Como ganhar uma bolsa mudou minha vida

Por Bruno Andrade

iatefl scholarships

 

Salve, BrELTers!

Nos dias de hoje, alcançar um certificado ou título acadêmico é requisito fundamental para que se possa conseguir um colocação no mercado. Certificados em educação, licenças ou permissões de trabalho, pós-graduações e outros produtos de formação profissional são frequentemente considerados ritos de passagem. Porém, há várias outras formas de desenvolvimento profissional para professores. Uma delas é a formação informal que podemos adquirir ao participar de uma comunidade virtual como a BrELT. A outra é participar (como espectador ou apresentador) de conferências. 

Sabemos, no entanto, dos entraves à participação de conferências: gastos, gastos, gastos, problemas com liberação de dias (e a consequente não remuneração pelos dias não trabalhados), instituições que não incentivam o crescimento profissional de professores (“sua aula é ótima e o inglês que você tem é suficiente pra ensinar aqui..”), etc. A internet é grande aliada dos professores nessa batalha. Porém, nada substitui a oportunidade de estar in loco com professores admirados e palestrantes renomados. A energia que permeia aqueles dois, três ou até quatro dias de conferência é indescritível.  Imagine um espaço onde você só encontra professores como você que levam sua formação profissional a sério e super dispostos a compartilhar ideias, conhecimento e práticas? Heaven, uh?

Uma das conferências de que todo professor deveria participar é o IATEFL Conference que acontece anualmente na Grã-Bretanha. Mas se você já leu as palavras IATEFL, anualmente e Grã-Bretanha como $$$, $$$ e $$$$; não se desespere! Há uma saída! Em 2011 eu não tinha nem passaporte, nunca tinha viajado pra fora da América do Sul e, por conta das limitações financeiras, nunca tinha imaginado participar de um evento tão importante na minha vida profissional.

Querem saber como eu fiz isso?
Joguei minha fichas e apostei bem alto: candidatei-me para uma das bolsas oferecidas. E não me arrependo! No ano seguinte, eu estava embarcando para Glasgow na Escócia para apresentar os resultados de um projeto conduzido em sala de aula com meus alunos adolescentes. Na época sugeri aos meus alunos que nos conectássemos via Skype com outros alunos de vários pontos do mundo. Fizemos 6 encontros durante 6 meses e aprendemos muito com esse tipo de interação: meus alunos puderam experienciar contato direto com outros alunos e descobrir mais sobre suas vidas e frustrações como alunos de inglês. Também foram bastante desenvoltos quando fizemos uma sessão com alunos nativos de países de língua inglesa.

Representar meus alunos, a minha instituição e o meu país num evento tão grandioso foi algo além das minhas expectativas. Ter meu trabalho avaliado e validado por profissionais que eu só conhecia pela autoria em livros ou blogs que eu lia e me inspirava é algo tão poderoso que mudou a minha vida. Voltei de Glasgow não só com o primeiro carimbo no meu passaporte mas com a mala cheia de ideias, discussões, frases que marcaram na memória, conversas informais que me fizeram refletir e um reforço no meu networking; além de livros e mais livros, lembranças de bons momentos que passei com pessoas queridas e o aprendizado que vai perdurar pra sempre!

Por isso eu indico: candidate-se para uma bolsa IATEFL, que será novamente em Glasgow em 2017. Quem sabe você também não pode ser escolhido para ter sua vida mudada?

Veja aqui como participar. O prazo de inscrição é 21 de julho! Corre e veja o que cada bolsa pede!

 

 

Advertisements

Roving BrELT – IATEFL 2016 [Entrevista com Ilá Coimbra, Pat Santos e Larissa Goulart]

img_2240-1

Salve, BrELTers!

Chegamos ao nosso terceiro post sobre a conferência IATEFL que aconteceu mês passado em Birmingham, UK. Desta vez, trazemos a conferência mais perto de vocês com três entrevistadas que estiveram no IATEFL Conference: Ilá Coimba, Pat Santos e Larissa Goulart.

Venham ver o que elas acharam de bacana!

