BrELTers pelo mundo #7: Carolina Bottura – México.

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A paulistana Carolina Bottura José (www.linkedin.com/in/carolinabottura) saiu de Socorro e agora trabalha em Cancún, México. Quer saber como chegar lá? Leia a nossa entrevista completa.

  1. Há quanto tempo você trabalha nesse local e quais suas funções?

Eu acabei de chegar! Estou trabalhando há maravilhosos dois meses. Eu e todos os outros professores aqui temos funções múltiplas: preparamos e damos as aulas; quando não estamos na nossa sala de aula, estamos desempenhando funções diversas como placement de alunos novos, aulas de reforço, criação de material, desenvolvimento de workshops… e por aí vai.

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Carolina (no centro, em primeiro plano) com seus colegas da IH.

  1. Você já trabalhou em outros locais fora do Brasil? 

This is a first in many senses LOL! É a primeira vez que saio do país, que trabalho fora do país, que dou aula para alunos cuja L1 não é a minha, que tenho que usar espanhol para me comunicar…isso tudo tem sido muito importante para meu crescimento pessoal e profissional.

  1. O que te levou a procurar emprego fora do país? Como você escolheu essa  cidade, país e empresa em especial?

Bem, no último dia do meu CELTA em julho de 2015, meu tutor – Bjarne, que hoje eu considero meu guru –  me disse que meu CV era ótimo e que o próximo passo seria trabalhar fora do país, ensinando inglês a alunos cuja L1 fosse diferente da minha. Nunca mais esqueci essa conversa. Saí da sala dele e me inscrevi em todos os sites de EFL network que ele havia listado, inclusive no IH World (International House World). A partir daí, comecei a busca e fiz algumas entrevistas por Skype em escolas na China, Rússia, Indonésia e Tailândia. Em nenhuma deles deu certo porque eles precisavam que eu fosse para lá “para ontem”… e isso eu não podia fazer naquele momento. Recebi alguns alertas de emprego da IH na Europa, mas a coisa não foi adiante porque eu não tenho cidadania da União Europeia, o que dificulta um pouco as coisas. Depois de alguns meses, a IH anunciou a vaga na Riviera Maia, e eu recebi o alerta. Resolvi mandar minha inscrição e fui “shortlisted”. A partir daí, foram trocas de emails e entrevistas via skype com a DOS e tudo caminhou rapidamente para um “we gladly announce that you are hired”! Isso tudo foi em maio deste ano e eu tinha dito que só poderia vir para cá em setembro e eles me disseram que não haveria problema algum. Então, pronto!

  1. Quais os requisitos que você precisou cumprir para conseguir esse emprego, em termos de qualificações, certificações, experiência prévia, etc.?

O anúncio da vaga dizia “CELTA certified”. Era a única exigência deles. Todo o resto que eu tinha no meu CV (outros cursos, congressos, experiência prévia) foi mencionando nas conversas e elogiado, mas o CELTA era a condição essencial.

  1. Quais foram os requisitos em termo de documentação?

Para entrar no México como turista e permanecer nessa condição, brasileiros não precisam de visto, desde que isso se restrinja a 180 dias. No meu caso, a empresa se responsabilizou por todo o processo de obtenção do visto de trabalho aqui, porém isso só aconteceu depois do período de experiência. É importante trazer todos os seus certificados (diplomas, congressos, o CELTA, Certificados de Cambridge, etc.) porque isso vai facilitar a vida dos advogados que vão cuidar do seu visto. Eles me pediram a certidão de nascimento (!) – segundo eles, requisito da lei trabalhista mexicana – e uma foto 3 x 4. O meu contrato é de um ano e deixa claro que, na eventualidade de eu pedir demissão antes disso, eu devo reembolsar os custos do processo de visto à escola.

  1. Como você ficou sabendo da vaga? Há algum site específico para saber de vagas nessa escola?

Bom, para esta vaga específica foi o International House Jobs (http://job.ihworld.com/). Lá, você cadastra seu CV com as qualificações e experiências profissionais. Aí você pode configurar um alerta para novas vagas e eles te enviam um e-mail sempre que houver uma. Tem um banco de vagas na IH no mundo todo e você pode se candidatar a eles a qualquer momento.

