is important to be flexible in the workplace, but don’t be afraid to speak up and inform your employer if you find yourself truly uncomfortable. They will likely be very responsive and help you through any issues. 5. Beijing offers incredible (and cheap!) travel opportunities in China and to surrounding countries. Take advantage of it if you like to travel.
12. Anything else you would like to tell us?
Working abroad, you will see your professional and personal life, confidence and capabilities expanding at an exponential pace. You will have tough and perhaps lonely days. You will have thrilling and rewarding days. The good days are so much better than the bad days are bad. You will be proud of yourself for choosing, every day, challenge over comfort. That will give you confidence. For me, it has taught me everything I know. And more than ever you’ll see that the world is your classroom and there is so much to learn.
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BrELTers pelo Mundo #10: Felipe Bello Labiapari – Inglaterra

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Será que só inglês consegue trabalhar na terra da Rainha? O paulista Felipe Bello Labiapari mostra que não.

Nesta entrevista ele nos conta como foi a experiência de trabalhar numa Summer School em Londres.

1. Por quanto tempo você trabalhou nesse local e quais suas funções?

Trabalhei durante 2 meses na ICS International Community School e tinha duas funções: EFE Teacher e Office Assistant. Por uma semana fui Teacher Assistant na unidade dos alunos mais novos.

A ICS Funciona como uma escola regular durante o ano letivo, mas trabalhei para a Summer School. No caso da escola em que eu trabalhei, a Summer School acontece no período de junho a agosto e recebe alunos de diversos países. No ano de 2016, eram 3 unidades: uma para alunos bem novos entre 3 a 7 anos, outra para alunos de 8 a 10 anos e por último para alunos de 11 a 17 anos. Como fiquei a maioria do tempo na unidade para os alunos mais velhos, vou focar só na grade de aulas deles. Além das aulas de Inglês, os alunos tinham aula de Música, Artes, Drama, Ciências e Matemática, Esportes, PSHE (Physical, Social, Health and Economy) e excursões toda sexta-feira.

Era da responsabilidade dos professores de Inglês as aulas de PSHE também. Para aqueles que se perguntam como eram as aulas de PSHE, era algo bem amplo como comportamento na escola, respeitar as diferenças culturais, dicas para usar a internet com segurança, etc. Além dos professores de Inglês, os alunos tinham professores para as outras matérias. Cada semana os professores precisavam basear as aulas em um tema diferente, e o tema da semana sempre estava ligado as excursões de sexta-feira. Portanto as aulas eram bem livres e os materiais e conteúdo ficavam por conta do professor. A turma da qual fiquei encarregado era de alunos entre 12 a 14 anos, pre-intermediate e a variedade de nacionalidades era bem grande.

2. Você já trabalhou em outros locais fora do Brasil? 

Minha experiência profissional fora do Brasil foi só em Londres.

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Felipe no Battersea Park

3. O que te levou a procurar emprego fora do país? E por que essa cidade em especial?

Eu tinha planos de morar fora do país durante um período. Escolhi Londres por gostar bastante da cultura da Inglaterra e da cidade.

4. Quais os requisitos que você precisou cumprir para conseguir esse emprego, em termos de qualificações, certificações, experiência prévia, etc.?

Ter o CELTA me ajudou a conseguir esse emprego como professor lá, mas além disso o que me ajudou foi a experiência profissional que já tinha anteriormente tanto como professor e auxiliar de escritório. Eu acredito que o fato de eu ter o terceiro grau também influenciou na minha contratação.

5. Quais foram os requisitos em termo de documentação? 

Tenho o passaporte de Portugal. E no momento ter um passaporte europeu é o suficiente para se candidatar a vagas no Reino Unido.

6. Como você ficou sabendo da vaga? Há algum site específico para saber de vagas como essa?

Existem diversos sites de empregos aqui, mas esse emprego não encontrei nesse tipo de sites. Eu procurei todas as escolas de idiomas que tinham o certificado do British Council e me candidatei ou mandei um e-mail para essas escolas. Foi assim que consegui essa vaga. Também foi preciso preencher um formulário deles e dar referências e estas foram contatadas no Brasil.

7. Tendo em vista o custo de vida, a remuneração é compatível, inferior ou superior ao que você recebia no Brasil?

Diria que um pouco superior.

8. Você sofreu algum preconceito por ser não nativo?
Não, aliás, tinham muito professores não nativos. E a escola tinha o conceito de uma comunidade internacional onde todos deveriam respeitar e conviver com diferentes culturas.