  1. Como foi o congresso? No que ele agregou para seu desenvolvimento profissional?

    Ilá Coimbra: O IATEFL é algo descomunal. Este ano foram 3500 pessoas. A sensação de estar ali é que você realmente faz parte de algo muito maior. Em termos de desenvolvimento profissional, você entra em contato com muitas ideias novas, reciclagem de teorias e metodologia, projetos e práticas que estão acontecendo pelo mundo em diferentes contextos de aprendizagem. 

    Pat Santos: O congresso foi indescritível! A oportunidade de conhecer grandes nomes e pares que passam por situações parecidas com a nossa no dia a dia foi realmente muito intensa.

    Larissa Goulart: Ir ao IATEFL fazia parte dos benefícios da minha bolsa de mestrado na Inglaterra e, desde que eu soube que iria, fiquei muito empolgada, mas também um pouco insegura. Primeiro, por causa da apresentação e depois porque o IATEFL é um congresso tão grande e eu queria aproveitar ao máximo, mas até nisso a organização do IATEFL pensou. Logo no primeiro dia, um pouco antes da primeira plenária aconteceu uma pequena apresentação intitulada “How to get the most out of this conference” com dicas sobre como escolher apresentações e também ter um tempinho para socializar. Além disso, acho que na quarta-feira eles organizaram um encontro entre os professores que estavam indo ao IATEFL pela primeira vez. Achei a ideia bem legal, apesar de não poder ter ido a esse encontro. Mas por que eu não pude ir? Porque muita coisa acontece no IATEFL ao mesmo tempo, são muitas apresentações acontecendo em diversas salas e muitas vezes é difícil escolher qual apresentação ir. Eu, por exemplo, tinha escolhido ir em apresentações de dois temas: Teacher Education e English for Academic Purposes, mas mesmo assim algumas apresentações que pareciam interessantes eu perdi.
    Sobre o desenvolvimento profissional, acho que é impossível alguém ir ao IATEFL e não aprender nada, eu fui em várias apresentações sobre linguística de corpus e ensino de inglês acadêmico e voltei para casa cheia de ideias de atividades e tarefas para colocar em prática na sala de aula. Além disso, é aquela oportunidade de conhecer ao vivo e a cores grandes nomes na área de ELT e se você for meio cara de pau que nem eu, tirar suas dúvidas diretamente com eles.

  2. Que palestra/painel mais chamou sua atenção e por quê? 

    Ilá Coimbra: A plenária da Silvana Richardson foi algo para ficar na história. A discussão que ela levantou sobre a desigualdade que há no tratamento de nativos e não nativos renderá muitos frutos e deve trazer algumas mudanças de atitude e pensamento a médio prazo. 

    Pat Santos: Gostei de muitas palestras, mas a plenária do David Crystal foi divertida e intrigante. Nos levou a questionar o quanto precisamos estar o tempo todo nos reinventando para acompanhar essa língua que não é domínio de ninguém.

    Larrisa Goulart: Vou falar para vocês um pouquinho sobre uma apresentação e uma plenária. Primeiro a plenária da Silvana Richardson: quem é membro da BrELT deve ter visto meu post sobre essa plenária, eu fiquei muito empolgada com o tema. Just a reminder: todas as plenárias estão disponíveis online no site do IATEFL. A Silvana Richardson abordou um tema bem importante para professores de inglês: native speaker teachers vs non-native speakers. Ela falou sobre a experiência dela como teacher trainer (não-nativa) na Inglaterra e como alguns teacher trainees ainda tem aquela atitude “eu vim até a Inglaterra para ter aula com Native Speakers” desconsiderando a formação dos professores. O que eu achei mais legal foi que ela mostrou resultados de pesquisas sobre a visão que os alunos têm sobre ter professores nativos ou não. Ela também apresentou algumas pesquisas sobre anúncios de emprego para professores e mostrou exemplos de anúncios em que ser native speaker contava mais do que ter formação na área. Acho que uma coisa que ela não falou na plenária dela, mas é um problema que nós temos no Brasil, é o caso de pessoas que moram algum tempo fora do Brasil, em um país de fala inglesa e quando retornam decidem se tornar professores de inglês sem ter formação alguma para isso e sem buscar por essa formação. Gostaria até saber a opinião da comunidade sobre isso.
    Agora, vou falar de uma apresentação. Eu estou bem interessada em aplicações práticas para a linguística de corpus em sala de aula e, quando eu digo práticas, é práticas mesmo, coisas que professores sem computador na sala de aula possam fazer. Então, eu fui nessa apresentação bem legal “Making trouble-free corpus tasks in ten minutes” da Jannie Wright, em ela apresentou atividades bem rápidas que podem servir de warm-ups ou exercícios de revisão. No site dela (https://teflhelperblog.wordpress.com/) tem algumas ideias que ela apresentou.

