Interview with Mariana Ferreira, a CELTA-certified BrELTer

1959761_10202163794109633_907277852_nA BrELTer from Sete Lagoas, Minas Gerais, Mariana Ferreira has just passed the one-month CELTA. Yay!!! Mariana, who holds a B.A. in History from UFMG, had the whole community rooting for her after she told us about her initial struggles of being a CELTA candidate with disability.

1. Could you tell us a little about your pre-CELTA experience and qualifications as a teacher?

I’ve been in the teaching field for 3 years. However, before the CELTA, I had never dealt with groups of students. I used to teach one-to-one, but in an informal way, teaching mostly people I knew quite well. About my qualifications, I have studied History at UFMG and done CAE in 2011.

2. What made you decide to take the CELTA?

I decided to take the CELTA course because I wanted to boost my CV in order to get a good job teaching English.

3. What obstacles did you face? What did you do to overcome them?

First it was the language issue. I thought I wasn’t eligible for the CELTA because I didn’t have the amount of language necessary to take part in it.

After two interviews and some teaching observations recommended by the interviewer just to make sure I really wanted to do that, I landed in an unknown place, just as far from the CELTA dream as the Earth from the moon. Yes, it felt like it.

Most of my colleagues were highly qualified, coming from a Letras background or with years into the teaching field. I felt really out of place — not necessarily because of my disability, but mostly due to my lack of experience. I wondered what I was doing there so many times I can’t even count! During the course, I felt I was on the “fail” threshold throughout, although my overall grades were “standard”.

Also, while some of my colleagues were able to spend the night preparing their lessons, I needed a five-hour night sleep to be able to teach the next morning… and I wasn’t used to it! So, for me, it was a real struggle to have that limited amount of sleep.

Things got better when I moved to the beginners group. To be able to drill was magic. Everyone did as I asked!  And during the second half of the course, I felt more comfortable and was able to deliver better lessons, although the students could produce less because of their level.

About the disability itself, in relation to the course, all I have to say now is that I had the amount of support I needed to get around. Surely, if I could stand and move easily like the rest of my colleagues, it would have been easier, especially on the issue of classroom management. Monitoring students was hard but I managed it. In fact, if there is a thing I really improved throughout the CELTA, this thing is classroom management. I feel like I really mastered the pairing up thing!

I had a hard time with other obligatory items of the course such as ‘Instruction Checking Questions’ (ICQs) and “Meaning – Pronunciation- Form” (MPF), but since in my last lesson I was able to do it properly I guess I’m on the right track, or I wouldn’t have passed.

Another silly problem I had during my TPs [Teaching Practices, the assessed lessons during the CELTA] was to look into students’ eyes. Yes, as silly as it may sound, I had this as an area to work on. Only after I returned home did I realize why I didn’t do it during the course. It’s because most most people would avoid my gaze, so as a way to protect myself I would also avoid students’ gaze as well.

 4. What did you like the most about the course?

Although the hardships were several, what I really enjoyed at the CELTA was to watch  experienced teachers live. I could learn a lot from those observations.

5. What are your post-CELTA plans?

I’ll get in touch with the person whose lessons I observed before the CELTA, and hopefully I’ll get a job in that language school. About my long-term plans, I want to take Letras and keep on qualifying myself to give better lessons.

6. What are the adaptations that a teacher with reduced mobility may need in the classroom?

First of all, if possible, get someone to help out with the board. I had one of my fellow colleagues during the course, but others may ask a student to come to the board and write if this doesn’t upset him or her.

Second, make sure there is enough room for you to move around (if the person is in a wheelchair) especially in crowded classes. If the class is smaller, it is easier to manage.

7. Have you ever felt any resistance from students, colleagues, or employers?

During the  CELTA,  students, colleagues and tutors had no resistance to my presence or to the wheelchair… it was almost an ideal place. But you know that in the real world things are quite different. I tried to get a job in my city and I have been declined so far in all my attempts. In a certain school, I was told I’d get a place in the training program if I passed the grammar test and, even though I got 80% of that test right, they did not let me in.

8. Would you like to leave BrELTers a message?

I’d highly recommend the CELTA for more experienced teachers, at least here in Brazil. If you have an open mind , go for it without fear, you will probably have lots of fun, even if you don’t get so much sleep!

