BrELTers pelo Mundo #6: entrevista com Mau Buchler – Austrália

whatsapp-image-2016-11-03-at-19-22-50-1O paulistano Mau Buchler, do divertido site www.tripppin.com, morou na Austrália por 8 anos e conta para gente a sua experiência em dar aula de inglês em diversas cidades da ilha-continente. Lá ele teve a oportunidade de ensinar inglês geral, preparatórios para exames e inglês para fins específicos e também de trabalhar como elaborador de cursos presenciais e como conteudista e designer instrucional.

Assista ao vídeo e veja suas principais dicas:

1) Faça o CELTA.
Não só porque é uma exigência de boa parte nas escolas do exterior, mas porque o curso é bom e ajuda muito no seu crescimento profissional, mesmo que você já tenha experiência.

2) Tenha como comprovar 800h de experiência em sala de aula.
Pode ser uma carta de seu empregador com carimbo.

3) Busque um visto de permanência ou, no caso da Austrália, até mesmo um visto de estudante, que vai te permitir trabalhar 20h semanais. Mas como isso varia muito de país para país e de que passaportes você tem, busque as informações mais atualizadas.
Nota da BrELT: Procure as informações de visto no site da Embaixada ou do Consulado do país em que você deseja morar.

4) Aproveite as oportunidades que as redes sociais lhe oferecem. Faça um network internacional. O emprego pode pintar por aí.

5) Há escolas que valorizam uma heterogenia de sotaques e culturas. Ao mesmo tempo, mesmo nesse contexto, é importante que o professor de inglês domine o idioma.

6) Professor ganha mal em todo o mundo. Ele ganhava AU$4500 para lecionar todo dia das 8h às 14h, o que era um salário até bom, provavelmente melhor do que o que ele ganha aqui no Brasil, mas também não daria para bancar um apartamento sozinho de frente pra praia.

8) Na Austrália não necessariamente vale a pena ter duas fontes pagadoras, pois o seu segundo emprego será muito taxado, em quase 40%. Ou seja, já que trabalhar noite e dia não vai compensar muito, aproveite e entre no ritmo “laid-back” to país.
Nota da BrELT: Praticamente um lema australiano é “Work to live; don’t live to work.”

9) Se você quiser morar fora, planeje. Organize suas finanças, pesquise bastante a questão da documentação, etc. Por exemplo, o empregador pode ter dificuldade em justificar o seu visto de trabalho como professor de inglês pois ele precisa dizer que não haveria australianos para contratar para a mesma função, o que é quase impossível de a imigração aceitar.

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Follow-up do BRELTCHAT sobre Escolas Bilíngues/Internacionais: Entrevista com Viviane Bonfim

Para você que participou do último BRELTCHAT sobre Escolas Bilingues e Escolas Internacionais ou para você que não participou mas quer saber mais sobre esse segmento, preparamos uma entrevista com a professora Viviane Bonfim.

Confiram:

1. O que caracteriza uma escola internacional e como ela se difere de uma escola bilíngue?

Existem muitas diferenças entre as escolas internacionais e as bilíngues que encontramos no Brasil. Eu começaria dizendo que as escolas bilíngues seguem os Parâmetros Curriculares Nacionais, enquanto não vemos isso nas internacionais. O ano letivo nas escolas internacionais também segue parâmetros do exterior, começando em agosto/setembro e terminando em junho, assim como o horário das aulas é diferenciado. Em escolas internacionais, as aulas começam às 8:00 e terminam às 15:30, enquanto nas bilíngues também temos horário integral, porém, no geral, ainda prevalece o turno da manhã ou da tarde.

Numa escola Internacional, o idioma que prevalece é o do país de origem da escola (todas as aulas no idioma do país de origem, incluindo Artes, Educação Física e Música), sendo o português a segunda língua (aulas diárias de 45 minutos). Numa escola bilíngue, os alunos podem ter aulas nos dois idiomas.

O que eu diria que é o grande diferencial de uma escola bilíngue e uma escola internacional seria o diploma. Enquanto numa escola bilíngue o aluno recebe um diploma brasileiro (Parâmetros Curriculares Nacionais), na escola internacional, ele pode receber tanto o diploma brasileiro ou do país de origem da escola.