9. Como foi a experiência de trabalhar nesse país sendo brasileiro?
A experiência de trabalhar lá foi muito boa e, geralmente quando mencionava ser brasileiro,era muito bem recebido pelas pessoas. Elas associam o Brasil a coisas boas como o sol, praias, povo alegre. Na época em que trabalhei lá foi quando aconteceram as Olimpíadas no Rio e todos me perguntavam sobre isso.

10. Você passou por alguma situação inusitada em sala de aula por não compartilhar a cultura/língua dos alunos?
Acho que quando há uma barreira de idiomas às vezes fica complicado extrair do aluno até que ponto ele precisa de uma ajuda maior. Muitas vezes ele quer expressar alguma coisa, mas usa a primeira língua e, se essa não for próxima da sua língua mãe ou se você não tem conhecimento nenhum sobre ela, fica difícil captar a mensagem do aluno. Já no Brasil o aluno poderia falar diretamente em português e você poderia compreender melhor e fornecer ajuda.

11. Qual conselho você daria a professores brasileiros que querem trabalhar no mesmo país em que você está?
Isso vai depender muito de que tipo de emprego esse professor está procurando, por exemplo se é algo temporário ou um emprego onde possa trabalhar por mais tempo. Mas os conselhos básicos seriam buscar as certificações e documentos necessários para se trabalhar no país de destino, entender como o sistema educacional do país funciona, ser bastante persistente e ir com a “mente aberta” para exercer outras atividades até alcançar o que deseja, por exemplo trabalhar como assistente de professor antes de chegar no objetivo principal de ser professor .

12. Algo mais que você queira dizer aos BrELTers? 

It ain’t easy but everything you thought is possible when you believe.

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Nosso muito obrigado ao Felipe por suas super dicas. 🙂 Para conhecer mais BrELTers pelo Mundo, clique aqui.

BrELTers pelo Mundo #9: Karen Ohara – Alemanha

whatsapp-image-2016-11-03-at-19-22-50-1Tem mais BrELTer pelo mundo? Ô se tem! A paulista Karen Tiemy Ohara está ensinando pequenos berlinenses e conta em seu blog japagirlemberlim.wordpress.com  suas aventuras e desventuras como uma nipo-brasileira na capital alemã. Pedimos uma palinha, e ela toda simpática nos contou como fez para chegar lá e logo arrumar um emprego na mesma área em que trabalhava no Brasil.

1. Há quanto tempo você trabalha nesse local e quais suas funções?

A escola se chama Intellego. Eles começaram em 1991 com foco em aulas particulares de reforço escolar,  depois expandiram para aulas de outros idiomas, música e tecnologia. Desde 2012 eles oferecem curso de inglês extracurricular em escolas públicas, para o primeiro e segundo ano, já que o Inglês só faz parte do currículo regular a partir do 3o ano.

Comecei no fim de setembro desse ano (2016), como English Teacher. Sendo professora de curso extracurricular para Young Learners, as funções não são diferentes das que eu exercia no Brasil como teacher. Uma curiosidade é que aqui a hora-aula é de 45 minutos, em vez de 50 ou 60. A metodologia adotada e os conceitos utilizados em sala de aula são os mesmos que eu usava no Brasil, então não houve nenhum problema de adaptação com relação a isso.  A escola dá bastante apoio pedagógico e operacional, o que ajuda muito também.

2. Você já trabalhou em outros locais fora do Brasil, ou mesmo outra escola na mesma cidade?

Antes de vir para a Alemanha, eu nunca tinha trabalhado fora do Brasil. Agora eu dou aula em 3 escolas diferentes, uma no centro de Berlim e 2 em bairros mais afastados, além de trabalhar em uma startup no período da manhã. Antes de começar nas escolas, dei aulas particulares para um casal da Moldávia.

3. O que te levou a procurar emprego nessa cidade em especial?

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Karen Ohara, professora de pequenos berlinenses

Berlim tem muita empresa de tecnologia, e no fim de 2015 uma delas entrou em contato com meu marido, que é da área de IT. Ele já tinha participado de outros processos seletivos para trabalhar em outros países, mas nunca na Alemanha. Tudo aconteceu muito rápido, e em menos de 3 meses já estávamos aqui, de mala e cuia. Passei os primeiros meses cuidando da parte burocrática, depois me matriculei em um curso de alemão e comecei a mandar CVs loucamente!

4.  Quais os requisitos que você precisou cumprir para conseguir esse emprego, em termos de qualificações, certificações, experiência prévia, etc.?