  1. Tendo em vista o custo de vida, a remuneração é compatível, inferior ou superior ao que você recebia no Brasil?

O custo de vida aqui é bem inferior ao Brasil, mas o salário que eu recebo é muito inferior ao que eu recebia no Brasil…bastante inferior. O interessante é que a escola está investindo na minha qualificação: eles estão pagando metade do IHCAM (International House Certificate in Advanced Methodology) para mim, estou sendo qualificada como Speaking Examiner e Invigilator dos Exames de Cambridge e já tem gente mencionando a possibilidade de fazer o DELTA na Cidade do México. O que isso tudo quer dizer: o que compensa aqui é a experiência e a qualificação pela qual a escola está pagando – não dá para guardar dinheiro. Mas sendo bastante honesta: estou amando a oportunidade, mesmo sabendo que no final, estarei sem grana. O IHCAM é requisito em escolas de alto nível em lugares como Dubai e Oman, que pagam salários girando em torno de US$ 3.000, além de benefícios. Então, meus olhos estão lá na frente. E os alunos aqui fazem valer a pena: o povo mexicano é absolutamente adorável e nossos alunos são funcionários dos resorts, trabalham exaustivamente e sempre vêm para a aula com um sorriso no rosto e vontade de aprender.

  1. Você sofreu algum preconceito por ser não nativo?

Em nenhum momento. Na verdade, quando você diz que vem do Brasil eles ficam super empolgados e te fazem perguntas sobre o país, o clima, a comida, os costumes, pedem para ensinar palavras em português e a dançar samba. Uma das alunas elogiou o fato de eu estar ensinando inglês, sendo que minha primeira língua é o português – ela disse: “Uau, teacher! Você soa como uma americana! Parabéns! Você deve ter estudado muito.” Então isso não, você não vai enfrentar preconceito aqui.

  1. Como está sendo a experiência de trabalhar nesse país sendo brasileiro?

Como eu disse, tudo está sendo bem novo para mim. No Brasil, eu sempre fui muito organizada com as minhas coisas relacionadas à profissão, à rotina e to do’s – mesmo sabendo que as coisas são um pouco desorganizadas por aí. Mas aqui, meus caros, a desorganização é institucionalizada e tudo demora um tantinho mais do que você imagina. Alguns procedimentos burocráticos do cotidiano são bem inúteis e quem tem experiência pode até sugerir alguma mudança para eles, mas eles não conseguem se desvencilhar da burocracia – é inerente. No entanto, nós professores temos bastante liberdade para preparar nosso material: tem uma copiadora na sala dos professores e você não precisa ficar pedindo cópias com dias de antecedência – vai lá e tira as suas cópias quando bem entender. Para mim, que organizo tudo direitinho, funciona bem.

  1. Você passou por alguma situação inusitada em sala de aula por não compartilhar a cultura/língua dos alunos?

Toda hora! Quando eles esquecem que eu não sou mexicana e perguntam a famosa “How can I say…in English?” eu olho para eles, dou risada e pergunto “What is…?”. Nossas culturas são bem parecidas, verdade. E esta foi uma das minhas motivações para escolher vir. Não ter que me preocupar demais com o choque que seria estar num país asiático com costumes completamente diferentes dos meus, estando eu na minha primeira viagem internacional…isso faz toda diferença na minha tranquilidade ao levar o dia-a-dia.

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Carolina Bottorua em Cancún.

