Talk to the expert: Priscila Mateini e educação inclusiva

Amanhã, sábado, é o segundo dia da 2nd IATEFL Web Conference cujo tema é Making connections across borders in ELT. O evento é gratuito para membros e não membros da IATEFL. Você só precisa se registrar neste link aqui e fornecer alguns dados, como nome e endereço de email.

Dentre as inúmeras talks, gostaríamos de destacar o painel de discussão que acontecerá depois da apresentação de Susan Hillyard e Mercedes Viola. A banca virtual será composta de profissionais envolvidos em educação inclusiva (clique aqui para ver o programa e a biografia de cada palestrante), dentre eles nossa querida Priscila Mateini.

Priscila trabalha como mediadora e pesquisadora no campo de adaptação de materiais e gentilmente nos concedeu uma entrevista.

BrELT: Como começou a sua história com educação inclusiva?

Priscila: Começou em 2011 quando estava dando aula de inglês em uma instituição em São Gonçalo. Uma psicóloga sugeriu que a criança fizesse inglês por ter facilidade em cantar as músicas da banda favorita e a deixava tranquila. Nessa época era pouco difundida a Musicoterapia, então a família foi à instituição e conversou com a coordenadora e informou que ela era portadora de Síndrome de Down. Na mesma hora, a coordenadora não hesitou em acolher a criança e colocou na minha turma. Aí que começou tudo.

Meses depois, fui indicada para dar aula a uma criança com autismo. Nessa época não sabia que teria um contato mais profundo, pois foi em 2012 que descobri que meu filho era autista.

BrELT: Como foi a experiência de dar aula para uma criança autista?

Priscila: Foi uma experiência bem marcante, pois eu não sabia lidar com uma criança especial, nem sabia que tipo de metodologia, material que poderia fazê-la mais participativa a minha aula. Foi então que entrei em contato com os pais e pedi para falar com a psicóloga. Ela foi me orientando, e aí fui adaptando o conteúdo a ela. A turma a acolheu muito bem, não tivemos problemas. Os pais até gostaram pois os filhos estavam aprendendo de uma forma mais afetiva e carinhosa.

BrELT: Que idade tinha o seu filho quando recebeu o diagnóstico?

Priscila: O Lucas foi diagnosticado com 2 e meio. Nesse mesmo período, eu já dava aula para 2 crianças, e a instituição começou a ser procurada pelas famílias de outras crianças. Assim tive contato com crianças com dislexia, hiperatividade e com distúrbio de aprendizagem.

BrELT: Como foi para você, como mãe, lidar com o diagnóstico?

Priscila: Foi um grande balde de água fria, pensei em desistir com tudo, e focar no meu filho. Tive que parar uma pós-graduação e buscar ajuda para lidar com a situação. Mas tive anjos ao meu lado. Com apoio da minha família, a equipe multidisciplinar do Lucas e do trabalho me fizeram ver de outra forma a situação. Então aquilo que era doloroso tornou-se um campo de pesquisa e aprendizado.

Hoje me sinto muito feliz por ser convidada em mesas redondas aqui no Brasil e fora para ajudar professores, educadores e pais a buscarem uma real inclusão para essas crianças. Não basta dizer que é uma escola ou um profissional que acredita na inclusão, tem que colocar a mão na massa e fazer acontecer.

BrELT: Parece que você teve uma ótima rede de apoio. Qual é o maior dificuldade de pais de crianças autistas que porventura não podem contar com esse apoio?

Priscila: Infelizmente, ainda é um tratamento caro. Existe na Rede Pública, porém só 1 vez ao mês não adianta. O tratamento é semanal, com fonoaudióloga, psicóloga e terapeuta ocupacional. No caso de crianças que estudam em escolas publicas, elas raramente possuem um apoio desse semanal, então fica muito difícil o professor sozinho lidar com uma situação dessas, por isso a necessidade de mediadores. Por lei essas crianças precisam de mediação. Uma professora sozinha com um autista na sala com mais 30 alunos não tem como ele se desenvolver. É o que mais vejo quando faço estudo de campo em algumas escolas.

BrELT: O que podemos esperar do painel amanhã?