Como outros teachers já disseram em posts anteriores, ter o CELTA abre portas em qualquer lugar. Fora disso, muitas outras coisas contaram a meu favor, como a experiência dentro de sala de aula com young learners, ter o Anaheim Certificate in Teaching English to Young Learners (TEYL), além do fato de ter trabalhado no departamento de Pesquisa e Desenvolvimento do Red Balloon antes de me mudar. Curiosamente, os alemães valorizam muito as cartas de recomendação.

5. Quais foram os requisitos em termo de documentação? 

Meu marido veio com o visto de trabalho válido para 3 meses. Depois desse período, demos entrada no Residence Permit. Na verdade, já agendamos a entrevista logo que chegamos, pois conseguir uma data em menos de 3 meses pode ser bem complicado dependendo da cidade. Ele ficou com o visto de Especialista e eu o de cônjuge, mas com a possibilidade de trabalhar sem restrição de área. Conversando com outras professoras que vieram por conta própria, fiquei sabendo que a maioria possui o visto de Native Speaker English Teacher, então elas não podem trabalhar em outras áreas. Aqui não existe carteira de trabalho, ou você trabalha por contrato ou como freelancer. No meu caso, eu precisei de um freelance tax number para dar aulas.

6. Como você ficou sabendo da vaga? Há algum site específico para saber de vagas?

Eu entrava todo dia no Glassdoor, Jobspotting e Indeed, mas foi no Craigslist que eu achei o maior número de anúncios procurando teachers!

7. Tendo em vista o custo de vida, a remuneração é compatível, inferior ou superior ao que você recebia no Brasil?

Tricky question… Vou colocar todos os fatores a serem considerados: Eles me pagam 20 euros por uma aula de 45 minutos. O salário mínimo na Alemanha é de 8,50 por hora, e Berlim tem um custo de vida muito mais barato do que Munique, por exemplo. Entretanto, assim como no Brasil, é muito difícil conseguir uma carga horária cheia, o que eles já deixam claro desde a entrevista. As aulas extra-curriculares para YL só podem acontecer de tarde, já que as escolas funcionam de manhã e não existe período vespertino. Por isso eu tenho um trabalho meio período de manhã e as aulas de tarde. Alguns perrengues são globais, lol!

8. E quais são as oportunidades de crescimento profissional que você tem por aí?

Acabei de começar nessa escola, mas percebo que professores mais experientes podem, além das aulas, trabalhar como coaches/mentors de novos professores, darem workshops, e até se tornarem teacher trainers.

9. Você sofreu algum preconceito por ser não nativa?

A Alemanha é o maior destino de imigrantes da Europa, então a prioridade em empresas é sempre para os profissionais locais. Os institutos de idiomas aqui só procuram native speakers. No caso de ELT, infelizmente a maioria das escolas prefere NESTs sem experiência do que NNESTs com experiência e certificação. Percebi também que a pronúncia é um fator muito importante, pois é isso que diferencia os profissionais locais dos cursos extracurriculares. Consegui entrevistas na teimosia mesmo, e muita gente ainda estranha o fato de eu ser brasileira e ao mesmo tempo obviamente descendente de orientais.

10. Como está sendo a experiência de trabalhar na Alemanha sendo brasileira?

Particularmente, a experiência está sendo muito positiva. É ótimo aprender mais sobre o sistema de ensino de outro país, entrar em contato com falantes de uma L1 diferente, estar em contato direto com outra cultura. Os alemães são bem corretos com a parte burocrática, e a razão se sobrepõe à emoção na hora de dar e receber feedbacks.

11. Você passou por alguma situação inusitada em sala de aula por não compartilhar a língua/cultura dos alunos?

Todo dia! Descobri há poucos dias que apontar para sua própria cabeça é um gesto ofensivo, fiquei imaginando quantas vezes eu fiz isso querendo dizer remember ou head!

12. Qual conselho você daria a professores brasileiros que querem trabalhar na Alemanha?

Corra atrás do seu desenvolvimento profissional antes de se aventurar, seja persistente e sempre tenha um plano B.

13. Algo mais que você queira dizer aos BrELTers? 

Quem quiser mais informações sobre a vida aqui na terra do chucrute, pode deixar uma mensagem no meu blog ou me mandar um email (karentioh@gmail.com), que ficarei muito feliz em ajudar!

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Nosso muito obrigado à Karen por suas super dicas. 🙂 Para conhecer mais BrELTers pelo Mundo, clique aqui.

 

BrELTers pelo Mundo #8: Luiz Sampaio – País Basco (Espanha)

whatsapp-image-2016-11-03-at-19-22-50-1“Teachers required”, diz o anúncio, “native speakers only”.