  1. Qual conselho você daria a professores brasileiros que querem trabalhar aí no México?

Faça o CELTA e se esforce para tirar uma nota boa – isso faz os recrutadores crescerem os olhos para cima de você. Tenha paciência com os mexicanos: eles são uns queridos, fazem qualquer coisa para te ajudar em uma necessidade, mas têm um ritmo de trabalho um pouco mais lento do que nós brasileiros. Tenha em mente que em Cancún os resorts fazem os funcionários trabalharem MUITO, e algumas vezes os alunos vão sumir por dias seguidos e vão precisar da sua compreensão e ajuda. Sobre donos de apartamentos: CUIDADO. Gente desonesta tem em todo lugar e aqui não é exceção. No meu primeiro mês aqui eu passei por um super stress. Eu trouxe meu gato para cá e queria alugar um apartamento só para mim e foi isso que eu fiz. Só que depois de 20 dias morando no lugar, meu landlord veio com a conta de luz para eu pagar: é um cartão e você usa uns caixas eletrônicos da empresa de energia para fazer o pagamento. Eu quase caí dura quando vi minha conta de 400 pesos por 20 dias de uso. Perguntei para os outros professores aqui eles me disseram que pagavam 200 pesos por 3 meses de uso. Aí um colega me disse que talvez meu relógio medidor estivesse adulterado. E não deu outra: o dono do apartamento tinha feito um “gato” e eu estava pagando por nós dois. Eu descobri e saí de lá. Outra coisa sobre Cancún: é quente. MUITO. Ar condicionado vai fazer você ficar pobre, então use o mínimo necessário.

  1. Algo mais que você queira dizer aos BrELTers?

A oportunidade de trabalhar na International House está valendo cada minuto sem dormir do período do CELTA. Faria tudo de novo se soubesse que me abriria esta porta. Estar entre os melhores é motivo de muito orgulho para mim e eles têm me ensinado mais do que eu jamais sonharia aprender em terras tupiniquins – a ampliação de horizonte, a mudança de foco e a adição de ambições profissionais são energizadoras e te fazem sentir vontade de acordar cedo, planejar sua aula e fazer um bom trabalho. Tenho percebido um reconhecimento por parte da escola e dos alunos também…não há dinheiro no mundo que pague um olhar agradecido de um colega ou um aluno que você conseguiu ajudar. E eles têm me ajudado muito também.

Nosso muito obrigado a Carolina por tirar ter dedicado parte do seu tempo para compartilhar tantas coisas interessantes com a BrELT.

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BrELTers pelo Mundo #1: entrevista com Luiza Mota – Colômbia

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Recentemente, a comunidade BrELT manifestou grande interesse em saber de oportunidades para brasileiros lecionarem no exterior. E com a curiosidade, vêm as dúvidas: O que precisa ter de experiência, qualificação e documentação? Será que dá pé? E vale a pena? Qual é o caminho das pedras?

Como o maior recurso da BrELT são os seus membros, resolvemos tirar as dúvidas com os próprios BrELTers que temos espalhados aí pelo mundão, do vizinho Uruguai à longínqua China. E com isto surgiu esta série de entrevistas que começa hoje com Luiza Mota, professora carioca que está em seu segundo ano de Bogotá, Colômbia.

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1. Há quanto tempo você trabalha nesse local e quais suas funções? 

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Luiza Mota, BrELTer na Colômbia

Trabalho no Gimnasio Femenino desde abril de 2016, tanto no Middle Years Programme, que seria nosso Fundamental 2, como no Diploma Programme, com alunas de 16 a 18 anos. Aqui sou professora da área de línguas modernas. As disciplinas que ensino são Português B e Inglês A. Como é uma escola do IB (nota da BrELT: International Baccalaureate, saiba mais aqui), essas denominações A e B se referem a L1 (A) ou língua estrangeira (B). Ou seja, eu sou professora de português como língua estrangeira e de inglês (language, literature and writing)  como L1, já que as alunas já são fluentes na língua inglesa desde a escola primária. Além de dar aula, eu também sou responsável pelo desenvolvimento dos planejamentos anuais e por montar toda a malha curricular de Português, uma vez que este é o primeiro semestre em que a língua está sendo ensinada como matéria obrigatória no colégio. Está sendo um grande desafio, algumas (muitas) noites mal dormidas, mas uma experiência incrível.