  3. Houve algum tema recorrente em algumas das apresentações, uma tendência que você tenha notado? Como você acha que isso irá refletir no mundo de ensino de inglês daqui pra frente? 

    Ilá Coimbra: Como disse, a questão de professor nativo VS professor não nativo foi muito forte. Além da plenária do segundo dia, houve um fórum do movimento TEFL Equity Advocates que estava bem cheio e com discussões pertinentes e acaloradas. Vejo que a política das instituições na contratação de professores terá que ser mudada e acredito que nossa profissão está caminhando para ser vista de forma mais profissional. 

    Pat Santos: Não sei se foi coincidência mas vi muito se falar sobre o preconceito e desvalorização de professores não nativos, o que pode ter sido muito tocante para mim porque tem a ver com minhas próprias questões.

    Larissa Goulart: Como eu disse antes, muitas apresentações aconteciam ao mesmo tempo, então acho que notar um tema recorrente dependia muito de que tipo de apresentações de que tu participavas. Então, nas apresentações a que eu fui, o tema recorrente era sobre a valorização da profissão através da formação de professores, muito do que foi tratado pela Silvana na plenária dela. Eu espero que, com tantos apresentadores falando sobre isso, isso se reflita pelo menos um pouco em como as empresas e institutos de línguas selecionam professores.

  4. Você apresentou trabalho? Se sim, sobre o quê? Como foi a experiência de apresentar lá? 

    Ilá Coimbra: Sim, apresentei sobre Demand High ELT, compartilhando resultados das práticas de Demand High em sala de aula. É uma audiência bem desafiadora e, por mais vezes que você tenha apresentado em congressos, é difícil não ficar nervosa e ansiosa. Sem contar que a possibilidade de um dos ‘grandes’ do ELT estar na tua palestra é alta…

    Pat Santos: Sim, amei apresentar na conferência. Foi uma experiência que nunca esquecerei, o frio na barriga e a certeza de que no fim tudo daria certo. Falei sobre algo que conheço bem: o ensino de inglês em escolas públicas do Rio de Janeiro. Não esperava ver tantas pessoas que não tinham nenhuma relação com o Brasil interessadas em assistir à palestra. Difícil foi segurar o choro quando terminei.

    Larissa Goulart: Eu apresentei em um painel sobre Teaching Practice em diversos países, no meu caso no Brasil. Eu e mais onze pessoas apresentamos sobre como acontece o TP, ou o estágio, nos nossos países e discutimos os problemas em comum e as similaridades entre esses contextos. Agora que a apresentação passou eu posso dizer que foi muito legal, especialmente as perguntas de quem foi lá para ver a apresentação, mas na hora eu estava bem nervosa.

5. Que dicas você daria para quem nunca foi ao IATEFL e está pensando em ir pela primeira vez?

 

Ilá Coimbra: Estude muito o programa, pesquise sobre os speakers antes de escolher a palestra/workshop que você vai ver. Tem muita coisa pra ver acontecendo ao mesmo tempo – muita coisa boa e ruim. Escolher bem é essencial. Procure também escolher palestras/workshops que sejam próximas fisicamente umas das outras. Perde-se muito tempo no deslocamento entre as palestras e você corre o risco de chegar atrasado na próxima palestra e a sala já estar lotada.