Apesar de na União Europeia ser proibido por lei discriminar potenciais candidatos por sua origem, é comum esbarrar em anúncios discriminatórios quando a vaga é na Espanha. Entretanto, isso não quer dizer que o mercado espanhol seja totalmente hostil a não nativos. O paulistano Luiz Sampaio está há pouco mais de um ano em Zarautz, no País Basco, e conta sua experiência.

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1. Há quanto tempo você trabalha nesse local e quais suas funções?

Trabalho na Lacunza, um curso de idiomas filiado à International House, desde setembro de 2015 como professor de inglês para crianças, adolescentes e adultos.

2. Você já trabalhou em outros locais fora do Brasil? 

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Luiz Sampaio no belíssimo País Basco

Trabalhei durante o verão de 2015 e 2016 em Brighton, Inglaterra. No primeiro ano, trabalhei como professor e no segundo como Director of Studies.

3. O que te levou a procurar emprego fora do país?

Eu era muito feliz no meu antigo emprego, mas sentia que precisava de mais. Sempre tive o sonho de morar fora do Brasil, mas jamais pensei que acabaria morando em uma cidade de 20 mil habitantes no País Basco. Acabei indo para a Inglaterra em um primeiro momento para trabalhar durante o verão e tentar procurar algo por lá. No final, acabei achando essa vaga no site da International House e decidi arriscar.

4. Quais os requisitos que você precisou cumprir para conseguir esse emprego, em termos de qualificações, certificações, experiência prévia, etc.?

Acredito que os requisitos sejam os mesmos para as demais escolas da IH, como CELTA e experiência posterior ao curso. Na minha escola, eles optam por contratar candidatos que alcançaram A or B no CELTA, mas conheço professores que tiveram C como resultado e trabalham junto comigo.

5. Quais foram os requisitos em termo de documentação?

Na Europa, em geral, todas as vagas exigem que o candidato possua um passaporte europeu ou um visto de trabalho. Como eu já tinha a dupla cidadania espanhola, para mim foi fácil conseguir um emprego.

6. Tendo em vista o custo de vida, a remuneração é compatível, inferior ou superior ao que você recebia no Brasil?

Em geral os salários são compatíveis com o custo de vida do local onde você mora. No meu caso, por exemplo, o País Basco é a região mais cara para se viver na Espanha, então os salários são um pouco mais altos. Não dá para juntar muito dinheiro, mas se vive muito bem e é possível viajar bastante sem passar muitos apertos.

7. Você sofreu algum preconceito por ser não nativo?

Aqui na minha escola não senti preconceito algum. Há diversos professores de outras nacionalidade, como poloneses, gregos, checos e romenos, entre outros. Entretanto, a Espanha é um dos mercados mais competitivos no ensino de inglês. Apesar de haver uma lei que proíbe que empresas publiquem anúncios para contratação de apenas professores nativos, sei que há um preconceito maior em outras comunidades espanholas como Barcelona e Madri. Antes de vir trabalhar na Espanha, eu havia enviado vários currículos para várias escolas ao redor do mundo, mas nunca me deram uma resposta positiva e acredito, infelizmente, que tinha sido pelo fato de eu não ser nativo. Creio que essa realidade está mudando bastante. Quando trabalhei na Inglaterra, neste verão de 2016, minha equipe de professores era formada por diferentes nacionalidades; eram poucos os britânicos no grupo.

8. Como está sendo a experiência de trabalhar nesse país sendo brasileiro?

A experiência tem sido ótima. Fico feliz de falar que sou brasileiro e mostrar um pouco da nossa cultura para os meus colegas e alunos.

9. Você passou por alguma situação inusitada em sala de aula por não compartilhar a língua dos alunos?

Apesar de estar em território espanhol, meus alunos são fluentes em basco e espanhol. No geral, eles se comunicam em Euskera (basco). Por falar português, não passei por muitas situações inusitadas, mas me lembro de focar na palavra ‘harmonica’ (‘gaita’ em português) após um texto, por acreditar que os alunos não reconheceriam. Porém, meus alunos apenas riram e falaram que a palavra em espanhol era ‘armónica’.

10. Qual conselho você daria a professores brasileiros que querem trabalhar na Espanha?

Acredito que o maior desafio seja se diferenciar neste mercado. Continue estudando sempre e se dedicando. Ter o CELTA, por exemplo, não é diferencial fora do Brasil, mas sim o básico. Cada dia mais, sinto que muitos empregos pedem o DELTA por haver muitos professores de inglês. Não desista no primeiro não que você ouvir e siga em frente.

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Eskerrik asko, Luiz, pela entrevista e parabéns! Há BrELTers procurando emprego na Espanha, e eles ficarão muito felizes em saber que é, sim, possível. 

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