And for those fellow English teachers who happen to have a disability as I do, I’d recommend it as well if you observe some things. First, your health must be checked so you’re sure you can do it. CELTA is a really tiring course and you really need to be confident about yourself concerning your body; make sure you are able to go to the course every single day! Get some sleep if you can’t stay awake and try to sleep more on the weekends. All your needs have to be met by the center concerning the disability. You need to remain calm and not let small details spoil your whole course. And last but not least, ask yourself if you have any fear of getting in front of people when you’re a person with a disability. Try to build rapport with the students you’ll be teaching from day one, engage on feedback sessions as much as you can, and success during the CELTA!

Tutor Henrique Moura tira dúvidas sobre o CELTA

henrique moura.jpgRecentemente a comunidade teve várias discussões sobre o CELTA, o “Certificate in Teaching English to Speakers of Other Languages” da Cambridge. Foram dúvidas sobre se é melhor fazer o CELTA de um mês ou de um semestre, se vale a pena fazer no exterior, se CELTA garante emprego lá fora, etc. Entre os comentários, destacou-se o do Henrique Moura, que além de um experiente tutor de CELTA e ICELT na Seven Idiomas, é um dos poucos tutores no Brasil de DELTA. Pouca coisa o rapaz, né?  #sóquenão 

Um dos orgulhos da BrELT, o Henrique não só se deu ao trabalho de escrever um extenso comentário sobre tudo o que havia sido perguntado, como ainda nos autorizou a reproduzi-lo aqui e até respondeu a mais perguntas. (Porque, né, deu a mão, a gente quer o braço.) ❤ Thanks, Henrique! You rock!

1. É melhor fazer o CELTA intensivo ou extensivo?

Tanto faz. Depende mais da sua disponibilidade de tempo e localização do que qualquer outro fator. Se você não mora em uma cidade que tem um centro autorizado, talvez a opção intensiva seja a única. Se você mora em uma cidade que tem um centro autorizado, depende da sua escolha – ou você tira um mês para se dedicar, ou separa algumas boas horas da sua semana por quatro meses (vinte semanas). Depende de como você lidará com o stress e a pressão, mas não vejo como uma escolha pensando em aproveitamento acadêmico. Mas lembre-se: se você optar pelo intensivo, vai ser um mês em que você só poderá se dedicar ao curso. Não vai dar para ir ao cinema no final de semana, não vai dar para tirar um dia off para fazer algo importante, não vai dar para chegar em casa e arrumar as coisas. Você terá que se organizar muito bem antes do curso começar para que tenha a disponibilidade que o curso exige.

O resultado é o mesmo! Percebo o mesmo desenvolvimento dos candidatos nas aulas finais do curso em cursos extensivos e intensivos, e quando recebo candidatos para cursos mais adiantados (ICELT ou Delta), candidatos que fizeram o curso de ambas maneiras acabam tendo perfis similares, então, de maneira geral, sinceramente não acredito que o curso regular proporcione maior possibilidade de assimilar o conteúdo aprendido do que o intensivo.

2. No curso intensivo as exigências são menores?

A demanda dos tutores será a mesma em qualquer modalidade do curso. Sendo o curso intensivo, extensivo, presencial ou online, o que é esperado do candidato é exatamente a mesma coisa.

3. É melhor fazer o CELTA no Brasil ou no exterior?

Fazer o curso no exterior pode não ser interessante porque você não terá tempo de aproveitar nada da cidade, então eu sugeriria guardar o dinheiro para fazer uma viagem de férias depois e focar no CELTA no Brasil. O curso será o mesmo em qualquer centro autorizado porque esta é uma das vantagens do curso: cada curso é moderado por um avaliador externo apontado por Cambridge que deve garantir que os padrões do curso sejam aqueles propostos por Cambridge.

(Comentário da BrELT: para saber outra opinião, leia o post da Narayhana Pereira, que está adorando o CELTA em Torbay, na Inglaterra e não está gastando muito.)