Priscila: No painel de amanhã falaremos sobre a inclusão dessas crianças nas escolas, o que o professor pode fazer, como lidar com essas crianças já que não somos formados com ênfase em educação especial, e como adaptar materiais. Discutiremos esse tema tão importante às 9:15 (horário de Brasília) com especialistas no assunto de 4 países: Susan Hillyard- Argentina, Mercedes Viola- Uruguai, Phil Dexter – Reino Unido e eu. Como profissional da área de educação, será um grande apoio para os professores. Como mãe de criança especial, será a chance de trazer a tona a inclusão para nossos filhos.

BrELT: Muito obrigado pela entrevista, Priscila. É um orgulho tê-la representando a comunidade brasileira.

Priscila: Muito obrigada ao Brelt por divulgarem essa questão tão importante.

“O mundo necessita de todos os tipos de mentes”
Temple Grandin

Terminamos este post com uma sugestão de vídeo da própria Priscila. Esperamos todos vocês amanhã!

Resumo: “DÊ EFICIÊNCIA”- Que atire a primeira pedra aquele que não tem necessidades especiais.

Este resumo do chat foi escrito pela professora Shirley Pires Rodrigues. Agradecemos imensamente pelo trabalho dela em redigindo este resumo que facilita o entendimento das ideias que surgiram durante nosso chat.
(@shirleyteacher and http://www.facebook.com/shirley.rodrigues.18).

“A qualidade mais universal é a diversidade.” (Michel de Montaigne)

Nossas experiências:
Nosso BRELTchat foi um misto de confessionário, troca de experiências, dicas e, como sempre, muito aprendizado para todos nós .Todos os participantes tinham alguma história de inclusão/exclusão para contar, envolvendo gente muito próxima a cada um. Começamos contando nossas experiências com alunos com necessidades especiais em nossas escolas. Casos de diversas origens já passaram em nossas salas de aula e em nossas famílias: cadeirantes, TDAH, deficientes visuais, auditivos e intelectuais, entre outros. Diante de tantos testemunhos, podemos ter certeza do que disse o filósofo francês Montaigne, citado logo no início: a diversidade é universal! Sem medo de cair no cliché, ainda digo que “ser diferente é normal” e mais corriqueiro do que se imagina.

Nossas aflições:
O maior questionamento de todos foi em relação à maneira correta de lidar com estes alunos. Não há orientação formal, ou matérias específicas na faculdade, por exemplo. Algumas instituições realizam algum tipo de treinamento, mas, muitas das vezes, nada que possa dar segurança aos professores para ter certeza do trabalho a realizar com alunos PNE (Portadores de Necessidades Especiais). Nesta empreitada, nós acabamos por fazer tudo de maneira solitária e intuitiva, buscando leituras e informação no assunto por conta própria, à medida que alunos PNE chegam a nossas escolas. Segundo os relatos dos participantes, todos acabavam sempre por lançar mão de recursos próprios, na maioria das vezes com pouco ou nenhum suporte das instituições de ensino ou governos, para que o trabalho com PNEs fosse bem sucedido.

Nossos percalços:
A pior coisa mencionada pelos participantes foi exatamente a não-participação daqueles que são peça primordial na inclusão de PNEs: a família. Ainda há pais e responsáveis que se negam a enxergar a condição do filho ou que tratam de maneira errada ou mais conveniente, dando altas doses de remédios, para crianças ainda muito pequenas, numa tentativa de minimizar sintomas e, consequentemente, diminuindo o tempo necessário de dedicação à criança. Os casos onde a família se exime da responsabilidade são os maiores entraves apontados pelos participantes. Diagnósticos errados ou seguindo “a moda”, onde qualquer aluno mais ativo e cheio de energia é considerado TDAH, por exemplo, também são corriqueiros. Por outro lado, o contrário também acontece, quando familiares protegem demais os filhos PNE e demandam da escola um tratamento de igual superproteção, criando uma tendência a que este último se esconda atrás de sua necessidade especial, impedindo ou retardando sua inclusão e desenvolvimento.