2. Você teve outras experiências de trabalho fora do Brasil ou aí mesmo em Bogotá?

Quando cheguei em Bogotá em julho de 2015, trabalhei como professora de inglês e assistente de relações internacionais na Escuela Colombiana de Ingenieria. Aqui na Colômbia, para se formar em qualquer curso superior, o aluno é obrigado a atingir o nível B2 em língua inglesa. A minha função era preparar os alunos dos cursos de Engenharia, Administração de Empresas e Matemática para esse desafio. Também auxiliava o setor de relações internacionais da universidade em fazer contato com universidades estrangeiras. Foi bastante interessante essa parte do trabalho, de estar em contato pessoal com representantes das melhores universidades do mundo. Trabalhei lá de julho de 2015  a maio de 2016, quando decidi dedicar-me inteiramente à docência no colégio que, além de representar um grande crescimento profissional, é a minha verdadeira vocação.

3. O que te levou a procurar emprego fora do país? E por que essa cidade e país em especial?

Sou filha de comissários de bordo e cresci viajando o mundo. Isso não apenas despertou meu interesse por línguas e história como me fez perceber desde muito cedo que, para realmente entender o mundo, deve-se conhecê-lo in loco. Eu sempre fui fascinada pela América Latina e sentia que me faltava conhecimento sobre nosso continente antes de começar meu mestrado, o qual pretendo enfocar na educação dentro dos países latino-americanos. Assim, decidi passar um ano fora do Brasil trabalhando com alunos falantes de espanhol e aprendendo esta difícil língua da qual eu não sabia mais do que “Hola ¿que tal?”. Consegui o trabalho na universidade antes de chegar a Colômbia através de um site anúncios e cheguei a Bogotá com a cara e a coragem (eu não tinha nem onde morar, fiquei a primeira semana em um hotel enquanto buscava apartamento). Por que a Colômbia? Por que este país oferece boa qualidade de vida, ótimas oportunidades de emprego para estrangeiros e reúne características que outros países latinos, como México, Venezuela, Equador, Bolívia e Peru (guardando as devidas e importantes individualidades obviamente). A Colômbia é um grande resumo de boa parte da América Latina, e Bogotá é uma metrópole, apesar de caótica, apaixonante. A ideia era ficar um ano e já estou completando o segundo.

4. Quais os requisitos que você precisou cumprir para conseguir esse emprego, em termos de qualificações, certificações, experiência prévia, etc.?

A universidade me exigiu apenas o diploma de graduação em Letras (eu fiz Português-Literaturas) e experiência de um ano na área. Era um posto de assistente, assim não precisei de tantas qualificações. A minha ideia era ter um trabalho garantido para chegar no país e, aí assim, buscar algo melhor se decidisse ficar mais tempo. Já no colégio foi um pouco mais difícil. Me exigiram mais tempo de experiencia na área (pelo menos 3 anos comprovados), o CELTA, o diploma de graduação em Letras e muitas muitas muitas entrevistas. Mas tampouco foi algo impossível. Infelizmente a qualificação do profissional na Colômbia é ainda pior que no Brasil. Muitos cursos de inglês buscam os famosos “gringos mochileiros”, então não é difícil encontrar trabalho. Já para encontrar um BOM  trabalho que te faça realmente crescer como profissional… aí se requer um pouco mais.

5. Quais foram os requisitos em termo de documentação? 

Cidadãos brasileiros têm direito a um tipo especial de visto na Colômbia. O visto TP-15, chamado também de “Visa Mercosur”, lhe dá direito a trabalhar e estudar na Colômbia por 2 anos e é renovável. O requisito é o seu histórico criminal traduzido por um tradutor juramentado, cópia do seu passaporte com a última entrada na Colômbia e pagar um taxa. No site da cancilleria colombiana (http://www.cancilleria.gov.co/) estão todas as informações, não é difícil. Todo trabalhador na Colômbia tem que estar afiliado ao sistema de saúde EPS. Isso se faz depois que você já está empregado e te descontam em folha 6% de seu salário.

6. Como você ficou sabendo da vaga? Há algum site específico para saber de vagas na Colômbia?

Fiquei sabendo através de amigos que me indicaram a vaga. Muita gente chega à Colômbia através da AIESEC. Se você é ainda estudante de graduação ou recém-formado, pode ser uma boa opção, mas os salários dessas vagas não são muito bons. Eu recomendo o site computrabajo.com.co, que é o maior site de empregos daqui da Colômbia. Mas principalmente ficar ligado em colegas que já estejam trabalhando fora. Eu, por exemplo, já anunciei umas 3 vagas em grupos do Facebook, inclusive na BrELT.