4. A vantagem de fazer o CELTA no exterior é ter experiência com grupos multilíngues, correto?

Fazer o CELTA no exterior não é garantia que você terá experiência com alunos de diversas nacionalidades. Pode ser que você tenha grupos em que todos os alunos falem árabe, ou chinês, ou coreano. A princípio, não conhecer a língua dos alunos pode, eu disse PODE, dificultar você a antecipar problemas que os alunos possam ter, mas na minha opinião, quando você começar a dar aula em um determinado país, você logo aprenderá a identificar algumas questões específicas de um determinado grupo. Além disso, acho um pouco ingênuo acreditarmos que porque conhecemos a língua do aluno seremos capaz de anteciparmos todos os problemas para agirmos preventivamente. Cada aluno tem um desenvolvimento diferente e muitas vezes o seus erros são únicos. É mais importante desenvolver uma boa habilidade de ouvir o aluno e entender as suas necessidades do que listar possíveis problemas que alunos que falem a língua X, Y ou Z possam ter. Mas sim, é uma experiência enriquecedora, porém não fundamental.

5. Se todo curso é igual, como escolher o centro? 

Todos os cursos cobrirão o mesmo conteúdo programático e darão aos candidatos a oportunidade de desenvolver habilidades-chave, porém, há outras coisas que podem ajudar o candidato a escolher o centro.

  • Localização: Lembre-se que estar próximo de transporte público pode ser muito útil – chegar em casa 1 hora mais cedo pode fazer muita diferença na sua qualidade de vida. Além disso, pense no que a região tem a oferecer, por exemplo, se você precisar de cópias, de algum material para suas aulas, se quiser comer alguma coisa… Essas coisas contam muito durante um mês (ou um dia, no caso de quem faz o curso extensivo) atribulado.
  • Infraestrutura: Pense que este vai ser o prédio onde você vai passar boas horas do seu dia. Tem espaço para você trabalhar em silêncio quando precisar? Se você quiser trazer uma marmitinha para economizar no restaurante, tem um lugar onde você pode guardar e aquecer? Você tem acesso a materiais que vai utilizar durante o curso? Essas coisas parecem bobas, mas fazem muita diferença durante o curso.
  • Cursos oferecidos: O centro tem uma variedade de cursos? Muitas vezes, você pode ter um problema e não conseguir terminar o seu curso ou precisar perder alguma aula. O centro oferece outras opções de cursos, dias, horários e modalidades para se adequar às suas necessidades? Se o centro tem apenas um curso por semestre, e você ficar doente, por exemplo, você só vai conseguir terminar seu curso no outro semestre.
  • Tutores: Pesquise quem são os tutores como o Ricardo disse. Os tutores têm experiência com CELTA? Qualificações?Às vezes um determinado curso pode ser um pouco mais barato, mas você vai acabar gastando muito mais com outras questões (transporte, alimentação, materiais, etc.) que acabam não compensando.

(Comentário da BrELT: clique aqui para ver os centros de CELTA no Brasil.)

6. E o CELTA online?

É tão puxado quanto o convencional. Em algumas modalidades, grande parte do input é dado antes das aulas práticas, mas isso não quer dizer, em hipótese alguma, que os candidatos terão de ter assimilado todo esse conteúdo quando começarem a dar as aulas. Os critérios são os mesmos de um curso regular: nas primeiras aulas, os tutores estarão mais interessados no rapport dos candidatos com os alunos e no classroom management. Em seguida, focarão no planejamento de aula e atividades, depois, em como os professores reagem aos alunos – para exemplificar. Funciona igualzinho ao presencial. A exigência aumenta à medida que os candidatos vão praticando e ganhando confiança. Ah, e não é porque o curso é online que o tutor não fica no pé. Tem prazos, atividades em grupo, em pares… Então tem que cumprir prazos e exigências como no curso regular.

7. Tendo o CELTA, eu consigo trabalhar como professor de inglês no exterior?

É a mesma coisa que perguntar: se eu me formar em administração, vou trabalhar em uma multinacional? Depende de muitos fatores. A primeira coisa que você tem que saber é que, se você quiser trabalhar legalmente no exterior, sua documentação deve estar em dia. Você deverá tem um visto ou cidadania que te permita trabalhar legalmente em um país, caso contrário é difícil. São pouquíssimos os lugares que contratam estrangeiros e se responsabilizam pela documentação, porque além de ser custoso, é uma grande responsabilidade para a escola. Como alguém também disse, a mão de obra na Europa, por exemplo, é abundante. Então se o seu nível de inglês ainda não é um bom C2, precisa investir. Mas sim, dá pra trabalhar fora, apenas não pense que só com o CELTA será possível. O CELTA é uma das coisas de que você precisará.