Pat Santos: Se você esta considerando ir ao IATEFL meu conselho é: vá!!! Criar conexões e conhecer pessoas do mundo todo, parar para tomar um chá ou um café e discutir assuntos pertinentes ao nosso trabalho não é algo que podemos fazer sempre. Quero estar lá ano que vem de novo. Obrigada por anunciarem a vaga, BrELT!!!!

Larrisa Goulart: Minha primeira dica é:  VÁ PARA O IATEFL! Esse foi minha primeira IATEFL e quero fazer tudo que for possível para ir ano que vem novamente. Vale muito a pena e eu sei que tem várias bolsas disponíveis. Se ano que vem for a tua primeira vez no IATEFL, programe-se para submeter uma apresentação, não só pelo certificado, mas por ser uma oportunidade incrível de compartilhar a tua experiência ou pesquisa com professores de outros países. Uma dica de ouro que me deram e que eu quero compartilhar é: não tente ir em tudo, deixe pelo menos uma parte do dia livre para descansar, andar pelos stands das editoras, encontrar outros BrELTers. Eu já tinha ido a vários outros congressos no Brasil, mas o IATEFL é mais intenso. São 3 dias de atividades das 8h30 às 21h e mais um dia de atividades até as 15h, então não tem como fazer tudo. Além disso, se inscreva nos eventos de integração e coquetéis, que são uma ótima oportunidade de socializar em um contexto mais informal.

IATEFL 2016 – The Teacher Training Debate

From watching the IATEFL sessions available online (here and here) and following their impact online, one can almost get a feel of what the conference was like. With IATEFL 2016, a recurring theme seems to have been whether 4-month teacher training courses, like the Cambridge CELTA, do the trick.

It seems it all started with Silvana Richardson’s plenary discussing discrimination against non-native teachers. Her call for more professionalism and less native-speakerism in the ELT world was greeted with much enthusiasm the world over. It was indeed a great and much needed talk, which sparked a lively debate on Twitter later taken to the blogosphere.

hqdefault.jpg

You call that a ‘lively’ debate?

Well, maybe I’m toning it down a notch by calling it ‘lively’. Hugh Dellar set the ELT world on fire when he argued short courses like the CELTA could be a big part of the professionalism problem. After all, in a profession as complex as ours, what can you really learn in a month? To fake it, he suggested!

harry sally

Can you tell when she is not really teaching out of well-honed teaching skills and sound technical knowledge?

And that was far from being the only negative criticism to CELTA. In what felt like a long sales pitch by Cambridge’s competitor, Ben Beaumont advocated for Trinity’s approach, which allows for more flexibility, he maintained, and better response to research. For instance, learning styles have been shown to be a neuromyth, so Trinity has taken it down from its teacher training courses, unlike “other” course providers. The audience laughed, knowing all too clearly who he was referring to.

In fact, much of what we learn today will be laughing matter in a few years, claimed Graham Hall, in the provokingly named debate “This house believes that teacher training is a waste of time.” He was also worried that, while in the UK only 1% of teacher trainees fail their courses, in the end 1 out of 3 will leave the profession before ever hitting the classrooms because teacher training is such a disheartening endeavor. Maybe teacher training is nice in an ideal world, but what we’ve actually been doing has been having disastrous results, he argued.

(My mind went immediately to some military personnel I talked to who actually preferred war training to the intensive CELTA — more humane, they thought.)

Fear not, Penny Ur took to the stage soon after that and quietly proceeded to counterargue every possible idea against teacher training. Teacher training is much needed, she said. Actually, for many teachers all over the world, with little access to conferences or ongoing on-the-job training, initial training is the only kind of training they will ever get.

Yes, but it flies by. Gabriel Diaz Maggioli, a self-confessed teacher trainer for the National Teacher’s Training College in Uruguay, is concerned that we are not working on reflection enough and that we’ve been working towards developing future teachers’ knowledge and skills and forgetting about their identity and attitudes.