7. Tendo em vista o custo de vida, a remuneração é compatível, inferior ou superior ao que você recebia no Brasil?

A remuneração que recebo hoje é maior que a que recebia no Brasil (e no Brasil eu trabalhava em três lugares diferentes, aqui em apenas um) . Mas o colégio em que trabalho é reconhecido por seus excelentes salários e benefícios. Normalmente o salário na Colômbia é MUITO mais baixo que no Brasil. Os colombianos infelizmente são conhecidos por terem um dos níveis salariais mais baixos da América Latina. Por outro lado, o custo de vida também é bastante baixo. Eu vivia bem aqui, pagava contas, fazia umas comprinhas, comia em restaurantes, viajei muito dentro do país (inclusive de avião para cidades como Cartagena, San Andres e Medellin) com um salário de 2.000 reais (meu primeiro salário quando cheguei na Colômbia), coisa que na minha cidade natal (Rio de Janeiro) seria impossível.  Hoje, com um salário maior, já consigo até fazer umas economias.

8. Você sofreu algum preconceito por ser não nativa?

Muito pelo contrário. Os estrangeiros são praticamente endeusados aqui na Colômbia. Às vezes dá até um pouco de vergonha, eu não sou tão boa assim.

(Nota da BrELT: We beg to differ.)

9. Como está sendo a experiência de trabalhar nesse país sendo brasileira?

Apesar da saudade e de detestar o frio (a temperatura média anual em Bogotá é de 10 graus, neste momento está 3 graus a 1 da tarde), eu posso afirmar que foi a melhor decisão que já tomei profissionalmente. As oportunidades são incríveis, as pessoas super receptivas, a cidade oferece muitas opções, minhas alunas e meus colegas são super interessados no Brasil e na língua portuguesa. Algo que se passou comigo é que, apesar de eu nunca ter tido o “complexo de vira-lata brasileiro” e sempre ter tido muito orgulho do meu país, aqui o meu amor pelo Brasil cresceu ainda mais. A gente começa a ver que outras pessoas no mundo nos admiram. Muitos colombianos sabem mais do Brasil que os próprios brasileiros. A única coisa que eu não recomendo é falar de futebol. Eles ainda não superaram a eliminação da copa de 2014 e levam sempre pro lado pessoal. Brasil x Colômbia aqui é um dia tenso para mim.

10. Você passou por alguma situação inusitada em sala de aula por não compartilhar a cultura/língua dos alunos?

Houve alguns momentos engraçados, principalmente quando eu ainda não sabia muito espanhol, em que disse palavras inapropriadas, mas nada que me colocasse em situações embaraçosas. No máximo algumas risadas. Aqui no colégio internacional, quando as estudantes se dão conta de que eu falo espanhol, é sempre uma surpresa seguida de muitas risadas. Todos dizem que tenho “espanhol da Selena Gomez” (referência a um comercial da Pantene em que a Selena Gomez fala espanhol, não sei se passa no Brasil), ou seja, um sotaque gringo vergonhoso.

11. Qual conselho você daria a professores brasileiros que querem trabalhar no mesmo país em que você está?

Que venham! A Colômbia é um país maravilhoso. Mas venham sabendo que não é um país para ganhar dinheiro. Como disse, os salários aqui são baixos. Você viverá bem, com boa qualidade de vida, mas, se o seu objetivo é levar dinheiro ao Brasil, esqueça. Já se você busca crescimento profissional e pessoal, eu recomendo muito.

12. Algo mais que você queira dizer aos BrELTers?

Gostaria de agradecer à BrELT pelo convite e pela oportunidade de compartilhar a minha experiência com vocês. Para finalizar, queria ressaltar a importância do diálogo, da troca de experiências e da qualificação constante. Nossa profissão, apesar de pouco valorizada, pode ser muito realizadora e gratificante. É possível sim se realizar profissionalmente na edução, e o mundo necessita de educadores com vontade. Pensem fora da caixa: estar em sintonia com a Europa, Canadá e Estados Unidos é muito importante e inevitável em nossa sociedade, mas a América Latina tem muito a oferecer e pode ser uma experiência. espetacular tanto na carreira como no âmbito pessoal.