Nosso orgulho:
A parte positiva de todos os depoimentos é que tivemos muitas histórias bem sucedidas, onde professores puderam abrir os olhos da família para a real necessidade de seu filho, ajudar a resolver diagnósticos errados, negociar informações e opiniões com o próprio aluno PNE, dispensar intérpretes ou outro profissional de amparo, quando este chegou já com adiantado do ano letivo, porque o aluno PNE já estava totalmente incluído no grupo. Casos em que a ajuda de um profissional de área específica – psicologia, saúde ou fisioterapia – não foi mais necessária porque nós, professores, já havíamos, grosso modo, assumido todas estas funções, usando inclusive a TIC aplicada a Educação. Na grande maioria dos casos, o professor foi capaz de incluir o PNE, mesmo que com recursos ou apoio limitados.

Nossas conclusões:
A inclusão é hoje uma realidade e dela já não se pode mais escapar. Há que se disponibilizar mais treinamento e orientação formal aos profissionais. A criação de matérias na universidade para futuros educadores e profissionais ligados a Educação também se faz necessária. A atualização de profissionais de áreas como saúde e psicologia também mudaria o cenário da inclusão de PNEs para melhor. Todos concordaram que é um trabalho constante e muito desafiador, uma vez que cada PNE, além de ter uma necessidade especial, é um indivíduo, único em sua constituição física, herança familiar e histórico médico e social. E este indivíduo, como qualquer outro, é cada vez mais parte do grande organismo que é a nossa sociedade.
Em nossos alunos PNE, o que procuramos é nada mais, nada menos que o mesmo que procuramos em nossos alunos ditos “normais”: que eles tenham a oportunidade de descobrir e desenvolver suas capacidades e talentos individuais em sua plenitude, fazendo, de cada um, parte indispensável do todo que é o grupo social onde está inserido.

Michel de Montaigne, em seus Ensaios escreveu, entre outras coisas, sobre a desigualdade que existe entre nós. É desta parte dos escritos de Montaigne que vem a frase que acho perfeita para terminar o nosso resumo: “o que se procura é o valor da espada, não o da bainha que a cobre…”

Nossas sugestões de leitura:

http://www.teachingvillage.org/2011/03/07/about-mountains-challenges-and-teaching-by-cecilia-lemos/ (sugestão de Cecilia Lemos)
http://www.tes.co.uk/autism-spectrum-disorders-and-asperger-syndrome-sen-teaching-resources/ (sugestão de Valéria França)
http://www.youtube.com/watch?v=G43qNZjmfz0 (sugestão de Giselle Santos)
http://www.templegrandin.com/ (sugestão Prisicila Mateini)
http://httpcreceeducacaooespecialblogspo.blogspot.com.br/2012/11/facilitando-alfabetizacao-facilitando.html (sugestão de Valéria França)
http://carlysvoice.com/home/ (sugestão de Shirley Rodrigues)
https://www.facebook.com/carlysvoice?fref=ts (sugestão de Shirley Rodrigues)
:http://www.ted.com/talks/temple_grandin_the_world_needs_all_kinds_of_minds.html (sugestão de Mila Navarro)
http://specialed.about.com/od/managementstrategies/a/dyslexic-friendly-classroom.htm (sugestão de Valéria França)
http://www.pedagogiaaopedaletra.com.br/posts/manual-para-pais-sobre-educacao-especial-inclusao/ (sugestão de Valéria França)
Nossa transcrição:

Para ver um a compilação em vídeo de alguns comentários dos participantes, siga o link:

http://www.videolog.tv/shirleyteacher/videos/950971

Entrevista com o Professor Antônio Borges: Como fazer a inclusão de alunos com necessidades especias na sala de aula

Em continuação ao nosso tema de discussão do dia 26/04, a professora Maria do Carmo Xavier entrevistou o Professor José Antônio Borges, que explica um pouco mais sobre a sua opinião do que devemos pensar quando falamos da inclusão de alunos com necessidades especiais em nossas salas de aula.

Lei mais:

http://www.sac.org.br/CEN_DOS.htm

http://inclusaoecia.blogspot.com.br/2012/01/inclusao-cia-entrevista-jose-antonio.html

Veja mais:

http://www.youtube.com/watch?v=siqFiFFedM0