Too much to cram in in a teacher training course, I suppose. A teacher trainee has so many important topics to consider and study and so, so much to experience… As we say in Portuguese, “o cobertor é curto.” That’s why no matter how you started in the profession, with a 4-week course or a 4-year college degree, just don’t stop learning. Because we can’t afford to. Fortunately by watching talks like these at IATEFL (from a distance, why not?) and participating in groups like BrELT, we can keep in touch with what is going on in our field and hopefully reflect and develop as well.

 

 

IATEFL 2016 – Plenary by David Crystal [Who would of thought it? – Changes in the English Language]

Salve, salve Brelts!

Para quem ainda não sabe, a 50º IATEFL (International Association of Teachers of English as a Foreign Language) conference está rolando em Birmingham, UK até dia 16 de Abril. Mas para quem não pode participar, nós da Brelt somos “official IATEFL bloggers” (Yay!) e vamos trazendo para vocês o máximo que conseguirmos dessa que é considerada a maior conferência sobre o ensino de inglês no mundo.

Ontem, o Professor David Crystal (quem dispensa apresentações) falou sobre as mudanças  na língua inglesa que aconteceram desde a primeira conferência IATEFL , em 1966, e as possíveis mudanças que ainda acontecerão nos próximos 50 anos.

Professor Crystal começou sua palestra dizendo que uma das perguntas que ele mais ouve é: “Por que você se interessa tanto por línguas e, assim, se tornou um linguista?” A qual ele responde sempre: “Porque as línguas mudam”. E isso é ainda mais evidente na língua inglesa, já que ela é usada por mais de 2 bilhões de pessoas e é considerada uma língua global.

David acrescentou ainda que o que para ele é uma fonte de curiosidade e estímulo, pode ser um pesadelo para muitos professores. Alguns podem ter sentimentos contrários ao dele uma vez que a língua que passaram a vida ensinando não será a mesma amanhã.  Ele completa que as únicas línguas que não mudam são aquelas que já morreram, como o latim. Portanto, se este, professor, é um medo que você sente; a melhor tática é usar a máxima militarista: “conheça seu inimigo”. Devemos alertar nossos alunos sobre essa volatilidade da língua e prepará-los para enfrentá-la.

Segundo Crystal uma forma de conhecer melhor sobre as mudanças na língua é através de empresas que publicam dicionários, já que eles são a mais óbvia fonte que reflete essas mudanças. Todo ano, algumas dessas empresas elegem o que eles consideram “palavra do ano”. Vejamos:

Em 2015, a palavro do ano foi:

  • Oxford Dictionary: escolheu o símbolo emoji que representa uma figura chorando de rir. Isso na verdade é uma “pictograph” que para o pessoal da Oxford simboliza o ethos, estado de espírito e as preocupações de 2015. Forte, né?
  • Collins: binge-watch Sabe aquela vontade incontrolável de assistir o próximo episódio da sua série favorita? E quando você se dá conta passou o dia vendo TV e finalizou todos os episódios de uma temporada inteira? Então… “I spent the whole weekend binge-watching Game of Thrones”
  • Merriam-Webster: escolheu o sufixmo -ism como reprensentante de 2015
  • Dictionary.com: escolheu a palavra “identity” – o que não pode parecer uma palavra nova mas com todas as questões atuais de gênero, sexualidade e identidade que têm aflorado nos últimos meses, esse sentido da palavra é bastante relevante.
  • Australian Dictionary: também embarcou na onda da identidade porém mais focada no feminismo e escolheu a palavra “mansplain” que significa “quando um homem tenta explicar a uma mulher algo que ela já sabe, desqualificando assim o seu posicionamento”

Porém, poucos dicionaristas declaram quais palavram serão ou foram deixadas de lado em suas publicações. David deu o exemplo do dicionário Collins que ao anunciar que a palavra “fubsy” (modo carinhoso de se chamar alguém de gordinhx) seria removida,  foram procurados por pessoas que fizeram uma petição para manter a palavra nos seus dicionários. O próprio David Crystal fez uma publicação sobre o assunto em seu “The Dissapearing Dictionary”

Vejam outros pontos que nos chamaram a atenção durante a palestra:

  • Livros didáticos são fontes de língua que podem facilmente se tornar datados. Portanto, é de responsabilidade das editoras se manterem informadas e monitorar a frequência de uso do vocabulário apresentado;
  • A velocidade das mudanças sugere cuidado ao usar a Internet como fonte de vocabulário atualizado;
  • Professores devem usar fontes constantemente e com regularidade para que não pensem que um certa palavra é bacana quando na verdade nenhum adolescente a usa por se tratar de uma palavra usada semana passada, mês passado ou ano passado que já não faz mais parte do repertório deste grupo.