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Luiza, agradecemos por interromper seu dia a dia frenético para nos elucidar as muitas dúvidas e curiosidades. Realmente a Colômbia parece um destino e tanto. ¡Muchas gracias!
Nossos agradecimentos também a Eduardo de Freitas pelo lindo pôster que vai ilustrar esta série. 

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Bons ventos do Espírito Santo – entrevista com Paulo Torres

O estado do Espírito Santo tem cerca de 3,8 milhões de habitantes. Mesmo no décimo quinto estado mais populoso do Brasil o desenvolvimento de professores continua sendo um desafio.

Entrevistamos Paulo Torres, um profissional que luta e muito contribui para o cenário capixaba de ELT. Paulo é diretor cultural da APIES (Associação dos Professores de Inglês do Espírito Santo) e presidente da COOPERLING  (Cooperativa dos Professores de Línguas do Espírito Santo) e compartilha conosco sua experiência na área pedagógica e administrativa.

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1- Conte-nos um pouco sobre você e sua trajetória no mundo do ensino de inglês.

Atuo no ensino de inglês há quase 22 anos. Sou graduado em Letras Inglês e Literatura da Língua Inglesa pela Universidade Federal do Espírito Santo e especialista em Novas Tecnologias Educacionais pelas Faculdades Integradas de Jacarepaguá. Já trabalhei em vários cursos de idiomas e fui coordenador pedagógico por 10 anos. Sou do Mato Grosso, mas resido em Vitória/ES há 20 anos. Sou professor efetivo de inglês da Prefeitura Municipal de Vitória, onde ministro aulas para o Fundamental 1. Também sou teacher trainer, consultor acadêmico da National Geographic Learning e mensalmente publico artigos no blog da Disal.

 

2- Sabemos que você é membro da diretoria das duas organizações de professores de inglês no estado do Espírito Santo. Conte mais sobre elas. Em que elas diferem uma da outra?

Sou membro da diretoria da Associação dos Professores de Inglês do Espírito Santo e presidente da Cooperativa dos Professores de Línguas do Espírito Santo.
A Associação dos Professores de Inglês do Espírito Santo (APIES) tem a missão de melhorar o status profissional do ensino da língua inglesa no estado. Além disso, busca atualizar os professores da área quanto a novos materiais, novas tendências da língua e do ensino nos segmentos públicos e privados e, também, oferecer oportunidades para trocas de experiências com professores do estado, do Brasil e do mundo.

A Cooperativa dos Professores de Línguas do Espírito Santo (COOPERLING) tem como objetivo a congregação dos associados, prestando-lhes assistência cooperativista e administrativa por seus serviços docentes a serem executados em quaisquer instituições de ensino, empresas e instituições públicas, filantrópicas ou privadas, bem como pessoas físicas ou jurídicas, associações de classe, órgãos municipais, estaduais ou federais.

 

3- Como e quando surgiu a ideia da criação da COOPERLING? Ela só existe no ES?

A Cooperativa foi criada por um grupo de professores interessados em implantar em Vitória um ensino diferenciado e de qualidade. Surgiu a ideia de uma Cooperativa de Professores, uma vez que, na época, não havia este tipo de prestação de serviço na capital do Espírito Santo. Houve várias reuniões para discutir a implantação do serviço nas quais especialistas em Cooperativismo e outros profissionais foram consultados para esclarecimentos pertinentes.

Assim, em 27 de junho de 1997, reuniram-se extraordinariamente os primeiros 25 (vinte e cinco) professores cooperados, onde foi inscrito e aprovado seu estatuto original.

A COOPERLING atua somente no ES. Contudo, há outras cooperativas de línguas em outros estados.

 

4- Como um professor pode se tornar cooperado? Onde podemos obter mais informações?

De acordo com o nosso estatuto, os docentes em língua inglesa precisam ter diploma do ensino superior de licenciatura plena e/ou bacharelado em curso de Letras, reconhecidos pelo MEC, residir na área de atuação da Cooperativa, não praticar atividades colidentes ou prejudiciais aos interesses da Cooperativa e ter inscrição municipal ativa como autônomo em seu município de residência.