2. Como você começou a trabalhar nesse meio?

Em 2002, estava no meu sétimo período de Letras (Inglês/Literaturas –UERJ/RJ) e, à procura de estágio, fui parar na EARJ – Escola Americana do Rio de Janeiro. Como estagiária, me apaixonei pela maneira como uma escola funcionava naqueles parâmetros e quis ficar. Fui efetivada como professora assistente no ano seguinte e pude observar e vivenciar uma sala de aula internacional. Após alguns anos já nesse meio, fui trabalhar na outra escola americana no Rio, OLM- Our Lady of Mercy, e lá pude crescer profissionalmente me tornando “homeroom teacher” (professora titular). Eu, sempre procurando crescer profissionalmente, me mudei recentemente para SC para buscar novos caminhos e, hoje, trabalho numa escola internacional com currículo de bacharelado internacional – IB (International Baccalaureate).

3. Quais foram as etapas de sua carreira desde então?

Como não sou nativa, passei por um processo natural que se tornou exigência nas escolas internacionais. Fui estagiária. Embora não seja necessário começar como estagiária, eu ainda cursava Letras quando fui contratada pela escola. Depois fui professora assistente por alguns anos (nesse período trabalhei em várias séries e com várias professoras diferentes) e por fim virei professora titular.

4. Em sua opinião, que formação e competências um professor de escola internacional precisa ter?

Para trabalhar com séries iniciais, o professor precisa ter magistério e/ou pedagogia. Letras é recomendável, mas pedagogia é necessário. Certificados são bem vistos, vivência e experiência no exterior são valorizadas. Mestrado e Doutorado são o “next step” lá dentro. Para trabalhar com Middle School e High School, nativos são mais presentes e professores-mestres e/ou doutores são mais facilmente encontrados. Todos os professores destes segmentos têm licenciatura na disciplina que lecionam. O professor de uma escola internacional precisa ter a mente aberta para novas culturas, saber apreciá-las e valorizar a cultura do país de origem da escola. Trabalhar em grupo é muito valorizado. Flexibilidade e jogo de cintura também.

5. E que formação e competências não são estritamente necessárias, mas são bem vistas pelas escolas?

Como eu disse acima, certificados de língua são bem vistos, mas não exigidos. A exigência fica mais na parte de formação do professor. Vivência e experiência de trabalho no exterior fazem a diferença, mas não são primordiais, uma vez que o professor “faz a carreira” lá dentro. Organização, saber trabalhar com tecnologia, apresentação pessoal e “postura” são esperados do professor de escola internacional.

6. Quais são as vantagens de se trabalhar numa escola internacional?

A escola internacional oferece todos os benefícios (seguro saúde, salário acima da média, seguro de vida, bolsa para dependentes) e plano de carreira. Existe ajuda de custo anual para capacitação profissional e até mesmo um plano de carreira é organizado pelo próprio professor e coordenação para os próximos 5 anos. Trabalhamos de 8:00 até 15:30 com 1 hora de almoço (7 horas e 30 minutos de trabalho) e não trabalhamos fins de semana, a não ser datas já pré-programadas e que estejam no calendário que sai cerca de 3 meses antes do ano letivo começar.

7. Quais são as maiores dificuldades e como superá-las?

Como qualquer escola, também encontramos muitos desafios. Podemos ter questões de disciplina em sala de aula e contamos com a ajuda de psicólogos para ajudar a resolver questões que envolvam pais e/ou problemas de aprendizagem (muitos professores se especializam em Psicopedagogia).

8. Há algo mais que você gostaria de dizer para os membros da comunidade BrELT?

Trabalhando numa escola e lecionando em inglês, posso dizer que uni duas das coisas que mais amo. Consigo ver o crescimento de uma criança, participar de sua vida, dar sentido à mesma. Sinto que educar é a minha missão. Para quem estiver com vontade de se candidatar para uma escola internacional, acredito que o momento é esse. Com o mundo globalizado, mais e mais escolas estão surgindo e oportunidade para o bom profissional não faltará.

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slimmerweb100817900578x1v9Tenho 35 anos, nascida e criada no Rio de Janeiro, recentemente me mudei para Santa Catarina.   Cursei Letras (Inglês/Literaturas), Pedagogia e pós em Psicopedagogia. Trabalho em Escolas Internacionais desde 2002. Tenho certificados CAE e Michigan.

Muito obrigado, Viviane! Até a próxima!

The BRELT Team.