Ele ainda fala sobre mudanças na pronúncia, ortografia e gramática, discutindo sobre os fatores que são envolvidos nessas mudanças: mobilidade social, globalização e a Internet.

Deixamos vocês, então, com a palestra na íntegra para que vocês possam entender mais sobre esse intrincado universo de constante mudança linguística. Aproveitem!

IATEFL 2016 – Plenária de David Crystal

Entrevista com Ana Maria Roveri, ganhadora de uma bolsa para ir ao congresso do IATEFL em abril de 2016

profile

1. Primeiramente, gostaríamos de saber um pouco mais de você como professora.
a) Em que contexto(s) você atua no momento?
Trabalho há quatro anos como professora de Língua Inglesa e Língua Portuguesa na EE Professor Antônio Berreta, uma escola de Ensino Médio Integral da rede estadual de SP, situada na cidade de Itu.

b) Você pode falar brevemente de seu histórico profissional?
Iniciei meu trabalho como professora de Inglês ainda bastante jovem, com apenas 16 anos de idade. Naquela época, trabalhava com turmas de crianças e adolescentes em uma escola de idiomas. Quando iniciei o curso de Letras, continuei atuando em escolas de idiomas, posteriormente lecionei em uma escola particular de Educação Infantil e Ensino Fundamental, mas a educação pública ainda era um desafio para mim. Após muita insistência de uma tia, que já atuava na rede pública, prestei o concurso e fui aprovada, vindo a ingressar e me efetivar como PEB II no ano de 2005, na EE Professor Pery Guarany Blackman, também em Itu. Por um tempo consegui conciliar o trabalho nessa escola e também em escolas de idiomas; porém, em 2013, fui selecionada para integrar o corpo docente da Escola Antônio Berreta e,nesse modelo de ensino, temos regime de dedicação exclusiva, vindo a deixar então, as demais aulas.

2. Parabéns pela bolsa que você ganhou! Você poderia falar um pouco mais dessa bolsa para quem não a conhece?
Muito obrigada!! Na verdade, eu também não conhecia essa bolsa. Tive a oportunidade de saber mais a respeito no momento em que me inscrevi no Concurso Cultural, a convite do British Council. Juntamente com outros professores da rede estadual, participo de um curso online e presencial em parceria entre essa entidade e a Secretaria da Educação do Estado de SP. A premiação que recebi foi um convite para participar da 50ª Conferencia IATEFL (International Association of Teachers of English as a Foreign Language) que acontecerá em Birmingham, Inglaterra, no mês de abril. Serão quatro dias participando de palestras, oficinas e fóruns que tem como público-alvo os professores de Inglês como Língua Estrangeira, com todas as despesas pagas.

3. Como foi o processo seletivo? Foi muito trabalhoso e custoso?
O processo seletivo exigiu bastante estudo e dedicação, mas não houve custo, pois todo o processo aconteceu via e-mail. A proposta do Concurso Cultural “Shakespeare lives in the classroom” foi a de elaborar uma redação de 500 palavras para discursar sobre a importância de se ensinar Shakespeare para os alunos e também um plano de aula de 50 minutos, utilizando uma obra do autor, à minha escolha. Como a Literatura Inglesa não é trabalhada diretamente nas escolas de educação básica, precisei rever conceitos que havia aprendido na Faculdade, ler diversas análises de obras Shakesperianas, assistir a vídeos sobre o autor, enfim, eu precisava ter um embasamento literário para poder escrever meu texto. Quanto ao plano de aula, consegui colocar em prática o conhecimento adquirido nas aulas presenciais do curso; escolhi o poema “All the world’s a stage”, o qual vim a saber depois que será um dos temas de um evento da Conferência, o que me deixou imensamente feliz.