Para docentes em outras línguas, é aceito diploma e/ou certificado emitido no exterior, que seja equivalente ao terceiro grau (graduação), bem como Certificado de Proficiência emitido por entidades conceituadas e com reputação ilibada, além de todas as outras exigências.

Para mais informações, visitem e curtam a nossa fan page facebook.com/cooperlinges.

5- Como você enxerga o cenário ELT no Espírito Santo comparado a outros estados no Brasil?

O Espírito Santo é um estado bastante desenvolvido em relação ao ensino de língua inglesa. Há uma grande preocupação em relação ao aperfeiçoamento contínuo por parte dos docentes e uma busca constante por atualização sobre novas tendências da língua, novos materiais e o ensino em todos os segmentos.

Há grandes possibilidades de crescimento para os cursos de idiomas que procuram inovar e se adequar às rápidas mudanças que a nossa sociedade vem vivenciando nos últimos anos. É nessa linha que a COOPERLING procura desenvolver seus projetos, fechando parcerias com empresas e instituições que atuam nos mais diversos ramos buscando atender à sempre e cada vez mais rápida mudança de demanda no ramo do ensino de línguas.

 

6- Que dicas você daria a uma pessoa que queira criar uma cooperativa de professores em outros estados? Quais são os possíveis problemas?

Há três fatores que julgo ser de extrema importância a serem considerados antes de se criar uma cooperativa de professores. O primeiro é definir se será uma cooperativa somente de professores de inglês ou de línguas. Segundo, é necessário ter uma assessoria contábil e jurídica que realmente entenda como o cooperativismo funciona. E, por último, é fundamental promover a educação cooperativista dos associados para que os cooperados entendam que eles não são empregados da Cooperativa. Todos os cooperados são donos e responsáveis de forma igualitária, dividindo as sobras e as perdas.

Em relação aos possíveis problemas, destaco três também. Primeiro, a altíssima carga tributária dificulta muito o funcionamento das cooperativas. Além disso, a captação de novos tomadores/parceiros nem sempre é fácil. E, finalmente, fazer com que todos os cooperados estejam em dia com suas obrigações fiscais junto ao município é outra tarefa um tanto quanto desgastante. Contudo, como Pontes de Miranda sabiamente disse, “As pessoas mais se unem em Cooperativas não para lucrar, mas sim para que outros não lucrem sobre elas.” Caso esse espírito consiga ser criado dentro de uma cooperativa, certamente há de ser bem sucedida!

IATEFL 2015 – Entrevista com Dave Dodgson, Vicky Saumell e Fiona Mauchline.

Olá, BRELTCHATTERS!

Mais um dia de aprendizado em Manchester onde está acontecendo uma das maiores conferências sobre language teaching do mundo, o IATEFL (International Association of Teachers of English as a Foreign Language). Dessa vez trazemos para vocês a entrevista com três expoentes no campo: Dave Dodgson, Vicky Saumell e Fiona Mauchline.

Paul Bradock, o entrevistador, fez uma pergunta bastante interessante: “What have you been reflecting on lately?” o que me faz acreditar que ele toma como verdade que os entrevistados, talvez por sua experiência, sejam professores que adotam um modelo reflexivo de ensinagem. E você, sobre o que tem refletido? Já parou para pensar?

Em seguida, Paul pergunta aos professores quais tem sido os desafios no campo de ensino de línguas. Os entrevistados tomaram seus contextos como partida e vejam o que foi mencionado:

– Dave: mudanças culturais; uma vez que ele acaba de se mudar da Turquia para o Gabão.

– Vicky: Resistência que alguns professores ainda tem sobre a integração de tecnologia em sala.

– Fiona: professores de todas as matérias tem que obter um certo nível de proficiência em inglês para lecionar na escola secundária.

Então, ficamos com essas duas perguntas para vocês:

– Sobre o que vocês têm refletido?

– Quais são os desafios de ser professor no seu contexto de ensino?

Entrevista IATEFL – Dave, Vicky e Fiona.

Até a próxima!

The BRELT Team.