(Comentário da BrELT: Leia também o thread sobre essa questão e aguarde as novidades — a BrELT está preparando uma série de entrevistas com brasileiros que estão lecionando no exterior.)

8. O que devo fazer primeiro: o CELTA ou o CAE (prova de inglês avançado da Cambridge)?

Para fazer o CELTA, o candidato precisa ter um nível de inglês C1+, o que significa um avançado forte. Não é necessário o certificado, mas certamente o nível, que será avaliado na entrevista do curso. Se o seu inglês ainda não estiver no nível, precisa correr atrás antes de começar o curso. Se você vai tirar o CAE ou não antes do CELTA, indifere, mas o inglês tem que estar afiado – tanto oral quanto escrito. Para a sua empregabilidade, é interessante que você tenha comprovação do nível linguístico também, então, antes ou depois do CELTA, o CAE (ou CPE) é necessário.

9. O que conta mais: fazer o CELTA ou o TKT? Quais as diferenças?

Se você já tem um nível avançado de inglês, o CELTA. O CELTA é um certificado que comprova que você saber dar aula. O TKT é um certificado que comprova que você sabe a teoria básica de ensino de inglês como língua estrangeira, mas não necessariamente sabe aplicar este conhecimento em sala de aula. O TKT é um grande glossário sobre ensino de inglês. É como aprender a dirigir: o TKT seria como o curso teórico – em que você aprende o que são as placas de trânsito, os tipos de infração etc –, mas o CELTA é a parte prática, em que você entra no carro e dirige. O TKT é interessante para quem ainda não atingiu um nível avançado de inglês, alguém que no momento não pode dispender de tanta energia e tempo quando o CELTA exige mas busca uma qualificação, alguém que queira estudar por conta e não pode investir (tanto) no momento etc – mas deve ficar claro que o TKT não ensina prática de ensino, e sim o básico teórico.

(Nota da BrELT: Lembrando que o CELTA é um curso, que inclui uma boa parte de aulas práticas como disse o Henrique, e o TKT em si é só prova, embora haja cursos preparatórios para ela. Ambos conferem um certificado da Cambridge, mas em níveis diferentes, como ele explicou.)

 

10. Já sou prof experiente e vi que o CELTA é para quem quer começar a dar aula. Vale a pena fazer o CELTA?

O CELTA é um curso para pessoas que nunca deram aula, para pessoas que têm pouca experiência, ou para pessoas que têm 20 anos de profissão. Cabe todo mundo! Muitos professores experientes nunca foram formalmente treinados e não possuem qualificação formal, muitos professores têm vícios que adquiriram ao longo da carreira que nunca perceberam ou nunca foram alertados, muitos professores experientes querem ideias novas – O CELTA contempla todas essas questões. Professores novos aprendem com o CELTA pois têm o constante suporte dos tutores para experimentar com as novas técnicas a refletir sobre os resultados, e professores experientes também. Muitas vezes o professor experiente não percebe suas necessidades de desenvolvimento e com o CELTA passa a perceber. Outro dia, recebi feedback de uma pessoa que já está há muito tempo no mercado e está fazendo o CELTA. Perguntei o porquê do curso, e ele me disse que tinha muito conhecimento sobre ensino de inglês, mas o CELTA o ajudou a organizar e formalizar estes conhecimentos, e muitas coisas que ele sabia intuitivamente passaram a fazer sentido.

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Dica da BrELT: Se você quer saber mais sobre o CELTA, leia o que a Cambridge oferece de material, confira as discussões na BrELT sobre isso (1, 2, 3, 4 e nosso último chat), ouça o podcast que o TEFLShow fez, contate os centros de seu interesse e tire suas dúvidas com os tutores (há centros que até oferecem palestras gratuitas), converse com colegas que já fizeram o curso (na BrELT temos vários!) e aguarde o livro virtual que vai sair pela The Round.

Se ficar alguma dúvida, jogue lá na BrELT. Como você pode ver pelas respostas do Henrique, o que não falta na nossa comunidade é gente competente querendo ajudar.

Update 05/11: O Henrique avisou lá na BrELT que a própria Cambridge está com um curso on-line gratuito para quem quer se inteirar do mundo ELT e planejar a carreira: https://www.futurelearn.com/courses/explore-elt