4. Na sua opinião, qual é a importância do uso de literatura no ensino de inglês?
Considerando que ao aprender uma língua, o aluno deve também desenvolver o pensamento autônomo e crítico, compreender e interpretar expressões de acordo com as visões sociais e culturais e entender como as manifestações da linguagem exprimem as formas de ser e pensar do indivíduo que as produz, o ensino da Literatura Inglesa torna-se indispensável ao processo de aprendizagem.

5. O que você espera do congresso?
Ao analisar a programação da Conferência, pude ver que os temas são bastante variados, abordando a formação continuada do professor, as estratégias de ensino diferenciadas, aliando a tecnologia ao nosso trabalho, o estímulo à criatividade dos professores e alunos, a autonomia do estudante na aquisição da língua estrangeira, enfim, temas diretamente relacionados ao meu cotidiano profissional. Espero, portanto, que esse aperfeiçoamento venha a contribuir à excelência da educação pública no estado de SP.

6. Esperamos que você volte para nos contar como foi o congresso. Mas, antes disso, você gostaria de deixar um recado para seus fellow BrELTers?
PERSISTÊNCIA e DETERMINAÇÃO são duas palavras-chave quando penso no caminho que percorri até aqui. Em 2010 fui a 11 ª colocada em um Programa do Governo Federal, o ILEP (International Leaders in Education Program), que premiou 10 participantes com uma bolsa de estudos em Washington DC. A frustração foi muito grande, pois por apenas uma vaga eu não consegui. Fiquei um tempo sem me inscrever em programas assim, mas finalmente a minha chance chegou. Passei a pensar que “o não” eu já tinha, e que, me inscrevendo, corria o risco de ter “o sim”.  Espero poder estar novamente aqui para contar sobre essa experiência única!

Entrevista com Patricia Carneiro dos Santos, ganhadora de uma bolsa para ir ao congresso do IATEFL em abril de 2016

Foto_Entrevista

 

Primeiramente, gostaríamos de saber um pouco mais de você como professora.

a) Em que contexto(s) você atua no momento?
Sou professora do primeiro segmento de uma escola municipal no Rio de Janeiro. Tenho turmas de 6/7 anos até os 12/13.

b) Você pode falar brevemente de seu histórico profissional?
Sou Psicóloga de formação e professora de coração, comecei a dar aulas porque gostava muito de inglês e sabia falar bem numa época em que muitos ainda não valorizavam inglês tanto assim (nos anos 90)
Sempre fui professora de cursos de inglês, fiquei no IBEU por 10 anos e escolas particulares. Em 2011 fui convocada para o concurso que havia prestado e toda a minha visão de alunos de inglês teve que ser readaptada para aquele realidade, em que é imposto ao aluno o estudo de uma língua que ele nada sabe e acha que não precisará nunca. Minha maior tarefa é mostrar a esse aluno que aprender inglês pode engrandecê-lo em diversos aspectos de sua vida, desde culturalmente até mesmo num futuro econômico. Mas o que desejo mesmo é que ele desenvolva uma consciência crítica e possa se inquietar com a predeterminação de um futuro sem sucesso que a sociedade da aos alunos de escolas publicas, e que a partir dessa inquietação ele possa agir.

Parabéns pela bolsa que você ganhou! Você poderia falar um pouco mais dessa bolsa para quem não a conhece?

Em primeiro lugar quero agradecer muito a BRELT. Fiquei sabendo da bolsa pelo grupo do Facebook e lembro de pensar que era impossível conseguí-la. Era apenas uma bolsa para todo o Brasil. Eu me sentei e resolvi dar o primeiro passo para esse sonho.
A bolsa é para assistir 5 dias da conferência de 50 anos da IATEFL em Birmingham, na Inglaterra. Com despesas pagas mais uma graninha para gastar lá. E o melhor de tudo? Fui aprovada para dar uma pequena palestra (30 minutos) numa conferência com pessoas que admiro e sigo há anos! Eu me sinto lisonjeada e muito feliz.
Claro que deu trabalho, mas ensinar nossos alunos dá trabalho também e estamos lá todos os dias felizes e contentes.

Como foi o processo seletivo? Foi muito trabalhoso e custoso?
O processo foi todo escrito. Eu tinha que escrever porque eu merecia essa bolsa, falar sobre minha experiência e mandar uma proposta de palestra. Escrevi ao longo de uma semana e enviei no último dia. Depois de um pouco mais de um mês recebi o e-mail que eu havia sido selecionada. Eu gritava em casa sem parar numa alegria absurda.

O que você espera do congresso?
Já recebi a programação e já sublinhei todas as palestras em que quero estar. Junto com a bolsa ganhei também a pré-conferencia (que e bem custosa) e um ano de anuidade do IATEFL. Recebo textos, notificações de webinars, posso fazer download de vários artigos.

Esperamos que você volte para nos contar como foi o congresso. Mas, antes disso, você gostaria de deixar um recado para seus fellow BrELTers?
Diria que tem que se inscrever para tudo que parecer interessante. Você acaba conhecendo pessoas, fazendo conexões, aprendendo coisas novas. Depois de ter sido selecionada eu estou fazendo parte de dois projetos, um deles com 4 lovely ladies do mundo todo! Uma experiência sem igual. Por mais que dê trabalho, agora eu me inscrevo para todas as bolsas que acho relevantes. Algumas vezes vou conseguir, um milhão de vezes não conseguirei, mas com isso vou conhecendo gente. E participem da página da BRELT no Facebook. Ótimos profissionais e ótimas dicas.

IATEFL 2015: Interview with Nicolas Prentis & Russel Mayne

Por Natália Guerreiro

Liste mentalmente os maiores nomes do ELT mundial.

*

*

*

Já pensou?

Agora confira com esta foto:

img_3970

Foto de Steve Brown

E aí, bateu?

Essa lista saiu de um estudo de Nicola Prentis e Russel Mayne com 500 professores. E eles fazem a pergunta: onde estão as mulheres? Numa profissão tão feminina, em que a sala dos professores é quase exclusivamente “dAs professorAs”, cadê seus nomes na lista dos bambambãs? Só a Ur no Top 10? E por que quase não se vêem mulheres nas plenárias e nos lugares de destaque dos congressos da área?

(E tem mais: cadê os jovens profissionais, que essa galera já é famosa tem uns 30 anos? E eu acrescento: onde estão os não nativos?)

Infelizmente, não se pode ver a apresentação, mas lá no site do IATEFL há uma entrevista com Nicola Prentis e Russel Mayne. Além disso, o Steve Brown escreveu um post imperdível sobre o assunto.

E vem aquele papinho de “ah, as mulheres não têm confiança ou não querem lugar de destaque”. Sério, pleno século XXI e temos ainda de ouvir uma dessas… Ainda bem que a curiosidade intelectual do Russel não tem limites e ele levanta a bola: se fosse o caso de as mulheres estarem sendo convidadas para essas posições e não aceitando, por que essa recusa? Será que o meio não é hostil a elas?

O entrevistador defende que não é culpa de quem está no topo que mulheres não estejam lá com eles. Claro que não, Nicola diz, e não se está apontando o dedo. Russel complementa que o fato de não ser culpa não quer dizer que não tenha nada que eles possam fazer para aumentar a igualdade e menciona algumas iniciativas interessantes que já estão sendo tomadas.

Obviamente, querer mais mulheres, mais não nativos e mais jovens no topo não quer dizer que estejamos declarando guerra contra os homens anglófonos com muito tempo de carreira. Não quer dizer que a gente não reconheça o valioso input desses profissionais, que têm, sim, muito a contribuir. Só quer dizer que precisamos discutir os motivos que levam o pódio internacional do ELT ser tão distinto da constituição da maioria no ramo… E, quem sabe, semear um futuro que possa ser diferente, com a diversidade mais reconhecida.